Maia cria CPI para investigar vazamento de óleo no Nordeste




Por Marina Barbosa 

Pedido da CPI do Vazamento de Óleo foi apresentado pelo deputado João Campos com 267 assinaturasReprodução/InstagramReprodução/Instagram
A Câmara dos Deputados vai instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a origem das manchas de óleo que atingem as praias do Nordeste e do Espírito Santo. Proposta pelo deputado João Campos (PSB-PE) com o apoio de 267 parlamentares, a CPI do Vazamento de Óleo já recebeu o aval do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A decisão consta de despacho divulgado nesta segunda-feira (18) e será lida no plenário nos próximos dias para que os líderes partidários indiquem os membros do colegiado.

"Esta presidência dá conhecimento ao Plenário da criação da Comissão Parlamentar de Inquérito com a finalidade de investigar as origens das manchas de óleo que se espalham pelo litoral do Nordeste, bem como avaliar as medidas que estão sendo tomadas pelos órgãos competentes, apurar responsabilidades pelo vazamento e propor ações que mitiguem ou cessem os atuais danos e a ocorrência de novos acidentes", diz o despacho assinado por Maia.

Ainda de acordo com o ato da presidência da Câmara, a CPI será composta por 34 deputados e igual número de suplentes. Esses membros serão indicados pelos líderes partidários assim que o despacho de Maia for lido no plenário da Câmara e terão até 180 dias para chegar a uma conclusão sobre as manchas de óleo que há mais de dois meses poluem o litoral do Nordeste brasileiro. A expectativa é que a relatoria da comissão fique com o PSB, possivelmente com o próprio João Campos, que é filho de Eduardo Campos e há mais de 20 dias vinha defendendo a abertura da CPI do Vazamento de Óleo.

Segundo o autor do requerimento que propôs a criação dessa Comissão Parlamentar de Inquérito, o colegiado vai apurar a origem do óleo, estudar quais punições podem ser aplicadas aos responsáveis pelo desastre ambiental que desde setembro atinge o Nordeste, avaliar o trabalho de contenção do óleo coordenado pelo governo federal e também discutir medidas que possam evitar a ocorrência de novos desastres ambientais como esse. "Temos o direito de saber a origem desse óleo, além de avaliar a atuação dos órgãos responsáveis e buscar uma legislação ambiental mais adequada para esse tipo de desastre", disse João Campos. No Twitter, o deputado lembrou que as primeiras manchas de óleo surgiram há mais de 75 dias e continuam sem a origem identificada.

O pedido da CPI do Vazamento de Óleo foi apresentado por João Campos com a assinatura de 267 deputados - quase 100 a mais que as 171 assinaturas necessárias a um requerimento desse tipo- em 23 de novembro. O requerimento levou quase 20 dias para receber uma decisão final de Maia, pois, além da pressão dos ambientalistas que defendem a CPI, o presidente da Câmara foi pressionado pelo trade turístico. O trade temia que a abertura de uma CPI que estendesse as discussões sobre as manchas de óleo por mais seis meses prejudicassem ainda mais a atividade turística na região. Deputados como João Campos, porém, argumentaram que a CPI seria positiva para o turismo porque também buscaria formas de prevenir novos acidentes como esse.

A cobrança pela investigação da origem das manchas de óleo, por sinal, aumentou nos últimos dias, visto que o resíduo, que já polui o litoral dos nove estados do Nordeste, também atingiu o Espírito Santo e pode chegar ao Rio de Janeiro se continuar se alastrando pela região Sudeste. Segundo o último balanço do Ibama, 643 localidades de 116 municípios localizados nesses dez estados brasileiros já foram afetados pelo óleo.

Congressoempoco.com.br

 





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