A candidatura a prefeito de Nilvan Ferreira: boi de piranha ou bate-esteira de Julian Lemos?




Por Flávio Lúcio

Como não é incomum usar essas expressões como metáforas para situações da política, vamos utilizá-las aqui para tratar da candidatura do radialista Nilvan Ferreira, que foi lançado com incomum antecedência pelo deputado federal pelo PSL e ex-homem de confiança de Jair Bolsonaro na Paraíba, Julian Lemos.

A candidatura de Nilvan Ferreira voltou à pauta durante o fim de semana passado porque o jornal Correio Braziliense incluiu o seu nome entre os possíveis candidatos a prefeito do PSL.

O jornal diz que um dos objetivos do PSL, em 2020, é “reposicionar a imagem do partido aos moldes de uma nova direita“, que continua a abraçar a pauta de liberalização econômica, ou seja, de privatização, abertura e “flexibilização” dos direitos dos trabalhadores, e de defesa dos conservadorismo nos costumes.

O novo PSL considera que a pauta que Bolsonaro defende é autoritária e “remete à ditadura militar”. Por isso, o rompimento com o presidente permitirá uma ampliação das alianças nas próximas eleições.

A matéria também traz números cujo montante pode explicar as reais motivações para que políticos inexpressivos como Juliam Lemos tenham optado por romper com o presidente da República e não acompanhá-lo na fundação do novo partido, o Aliança Pelo Brasil: em 2020, o PSL terá à disposição R$ 358 milhões do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário! Esses valores que poderão chegar na eleição de 2022 a R$ 1 bilhão de reais!

Julian Lemos deixará Nilvan Ferreira ser candidato?

A matéria do Correio Braziliense anuncia uma saia-justa para o radialista do Sistema Correio, um dos defensores mais encarniçados de Jair Bolsonaro na imprensa paraibana. Nilvan não só defende o presidente como a gestão bolsonarista e seu programa de reformas.

Nilvan deve estar no maior dilema. A estratégia de sua candidatura parecia até aqui amparada em dois suportes: seu conhecimento como radialista e apresentador de televisão de programa popular e o “diálogo” permanente com eleitorado de direita que continua a apoiar Bolsonaro em João Pessoa.

Ao permanecer no PSL, Nilvan vai ter de se “repaginar” também para se ajustar à nova linha do PSL. Se fizer isso, tende a perder parte expressiva do eleitorado bolsonarista, que tende a migrar para o candidato pela família do presidente, que deve lançar candidato em João Pessoa, porque foi com esse objetivo que o Aliança Pelo Brasil, o novo partido do presidente, foi criado.

Por outro lado, manter-se no PSL oferece à candidatura de Nilvan uma expressiva estrutura de financiamento de campanha.

Eu duvido, entretanto, que Julian Lemos deseje bater esteira para Nilvan Ferreira apenas por compromisso com o fortalecimento partidário. Sem o apelo da proximidade com Jair Bolsonaro, que Lemos explorou tanto e que foi o fator principal que o elegeu deputado federal, ele precisará do máximo de exposição daqui por diante se quiser se inserir como alternativa eleitoral dessa “nova direita” para tentar se reeleger.

Mas, como Nilvan Ferreira já foi lançado informalmente candidato a prefeito de João Pessoa, e adotou a estratégia de polarizar com quem considera seus principais adversários (Ricardo Coutinho e Gervásio Maia), ele também já virou alvo. E começa a se desgastar.

Foi essa a intenção de Julian Lemos ao lançar tão cedo a candidatura de Nilvan Ferreira: fazê-lo seu boi de piranha. Enquanto polariza, Nilvan vira, obviamente, alvo.

Na última vez em que foi entrevistado no programa de rádio apresentado pelo próprio Nilvan, Julian Lemos cobrou no ar pressa na oficialização da pré-candidatura do radialista – isso ainda a um ano da eleição, demonstrando com ter (injustificável) pressa. Mas não é só isso: ao cobrar uma definição, Julian Lemos avisa que a oferta da candidatura tem prazo de validade. E tem.

Lemos sabe que Nilvan Ferreira não pode fazer esse anúncio antecipado porque isso prejudicaria os programas que Nilvan Ferreira apresenta na TV e no rádio, como sua própria imagem de radialista. Talvez ele conclua que a candidatura pode ser uma aventura que pode prejudicar definitivamente sua carreira e ele desista.

Quando e se isso acontecer, Nilvan será cobrado a retribuir o “apoio” oferecido por Julian Lemos à sua candidatura.

Então terá chegado a hora de Nilvan fazer o que só aparentemente Julian Lemos faz para ele: bater esteira.





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