Desafio aos cientistas políticos e sociais - José Virgolino de Alencar

Este artigo tem como objetivo fazer um ponderado desafio, para os analistas competentes, profissionais de longa estrada na área da comunicação, que conhecem o comportamento de nossos políticos.

O desafio é para ver uma análise, convincentemente, desse estranho fenômeno brasileiro, ou seja, o “fenômeno” Lula, um cidadão que não passou por escola, não apresenta o menor grau de autodidatismo, não gosta de ler, não é dado ao esforço físico e mental ligado ao trabalho, sendo um verdadeiro ergonófobo, um autêntico ociófilo e viciado aerófilo.

Fez a sua carreira política sempre ajudado financeiramente por figuras como Roberto Teixeira, que lhe pagam as despesas, ou vivendo às custas do PT; convive, prova-se agora, com amigos e correligionários da pior espécie moral, que perpetram, renitentemente, atos condenáveis, que mereceu do próprio Lula o menosprezado epíteto de “aloprados”.

Declarou, alto e bom som, em frente às câmaras de TV, que o PT, em relação ao caixa dois e ao mensalão, apenas fez o que os outros fizeram; que juntou-se despudoradamente a Sarney, Renan, Collor, Jader Barbalho, Romero Jucá, Almeida Lima e assemelhados.

Elogia os corruptos, que consegue cooptar para apoiá-lo e até integrar seu governo, no exato momento em que eles são flagrados com a boca na botija.

Na política externa, só tem dito, feito e propagado ações que colocam mal o Brasil perante o mundo.

Desrespeita e desafia a legalidade e as autoridades judiciais, de forma debochada, grosseira, do mais baixo nível de educação e civilidade.

Afundou a educação, a saúde, a segurança, a previdência, a infraestrutura e outros segmentos da gestão pública nacional, desmontando e sucateando a máquina governamental.

Abre a boca, não pensa, não raciocina, e solta os mais descabidos e desconcertantes disparates, frases desconexas, slogans surrados, justificativas canhestras para os erros cometidos.

Enfim, é considerado, na visão da banda brasileira composta pelas pessoas formadas, informadas e formadoras da opinião pública, como uma total nulidade.

Apesar disso tudo, apontam as pesquisas que consultam não sei a quem, que o cidadão tem elevada popularidade. Mas, onde eu vivo, e é no meio esclarecido, de influenciadores de opinião, vejo o contrário, ou seja, número elevado de pessoas contra ele, seu ex-governo e o de sua sucessora. E acredito que isso ocorra no meio de todos quanto sejam considerados formadores de opinião.

Desejaria ver, assim, uma explicação sociológica-política-científica para tal fenômeno, coisa que já tenho observado por todas as vertentes político-sociais e não encontro, para mim, uma argumentação que até agora me convença de que não se trata de um embuste, de uma fabricação que tem por trás um artífice industrializador movido por altíssimos e poderosos interesses.

Eis o desafio.

Mensaleiros, Jeferson, Judas e os desígnios de Deus

Nosso país anda muito estranho. Roberto Jefferson, réu confesso do Mensalão, afirma que recebeu R$ 5 milhões, negou-se a dizer que destino deu ao dinheiro, foi cassado pela Câmara de Deputados, julgado pelo STF e agora preso.

Apesar de toda essa folha corrida, foi, dos Mensaleiros, o único que deu uma lição aos petistas na mesma condição. Esperou em casa a ordem de prisão, entregou-se sem protesto, e soltou uma frase curta, mas sintomática: "CAÍ DE PÉ"!

Causador do maior rebuliço político dos último tempos(maior do que o impeachment de Collor), Jefferson desfila com cara de herói e, estranhamente, ninguém olha para ele com ódio, salvo, lógico, aqueles que ele entregou de bandeja à Justiça.

Não compactuo com as trampolinagens de Jefferson, quero-o preso, pagando pelo crime que cometeu. Mas não quero crucificá-lo, até porque ele não está fazendo aquela palhaçada de Dirceu, Genoíno & Cia., o gesto de erguer o braço, que soube avançar no Tesouro público, para enganar a população e convencê-la de que estavam sendo injustiçados.

Jefferson está mandando um recado claro: 'Eu sou Mensaleiro, usufruí dos recursos, tanto quanto vocês petistas aloprados, estamos todos juntos e vamos deixar essa hipocrisia de politizar o crime que cometemos. O Mensalão é uma verdade, confessemos, e nos submetamos ao crivo da Justiça".

Nesse contexto, Jefferson poderá requerer e ter atenuantes, procedimento normal das cortes em qualquer parte do mundo.

Dimas, o bom ladrão, recebeu perdão da corte mais poderosa do Universo, a Suprema Corte do Criador, presidida por Deus.

Paulo, antes de ser apóstolo, foi autoritário e arrogante anti-cristão, mas converteu-se e se transformou numa das maiores figuras da cristandade.

Judas, recorrente no ato delitivo de trair, não recebeu comiseração.

Os Judas dessa era brasileira nós já temos bem delineados. Um Paulo é uma probabilidade. Os desígnios de Deus são insondáveis por nós, simples mortais.

Mas não custa especular, sem heresia, sacripantismo ou farisaísmo.

LRF – Herética Bíblia de gestores mal-(in)formados - Virgolino de Alencar

A Lei de Responsabilidade Fiscal-LRF virou Bíblia herética de muitos gestores brasileiros. Não tem nada a ver com a Bíblia sagrada, outorgada pela filoteologia da religião cristã. Uma outra circunstância, esta fora de qualquer realidade, levou, por exemplo, o grupo que dita a filosofia do governo do Brasil a fazer da LRF seu livro mais importante, embora esteja claro que seus integrantes não a leram no seu verdadeiro sentido, o pouco que leram não entenderam e não conseguiram fixar em suas mentes.

 

Em suas cabeças resta gravada aquilo que um galo cantou, eles ouviram, porém não sabem de onde ecoou o canto. Para eles, não interessa a Constituição, o sistema institucional e jurisdicional do país, as leis que protegem o cidadão, o ato jurídico perfeito, a coisa julgada, o direito adquirido. Na percepção deles estão visíveis as três letrinhas – LRF – que ditam sua visão de gestão pública, elevando-as a píncaros que os demais dispositivos institucionais do país não podem alcançar.

 

Nesse samba antidemocrático de uma norma só, os componentes da equipe planaltina, sem a competência mas com a mesma batida monocórdia de João Gilberto, sempre que pressionados e sem condições de explicar suas posições, soltam o refrão que adquiriram mais como vezo do que como aprendizado, com ares de quem descobriram a pólvora, e sempre disparam: “Estamos cumprindo a LRF”.

Não estão. Ao contrário, a estão desobedecendo, e ainda levam de roldão as demais normas administrativo-institucionais, impondo um nítido ato de vontade pessoal, desenhado em mentes que mostram comprovadamente o entrechoque das células que conformam a personalidade dos seres normais. As células desconformadas impulsionam os dirigentes brasileiros para atitudes revestidas da insensatez e desconectadas da realidade terrena.

Claro que será exigir muito de Suas Excelências que parem um pouco seu açodamento, ponham os olhos no terreno em que estão pisando, tentando enxergar os limites reais da sua idolatrada LRF.

Para aqueles que estão conseguindo me aturar até aqui, vejam os senões da badalada Lei de Responsabilidade Fiscal-LRF, ideia brotada no governo FHC e que os então pensadores mais à esquerda, como eram muitos dos membros do atual governo do país, não gostaram de sua aprovação. E digo porquê.

A LRF carrega nas suas entranhas dois absurdos:

I)Como ela estabelece o limite de 50% para as despesas de pessoal do governo federal, pode ter como consequência a seguinte situação. Um gestor desonesto está livre para encher a folha de pessoal com funcionários fantasmas, porém segurando o total em 50% da Receita Corrente Líquida-RCL, que ainda assim não será punido por tamanha sandice, em nenhum dispositivo da LRF.

Por outro lado, o administrador bem-intencionado, que tenha necessidade de pessoal e, dentro do permissivo da própria LRF, elevar a folha de servidores, necessários e concursados, que efetivamente trabalhem e produzam, em mais de 50% da RCL, será ameaçado de punição, quando não de um estrago político irreparável.

II)No caso da dívida pública, outro absurdo. O dirigente irresponsável que mantiver a dívida pública nos limites da lei, mas com financiamentos a juros extorsivos, também não será punido.

O governante responsável, que por necessidade de demanda da sociedade, ultrapassar os parâmetros da LRF, mesmo a juros inferiores ao de mercado, poderá ser punido e também sofrer um belo estrago em sua carreira política.

Os demais dispositivos da LRF são apenas uma encheção de linguiça, relatórios enfadonhos que não dizem nada e que o governo arruma ao seu bel prazer, sem dar bolas para a transparência e para a realidade dos números informados, onde se registra uma massaroca relativa à contabilização e balanceamento, em codificações e sistemas de contas herméticos e indecifráveis, que só os profissionais da área entendem.

Essa filosofia da LRF não é gratuita. Ela foi inspirada e posta em prática com o grande objetivo(grande, para os interessados) que é o de formar o chamado “Superávit Primário”, que de superávit não tem nada, porque obriga tirar recursos da educação, da saúde, da segurança, da previdência, da infraestrutura, assegurando o tal saldo para pagamento dos juros e encargos da dívida, coisa que no Brasil se pratica uma taxa básica das maiores e das mais escandalosas do mundo.

Portanto, com a experiência de 45 anos atuando na área orçamentária-financeira-tributária pública, ensinado a matéria na Universidade Federal da Paraíba, quero ter a ousadia, dentro das normas de liberdade de expressão a que se obriga todo cidadão diante das autoridades máximas, de aconselhar os superiores dirigentes do país a darem um stop nas atitudes emocionais, pensarem como entes políticos, escolhidos a partir do voto livre dos cidadãos e buscarem um melhor vislumbramento da realidade, tendo muito cuidado com os apressadinhos que querem mostrar serviço, mas mostram mesmo é desserviço, em suas lições que nada ensinam.

Seria bom que nossos condutores respeitassem a convivência plural, aceitassem o debate, dialogassem, para que as soluções das questões sejam fruto do consenso, perseguindo a convergência, de onde poderá sair o crescimento e a grandeza do Brasil, incluindo-o no concerto das nações civilizadas com mais dignidade e qualidade de gestão.

Chega de um Brasil apequenado no cenário mundial.

O caso do repórter assassinado: estranha unanimidade

Há algo de estranho no lamentável assassinato do repórter da Bandeirantes. No primeiro momento os campos pró(tristemente apareceu gente defendendo a barbárie) e contra o ato estavam bem nítidos. O grupelho ligado ao governo defendia os Black Bloc's, os tratava como revoltados e os colocava na ideologia que acolhe o terrorismo.


Tentaram até acusar a polícia como autora do atentado.


Com a descoberta da verdade e a prova de que a violência grassa em razão da omissão e indiferença da gestão maior do país, onde os Blacks estão cometendo atrocidades, causando pavor na sociedade, de repente, não mais que de repente, todos passaram a solidarizar-se com o repórter depois de falecido, não tendo mais ninguém achando normal como achara antes o triste episódio.


Nessa demagogia, com o governo assumindo a "investigação", utilizando de um sistema de segurança(digo de segurança pública a cargo e competência dos administradores de Poderes, em que são os primeiros a atrapalhar o trabalho da polícia profissional) que não convence ninguém da garantia de proteção, a coisa se arrastará pelos caminhos da burocracia, do processo de aassoreamento e adensamento de papéis, provas adredemente preparadas para nada provar e a morte do repórter entrará para os casos de crimes não solucionados.


Por isso, estou achando estranho a unanimidade em torno do esclarecimento do caso, porquanto nessa unanimidade incluem-se os que não estão sendo sinceros no desejo de apurar a verdade e punir os responsáveis.


O jovem repórter perdeu a vida, deixou uma família desassistida, e seu cadáver pode ser usado por quem se traveste de desígnios inconfessáveis.

O escroque Pizzolato e a prova do Mensalão - Virgolino Alencar

Henrique Pizzolato vinha preparando sua fuga do Brasil desde 2007, quando o processo do Mensalão encontrava-se no Supremo, mas os envolvidos, principalmente os da cúpula do oficialismo, não acreditavam que seriam punidos.

Embora, no primeiro momento da denúncia, o próprio Lula reconheceu a verdade sobre o Mensalão e atribuiu aos aloprados do PT a responsabilidade sobre o caso, a estratégia, numa fase seguinte, foi a de negar a existência dos fatos, mesmo diante das carradas de provas, documentos, imagens e, inclusive, confissões.

Sendo Pizzolato um elo forte da corrente que unia os mensaleiros, pois, como dirigente do Banco do Brasil, através da Visanet, abasteceu com dinheiro público os dutos da propina que injetou recursos na campanha dos partidos aliados, com muita gente levando a grana para o bolso, tornou-se prova cabal a verdade do Mensalão.

Tendo a consciência(pesa) do crime que cometera e temendo a inevitável punição, Pizzolato procurou se garantir, fraudando a identidade, usando a do irmão falecido, para obter passaporte, e até chegou a votar em lugar do irmão, com a intenção de escafeder-se do Brasil. Precavido, transferiu a família para a Espanha, quando se armava da segurança para permitir a sua fuga.

Revelado, agora, que Pizzolato é um escroque e que teve atuação destacada no Mensalão, atuação que ele teve de forma proeminente e, assim, sujeito às penas da lei, não cabe mais aos membros da grande quadrilha que armou o sistema de financiamento de campanhas e desvio de dinheiro público, através das espertas ações do careca Valério, negar a existência do escabroso episódio julgado pelo STF.

Agora vem a ironia. O governo que fez de tudo para esconder o episódio e blindar os envolvidos, vê-se na obrigação de procurar extraditar para o Brasil uma testemunha que irá desmontar a farsa da negativa, mesmo que ele fique calado, já que as suas atitudes claras de escamoteação, falsificação e fuga, e mais os documentos do processo que levaram à pena imposta pelo STF vão falar alto e bom som da culpabilidade dele e, por ação conexa, dos demais envolvidos.

Uma vez na Papuda, na Papuda sempre.

Virgolino de Alencar

Escrever e as ciladas das palavras - José Virgolino de Alencar

Clarice Lispector, em “Um sopro de vida”, confessa: “Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou sabe”. No citado texto, a genial pensadora alinha, ainda, o que ela considera os perigos de quem tenta escrever.

Se Clarice Lispector revela esse temor, imagine quem é mero aprendiz. A caneta, o duro teclado da máquina de datilografia ou o leve do computador, não há dúvida, criam um estado de estresse e faz a adrenalina subir quando procuramos escrever, ainda que a ideia já esteja pronta na cabeça. Muitas vezes o assunto surge na mente e acende o estopim que dispara rápido a ansiedade de buscar o instrumento com que podemos expressar a ideia, subitamente aflorada.

Interessante nesse ato de escrever impulsionado pela inspiração surgida de repente é que, quando pegamos a ferramenta que grava no papel o nosso pensamento, a ideia original toma caminhos diferentes do antecipadamente programado. No desenrolar da construção do texto, as palavras vão surgindo, misteriosas, insidiosas, provocantes, atiçando o escritor a ir além do que pensara, a iludir-se com a retórica, com a erudição, caindo no que Clarice Lispector, grande poeta e escritora, chama de cilada das palavras.

Elas aparecem tentadoras, cativantes, apaixonantes, mas também traiçoeiras, dando corda na mente e na alma, levando-nos à imprudência, à inconveniência, à circunstância que seria melhor não ter aparecido à nossa frente, como um fantasma que a gente utiliza para assombrar os outros, quando, no íntimo, a gente é que se assombra com as almas penadas em que, nessas horas, as palavras se transformam.

Ao invés de exorcizar a entidade que invade nosso subconsciente como espírito encarnado, que toma de assalto nosso pensar, transmudando o que a gente escreve em psicografamento de uma ideia ditada do além, caímos direitinho na armadilha e cometemos textos que deveriam ter continuado guardados no hermético e, aparentemente, indevassável hemisfério intelectual do cérebro.

Digo aparentemente, porque, moto-próprio, o pensamento sai como água de uma cachoeira, em borbotões, descendo serras, desaguando das alturas e caindo no leito de um rio nem sempre calmo, para desembocar num mar revolto, nos obrigando a nadar em meio a ondas que ameaçam nos afogar.

Muitos se afogam no mar bravio da insensatez, cai na cilada, pelo mau uso da palavra, mas, para quem tem auto-controle e sente que está ameaçado por essa correnteza, desvia-se rápido das águas revoltas e coloca o barquinho de sua prosa num leito mais tranquilo e navega devagar e sempre.

Assim me ocorreu com este texto, que tive a ideia de cometer a partir da confissão de Clarice e de outro artigo que escrevi sobre a força e a importância da palavra(publicado no Blog de Maria Helena, da Globo.com), quase entrando por, digamos, maremotos que eu não previra antes. Acho que escapei de nadar, nadar e morrer na praia.

Eis o perigo no manejo das palavras e a tentação que ronda quem escreve. Toda precaução é pouca, inclusive com outra circunstância que também arma grandes ciladas: a gramática e suas regras manhosas, ardilosas e traiçoeiras, dificultadas mais ainda com o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

Escrever é bom, é fascinante, mas cuidado, gente, com a cilada das palavras.

Dilma: estranha popularidade - José Virgolino de Alencar

A alardeada popularidade da presidente da República e candidata à reeleição é muito estranha, fato que se observa quando cotejado com a realidade. Como se é popular e não consegue enfrentar as massas em praça pública?

 

Para a inauguração da Arena das Dunas, em Natal – Rio Grande do Norte, num ambiente que teria tudo para ser festivo e aplaudido pelo povo, o entorno da presidente, que tem a obrigação de garantir-lhe tranquilidade, providenciou rapidamente o afastamento do povo, limitando a presença no evento aos convidados oficiais.

 

Tudo isso, por temer o que todo mundo espera de muitos brasileiros juntos, na atual situação do país: uma sonora vaia. Que popularidade é essa, apoiada numa massa escondida, fora do mapa da vida nacional? Quem apoia não vaia, aplaude.

 

E se os serviços de segurança, que fazem um rastreamento do ambiente onde um chefe de governo se apresenta, desaconselha abrir o evento ao povo, é porque detectou a possibilidade do constrangimento de um grande apupo num momento de festa.

 

A verdade cristalina informa que o apoio à Sua Excelência e candidata vem da massa que não tem acesso a esses ambientes, de tão excluídos que são, principalmente da educação e da informação, ainda mais acalentada com o assistencialismo eleitoreiro que a mantém com a mente amordaçada, sem condições de avaliar o que seja positivo ou negativo para a nação.

 

Nas dunas natalenses, Dilma e o cordão de acólitos e beneficiários do lucro que terão com a Copa do Mundo estarão rindo, se banqueteando, desobrigando-se de justificar porque tirou dinheiro da educação, da saúde, da infraestrutura e de programas que dariam retorno para o tesouro nacional, aplicando em estádios pomposos, superfaturados, com muita gente se dando bem.

 

Para o êxito da Copa, em que a FIFA, cada vez que visita o Brasil, deixa um rastro de crítica pelos atrasos nos cronogramas, os principais itens foram deixados de lados, tais como mobilidade urbana, assistência imediata de ocorrências médicas e segurança nas cidades-sede dos jogos, onde, já na chegada aos aeroportos, os visitantes estrangeiros começarão a sofrer para se deslocar pelas vias urbanas.

 

O sistema de transporte é lastimoso, o atendimento a casos que exijam pronto socorro médico é precário e a falta de segurança causa medo. Basta dizer que, de mais de 10 sedes dos jogos, somente uma, a cidade de Porto Alegre, tem um Hospital público com capacidade de atendimento de emergência próximo aos estádios.

 

Nas demais, quem precisar de socorro terá que valer-se de hospitais particulares, a custos elevados. O governo está preocupado com o que ele pensa que dará visibilidade e alimentará seu apetite político-eleitoral, ou seja, os jogos e as imagens em alta definição nos estádios, transmitidos para o mundo.

 

A zorra que será o acesso ao local dos jogos não pesa na cabeça dos governantes, mas a população já enfurecida com uma situação econômico-social perigosamente caminhando para a crise poderá injetar apoio nas manifestações que estão previstas, como na Copa das Confederações, e os conflitos de rua serão um transtorno para a população e para o governo, anulando a popularidade que possa angariar nos gramados.

 

Com efeito, é deveras estranha e até perigosa a badalada popularidade da presidente.

Brasil: país do ou sem futuro? - José Virgolino de Alencar

Ainda na tenra idade, mas já entendendo do que me falavam, comecei a ouvir que o Brasil é o país do futuro. Cresci, passei pela idade de jovem, estudei, me tornei adulto razoavelmente bem-informado, conclui curso superior, fiz especializações, trabalhei profissionalmente dentro da seara política, fui participativo de movimentos cidadãos, li, pesquisei e observei bastante.

 

Contudo, passei por tudo isso, aposentei-me, entrei na terceira idade, e continuo ouvindo essa eterna cantilena: “O Brasil é o país do futuro”. Virou lema dos demagogos, que pregam, em suas campanhas para chegar ao poder, as promessas de que o país do futuro, com eles, tornar-se-á realidade, será um país diferente, uma nação nova e renovada. E nada!

 

Quando se aboletam no poder, revelam a face horrenda da enganação, usam o tempo e o marketing para condenar o passado, porém vão se comportando e realizando tudo igualzinho ao antecessor. Fazem de conta, com os famosos pacotes e programas com siglas bombásticas, que estão mudando, quando na verdade promovem a estranha mudança que faz tudo ficar como era antes e o país não sai do lugar.

 

Dói nos ouvidos, faz mal à nossa consciência, escutar diariamente o governante condenar e arrolar como procedimento errado o feito pelo antecessor e no mesmo momento está adotando um procedimento absolutamente idêntico, mas, como é ele que está pondo em prática, a medida é a mais correta, é a mais perfeita, sendo apresentada como nova descoberta.

 

O grupo que atualmente comanda o país quer nos convencer de que o Brasil descobriu tudo de novo em 2003, quando um esperto grupo tomou conta do poder. E a gente vê, com clareza meridiana, que o modelo é simplesmente uma Xerox dos velhos métodos utilizados pelos antecessores, desde Tomé de Souza.

 

A politicalha, o troca-troca, o joguinho de interesses miúdos, a arrumação dos amigos e parentes na máquina pública, a entrega dos cargos sob critérios da política do “é dando que se recebe”, a corrupção, o superfaturamento de obras, o desvio de verba, os elevados gastos com o supérfluo, as mordomias, a criação de castas e de marajás, tudo isso se fez no passado brasileiro, está se fazendo no presente nacional e não precisa ser pitoniza para prever que continuar assim, tendo em vista as figuras que estão se candidatando e que têm plenas condições de serem reeleitas, as que lá estão, e eleitas as figuras que se apresentam como novas, mas as fichas públicas trazem as velhas ranhuras vistas nos personagens passados.

 

Na declaração de bens dos candidatos, que sabemos não conter todos os bens, vemos o misterioso enriquecimento de pessoas que viveram exclusivamente na atividade política/pública, não têm empresas, não têm investimentos produtivos, e as remunerações funcionais, mesmo as que estão nos níveis do marajaísmo, não permitiriam o amealhamento de tanto dinheiro e patrimônio.

 

A cada mandato, a cada grupo que assume o poder, o que assistimos é o aumento do assalto ao erário, os episódios de corrupção são cada vez mais frequentes e cada vez mais são montanhosos os volumes de recursos desviados. As negociatas já não ocorrem mais nos subterrâneos túneis que escondiam as tramas, não são mais articuladas nas madrugadas.

 

São perpetradas, acertadas, costuradas, em pleno meio-dia, sob o sol de verão, em mesas de restaurantes da moda, em conversas não mais tão discretas assim. E quando surgem as denúncias, lá vem a desculpa velha e esfarrapada: é complô de contrariados ou criação da mídia.

 

Ontem foi assim. Hoje é desse modo. Amanhã não será diferente.

 

Enfim, isso é um país do futuro ou um país sem futuro?

 

 

Topadas traiçoeiras - José Virgolino de Alencar

Nos longínquos interiores do Brasil dos anos 50, muitas histórias são narradas, sempre com um quê de folclore e fantasia, mas de certo modo mostrando a criatividade e a verve apurada dos chamados capiaus dos burgos distantes dos grandes centros urbanos. Cada região do Brasil tem seus personagens típicos, sua prosa característica, uns com um falar manso, tranquilo, como os mineiros, outros mais barulhentos, salientes, como os gaúchos, mais outros arredios, desconfiados, como toda a área do norte/nordeste.

O caso que vou contar, situado numa escondida cidade do interior do País, mistura verdade e fantasia, autenticidade na característica do lugar e aumento de algumas oitavas nos tons da cantiga narrada.

A cidadezinha, com poucos habitantes, mas o suficiente para formar uma comunidade cheia de vida, folguedos e festas, já era, lá nos 50, calçada com paralelepípedos, embora com visível irregularidade no nível do leito das ruas.

O lugar, embora distante da civilização, não deixava de ter sua “cultura”, sua gente dotada de esperteza e inteligência. As mulheres vestiam-se à lá Arábia, com roupas cobrindo todo o corpo, só faltando a burca. Mas não escapavam de provocar com suas belezas, causavam um excitante frisson nos homens, atiçando a imaginação do que teria por debaixo daquelas saias.

Por sua vez, as mulheres, que se apresentavam tão recatadas, sentiam a natureza instigar seus corpos, acendendo o desejo de morder a maçã, afinal, a Bíblia ensinava que Eva, no começo das eras, não resistira à fruta do desejo e cometera o primeiro pecado. Elas, as mulheres da cidadezinha, atribuíam-se o direito de satisfazer ao apelo da carne, com a máxima discrição.

Mas, na cidade pequena, onde todo mundo conhece todo mundo, descobre-se cada fato da intimidade que até Deus duvida. E corria pela cidade, em sussurros e cochichos, que as damas do lugar andavam pulando a cerca, havia muito marido com a testa enfeitada.

As que se confidenciavam, e eram quase todas, com um certo remorso, uma vez que os padres, no púlpito e nas homilias, condenavam as traições, combinaram se confessar, falar com o padre o que faziam e pedir perdão, confiando que o segredo da confissão era indevassável e o vigário não comentaria com ninguém.

Para contornar a vergonha de falar, diante do padre, abertamente sobre a traição aos seus maridos, acharam uma forma que elas pensavam ser eficaz para aliviar a consciência. Acertaram, então, que em cada ato de traição aos maridos, na hora da confissão, diriam sussurrando no ouvido do confessor: “Ontem, senhor padre, eu dei uma topada”, lá outra confessava que “dera três topadas”, as mais assanhadas fechavam os olhos e confessavam que “haviam dado cinco topadas”. O então vigário entendeu, até porque conhecia os boatos e as perdoava.

Ocorre que houve a troca do vigário da paróquia, chegando um padre gringo, naturalmente alheio às gírias confessionais das mulheres. Ouviu admirado, sem entender, as confissões das topadas, achando que não conhecia a língua do lugar e não queria dar uma de monoglota, pensando inclusive que as mulheres, ao darem as topadas, caiam de mau jeito e - que pecado! – expunham as partes íntimas e se envergonhavam.

O Prefeito, para recepcionar o novo vigário, preparou um jantar em sua casa e convidou os amigos, com suas esposas, ou seja, a maioria dos habitantes do lugar. No descontraído papo dos comensais, o vigário mudou a prosa e falou para o alcaide municipal: “Senhor Prefeito, Vossa Excelência precisa cuidar do calçamento da cidade, pois as mulheres vivem a dar topadas, caindo e se expondo”. O Prefeito, que naturalmente sabia ou pensava que sabia tudo o que ocorria, riu a valer, acompanhado por todos da mesa, até para agradar a autoridade-mor da cidade.

O padre gringo, que não achara graça nenhuma, retrucou para o Prefeito: “O senhor tá rindo, mas sua esposa, ontem, confessou que “deu quatro topadas”. Nem é preciso dizer que a festa esfriou, todo mundo foi saindo de fininho, enquanto um dos convivas, solteiro, papador das damas e dado a fraseologista, pensou com seus botões: “Isto é o que pode se chamar de boas tretopadas”.

O Ano Novo não começou - Virgolino Alencar

 Até 4 de outubro de 1582, uma quinta-feita, vigorava o calendário juliano, decretado pelo romano Júlio César(100 – 44 A.C.), em 46 A.C.

Em 1582, depois de ter consultado especialistas da época que asseguravam haver, no tempo, uma defasagem de 10 dias, o Papa Gregório XIII(1502 – 1585) baixou um edito papal, determinando que a sexta-feira 5 de outubro passaria a ser sexta-feira 15 de outubro.

E é esse o calendário, dito gregoriano, que a maioria dos países segue até hoje.

Se não fora a mudança, o ano novo só viria daqui a 10 dias, ou seja, quando estivermos em 12 de janeiro de 2014.

Para a astronomia, ciência lógica, não houve problema, houve realmente a correção de uma erro histórico.

Para a astrologia, entretanto, ocorreu um descompasso naquela teoria da ação dos astros sobre o destino das pessoas. A dinâmica dos corpos celestes, sistemas planetários, estrelas cósmicas fazem com que eles se desloquem contínua e aceleradamente, mudando rápido de posição, o que desmonta qualquer previsão dita hoje pelos astrólogos, que espertamente trabalham com a crença e o imaginário das pessoas.

Assim, se ano novo traz verdadeiramente novidades e esperanças, aguardem até 12 de janeiro próximo, quando, em termos do itinerário da Terra em torno do Sol, começa nova translação de nosso planeta, contornando, em 365 dias, o astro-rei, ou seja, é o início de um ano novo solar.

Complicado? Mas é ciência pura e não crendice.

Mundo da Fantasia Oficial - José Virgolino de Alencar

O discurso de fim de ano da presidente da República não foi uma mensagem de Chefe de Estado para os cidadãos governados. Foi uma autopromoção, um monte de autoelogios, um desfile de realizações inexistentes, enfim, a presidente Dilma pintou um mundo de fantasia.

Tendo como prioridade a reeleição a qualquer custo e na companhia do pior que existe na política brasileira, a politiqueira Dilma passou ao lago da verdade, encobrindo com a lona da escamoteação os números reais da inflação, do pífio crescimento do país, dos juros elevados, do câmbio destrambelhado, das dificuldades do Banco Central em segurar a política monetária em nível que contribua para o impulso da economia brasileira.

Faltou com a verdade em relação ao emprego, desemprego, renda do trabalhador, empacamento do PAC, sucateamento da máquina administrativa, da redução dos recursos para a educação, para a saúde, para a segurança, para a infraestrutura, para a previdência, itens que ela se distancia ou fornece dados que não batem com a realidade, informações que o próprio IBGE não sanciona, situação de mercado que os operadores e especialistas mostram outras perspectivas nada animadoras.

Em relação à pesada carga tributária que escorcha principalmente a classe média, que é aqui e alhures o sustentáculo do mercado, do consumo, arcando com uma infinidade da impostos, taxas e contribuições, transformando a renda líquida em remuneração aviltante, registrando-se já um índice de inadimplência que preocuparia qualquer gestor responsável, sobre nada disso a presidente não se dignou a falar para sinalizar que ação o governo adotará em caso de risco para o mercado.

Ela não tocou nos pontos nevrálgicos, porque seu governo não tem plano para uma possível crise interna, fato que é latente em qualquer economia, mesmo as fortes, e mais ainda em países vulneráveis como o nosso, que dependem muito do capital externo, grande aplicador em títulos do tesouro. Como não há nação segura na economia globalizada, onde na realidade é cobra engolindo cobra, todo mundo tem seu plano B.

Não digo que foram palavras jogadas ao vento, porque, a parcela brasileira anestesiada pelo assistencialismo oficial e pela ação desumana e propositada de manter essa parcela sem capacidade de discernimento, recebe a mensagem da presidente com o algo positivo, e ela, a chefe de Estado, sabe bem da circunstância, porque é coautora da estratégia, dando-se o direito de bradar contra os que mostram a verdade indesmentível, empurrando-os para o saco criado na cabeça dela, saco em que ela só consegue ver conspiração.

Contudo, para quem conhece os fatos e como anda a carruagem brasileira, foi um discurso vazio, oco, em que não se clarearam as ideias desse nebuloso mundo oficial.

O mundo da fantasia.

Virgolino de Alencar

Natal - A classe média paga o peru - José Virgolino de Alencar

 A classe média, nos seus diversos estratos, média- alta, média-média e média-baixa, em sua pesada maioria, não apóia o sistema de poder do país, contesta a gestão lulo/dilmista. Embora os governistas não queiram admitir, essa posição é fruto da formação cultural-intelectual, nível de escolaridade, de informação, enfim, de cabeça feita, que tem no hemisfério da mente, onde se situa a inteligência, uma direção segura para o que pensa e o que quer. Por isso, rejeita a enganação que se instalou no país, soi disant socialista, mas a realidade aponta para uma corrente retrô em matéria de política social e econômica.

Ainda por cima, esse modelo excessivamente concentrador de renda, com transferência invertida, de baixo para cima, é alimentado pela classe média via impostos e encargos dos quais ela não tem como escapar. Pagando uma pesada carga tributária e consumindo os produtos de sua necessidade vital, como os da modernidade, é a classe média que sustenta o mercado, dá-lhe as gorduras monetárias que vão para os obesos bolsos das grandes corporações e dos banqueiros. Sem classe média não há economia.

 

O dinheiro da classe média viaja para o cofre do governo e do mercado, permitindo que, pelo peso na consciência de tanto dinheiro juntado, a alta elite conceda as esmolas para as classes menos favorecidas, para os necessitados e meio esquecidos do sistema. Meio esquecidos, porque, pelo menos no Natal, a demagogia é maior e muitos correm com presentes e doações, achando que num dia minoram a situação dos desvalidos.


As doações residuais das elites de consciência pesada têm origem exatamente no consumo da classe média. É certo que as benemerências também ajudam o mercado, porque, com as esmolas recebidas, o pobre vai comprar alguma coisa que lhe engane a barriga faminta, consumo que irriga dinheiro pelos tubos que o conduzem de volta à mão do sistema.


É assim que, na festa consumista natalina, onde se lembra mais de comer e beber do que homenagear o menino-promessa-de-salvação nascido nessa data, todo mundo come o seu peru(a ave!), a alta elite, a classe média e a multidão de excluídos nos demais dias do ano. Esses perus, gordos e bem recheados(classe alta), menos suculentos mas bem temperados(classe média) e magros com pouco destempero(classe pobre), são todos financiados pela renda do trabalho da classe média.


Os governistas têm dificuldades de entender essa realidade, xingam a classe média, mas degustam um peruzinho pago por essa que economicamente é classe B, mas intelectualmente é classe A. Não resolve o problema de fundo, mas consola sua autoestima.

Bons perus para todos.

Mudança? Novos maîtres para o mesmo cardápio - Virgolino Alencar

Durante o governo de Fernando Henrique, Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif, Miriam Leitão, Alexandre Garcia, Franklin Martins, Arnaldo Jabor, eram os mais salientes porta-vozes e defensores do modelo de gestão. Hoje, Paulo Henrique Amorim, Nassif e Franklin Martins são comensais do atual governo. Alexandre Garcia, Miriam Leitão e Arnaldo Jabor são críticos da gestão lulodilmista. Como os governos, anterior e atual, são adversários, mas o modelo de gestão não mudou nada, eles é que mudaram de polo.

Os que se bandearam para o poder atual, condenam o passado em que foram assíduos comensais e passaram a degustar o mesmo prato que dizem ser novo.

Os que criticam o modelo, esquecem que foram árduos defensores e que estão apenas rejeitando o prato que tanto degustaram.

Enquanto isso, os fiéis da seita nem ligam para essas circunstâncias, ou seja, estão comendo no prato que antes abominavam. Os maîtres são outros, mas o cardápio é o mesmo. É que coerência não é o fraco dos neopreparadores do banquete, acompanhados, nessa incoerência, pelos seguidores comensais.

É o jeito brasileiro de mudar. Do nada para a coisa nenhuma, velho clichê, num país em que, no segmento da gestão política, tudo continua mofado.

Virgolino de Alencar

A Justiça do 'Acho que' - José Virgolino de Alencar

 Antes que alguém engrosse comigo, apresso-me a explicar que o título não se refere à instituição, mas a alguns exegetas do direito que, não tendo como convencer a sua exegese, dão como supedâneo de seus argumentos o velho "acho que" e concluem a sua interpretação como a verdade absoluta.

Estou enfocando o assunto a partir de, entre muitos outros, dois casos que estão sendo objeto de discussão no país, são o foco de um debate-boca e poucos foram absolutamente convincentes.


Primeiro é o caso do Mensalão. Quem acha que os envolvidos têm culpa(por posição política/partidária/ideológica) nem observa o caminho do devido processo legal e embarca de cabeça na condenação, sem defesa, sem direitos, sem o condenado merecer tratamento humano. Quem acha que eles são inocentes(igualmente por posição política/partidária/ideológica) também não quer saber de provas, de fatos, de argumentos, de competência(legal) para julgamento, estigmatizando quem ousar contrariar seu pensamento.


Nos dois lados da questão, onde a passionalidade sobrepõe-se à racionalidade, o juridicismo é colocado no recorrente "acho que", dispensando-se de justificar com suporte na lei. Fazem dos institutos legais uma "borracha" que estica para o lado que se deseja.


Com isso, fica a impressão generalizada de que nem os juristas das altas cortes conhecem a fundo as leis e o debate de ideias se transforma em debate-boca até no mais alto plenário jurídico do país. O contraditório, no julgamento do Mensalão, foi contraditório demais. Contudo, não entro na corrente de quem quer anular a decisão, nem estigmatizar os ministros por suas posições, afinal, compete-lhes decidir em última instância, por maioria.


No entanto, a discussão deve continuar, buscando o consenso, libertando-se do "acho que", para o aperfeiçoamento das futuras decisões.
O segundo caso jurídico vem do futebol, do campeonato brasileiro que terminou no gramado, mas não terminou juridicamente. A Justiça Desportiva se depara agora com um julgamento que, pela popularidade e paixão do esporte, vai dar muito o que falar.


O STJD, composto de juristas, não consegue convencer em suas aplicações dos regulamentos, com os juízes batendo cabeça, votos conflitantes, penas diferentes para casos idênticos, porque lá também predomina o "acho que" e a partir dele toma-se a decisão como verdade absoluta.

A classificação final do campeonato está sub-judice, time que caiu em campo pode subir pela justiça desportiva e equipes que ganharam jogando podem ir para o descenço. As torcidas portam-se como os eleitores no julgamento do Mensalão. Meu time está certo, meu partido está correto.

E haja "acho que". Nesse panorama, eu não acho nada.

PT, TerraNews e LuaNews. - José Virgolino de Alencar

O Partido dos Trabalhadores, fundado nos anos oitenta, teve como base de apoio a classe média intelectualizada, os trabalhadores do ABC, os servidores públicos, cujos sindicatos eram a força da CUT, braço do PT, e um resto de gatos pingados pelo país a fora. O chamado povão não votava no PT, era cliente do então PFL, da banda conservadora do PMDB e de outros partidos que não batiam com a sigla lulista.


O esperto Lula, sentido que assim não ganharia eleição, reuniu a cúpula do partido e combinou uma estratégia que levaria o PT ao poder. Simples. Conservar o discurso, ainda possível nos anos noventa, e adotar a prática dos velhos partidos, juntando-se, para isso, com a elite financeira, os capitães da indústria, os dirigentes das construtoras, a mídia poderosa, assegurando-lhes seus privilégios e lucros.

Essa gente, a poderosa, é que sabe construir o marketing que conquista as massas menos esclarecidas, maioria no país, e sabe vencer eleições. Embora tenha começado a perder o apoio da base inicial que deu sustentação ao PT e encheu a bola de Lula, achou que, nas urnas, é uma turma que não pesa. Foi em frente e assim chegou ao poder.

 

Deslumbrados com os palácios, com os cargos bem remunerados, os petistas que acompanharam a estratégia foram se elitizando, viciando-se com as benesses e ainda achando pouco foram avançando no erário, circulando agora com ares de “chairmans”, adquiriram o vezo autoritário, personalista e, para não mais arrear da montanha de vento e água fresca em que se aboletaram, deram um chega pra lá na ética e moral, partindo para dividir com a velha bandalha brasileira os recurso do tesouro, angariando o apoio de Sarney, Collor, Maluf, Renan, Jader Barbalho, para citar os mais salientes que aceitam tudo, contanto que estejam também no mando.

 

A divisão de recursos não perturbou o PT. Mas a divisão de mando começou e cada vez piora, com os partidos ditos da base fazendo chantagem para continuar apoiando. Veio então o Mensalão e outras conhecidas mumunhas que não abalam os caras de pau, mas envergonham a nação.


Dessa circunstância ou descaminhos, nasceram as três principais correntes dentro do próprio PT: 1)A cúpula, que maneja o sistema; 2) Os acólitos que continuaram com o discurso anacrônico e atemporal, base de sustentação da ideologia ultrapassada, a dita engana neném; 3) os que permaneceram com o ideal, não se misturaram nem com os mensaleiros e nem com os acólitos cegos, pregando novo discurso e práticas novas, ficando a gritar no deserto.

Enquanto a principal base lá do início deixou em definitivo as hostes petistas e passaram a ser críticos do governo, o grupo 3 permaneceu prestando o seu apoio, honestamente tentando reavivar o ânimo, temendo a volta ao poder de quem e do que tanto combateram, sendo, porém, minoria.

 

 

 

Já o grupo 2, formado por crentes de uma seita mais do que membros de um partido político, são o grupo do barulho, da retaliação contra os adversários, da baixaria contra críticos, lutando pela mordaça dos órgãos que os cutucam e a censura à mídia que, embora reverberando as mentiras deles, abrem espaço para demais segmentos nacionais, e isso eles não admitem.

A estratégia deles. Quando você critica, eles tentam lhe meter no saco onde estão exatamente o grupo da velha bandalheira brasileira e que apoia, e eles fazem de conta que não, o seu sistema. Xingam, estigmatizam, procuram botar chifre em cabeça de cavalo, desvirtuam ideias e palavras, se desobrigando de explicar, com argumentos, os fatos criticados.

 

 

É assim que, em relação ao item "comunicação", os petistas acólitos vivem brigando com quem lê jornais, revistas ou atua nas redes sociais, ou seja, desdenham os que, pisando firme no chão, podem ser chamados de "TerraNews", que acompanham e se informam pelos meios que existem à disposição aqui na Terra.

 

E os briguentos do PT, cegos guiados por cegos, como falou Mateus lá no início do século I, vivem enlouquecidos com as verdades ditas, já não conseguem ler, ver e acreditar em imagens(Mesmo em HD), têm pavor de informações, mas surgem “cotando”(em forma de lorota) fatos que eles colheram fora da Terra, seja, no LuaNews(como nefelibatantãs), de onde vêm as notícias enviadas por uma força superior, que não é Deus, informações, assim, mais do que virtuais. Devem ser criadas por uma mente acometida de psicogênese, ou com dons da psicografia.

Eles veem longe. Muito além do horizonte. Da Lua para cima, com certeza.

 

Coisas do Brasil - José Virgolino de Alencar



O Brasil tem PIB do primeiro mundo, carga tributária também de primeiro mundo, os produtos e serviços têm preços de países ricos, os ingressos para a Copa, por exemplo, custam o que custariam na Europa, os Estádios competem em qualidade com os melhores do mundo e suas belezas e riquezas naturais não ficam a dever a nenhuma nação do Planeta.
Aí vem a questão social e complica tudo. Tem nível de renda de país pobre(salvo os do topo da pirâmide), a população ou se distancia do consumo ou vai consumir na 25 de março, os torcedores mais fanáticos do futebol, que situam-se na camada pobre, não terão acesso aos belos estádios, sem falar que estão no nível de terceiro mundo a educação, a saúde, a segurança, a infraestrutura e o descompasso nas contas públicas.
Com a Copa já chegando e tendo em vista que o futebol sinaliza a real distribuição de renda de um país, vamos a exemplos nessa área, para mostrar o Brasil socialmente conflituoso.
Somente Barcelona, na Espanha, coloca 80.000 espectadores num jogo de futebol, com ingressos de valor mínimo equivalente a 200 euros. Por isso, pode pagar mais de 100 milhões de euros por Neymar e Messi(mais de 100 por cada um).
No Brasil, país de futebol, se decanta a compra de Alexandre Pato, pelo Corinthians, por 40 milhões de reais como uma das maiores transações feita por um clube.
Com duzentos milhões de habitantes, a preços de 200 euros para o ingresso mais barato, mesmo na Copa, o Brasil não botaria nas arquibancadas sequer 20.000 torcedores.
Para trazer craques em fim de carreira da Europa para o Brasil, os times juntam um monte de patrocinadores, entrega a um empresário os direitos de imagem do jogador, e terminam no prejú.
Da expulsão de sua paixão pelo futebol, o brasileiro também é expulso de shoppings e supermercados, empurrados para as peladas feiras livres, sujeito a produtos sem controle sanitário, arriscando comprar doenças.
Enfim, aqui se vive viajando do paraíso ao inferno, do dia para a noite.

Joaquim Barbosa candidato! - José Virgolino de Alencar

Engraçado esse nosso país. O sujeito é analfabeto, não tem nenhuma bagagem de conhecimento de nada, provou não ter escrúpulo, não respeitar ética, moral, princípios, mas, como cidadão brasileiro, na linha de respeito à Constituição, chegou à presidência da República.

Um magistrado, que chegou, sem quota, ao Supremo Tribunal Federal, foi galgado à presidência da Corte sem conchavo e sem artimanhas, só porque cumpriu o seu dever de julgar meliantes do alto degrau da pirâmide social, está sendo estigmatizado porque está sendo cotado para candidato a presidente da República.

Ora, se ele se aposentar, deixar as lides da magistratura, entrar num partido político, pode se candidatar e tem cacife intelectual para tal pleito, exatamente como todo cidadão brasileiro.

Vejo gente extravasar expressões de ódio porque o ilustre brasileiro, que nem se lançou(o lançaram) a presidente, querendo colocá-lo na vala comum dos meliantes, estes, sim, impedidos de se candidatar por terem os direitos políticos cassados.

Em tempo. Não me declaro eleitor comprometido com o ministro Joaquim Barbosa.

Mas não acho nenhum absurdo a sua candidatura. Acho absurdo, sim, esses arreganhos de descontentes, comprometidos com a bandalheira.

E não é só Joaquim. É qualquer ministro que, após deixar o Tribunal, se candidate pelo grupo do poder atual. É um direito dele.

Não voto, mas não veto.

Aprendam a viver na democracia, gente!

Mensalão e morte da boa música brasileira - José Virgolino de Alencar

 Ao terminar a transmissão da sessão do STF(sobre a decisão que não decidiu nada), a Globo News, fazendo a gente respirar da decepção pela esticada dessa corda dos mensaleiros, reprisou um programa(antigo, mas eu não tinha visto) da série Arquivo News, lembrando "Os 30 anos sem Ari Barroso". Falou de sua agitada vida e sua obra, mostrando um time de cantores interpretando as músicas do artista, compositor,cantor, apresentador, narrador de futebol e advogado que não precisou exercer a profissão.

Era de temperamento enjoado, coisa própria de gênio. Se chamassem qualquer música brasileira, dele ou de outro autor, de "sambinha", ele virava fera.
Como não poderia deixar de ser, o destaque foi "Aquarela do Brasil", interpretada por um grande número de cantores, brasileiros e estrangeiros. A música disputa com "Asa Branca" o troféu de música brasileira mais executada e cantada mundo a fora. Na voz dos três grandes tenores, José Carreras, Plácido Domingues e Luciano Pavaroti, "Aquarela do Brasil" torna-se sinfonia ao violino para nossos ouvidos, mesmo com aquelas vozes potentes.


Os melhores momentos do programa foi uma reprise dentro da reprise, com imagens de outro programa de 1994. Aí veio na minha cabeça a lembrança de uma circunstância que ocorre com a música brasileira. 1994 é um divisor de águas para a nossa música.

Tom Jobim, que rememora a convivência com Ari Barroso, canta algumas canções e conta histórias engraçadas sobre o compositor. Tom morreu em 1995 e parece que morreu com ele a boa música popular brasileira. Lembrem que, de 94 para cá, não surgiu mais nenhuma canção de destaque no Brasil. Mesmo os compositores bem vivos como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, para citar os nomes que representam a história de nossa música, nada criaram de novo, limitando a repetir as composições antigas e as cantoras como Gal, Betânia, Simone, Alcione, etc.. também ficaram na repetição de repertório anterior a 94.


Hoje, quem faz sucesso é um monte de gente que fabrica música em série como indústria de chocolate, que se saboreia, se esquece e se procura nova guloseima. Quem conhece o nome dessas novas músicas, mais gritadas do que cantadas, para citar alguma de memória? Estou falando da música que fica para a eternidade, não para um determinado e efêmero momento.


Sem desrespeitar a pessoa humana, quem está fazendo barulho é uma jovem chamada Anita, já com vários CD's lançados e nenhuma música que mereça ficar na memória. O destaque em nossos dias fica com quem rebola no palco e o sucesso aumenta ainda mais se exibir rotundas fesses.


Enfim, o país da música, do futebol e do carnaval não tem mais música, nem futebol e o carnaval transformou-se num desfile da passarela do axé. O Axédromo está superando o Sambódromo, até mesmo porque o samba está em baixa.

"Não deixem o samba morrer, não deixe o samba acabar", disse-o bem Zé Kéti, na voz de Alcione. O autor é falecido e não assistirá ao provável féretro do samba. Amém!

 

Barco furado - José Virgolino de Alencar

A presidente da República teima em improvisar seu discurso, do qual sai o que ela pensa que está fazendo, enquanto a prática de seu governo vai exatamente na contramão do que ela diz.

Na sua posse, a eleita Dilma afirmou, sem olhar para a realidade em torno, que continuaria trabalhando para os pobres. Porém, sentada na cadeira de presidente ou aboletada no aerodilma, vem migalhando a renda do trabalhador. Na mesma pomposa cadeira, corrige a tabela do imposto de renda, mixurucando o teto da isenção, que reduz a carga tributária em menos de 1%.

Na cabeça de Sua Excelência, as duas medidas beneficiam os pobres e desagradam as elites. Na cabeça dela. Porque, na realidade, transformando o salário mínimo em teto, ela está prejudicando o pobre e alegrando as elites que se veem livres da obrigação de um desembolso maior para os salários, preservando os seus lucros. Isso é elementar e é para se lamentar.

A ridícula correção na tabela do imposto de renda em nada beneficiou a massa pobre, cuja renda nem chega perto do teto, como em nada desagradou a elite, porque esta, como pessoa física, paga pouco imposto de renda, porquanto todos os seus gastos são contabilizados como custos de suas empresas e, consequentemente, são dedução do imposto, diminuindo o recolhimento.

A carga do imposto de renda permanece nas costas da classe média, descontada na fonte, em alíquotas elevadas. Como essa situação interessa aos grandes proprietários dos meios de comunicação, que dela se beneficiam, não se vê posicionamento da imprensa mostrando esse quadro, contraditório, dissonante entre discurso e prática, mas os ilustres petistas/dilmistas/lulistas ficam esbravejando contra a mídia, quando esta faz crítica de varejo e não veem que ela é, no atacado, leniente com o governo e seu modelo.

Fica, então, o jogo de cena, o faz-de-conta, permitindo que a presidente abuse da lógica, discursando em favor dos pobres e agindo compactuadamente com os interesses das grandes elites, que nunca se deram tão bem em um período de governo, período longo, já há dez anos desde Lula, suficiente para engordar o capital de uma geração inteira de poderosos.

O modelo vigente sob o atual governo não tem o mínimo minimorum do pregado socialismo, não é sequer social-liberal, é ortodoxamente neoliberal. Não consigo entender porque os petistas históricos, que defendiam e lutavam bravamente por um ideal e por ele perseguiram heroicamente, idealizando chegar ao poder para praticá-lo e, ao ver esse descaminho da cúpula do partido e de seu governo, ainda permanecem nesse barco, que faz água por todo lado. E é água suja, poluída pela corrupção.

Pula desse barco, gente, continua a luta por seu ideal e não deixe naufragar seu sonho de um mundo justo e igualitário.

Não há frustração maior para o idealista do que, como disse o poeta Américo Falcão, ver o naufrágio de seus sonhos!

Rei do camarote - Virgolino Alencar

Eu, pobretão da classe média, sou rei do camarote. Vivo permanentemente assistindo de camarote a lenga-lenga da política, federal, estadual e municipal, um espetáculo mais para circense do que para os objetivos de uma nação; de meu camarote vejo o bla-bla-blá da mídia, que não se define para onde seguir: dá uma no cravo da oposição e uma na ferradura dos governos, levando sempre o seu naco; observo o debate vazio dos chefes de Estado, cada um reclamando da arapongagem do outro, quando sabemos que todos esionam todos; vejo também o futebol brasileiro desmilinguindo-se, com os cartolas e os tais empresários donos dos direitos de imagem dos jogadores fazendo negócios escusos, onde rola o caixa dois e a sonegação de tributos, enquanto os times já não são mais os detentores dos passes dos craques; mesmo de longe, vejo a multidão de desvalidos, excluídos do banquete, onde comem seletas iguarias os políticos, os banqueiros e os chefes do crime organizado, muitas vezes todos juntos; leio, aqui do meu modesto camarote, a mídia badalar um "Rei do Camarote", cidadão de riqueza nada explicável, torrando dinheiro de forma soberbamente exibida.

Não gasto fábulas de dinheiro, só um micro de geração superada, mas, pela amostragem do que vejo, entre muitas outras coisas, acho que sou mais eu nessa história de rei do camarote.

Virgolino de Alencar, de seu camarote virtual.

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