Pense numa democracia porreta! - Francis Lopes de Mendonça



É preciso compreender que legalidade e justiça são duas coisas totalmente diferentes. Nem tudo o que é legal é justo e limpo. Principalmente no Brasil onde existe uma enorme discrepância entre o que é justo e o que é legal. E essa é a razão por que as leis do país tinham que passar por transformações.

Se as leis fossem justas elas não precisariam passar por transformações. Tem que passar porque são injustas. Mas não passam e nem vão passar porque quem legisla só legisla por interesses escusos. Por isso que é muito difícil chegar a uma definição do que seja justiça no Brasil. Eu mesmo não sei o que é justiça. Sei o que é o “sentimento de injustiça” – uma coisa dentro da alma que diz que todos são oficialmente desiguais perante a lei, principalmente na hora de pagar a conta. Isso é resultado da prática de criar “direitos adquiridos” para todos que nunca foram para todos - ao contrário, são para poucos e não são direitos adquiridos, e sim vantagens.

Nessa trapaça, que se acentuou desde a Constituinte, o Estado brasileiro é só um mecanismo de distribuição de renda de pobre para rico. Aqui a desigualdade não é resultante natural do funcionamento saudável de uma economia livre, mas de um Estado e de uma legislação disfuncionais que protegem os ricos e punem os pobres.

Pois o Brasil arranca suor do trabalho de gente pobre para pagar salário exorbitante, aposentadoria integral, financiamento de sistema ineficiente e auxílio moradia para magistocratas que têm casas próprias e imóveis de aluguel. Mais motorista, mais aspones para puxar a cadeira-trono, mais todas as vantagens imagináveis e inimagináveis do poder. Você tem ideia dos custos da magistocracia brasileira, quando comparada ao resto do mundo? Acredite, é um verdadeiro escárnio!

O Brasil gasta 1,4% de seu PIB apenas para manter seu sistema judiciário. Alemanha, Itália, Portugal e Reino Unido gastam de 0,4% para baixo. A duração dos julgamentos em primeira instância, em média de dias, também é o TRIPLO dos piores índices de lugares civilizados, que são os de Itália e Eslovênia. Tudo isso considerando que o número de funcionários do sistema judiciário em relação à população também é, no Brasil, o TRIPLO do que é em democracias de verdade. E não pode haver democracia de verdade e nem valorização da defesa do bem comum, do patrimônio e do erário público num país onde o consequente bom uso da coisa pública não está a serviço da maior parte da população.

Não há como não se revoltar e ficar altamente indignado com o fato de que o voto obrigatório só serve para garantir que essa mesma população viva apenas para sustentar a ostentação dos magistocratas e congressistas que, acobertados pela desculpa da "soberania popular do voto", desviam milhões e mais milhões dos recursos federais para financiar suas mordomias e campanhas políticas. Isso não pode ser justo, normal e limpo. Isso é uma afronta à essência da representatividade que é a igualdade entre o representado e o seu representante. E assim na desigualdade ou na pobreza, como queiram direitistas e esquerdistas cínicos, o Brasil segue na pior posição no ranking de desenvolvimento humano, sendo um país com muita pobreza, muita desigualdade, campeão de injustiça social, com ensino básico abaixo da crítica, incapaz de incluir 20% da população no mercado de trabalho, e sem perspectiva nenhuma de crescimento econômico sustentável ou de padrão de vida decente para a maioria da população. Pense numa democracia porreta!





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