Histórias da Pollícia Civil XII

 Cipriano e a sua segunda história
No ano de 1985, não me recordo o dia e mês, eu estava de plantão juntamente com os colegas policial Ivan, policial Wilmar e o policial Edson Matos que era o comissário, era um plantão noturno e tudo corria normalmente, porém, esta tranquilidade que foi interrompida, quando fomos avisados que na antiga Praça dos Engraxates, situada entre as Ruas Enrique Dias e Sete de Setembro, mais precisamente em frente à Marinha, havia um elemento armado intimidando quem por ali transitava, como se tratava de uma pessoa portando arma de fogo, o comissário Edson achou por bem solicitar a polícia militar(PM) para averiguar o que estava acontecendo, chegando ao local foi dada voz de prisão ao infrator, que foi imediatamente desarmado e levado para o primeiro Delegacia de Polícia(DP).
Na delegacia foi preenchido o BO e entregue juntamente com a arma ao comissário de plantão e para nossa surpresa o infrator era um policial civil que era subdelegado de polícia lotado ao longo do Rio Madeira, e como se tratava de um policial, o comissário comunicou o fato ao delegado de plantão que solicitou a presença do mesmo para explicar melhor os fatos.
Ao receber a ordem conduzi o infrator levando a ocorrência e a arma até a Central de polícia, naquele dia o delegado de plantão era o Dr. Sergio Barbosa, fiz a entrega da arma e da ocorrência, apresentei o infrator e o delegado mandou que o mesmo sentasse para conversar, o infrator sentou e colocou os pés em cima da mesa do delegado que o repreendeu e disse que ali era a mesa do delegado e que ele respeitasse, o infrator respondeu dizendo que era federal e que para conversar com um delegado do estado era daquele jeito, diante disso o delegado percebendo que aquela pessoa não se encontrava sóbrio não quis mais conversa e mandou que eu conduzisse o mesmo de volta e o colocasse atrás das grades.
Chegando a delegacia, comuniquei a ordem do delegado ao comissário, que pelo fato do infrator também ser policial, achou melhor que ele ficasse junto a nós no plantão e pegou uma cadeira para que ele sentasse, ele então sentou e ficou super a vontade.
Naquela época eu tinha um táxi e como já era tarde da noite e eu estava com sono fui até o taxi que tinha um toca fita e fiquei ouvindo som enquanto observava as pessoas indo e voltando do centro da cidade, naquele momento eu estava de costa para a delegacia quando ouvi um barulho vindo do interior dela, achei que fosse uma fuga em massa, quando na verdade eram os dois policiais, que estavam de plantão, correndo atrás do policial infrator que tentava fugir,quando então que já estava do lado de fora da delegacia, também corri atrás, e antes que o infrator chegasse ao local onde hoje funciona o galpão da feira do Cai n’água, ele foi alcançado e levado de volta, agora para o xadrez.
Pela manhã o Delegado plantonista ordenou que o levasse a Central de Polícia para que lhe fosse entregue a sua arma, naquela oportunidade conduzi tal policial e chegando lá, o mesmo se recusou a entrar alegando estar com vergonha do delegado, quando então o Dr. Sergio Barbosa aceitou a ausência dele e concordou de me entregar a arma e que levasse ele o policial até a margem do Rio Madeira e só entregasse a arma a ele quando lá chegasse.ma par ale, lá fizesse a entrega da arma e liberasse o mesmo para que fosse embora.
Seguindo as ordens do delegado, seguimos para a margem do rio e chegando lá o infrator desceu da viatura, fiz a entrega da arma e ele foi embora na sua voadeira pelo Rio Madeira, fiquei olhando até quando ele desapareceu e voltei para a Delegacia para concluir o nosso plantão.
Quem vinha do interior para a cidade passava obrigatoriamente defronte à delegacia e como fiquei conhecendo o mesmo, o vi algumas vezes passando pelo outro lado da rua observando o galpão velho da estrada de ferro. Certo dia eu ainda tentei falar com o mesmo, porém, ele olhou para mim e acenou com a mão dando a entender que não desejava conversa, acho que a sua vergonha ainda perdurava.

No final dos Anos 80, início dos Anos 90, estava acontecendo muitas fugas de perigosos bandidos das frágeis celas dos Distritos policiais, tais como Sapeca, o perigo pistoleiro Argemiro, matador do advogado Agenor de Carvalho, quando então o delegado Dario Xavier Macedo resolveu criar na antiga Central de Polícia hoje Direção Geral, um grupo para cuidar apenas das celas e assim evitar fuga de presos.
Certo dia, fui escalado para ficar cuidando das celas em companhia do colega policial Josmar Câmera Feitosa, quando em determinado momento, fui chamado pelo detento Argemiro para ir até a cela, que o mesmo ocupava sozinho e ao adentrar nos corredores o preso Argemiro era um sujeito de cor negra, alto e bem robusto e talvez para tentar impressionar, foi logo dizendo: ‘Policial sabia que o primeiro que matei, foi um policial, atirei na cara dele e depois matei mais uns vinte policiais. Naquela ocasião, mesmo surpreso ainda falei: “Sabia não, poxa então você é brabo mesmo hein? Logo em seguida me retirei.
Ao sair daquele recinto e de volta a minha mesa colocada na entrada das celas, fiquei a pensar no que poderia fazer em razão daquela desfeita do preso, sem assim ferir a legislação e prejudicar a mim e ao colega Câmara, que me acompanhava no plantão e ai tive a seguinte idéia, iria desligar as luzes para assim causar desconforto aqueles ali recolhidos.
Ao apagar as luzes comuniquei a Câmara, que no escuro ficaria melhor até para a observação dos presos. Quase que imediatamente o preso Argemiro começou a gritar: “Policial, ligue a energia, eu não sei dormir sem luz, Dr. Dario sabe disso”. A cada instante ele o preso, repetia tal cantilena. Depois de muitas lamentações, foi quando então eu sacramentei a vingança contra o atrevido preso dizendo: ‘Não adianta chiadeira, as celas irão permanecer sem energia até o amanhecer, você não se diz valente, matador de policial’, tendo as luzes permanecidas amanhecer.
No plantão seguinte ao chegar por volta das 18 horas, fui convocado a sala do delegado Dario, que foi logo me dizendo Você está apresentado, volte para sua Delegacia de Homicídio que você não está sabendo se comportar com os presos.
Esta minha história tem o propósito de lembrar como no passado trabalhávamos até mesmo para cuidar de presos e também para homenagear o delegado Dario Xavier Macedo, que foi um dos bons profissionais de nossa instituição policial. Em breve voltarei com novas histórias.

O fechamento da Boate Tartaruga

Entre os anos de 1987 e 1988, quando me encontrava mais uma vez como Diretor de Polícia Metropolitana, fui procurado por um grupo de senhoras e estudantes, reclamando que não podiam caminhar pelas proximidades da conhecida e antiga Boate Tartaruga, no centro da cidade, pois segundo elas, ocorriam ali muita bebedeira, exploração de menores de idade e as senhoras e estudantes que passavam ali por perto, eram assediadas pelos frequentadores e que, portanto, alguma providencia teria que ser tomada, pois as mesmas já tinham recorrido a diversas autoridades e nada tinha sido feito para resolver a grave questão, que ocorria diariamente e a luz do dia. Depois de ouvir a mesma e de formalizar um Boletim de Ocorrência, prometi ao grupo que em 24 horas aquele problema de décadas seria finalmente resolvido.
Já no dia seguinte solicitei para ficar a minha disposição o ônibus da garagem e mais duas viaturas veraneio e requisitando cerca de 15 homens com seus respectivos revolveres e três armas de grande porte.
Por volta das 15 horas quando o movimento dos freqüentadores da Boate já era grande, solicitei que o ônibus ficasse atravessado na rua na parte de cima e que as duas Viaturas Veraneios, se posicionassem na outra extremidade da rua, evitando assim quaisquer fugas, fossem de indivíduos suspeitos, fossem de menores de idade.
Na verdade existiam duas boates na final da rua, quase defronte uma casa da outra. Na primeira que adentrei com parte da equipe não verifiquei nenhum anormalidade, tendo então me dirigido a Boate Tartaruga e ao adentrar ali, já pressenti um clima bem desagradável entre o motorista da Metropolitana, o policial do Estado Claudinei que trabalhava diretamente comigo e dois sujeitos alterados e desacatando os policiais presentes.
Tais pessoas em pleno expediente e embriagadas se diziam soldados da Polícia Militar e que eles sim entendiam de policia e que nós não sabíamos de nada, quando então os rebati, dizendo que se eles eram tão entendidos assim em atividades policiais, era bem estranho que fossem ainda dois soldados rasos, quando então o mais forte não gostando da gozação que fiz com ambos, veio na minha direção, mas ficou só na vontade, pois o zeloso Claudinei, que tinha cerca de 1.80 de altura, passou voando próximo ao meu ombro e deu uma voadora acertando o peito do militar o jogando longe, quando então ordenei que ambos fossem algemados dentro do ônibus e encaminhados a Central de Polícia para as providências legais, bem como outros freqüentadores irregulares e as menores, tendo naquele dia a Boate Tartaruga encerrado de forma definitiva as suas atividades naquele local, são sabendo eu se ressurgiu em algum outro local da cidade. Penso que não.
Com os policiais militares algemados no cano da Central de Polícia determinei que fossem adotadas as providenciam legais contra os mesmo e fui para meu gabinete informar ao comando da Polícia Militar sobre o acontecido e solicitando a presença do Oficial de Dia para levá-los para o quartel paras providencias administrativas. Qual não foi minha surpresa quando momentos depois fui rapidamente chamado pelo delegado de plantão, pois dois aspirantes que tinham chegado ali, atrevidamente usando as suas próprias chaves estavam tentando abrir as algemas dos dois soldados, desrespeitando os delegados e policiais presentes, quando então adentrei no recinto gritei ‘Alto lá’ e dei uma lição de moral nos dois, pedindo que ambos se retirassem e retornassem para o quartel, pois não entregaria os militares presos a eles, que não souberam se conduzir como graduados na casa alheia e que eu iria fazer um relatório sobre a conduta dos dois soldados e deles oficiais, o que de fato cumpri no mesmo dia.
Novamente liguei para o quartel e o próprio Oficial de Dia um capitão louro, cujo nome infelizmente não recordo que veio pessoalmente buscar os soldados e lamentou todo ocorrido, principalmente a conduta do dois aspirantes a Oficial e disse ali na Central na presença de todos, que as providências com os quatro militares seriam com certeza rigorosas, mas entretanto jamais soubemos o que aconteceu com os mesmos. Talvez absolutamente nada, mas tenho certeza que cumprimos o nosso dever e nos impomos.
Esta é mais uma das tantas histórias que nós policiais vivenciamos mesmo com as dificuldades próprias daquela época, Deixo aqui de citar nomes dos demais policiais civis envolvidos, pois infelizmente não recordo e também por temer cometer injustiças.

João Paulo das Virgens conta a sua quarta história na policia civil
Ainda no inicio dos Anos 80, eu estava voltando, juntamente com Douglas, Fittipaldi e Juarez da cidade de Extrema do Acre, pois com tais colegas tinha ido até ali para averiguar um homicídio, ficando nós hospedados lá por dois dias em razão do péssimo tempo que tornava a estrada intransitável. Eram tempos bem difíceis para exercemos a atividade policial.
Ao retornar chegando ao Distrito de Jacy Paraná, nos encontramos com o subdelegado que era Aroldo Dunda, tendo o mesmo nos chamado reservadamente num canto da delegacia, para reclamar que haviam mandado para ajudá-lo, Claudionor Silva, o Kojak e que ele o auxiliar, estava lhe trazendo problemas.
Aroldo Dunda que sabidamente gostava muito da boemia, de tomar uns tragos, jogar sinuca, era também bastante conhecido como excelente dançarino e gostava de se divertir nas suas horas de folga, tendo Kojak, novo na atividade policial, após o estágio numa delegacia em Porto Velho, sido enviado para auxiliar Dunda em Jacy.
Ao chegar naquela localidade, Kojak já foi determinando o fechamento dos bares e cabarés até as 20 horas, acabando com a renda dos comerciantes e com a alegria de Dunda, que para não desautorizar o seu auxiliar, mesmo a contra gosto aceitou a determinação do mesmo.
O fato é que Aroldo em razão da autoridade do seu cargo, todas as noites discretamente ia aos bares, entrava e fechava a porta do estabelecimento e ali ficava se divertindo a noite inteira, sem que Kojak percebesse, indo ele Aroldo dormir às 4 horas da manhã, mas, porém tinha problema sério, pois às 5 horas da manhã, Kojak devidamente trajado com a sua farda de cabo do Exército, batia na porta de Aroldo o acordando, para juntos hastearem a Bandeira do Brasil, o que era um verdadeiro tormento para ele Dunda, que não podia revelar ao colega sua noite mal dormida e tal sofrimento portanto, se repetia todos os dias.
Ao conversar comigo, Aroldo bem revoltado disse: “João pelo amor de Deus, fale com o secretário e dê um jeito de tirar esse Kojak daqui, pois, ou eu vou embora de Jacy ou vou terminar fazendo uma besteira com esse homem, pois ele está acabando com o Distrito e principalmente comigo, que estou sendo obrigado a me divertir escondido e ainda tendo que cedo da manhã, devidamente perfilado, cantar o Hino Nacional brasileiro e o povo de longe dando gargalhadas.
Depois dessa revelação de Aroldo, a equipe retornou para Porto Velho dando boas gargalhadas, imaginando Aroldo de ressaca, hasteando a Bandeira do Brasil e Kojak devidamente perfilado, cantando o Hino Nacional.
Esta história tem o propósito de lembrar e homenagear o nosso saudoso colega e amigo Kojak, que para cumprir o seu dever como servidor da SSP/RO, às vezes misturava as suas antigas atividades da caserna com a sua nova atividade profissional de policial civil, o que quase sempre se tornava um episódio bem pitoresco e divertido para todos nós e até mesmo para ele Kojak, quando suas histórias eram contadas, bem como homenagear o saudoso colega Aroldo Dunda, que deu bons exemplos de profissionalismo, enquanto esteve na instituição policial.

 





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