Todos querem o PMDB. Mas só se for com José Maranhão junto



 
A candidatura do deputado Manoel Jr. trouxe alguns problemas sérios para o PMDB, entre os quais entrar numa disputa polarizada entre dois candidatos financiados por poderosas máquinas públicas, em hora de sumiço dos financiadores privados.

Manoel Jr se mexeu, se mexeu, e não encontrou abertura. Nesses momentos até mesmo os correligionários mais entusiasmados começam a achar o candidato fraco e meio espinhento, daqueles que a simples presença causa uma certa urticária. Além do mais, são os outros candidatos que atraem pelo charme e pelo cheiro. É medonho.
Mas Manoel Jr não entendeu que nesse tabuleiro da eleição de João Pessoa se movem as peças mais importantes da política estadual , RC, CÁSSIO e MARANHÃO, e um jogo estratégico de revanches entre eles. É partida de craques, com direito à assistência de muitos torcedores.

Quando abandonou a disputa, Manoel Jr apressou-se para transferir em seu nome o apoio a um dos lados, pois com o outro lado tem reconhecidas incompatibilidades. Relevou, contudo, o fato de que todos os lados querem mesmo é o apoio de Zé Maranhão, o homem que tem o valor dos vinhos velhos.

Por conta desses acidentes de percurso, o processo político na Capital está zerado. Nas últimas horas, o assédio a Zé Madanhão virou tensão nos bastidores, pois ele transita com desenvoltura e prestígio por todos os lados. É a cereja do bolo. Pode indicar o vice que quiser de qualquer candidato, sem pestanejar.

Por fim, ressalvadas as questões partidárias e seus conflitos, Cássio quer se juntar a Maranhão de todo jeito ( e também vice-versa ). Mas RC também já se juntou com um e outro para tentar esfolar um deles : esfolou os dois. Pode haver revanche, começando pela Capital. De qualquer forma , só há desempate com 2x1.

Lula quem foi solução, hoje é problema




Quando Lula se elegeu presidente em 2002, depois de três derrotas seguidas, o país parecia feliz, embora houvesse apreensão de certas camadas da população com relação aos rumos governamentais inspirados na pregação esquerdizante.

Os temores se amainaram por causa das alianças feitas para viabilizar a eleição de Lula e, mais ainda, pela mesclagem da formação do governo, onde entraram todos os bichos dos zoológicos antigos. Foi a chegada da Arca de Noé no Brasil.


Poderia até ter dado certo, não fosse a mistura de tantos bichos, uns mais velhos e mais espertos, e outros querendo aprender a traquinar . Terminaram por traquinar juntos , muito mais do que traquinariam se estivessem separados ou se os mais sabidos não tivessem adestrado os mais lerdos.

Foi coisa parecida com aquela historinha da chegada dos macacos ao Céu . Fizeram por lá tanta safadeza e imoralidades que Deus foi obrigado a expulsá-los do Paraíso . Logo Deus , que os criou e devia suportar suas criaturas !


Com o lulopetismo e suas macaquices o Brasil viveu tempos divertidos. E bons tempos. Tudo parecia harmônico e normal na relação de pessoas, bichos e a narureza. Uma festa – o paraíso aqui mesmo na selva de animais amestrados. Até que se descobriu que os macacos, aparentemente pacíficos e comportados, estavam degenerando o ambiente, como fizeram no Céu.

E agora, devolvê-los para onde ? O que fazer do chimpanzé líder, que foi o símio mais assemelhado a nós, de quem cuidamos com zelo irmanal mas o vemos agora contaminado pela impureza das imoralidades de sua raça ? Dói-me só de pensar.

Dilma vagueia em torno da guilhotina. A lâmina está sendo alevantada



 
O que tem de ser tem força, dizem os espíritas, que acreditam na predestinação da vida. isso não é ciência exata, é crença, mas serve para meditação.
Em muitos casos , o que vai acontecer se revela antes, dá os sinais. Tem tanta força que gera a impressão prévia de certeza.

Quando o lulopetismo , anos atrás, negou o Mensalão, ficou logo a desconfiança de que o dilúvio era bem maior do que as nuvens anunciavam . Havia sinais de tempestade por todo o céu. Mas houve um acordão na terra entre as autoridades da república : mata-se o Mensalão para salvar o que de mais podre sobrar dele. E sobrou.
Dez anos depois, os esgotos estouraram pelo excesso de fezes humanas acumuladas . Fezes SELETIVAS ( para usar uma expressão do dicionário petista ), de gente bacana, os empoderados.

Mas a velha tática vinda dos valhacoutos ( refúgio de margineis ), é negar o acontecido concreto, não o imaginado. Ou seja : nem o que acontece tem força, negar é que tem.
É essa anti-força alucinógena que carrega Dilma e sua trupe à guilhotina. Não importa mais o que dizem : todos sabem, assim como a lâmina amolada e cortante da estrovenga justiceira, que ninguém será decapitado ali inocent

Todo dia o Governo Temer morre um pouco. Quando morrerá de vez? - Gilvan Freire



 
O país está passando por uma demorada via-crúcis, que sai do pretório e segue martirizando o povo até o calvário. O pretório, nos tempos da Roma antiga, foi tudo : abrigo dos generais, palácio dos soberanos e tribunal.


Melhor que tenha tido ao longo da história essas denominações. Vale a pena considerar hoje, simbolicamente, no Brasil, que o pretório seja a junção dos três, significando todas as autoridades juntas nos três poderes. Do ponto de vista da má fama, são assemelhados e praticam desatinos em associação. Se atolam cumpliciados nos lamaçais que infestam a nossa Roma.


A nossa Via Dolorosa é longa. Vem de 13 anos, quando o governo não era muito bom mas ainda poderia piorar e a gente nem acreditava nisso. Governo aqui no sentido também dos três poderes. Havia pelos menos uma aura de confiança pública nas autoridades constituídas. Não sobrou sombras do que o povo imaginava que fossem.
Lula, Dilma e Temer são os fantasmas dessa trindade mal-assombrada. Milhos do mesmo cuscuz estragado.. Nos demais poderes, as figuras são dessa contemponeidade maldita. Ninguém morre de vez nem desiste do poder . Nós é que temos a obrigação de tolerá-los. Eles parecem imortais, mas nós morremos antes do tempo. De desengano, tédio e inconformação. Mas sem o poder ele definham e somem . É um alívio social e uma grande economia de dinheiro público. O sumiço é uma forma de matar os imortais . Que sumam.

Procuram Cícero mas não acham. Só ele sabe o porquê - Gilvan Freire




É um mistério completo a posição assumida por Cicero Lucena de abandonar a vida pública. É compreensível que algumas pessoas se enojem da atividade política pela simples razão de que ela não garante retribuição moral e nem gera felicidade.
Mesmo assim e apesar disso, são muitos os que encontram retornos, via de regra pouco lisonjeiros. Mas é assim mesmo : a felicidade de cada um pode ser alcançada pelo bem ou pelos bens.

Cicero Lucena, beirando os 60 anos ( completa 59 em 5 de agosto, dia de aniversário da cidade), mergulhou - segundo ele para ser feliz fora da política. É mais fácil. Mas ele também admite que foi feliz com os eleitores. O problema estaria na qualidade dos líderes grandes.

Pena. Desde 1990, quando se elegeu vice-governador, Cicero foi tudo : governador, ministro, prefeito duas vezes da Capital e senador. Ninguem mais foi tanto na Paraíba em 25 anos apenas. Agora recolheu-se. Sabe que não há mais espaço para a confiança, a solidariedade e a amizade. Os atributos exigidos são outros. Sua alma não tem essa frieza dos novos tempos.

Ninguem sabe se Cicero se cura dessa era glacial que domina o ambiente político, misturando gelo com dejetos. De qualquer forma, essa é a sua busca pela felicidade. Há vida do outro lado da rua. Ele está espiando, ainda meio assustado, mas parece gostar.

Cássio e Maranhão se unem para nada - Gilvan Freire




Estão superaras as divergências figadais que separavam Cássio e Maranhão. Os dois brigaram durante quase uma década por causa do poder, porque os dois o queriam integral ao mesmo tempo. Quando um foi cassado por conta do outro, tiveram de dividir o poder ao meio, dois anos para cada. À força.


Desde que se dividiram – antes eram aliados – Cássio e Maranhão queriam reinar sozinhos. Mas cada um teve de se aliar a outros para sair do empate na guerra mortal pela conquista dos eleitores. Foi aí que surgiu o desempate, RC, que se aproveitou do duelo sangrento entre os dois desafetos exaustos para lhes roubar as armas
Em 2014, com medo do intruso capaz, CCL e ZM ensaiaram um armistício. Até que avançaram, mas os ranços e as vaidades ( e as desinteligências ) impediram. RC achou o máximo e completou duas vitórias sobre os dois, uma sobre cada um. Bem feito.

Agora, Maranhão e Cássio estão 100º afinados. Aprenderam com as derrotas. Mas RC entende que para desempatar entre os três é preciso que dois se unam. Já fez isso mais de uma vez com êxito em causa própria. A lógica é a mesma. A política dos aliados dos três no Estado é que vai unir ou separar de novo, não João Pessoa somente. A paz pode ter chegado tarde para dar os resultados merecidos.

Maia em Brasília e Maia na Paraíba dois espantadores de fantasmas




Na Cârama Federal, para afugentar os maus espíritos e exorcizar os demônios – não aqueles que ameaçam entrar naquelas instalações suntuosas, mas os que se encontram encastelados lá dentro – os deputados escolheram um presidente tampão para governar a Casa até fevereiro de 2017.
Não é fácil achar um líder limpo ali, mas, ao menos, houve a preocupação de não escolher-se um sujo contumaz. Garimpagem possível mas mesmo assim de muito risco, pois não foi uma escolha consensual, tamanha a disputa entre as várias facções criminosas .
Vendo pela televisão os discursos, as promessas e as propostas dos candidatos, inclusive dos dois que foram para o 2º turno, não sobra esperança de nada. Nem há tempo, porque o período é curto. Também é improvável que um homem só mude 513 bocas entortadas pelo uso de velhos cachimbos amaciados. O vicio faz o homem.
Contudo, quando os líderes não são degenerados, os liderados são menos. Um líder moralmente aceito como tal não permite e nem contribui para a ampliação das indecências. Rodrigo Maia, sob este aspecto, pode conter as enchentes de lama que varrem os salões do Parlamento. Além do mais, ele é dos Maia da Paraíba – seu avô nasceu na Fazenda Liberdade , Catolé, hoje pertencente ao doutor Paulo Maia - a mais antiga oligarquia política do Estado (mais que centenária) , e a mais honrada.
O deputado Gervasinho, parente não muito distante de Rodrigo Maia, assumirá a presidência da Assembleia em fevereiro de 2017. O seu papel é regenerador de um poder que desviou-se de sua boa fama, como a Câmara, por influência de um Cunha. Vamos aguardar.

Vidente cego - A União de Maranhão, Cássio, e Cartaxo e a matemática conspirando contra




Há três líderes donos de muitos votos no Estado : RC, Cássio e Maranhão. Luciano Cartaxo é o aspirante mais promissor à quarta colocação.

Cartaxo procura unir-se a dois para desequlibrar a divisão dos pesos e enfrentar o terceiro, o mais devorador. Todos desconfiam das boas intenções de todos mas já se entenderam quando era para eliminar um deles e garantir a própria sobrevivência.

RC sempre desejou eliminar seus rivais para reinar sozinho e soberano, usando uns contra os outros e impondo derrotas a todos. Brigando ao lado de RC, os demais ganharam com ele e nada levaram. Ou seja : RC sabe matar mas ainda não aprendeu a morrer.

Agora, todas as vítimas de RC querem se unir. Não é pela amizade nem pela confiança recíproca : é pelo instinto de sobrevivência. Mas o medo assusta : nem RC nem Cartaxo respeitam as amizades ou cumprem compromissos, são esquisitos demais.
Mas, o que desajuda mesmo na tríplice aliança da Capital é a matemática. Ela contabiliza vantagens numéricas na associação de Maranhão com RC. O xadrez passa por Campina e Veneziano, Patos e Guarabira, o senador Lira e, de modo especial, o futuro próximo de 2018, o PMDB e o vazio de quadros. Maranhão faz as contas. E RC se anima.

Muda a Presidência da Câmara mas a Câmara não muda




Bom seria que a Câmara dos Deputados mudasse de lugar, o lugar mudasse de deputados e os deputados mudassem de eleitor, sem precisar que o Brasil mudasse de nome. O país está no lugar certo, nós outros é que inventamos um Brasil diferente.
Brasília é o lugar novo envelhecido, desde que o Rio transferiu a sede da república para lá. Com os poderes foram transferidos os maus hábitos. Cunha, por exemplo, é a reencarnação dos políticos malandros cariocas do tempo da república velha, sem o charme da boemia, da música e das escolas de samba .

Se Deus mandasse os políticos ruins para o inferno, Brasília seria o Céu , coisa impossível porque quem manda os políticos para o Congresso são os eleitores, e não Deus. E se Deus resolvesse matar os eleitores brasileiros ? Bem, faria uma faxina lava-jato : ficaria livre de maus filhos e os políticos morreriam de tédio e de saudades de seus cúmplices prediletos mais próximos, gente que os ajuda no sucesso da malandragem.


Como Deus não demonstra ira mortal contra os políticos e seus eleitores, e como não revela intenções de acabar com Brasília através de um tsunami, à falta de mar nas proximidades, talvez a melhor solução seja deixar que os políticos se destruam. Eles estão fazendo a parte deles, aguardando Deus que os eleitores façam também a sua.
Vai demorar um certo tempo ( espera-se um breve tempo ). O tempo de Deus não é igual ao tempo dos homens, garantem os cristãos. Nem a ira é a mesma. Mas se Deus, irado a seu modo, resolver eliminar um desses, que não sejam os benevolentes eleitores – eles ainda poderão salvar Brasília, o Congresso e Brasil.

O PT faz a festa sobre o esquife de Cunha mas ninguém sabe porque o PT ri - Gilvan Freire



 
Impossibilitados de se salvarem todos mediante acordo de sobrevivência em grupo, envolvendo os corruptos de todas as matizes em todos os poderes, resta agora aos desafortunados meliantes assistirem a queda das corporações criminosas e seus chefes. O afastamento de Dilma, de um lado, gerou um efeito cascata que derrubará muito mais gente no outro lado. Isso se considerarmos que há vários lados dentro da mesma organização, mas todos querendo a mesma coisa : a divisão da féria, palavra que tem o significado de apurado.


Primeiramente, sou obrigado a retirar o vocábulo “ desafortunados “ com o sentido de “não ter fortuna “ , pois estou tratando de gente que mete a mão em muito dinheiro, só que em dinheiro dos outros, dinheiro alheio, do povo. Mas são desafortunados agora, porque terão de devolver os furtos, menos naturalmente os recursos que já usaram em farras e orgias. E ainda sofrerão as amargas desmoralizacões dos cárceres e dos vexames familiares. Envergonham filhos e pais e demais familiares.

No plano estritamente político, onde atuam os delinquentes em bandos, as reações de uns ou de suas corjas são ainda meio patéticas : não baixam a cabeça, não assumem as culpas, não demonstram sofrimento e não choram. Mas se digladiam, assim como fazem as facções criminosas, ou para confundir e desnortear a polícia, ou para disseminar o ódio e a vingança entre os rivais.

A queda de Eduardo Cunha da presidência da Câmara é o efeito dominó da queda de Dilma, e representa a vingança dos gatunos que saíram debaixo das tetas dela, a mãezona que nutria muitos ratos com leite público. Cunha não é melhor nem pior do que os petistas abrigados no lulopetismo devorador das rendas do Tesouro. Cunha é apenas o mais inteligente, o mais arguto, o mais ladino. Não é um rato, é um guabiru.
Mas onde estava Cunha nesses anos todos, até que a casa caísse ? Atuava como, em companhia de quem, em que lugar ? Pois é : Cunha estava dentro dos governos petistas, fazia parte dos grupos de dominação, transitava pelos labirintos oficiais, da mesma forma como fazia a fina flor do PT.


Cunha sucumbe à artilharia dilmista, sem poder auferir da popularidade granjeada perante a opinião pública do país pela cruzada que fez no parlamento para apear o petismo do poder. É uma obra e tanto de implosão do antro central da criminalidade governamental.

Mas ele já começa a chorar pelo desmonte da indústria de indecências que ajudou a comandar no Brasil ao lado do petismo que desmorona. Só não se entende porque o PT ainda encontra nisso algum motivo para sorrir. É como o cisne, que quando está morrendo dana-se a cantar, é ?

O império dos desatinos ruiu, os soberanos rumam para o cadafalso




Em certas horas dá pena. Nunca se viu antes tanta gente bacana sendo conduzida à prisão. Homens e mulheres de biografias notáveis, reputadas autoridades, homens públicos de passado limpo, agora são todos fichados como delinquentes. Pior : expostos perante a população enfurecida que, como nos tempos antigos da velha Roma, quer vê-los crucificados e supliciados.


Diante do calvário e da expiação pública, quase todos se deprimem. Choram, se abraçam em família, perdem o gosto pela vida e assistem à destruição inevitável dos bens mal adquiridos e das condições nababescas de vida que levavam. Mas o império está sendo paulatinamente destroçado sem que ninguém possa fugir ou se esconder.
A obra de desmonte e faxina não está ainda no meio, tem uma profundidade e extensão jamais imaginadas por qualquer um de nós, nem mesmo pelos investigadores. A cada dia tem mais surpresas e os tentáculos da justiça precisam ir sempre mais longe a fim de garimpar o fundo dos poços insalubres da corrupção enraizada.


Vai haver ainda mais murmúrios, lamentações e ranger de dentes. Tragédias, sim, também haverá. Possivelmente gente muito importante vai morrer ou suicidar-se . É o preço de um desastre coletivo sem precedentes na história do Brasil, mas inadiável para que o povo e a sociedade sobrevivam..


. O cenário vai ficando esquisito. Teremos de nos acostumar com o vazio de nomes e pessoas que habitavam os nossos cotidianos, nas quais ( muitas ) acreditávamos e confiávamos sem reservas, em razão dos bons históricos que tinham. Queimam-se agora nas fogueiras de São João, e arderão para sempre, belas biografias, ou falsas belas biografias que ilustravam a vida política do país. Outros são apenas delinquentes profissionais, guabirus de garrafas, aqueles que entram no vasilhame e deixam o rabo de fora para garantir a volta. Mas reservo ainda uma lágrima para os idealistas que, por amor ao poder, perderam a honra. Sou fraco : choro.

Até as árvores se assustariam se, de repente, ficassem todos podres sem cair dos pés




Os políticos têm todo o direito de achar que o povo é imbecil. Afinal, durante esses anos todos de enganação, usurpação e desmoralização imposta por eles a seus eleitores e ao país, o cidadão foi elevado à condição de idiota, uma promoção dada aos que se julgam patriotas mas são incapazes de defender minimamente os interesses da nação e a moralidade pública , contra a sanha dos abutres que fizeram do Brasil uma grande carniça, rica em proteínas. Bem feito : se o povo acha bom e cheiroso esse mau cheiro, que se atole nele até até a boca, podendo ainda tirar proveito gustativo da podridão.

De tanto andar sobre os lamaçais e não torcer o nariz diante das fedentinas, parece que nos acostumamos a elas. Somos os filhos dos entulhos e dos esgotos, e não os filhos do Brasil – a nação bonita e rica que cheira a paraíso florestal mas respira a queimadas de lixo tóxico. Mas, de onde vem esse oceano de fedores, contrapondo-se ao Atlântico e às matas, aos rios e a uma raça humana de gente boa e trabalhadora ? Entao, por que eu não disse : contraponde-se a uma raça humana de gente HONESTA ? Eu não disse isso porque todas as pessoas honestas deste pais estão politicamente representadas por uma multidão de políticos desonestos. Representadas e submetidas, para não dizer : SUBMISSAS, o que tem diferença.

Somos vítimas também do nosso próprio mau costume, porque nos habituamos achar que os líderes políticos são como nós, cheios de qualidade e de vícios, e pensamos que seus defeitos são iguais aos nossos. O problema é que não tivemos as chances de ser ladrões que eles vêm tendo, ou não morremos de amores por esses atrativos. Não desenvolvemos coletivamente o talento e a aptidão pelo ataque ao alheio, talvez porque, muitos, temos o complexo de pobres decentes, vindos da orígem, dos bisavós até pai e mãe. Mas ignoramos a fraqueza dos que, seduzidos pela doçura dos grandes pecados, metem a fuça na gamela e se melam todo. Melar, verbo, que também significa adoçar, pode até derivar de MEL , mas MELIANTE, este sim, vem da falta de vergonha e de caráter.

Quando o homem pobre e o militante de esquerda ( quase todos originados das massas de excluídos e espoliados ) aderem a um regime de facilidades financeiras franqueadas pelo poder político ou pelo poder econômico, podem até nunca mais ser pobres, mas, em compensação, nunca mais serão dignos. A dignidade tem o preço da abstinência do malfeito, é coisa para os resistentes. Lula e Dilma, por exemplo ,não entendem mais de resistência, mas apenas de LENIÊNECIA. Faliram moralmente, ele no governo e fora dele, e ela aceitando ser, como ex-plebéia, RAINHA cortejada de um império de luxúrias e desmandos. Viciaram-se em grupo. Corromperam e foram corrompidos. Arrasaram com o país. E NEM SE ASSUSTAM.

Dilma faz de conta que não era Dilma. Mas era sim




NA Paraíba, lugar que ignorava enquanto foi presidenta, Dilma passou a ser outra Dilma, mais desconhecida ainda dos paraibanos : aquela que reclama dos outros sobre tudo o que era de sua responsabilidade fazer e não fazia. Mas esta Dilma atual, que agora ama mais o PT e a Paraiba do que amava antes ( nem gostava da PB nem de seu governador ), tem o mesmo cinismo petista : a artimanha de culpar os outros pelos seus graves pecados capitais e os desacertos morais de sua gestão. É uma desfaçatez desconcertante que não leva em consideração o direito que o povo tem de não se deixar enganar conscientemente, ou talvez porque eles juntos achem que o povo é isso mesmo : uma massa de manobra ignara que escolhe politicamente mal e ainda tem de pagar caro pelas suas más escolhas.

Foi doloroso ouvir, nos primeiros momentos desta crise que deprime o Brasil, que a culpa era da imprensa livre, da VEJA, inicialmente, e depois da GLOBO e outros veículos, numa hora em que somente a liberdade de informação e de manifestação e critica se levantava contra o banditismo que se apoderou do Estado e subjugou o governo e transformou a propriedade pública em bodega privada, retalhando os interesses da população como fazem os feirantes com as víceras e as miudezas, ou, mais adequadamente, fazem as quadrilha de assaltantes depois de detonarem os bancos.

Posteriormente, a culpa passou a ser de Moro, o xerife que impõe mais medo aos assaltantes dos cofres públicos do que o medo que Bin Laden impunha aos americanos antes de morrer. Houve um tempo, na América, que quando uma mãe queria botar um filho treloso para dormir ou controlar uma situação de conflito, simplesmente gritava : “ vou chamar Bin Laden ! “ – e as crianças dormiam e obedeciam. Sérgio Moro é o lendário Papa-Figo do PT e seus corréus, encarregado de salvar a democracia brasileira da ação destruidora dos vândalos ideologizados.

Por último, o lulopetismo transferiu suas responsabilidades criminais para Eduardo Cunha e Michel Temer, dois líderes importantes do consórcio que administrava o país na ERA DO DEGELO, o tempo em que todos juntos derreterem o país e criaram um tsunami de fezes que inundou e asfixiou toda a população. Mas, suportar essa cretinice e esse fedor já não tem mais jeito, é aguentar mesmo – pois é o castigo merecido de um povo que não sabe botar bandido pra correr com os porretes na mão. No entanto, assistir a esse festival de despudor pela negação e transferência da culpa, parece um sacrifício insuportável, pesado demais da conta. É um horror.

Da ratonagem à ratocracia: As trilhas e sabores do queijo - Gilvan Freire




É muito possível que não existam em nosso idioma esses vocábulos esquisitos. Mas, certamente, é inteiramente apropriado o seu uso neste momento da vida brasileira, quando o povo inventa codinomes de bichos e insetos para batizar os políticos, os roedores dos recursos públicos. Os léxicos da Língua Portuguesa poderiam incorporar novas palavras, especialmente essas extraídas do gosto popular e cujo sentido expressam um pensamento claro, inconfundível, de fácil entendimento. Ladroagem, gatunagem e ratonagem, não parecem querer dizer a mesma coisa ? Nao lembram as mesmas pessoas, as mesmas autoridades, os mesmos costumes e os mesmos ambientes ?

Apenas uma discórdia linguística, sem querer atropelar as regras de formação das palavras e da linguagem : gatunagem nada tem a ver com gatos, bichos dóceis, amestrados para conviver com gente. Já ratonagem deriva diretamente de rato, que o Dicionário Houaiss diz que, em sentido figurado, também significa “ pessoa que pratica furtos em locais públicos; ladrão “. Entenderam agora do que estamos falando ? Têm alguma dúvida de para onde estamos apontando?

Pois bem. Sabendo-se de um dos mais ilustrativos significados de RATO, o mais condizente com a realidade humana e social do Brasil contemporâneo, e o significado mais aplicado às relações políticas da democracia atual brasileira, em que o povo em vez de ratoeiras para combater os ratos oferece-lhes queijo para engordá-los, há de se dizer : isso não é uma democracia, o governo do povo,pelo povo e para o povo. Isso é uma RATOCRACIA : o governo dos ratos, pelos ratos e para os ratos. Ao povo cabe apenas fornecer o queijo, uma guloseima que acompanha o voto popular, este sim uma ratoeira desarmada e inofensiva.

Estamos vivendo em pleno regime da RATOCRACIA, o apogeu, embora com sinais de declínio, onde a elite dominante de bichos dá-se ao luxo de alternar-se no poder com os mesmos ratos. Os ratos despejados atacam os ratos que assumem; os que sobem tripudiam sobre os que caem; mas todos são da mesma espécie. E o queijo continua em poder dos roedores.

Pode até dar certo, mas há muito risco de dar errado - Gilvan Freire




A tragédia governamental do país, cuidada com dedicação e zelo pelo PT e pelo lulopetismo, é tão devastadora que ainda não terminou. Também pudera: foram muitos anos de devotado apego ao desmando, fanaticamente exercitado com caráter telepático-ideológico como as devoções religiosas de certas manifestações de fé. As seitas são mais chegadas a isso, quase sempre na busca de um deus inventado que nunca obra milagres mas povoa as mentes submissas.

A sorte dos "fiéis” é que os deuses inventados não duram. Alguns duram uma existência humana, outros nem isso, por causa dos processos de desmistificacão e das revoltas e debandadas da clientela enganada. Esses deuses farsantes são demoniácos, usurpadores, assumem um papel parecido com o de um Deus, mas só obram milagres para si mesmo. Mas são, felizmente, deuses mortais. Digam todos: Aleluia !

No Brasil de Lula/Dilma/PT & caterva foi inventado também um paraíso onde não apenas uma figura divina haveria de reinar, e sim uma divindade trina, sujeita a agregados de todos os credos e raças, uma espécie de Torre de Babel ocupada somente pelos Demos. Essa mistura sodômica e pagã não poderia dar certo nem mesmo se as boas intenções caíssem diretamente do céu. Não deu outra.

O maior problema dos paraísos criados pelos homens é o lixo. Explico : os homens não criam paraísos a não ser para farras, e as grandes e demoradas farras geram montanhas de lixo de toda natureza : sólidos, líquidos, gasosos e até imateriais como os resíduos morais. Já é possível me adivinhar, não ? Queremos saber como será feita a faxina e por quem. E, de minha parte, não estou vendo os faxineiros no lugar onde foi amontoado o lixo. É que os garis são os mesmos que acumularam os entulhos. Eita inquietação atormentadora !

A partir deste domingo, até que não me desmotive mais, iremos trocar reflexões sobre o Brasil fora do paraíso petista e das divindades profanas, com três artigos semanais, também nas terças e quintas, a fim de que o nosso silêncio não se converta em cumplicidade. Até breve.

E possívelmente

A OAB fez a curva - Gilvan Freire



Já passava do tempo. Eram manifestamente evidentes os descaminhos que a OAB tomava sob o domínio de Odon Bezerra, ao mesmo tempo grande líder dos jovens advogados – surgido nos últimos tempos com a marca de xerife dos consumidores e forte inserção na mídia – e feitor desatento às responsabilidades sociais da velha Ordem, uma Instituição que esteve sempre de prontidão em defesa dos direitos e interesses da sociedade, contra o poder do arbítrio, a tirania e a opressão.

Odon, de tão leniente e encantado com o prestígio da presidência junto aos poderes do Estado e as autoridades de plantão, esqueceu de perguntar aos advogados o que eles pensam sobre os compromissos da Entidade com o Estado de Direito e a Cidadania (ou seja: com as causas do povo), já que menos interessante e de menor valia são os interesses individuais, profissionais e políticos dos lideres dirigentes.

No Estado, sob os olhos murchos da OAB atual, que se transformou numa entidade entreguista e ausente dos grandes debates que envolvem o interesse público, as organizações e movimentos sociais estão sendo esmagados, as entidades classistas são açoitadas, direitos individuais e coletivos são desconsiderados, e os poderes instituídos sofrem retaliações financeiras para, sob a opressão e o medo, submeterem-se ao agachamento servil. E onde esteve a OAB? – calada, silenciosa, ao lado da opressão, quando não, pontualmente, a serviço dos opressores, para preservar conquistas políticas, pessoais ou profissionais e familiares de seus lideres. Um horror!

CARLOS FREDERICO – Pode-se dizer que a única virtude da passagem de Odon pela presidência terá sido a eclosão de um movimento silencioso de insurreição contra a sua administração distanciada dos objetivos históricos da OAB e a desenfreada tentativa de criar um poder de mando de viés continuista, no melhor estilo político dominante. Outro horror!

Neste sentido, CARLOS FREDERICO surge como um líder novo de grande desenvoltura, demonstrando enorme capacidade de aglutinação e mobilização, além de ser um advogado muito bem sucedido no mercado profissional. Fez uma campanha moderna, plástica, movida pelos mais eficientes recursos da mídia, possivelmente os elementos que mais se exibiram pelo excesso e a seu desfavor, afora a mística política, que terminou invadindo a sua biografia, granjeando, conjunturalmente, o sentimento anti-petista. Mas, mesmo que Fred tenha garantido a muitos advogados que não seguiria o modelo amorfo de gestão de Odon, isso não convencia muito, pois pareciam padrinho e afilhado. Foi por isso que ele tombou, e pela ostensividade do poderio econômico que parecia representar seu estafe de apoio, passando a impressão de “igrejinha” e “panelinha”, baseadas em grupos de elite profissional, ferindo os brios do “baixo clero”.

PAULO MAIA – A OAB do Brasil também não é mais a mesma dos tempos da Ditadura e da Resistência Democrática, onde pontificavam os mais intimoratos advogados do Brasil, os mais cultos, sábios e dignos, a exemplo de Raimundo Faoro, só para citar um deles. Tempos em que gritavam juntas OAB, CNBB e a Associação Brasileira de Imprensa, de Barbosa Lima Sobrinho, o invencível.

Mas a eleição de Paulo Maia tem essas características de resgate da identidade histórica da OAB e do fim do modo continuista que vinha sendo engendrado com abusos de toda a natureza, inclusive com o tráfico de influência de forças estranhas à Ordem e relações poucas republicanas entre pessoas interessadas em troca de favores carimbados. Assim como a surpreendente eleição da FPF, a eleição do Clube dos Oficiais da Polícia Militar, Sindifisco e outras organizações de classe, a vitória de Paulo Maia premia as categorias de base e os lideres emergentes de padrão moral e profissional à moda antiga. Pelo menos, a OAB da Paraíba fez a curva antes do abismo.

Cada brasileiro precisa dizer agora que tipo de país e a que falange pertence - Gilvan Freire



 
A sociedade brasileira está sendo mobilizada para fazer estancar a sangria moral desatada que deixa o país anêmico. Ninguém sabe ou pode imaginar o que vai acontecer nos próximos dias ou meses, mas pelo menos todos sabem que o povo já demonstrou antes - em junho de 2013 -, como alerta, uma vontade coletiva de se manifestar nas ruas em defesa de seus interesses e da moralidade pública gravemente violentada.

É isso aí : interesses sociais e moralidade pública são agora, mais que em 2013, os temas explosivos capazes de mover a população brasileira em seu retorno às ruas, com consequências políticas imprevisíveis. Tudo porque as eleições de 2014 não se revelaram aptas para solucionar os impasses e crises que vinham se arrastando e inquietando o povo. O pós-eleição, com o recrudescimento das denúncias e provas de malversação do patrimônio público e sumiço de verbas , criou um ambiente de indignação e revolta na sociedade. Há um caldeirão de suspiro abafado que pode arrebentar a qualquer momento.

Há, é visível, um estica-corda natural entre as forças políticas que combatem o governo, responsável pela dramática situação do país, e as correntes que o sustentam, especialmente o petismo, que abusou da gestão e é candidato a naufragar com ela. O PT está perdido dentro do trem da história e não sabe como saltar dele em movimento. Pior é que a maquinista é dele e não pode ser abandonada.

Colhidos em flagrante delito moral, os petistas não sabem como se defender perante uma população que em sua maior parte atravessou as turbulências do Brasil nas últimas décadas tendo o PT a frente. Agora, o povo que enxotou Collor do poder apodrecido, anos atrás, é o mesmo povo que, pela mesma razão, quer retirar Dilma do governo. Mas, segundo os petistas, esses são os golpistas desta ocasião. Muito embora o golpismo esteja em andamento na Câmara e no Senado, onde o PMDB e outros aliados querem o cargo de Dilma para o vice dela. O povo, contudo, não quer nenhum deles, nem sabe ao certo quem quer para presidir o país. Sabe apenas que não quer esse país nem quer seus atuais dirigentes.

NINGUÉM PODE SE EXIMIR DE COMBATER A CORRUPÇÃO

Por causa da convulsão social que age silenciosamente no seio da população, subsistem ao menos cinco tipos de brasileiros que emergem da crise : Os ASSALTANTES , esses notáveis gabirus que saquearam a Petrobras e muitos outros organismos estatais; Os CÚMPLICES , que facilitam os assaltos e recebem recompensas; Os AGREGADOS , que defendem a roubalheira só porque defendem o poder que a gera ; Os SILENTES, porque ou são covardes ou de alguma forma interessados , interessados até em ter uma chance de roubar algum dia; Os PROTESTANTES, os que não aceitam que o país se ajoelhe diante da criminalidade organizada e da inação dos poderes e das autoridades omissas, e acreditam que o povo merece melhor sorte.

Por fim, há um tipo anômalo de brasileiro descomprometido com seu país : Os ENRUSTIDOS, tipo desses intelectuais que assinaram um manifestado curto, oco , suspeito e pouco subscrito , em apoio a Dilma e contra o seu impeachment , mas não querem nem saber por onde anda o moralidade da administração pública e a decência dos políticos. Alguns são os mesmos que defenderam o fim da era Collor e aceitaram mais tarde, calados, a aliança de Collor, Maluf, Lula, o PT e Dilma. Ou estão alugados pelo governo, ou entraram , assim como o governo, em fase de decrepitude terminal. Mas, enfim, se você é brasileiro mesmo, desses que não vacilam em hora de grave decisão moral ou política, diga alto de que lado você está ou a que falange você pertence. Diga e não fique despistando conversa não.

As pesquisas mostram o tamanho de cada um - Gilvan Freire



 
Enquanto Vitalzinho não se move, segundo as pesquisas do Ibope, Cássio continua crescendo. A novidade é que RC também cresce, já tendo ultrapassado a faixa dos trinta por cento, patamar antes inadmissível para quem só perde aliados e amigos no governo.

Por hora Cássio não corre maiores riscos de não ganhar a eleição já no primeiro turno, porque além de ter 14 pontos sobre RC, está ainda em ascensão. Ou seja: pelo que revela a pesquisa, Cássio está próximo de alcançar cinquenta por cento mais um das intenções de voto para fechar o firo. O outro firo é seus adversários somados não alcançarem seu índice. Assim, Cássio corre pouquíssimo risco. Tem duas chances contra uma de bater o bingo no primeiro escrutínio. O risco contrário é RC e Vital crescerem de forma surpreendente, embora não haja nenhum indicativo a vista de que isso possa acontecer.

A candidatura de Vitalzinho ainda sofre os ataques do PT, que já se esbandeou quase todo para o colo do governador. Depois que chegou ao governo no Brasil, o PT virou chumbo do diário oficial. O próprio Vitalzinho está sendo acusado de cuidar só da candidatura de Vené em detrimento dos demais candidatos do PMDB, problema suficiente para deixá-lo ilhado dentro de seu partido que, na base, está mais com Cássio que com ele. E, onde há divergência insuperável com o cassismo nas disputas locais, faz um jogo menor com Ricardo Coutinho.

Resta claro que a disputa para governador, tanto quanto se dizia antes, está polarizada entre Cássio e RC. Se Vitalzinho não cresce, ou cresce pouco, é Ricardo que tem de crescer para chegar perto de Cássio. Se Vitalzinho eventualmente crescer, RC não tem como crescer o quanto precisa para marcar Cássio na grande área. Mas tudo ainda está no campo do possível, precisando apenas que Cássio caia (o que não vem acontecendo) e Ricardo tire proveito diretamente de suas hipotéticas perdas.

Além de não crescer sobre Cássio, RC cresce devagar. Por cima, tem uma rejeição maior do que a aceitação. Os fatos estão transformando RC num sanduiche de molhos vencidos.

E ainda não se aprofundou o processo de desconstituição da administração do governador, que sofre ataque em várias frentes, inclusive de todas as categorias dos servidores públicos. De outro lado, estão se ampliando as deserções em seu exército.

Qualquer mudança nos próximos 10 dias vai animar RC ou abatê-lo de vez. Ele está quase se afogando mas ainda respira. Há ainda muita água corrente e ele se debate na correnteza. Mas piranha feroz, além de morder, há de saber nadar.

Este artigo integrará o futuro livro:
‘PREVISÕES POLÍTICAS DE UM VIDENTE CEGO’
E-mail: gilvanfreireadv@hotmail.com

Só tem graça se Lula entrar - Gilvan Freire




O povo brasileiro já descobriu que pode ser governado por um pobre. Também já descobriu que governo de pobres não toma nada dos ricos. Descobriu que no governo de Lula os ricos ficaram mais ricos e os pobres menos pobres. E o país ficou próspero.

Lula passou mais de uma década andando pelo país, perdendo eleições e aprendendo a governar. Matuto genial, Lula debateu o Brasil com os sábios de seu tempo, adquiriu conhecimentos e visitou vários países do mundo. Curioso como os nordestinos que vencem, Lula aprendia rápido para não mais esquecer. Mas, de modo muito especial, Lula não esquecia que tinha compromissos com o pagamento da divida social que o Brasil acumulava com os pobres e miseráveis. Pagou uma boa parte e criou mecanismos de governo para que essa dívida desumana e assombrosa continuasse sendo paga. Lula é o cara.

O país acostumou-se com Lula. Depois dele todos parecem menor do que ele. Mas o problema ainda não é esse. O problema é o lulismo, uma organização política integrada pelos pobres do Brasil e o PT do PT. Sim, o PT é só do PT, fira em torno de seus próprios interesses, nos últimos tempos interesses tão claramente escusos que fizeram do lulismo um movimento de risco, menos aceitável que Lula.

De tão grande, Lula abusou do tamanho e impôs Dilma ao povo brasileiro. O PT pensava à época em Zé Dirceu, mas Lula dobrou o partido e bateu o martelo. Alguém já pensou se o PT tivesse dobrado Lula e Zé Dirceu fosse o presidente? Imagine-se Zé Dirceu repetindo o sucesso de Fernando Collor e o PT substituindo a gang de PC Farias. Não seria a maior tragédia política brasileira?

O grande impasse hoje é que Lula ainda não é o candidato. Pode até ser ainda. Mas Lula atrofiou Dilma (que nunca teve talento para liderar), abafou Zé Serra, sepultou FHC e inibiu a criação de novos líderes. Todos se parecem diminutos diante de Lula, que passou a ser o padrão métrico do líder político do Brasil na atualidade.

O fracasso de Dilma como líder inventada em laboratório, deixa a eleição de 2014 sem um líder que lembre Lula, se é que ele não volta. Marina, a insossa, sem um mínimo de preparo para governar um país tão complexo e tão grande, tem a biografia e a simplicidade que lembram Lula. Ela vem do Norte, que divide com o Nordeste a condição de regiões com maior déficit social do Brasil – regiões atrasadas e desassistidas pelos governos.

Mas Marina nem de longe é Lula. Não tem seu carisma, seu preparo, suas intuições e sua inteligência bruta exuberante. Marina é só um risco, porque seu histórico de pobreza e resistência remete a Lula no imaginário coletivo. É muito possível que ela somente sirva para eliminar Aécio e levar Dilma de volta ao governo. O que é que a falta de líderes não faz? Mas pode ser também que ela ganhe pela mesma razão: a falta de líderes.

Marina chega em uma hora em que o povo está ofendido com os políticos. Aécio e Dilma são os melhores exemplos da classe política dominante, essa que não muda nada daquilo que o povo brasileiro quer mudar. Marina pode se transformar (isso não parece muito provável ) numa espécie de esperança desesperançada. Daí para se transformar numa onda de incerteza não custa. É como se o povo dissesse assim: vamos implodir tudo, jogar para cima e ver como fica. É o maior dos riscos. Mas não seria bem melhor ir buscar Lula de volta e implodir o PT na campanha? Sem os riscos de Marina, Dilma e Aécio, o país tem futuro. Isso é que se chama trilema. Já o quadrilema é Lula voltar com o PT a tiracolo.

Este artigo integrará o futuro livro:
‘PREVISÕES POLÍTICAS DE UM VIDENTE CEGO’

RC Coutinho entra no corredor polonês - Gilvan Freire




Procurar fazer sempre o bem e nunca fazer o mal a ninguém, eis a velha regra infalível adotada pelos cristãos de todo o mundo como remédio para alcançar uma vida feliz. Às vezes, a busca pelo dinheiro ou pelo poder leva os homens a acreditarem menos em Deus e mais nos dotes que têm, porque, efetivamente, o dinheiro e o poder fazem grandes coisas que os milagres não conseguem fazer com a mesma frequência. Por isso é comum que pessoas ambiciosas e devotadas às conquistas materiais e pessoais subestimem o papel de Deus. Muitos nem acreditam em Deus, tamanho o sucesso que obtêm apegados às suas crenças pagãs.

Mas quando têm uma necessidade que suas forças e atributos não conseguem vencer sozinhos, os materialistas recorrem a Deus, ou para se esconderem de empáfia fracassada, ou para enganarem a boa-fé dos cristãos convictos, desde que dos cristãos também precisem para salvar suas ambições. Ou seja, o materialista fracassado é um cínico, capaz de tudo para preservar seus interesses pessoais. Ele, até que precise do outro Deus, é um deus absoluto que se julga com poderes suficientes para conquistar sozinho o que mais precisa. É, em suma, um doente mental que se acha gênio, até que se ache perdido.

Claro que a regra acima não se aplica àqueles que não se acham Deus e nem acreditam nele, mas não transformam a vida numa guerra de cobiça pelo dinheiro e pelo poder, substituindo Deus por bens e prestígio. Esses são menos anormais, não têm fé nem crença, mas não são tão malignos à falta de grandes ambições. Se são ambiciosos, contudo, não têm pena de ninguém, desconhecem a felicidade e a vida dos outros. São capazes de tudo para não descer do pedestal aonde chegam sem o Deus dos que ficam logo abaixo.

Surpreende, porém, que homens extremamente vitoriosos, gênios revolucionários em várias áreas do conhecimento humano, se achem apenas simples servos de Deus, a quem atribuem suas grandes conquistas, inclusive de dinheiro e poder. Todos identificam a ação de Deus e de seus semelhantes na construção do sucesso, como se não fossem nada sozinhos. Estes são os normais.

Warren Buffett, gênio das finanças globais e o maior investidor de todos os tempos, despojado de qualquer vaidade e empáfia (mora na mesma casa onde sempre morou desde que era um homem comum e convive com os mesmos amigos dos tempos das vacas magras), esposando sua crença em Deus, diz que as maiores qualidades do homem são a caridade e a integridade, que ele mesmo prática à risca.

Ricardo Coutinho, com suas manias de deus único, arrogante, frio, sem caridade e sem amizades, sem se achar no dever de prestar contas a ninguém, e possuído da empáfia dos soberbos, está colhendo o que semeou. Chega ao ponto de não poder comparecer a um debate com seus auxiliares no governo (os servidores públicos), porque nunca os considerou como colaboradores da administração. Fez a eles (mais de 100 mil funcionários) e suas famílias, que totalizam indiretamente 500 mil pessoas, grandes males e causou imensos sofrimentos, mas agora seu destino e suas ambições estão também nas mãos deles e na vontade do outro Deus, o original.

Não há mistério: por que um governante de um Estado pobre e de um povo tão generoso e tão devoto de Deus sofre cerco tão grande para impedir que não permaneça no governo? Por que RC caminha para cadafalso de forma tão melancólica? O que há com o deus que está dentro de sua cabeça e move suas ambições que não lhe ouve e nem lhe socorre?


Este artigo integrará o futuro livro:
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