Historia da Polícia II



 

A candidatura a vereador e o jingle de campanha do policial Piauí em 1982
No ano de 1982 com a transformação do território de Rondônia em Estado, iria se realizar eleições párea escolha de deputados estaduais, constituintes, deputados federais e excepcionalmente três senadores, um para mandato de oito anos e dois para mandato de quatro anos, além da renovação para a Câmara Municipal de Porto Velho E O Governador Jorge Teixeira queria eleger para o Senado, Odacir Soares, Claudionor Roriz e Galvão Modesto.
Naquela oportunidade a cúpula da Secretaria de Segurança resolveu que deveria eleger um vereador, um deputado estadual, um federal, sendo escolhido então como candidatos João Paulo das Virgens para vereador, o delegado Walderedo Paiva para deputado estadual e o delegado João Lucena Leal para deputado federal.
Correndo por fora, ou seja, por sua conta e risco, o policial Waldemir Cardoso, mais conhecido por Piauí, que era subdelegado Jacy-Paraná, Mutum e região se candidatou pelo PDS para ser vereador.
Nem precisa dizer que a candidatura de Piauí enfrentou todas as dificuldades possíveis, pois além de não contar com o apoio dos colegas da Secretaria de Segurança, ele Piauí não tinha recursos financeiros e fazia toda sua campanha foi feita num carro velho, com uma pequena cota de combustível.
Considerando todas essas dificuldades, Piauí espertamente resolveu compor um jingle de campanha, claro ligando a sua pessoa a figura do verdadeiro mito que era o então governador Jorge Teixeira de Oliveira, a outro mito que era Chiquilito Erse e aos três candidatos ao Senado, Odacir Soares, Galvão Modesto e Claudionor Roriz, fazendo essa sua composição muito sucesso naquela campanha tocada num som precário instalado no seu velho carro.
Jorge Teixeira é o nosso governador
Para deputado Chiquilito e Heitor
Galvão Modesto é o nosso senador
Com Odacir tem também Claudionor
Não há tristeza que agüente
O povo já apoiou, o Wlademir Cardoso o Piauí, é o nosso vereador.
Repete:
Não há tristeza que agüente
O povo já apoiou o Wlademir Cardoso o Piauí é o nosso vereador.
Ao se abrir as urnas estavam eleitos para vereador, o agente policial João Paulo das Virgens, para um mandato de seis anos, deputado estadual constituinte delegado Walderedo Paiva dos Santos e o delegado João Lucena Leal, deixou de se eleger deputado federal por cerca de 100 votos, dando assim os servidores da Secretaria de Segurança Pública de Rondônia uma demonstração de força e união.
Com relação a o Piauí, apesar do seu entusiasmado jingle de campanha, o mesmo não se deu bem nas urnas, obtendo alguns poucos votos, pois além das dificuldades já citadas, ele ignorou que a população daqueles distritos que era a sua base eleitoral, era composta praticamente por garimpeiros vindos de outros Estados da Federação, portanto, sem domicílio eleitoral em Rondônia.


Delegado Francisco Ribeiro Lima, conta a sua segunda história na Polícia Civil de Rondônia


No passado muitos fatos pitorescos ocorreram na nossa Polícia Civil e claro, têm que serem lembrados para que assim fiquem perpetuados.
Na minha primeira história lembrei-me de um episódio engraçado envolvendo um dos nossos colegas que hoje se encontra aposentado, mas guardei o sigilo sobre seu nome, temeroso que o mesmo viesse a não gostar daquele episodio único do abalroamento de dois únicos veículos existentes na então pequena localidade de Costa Marques.
Ainda remetendo-nos ao final da década de 80 e anos seguintes, outro episódio sucedeu quando de nossa atividade policial!
O Dr. Sol era delegado de polícia na capital Porto Velho/RO, e tal figura ficou muito conhecido entre nós pela maneira acelerada de agir e seu linguajar do interior de Minas Gerais.
Certo dia o mesmo foi designado para investigar um crime ocorrido em Ji - Paraná/RO, e em lá chegando de imediato deu início às investigações sobre o fato, quando no curso dos trabalhos policiais, recebeu um Telex do Secretário de segurança pública que dizia o seguinte: ‘Dr. Sol: Uma vez preso o suspeito, guarde sigilo e me mantenha informado. Incontinenti o Dr. Sol responde para mostrar serviço, já tratou de responder: Senhor. Secretário: Um suspeito já se encontra preso, porém, esse tal ‘Sigilo’ ainda não foi encontrado. Continuamos diligenciando, aguarde notícia. Dr. Sol.
O delegado Sol não se adaptou as atividades policiais e resolveu deixar a nossa instituição policial, para prosseguir nas atividades advocatícias no Estado de Rondônia.


Francisco Ribeiro de Lima - Não esquecer o arroz e feijão do secretário de Segurança de Rondônia


Reportando-me a meados da década de 80 em Porto Velho, recordo que quando diretor do Instituto de Criminalística/DPT/SSP/RO, em face de a estação chuvosa ser muito forte, a BR 364 que liga Cuiabá a Porto Velho, à época tal rodovia não era asfaltada e se transformava em intermináveis atoleiros, causando transtornos aos caminhoneiros que transportavam mercadorias (alimentos) perecíveis, dentre eles: Carnes, ovos, leite, frutas, alem de verduras etc.,sem contar os não perecíveis, como arroz, feijão, milho, açúcar, farinha etc., que também eram deteriorados, em virtude do tempo em que ficavam nos caminhões até que fossem puxados, por tratores que muitas vezes quebravam quando da tentativa de arrancá-los dos atoleiros infernais.
Como se tratava de mercadorias seguradas, se fazia necessárias a realização da perícia, e posteriormente a apresentação de Laudo Pericial para que fossem ressarcidos os danos causados nos produtos avariados por ocasião das chuvas torrenciais, o que sem medir esforços, deslocava nossos peritos até por via aérea se necessário fosse.
Passado o inverno, no verão seguinte, numa manhã de quarta-feira, quando estava em meu gabinete a conversar com o Sr. Secretário Humberto de Morais Vasconcelos, quando que fui avisado pela minha secretária que havia um caminhoneiro querendo falar comigo, sem que fosse necessário manda esperar um pouco, de pronto o Dr. Humberto autorizou o cidadão entrar, pois o nosso papo era informa.
Ao adentrar no gabinete, sem haver qualquer constrangimento, o caminhoneiro nos agradeceu pela presteza e o imediatismo quanto à liberação do laudo que sem dúvida amenizava o sofrimento quando da estação chuvosa. Mas, não terminou apenas no simples agradecimento. Na presença do Dr. Humberto, o caminhoneiro em nome de seus colegas e patrões, falou para mim: ‘Senhor diretor, no caminhão que se acha aqui na frente, trouxe para o Senhor e seus peritos, arroz, feijão, milho, farinha e açúcar. Naquele instante, fiquei pasmo e constrangido em razão do secretário que assistia a tudo, falei: ‘Moço é nosso dever atender quem necessita de nossos préstimos de forma incondicional’. Mas, nem terminei de falar, pois incontinente o Secretário Humberto entrou na conversa e mandou que eu recebesse a mercadoria, pois se tratava de doação de pessoas honestas, para quem honestamente os socorreu quando dos seus sofrimentos nos atoleiros da BR 364.
Diante disso resolvi então aceitar. Tudo bem aceitei de bom grado! Só que o Senhor Secretário ao se despedir de mim e do caminhoneiro, para minha surpresa me chamou em particular e me falou o seguinte no ouvido: ‘Lima, não se esqueça do meu arroz e feijão!’

Antonio Braga Dias conta a sua história na Polícia Civil
No início dos anos 90, eu trabalhava na Delegacia Regional de Guajará-Mirim e fazia parte do setor de investigação, que contava com 22 policiais e tinha como chefe o respeitado colega policial João Lins Dutra, mas conhecido por João Pomba.
Em determinado dia, ocorreu um homicídio na então Nova Mamoré, quando mataram um taxista, cujo nome não recordo mais, tal crime de deu na Ponte da Misericordiosa, tendo o mesmo sido covardemente assassinado com um tiro na nuca, vindo posteriormente a se saber que esse taxista tinha matado uma pessoa há cerca de dez anos no Ceará e, portanto, o matador tinha sido contratado para executá-lo. Considerando que ali em Vila Nova só trabalhavam três policiais civis e essa sub-delegacia, fazia parte da nossa Regional, então sob o comando de João, fomos em oito policiais até a localidade de Nova Mamoré.
Ao chegar naquele Distrito, verificamos que a Polícia Militar já tinha prendido um dos participantes do homicídio, cujo vulgo era “Gordo’, tendo aqueles militares entregue tal pessoa a nossa equipe. Na ocasião o Gordo informou que na realidade o autor do homicídio tinha sido o sujeito Luiz Estenio, que estava numa draga no meio do Rio Madeira na localidade Periquitos, onde se encontravam centenas de outras dragas.
Ao chegar ali já no final da tarde no Garimpo dos Periquitos, nos deparamos com uma equipe de policiais militares, comandada por um tenente, ocasião em que João Falou com o mesmo para solicitar apoio na abordagem a draga onde se encontrava o perigoso criminoso, tendo o oficial se recusado a cooperar, informando que já iria anoitecer e não poderia colocar os seus comandados em risco, pois em tal horário, com centenas de dragas encostadas umas as outras e alguns milhares de garimpeiros, seria uma operação bastante arriscada.
Diante da recusa dos militares, o chefe João Pomba decidiu retornar a base em Guajará-Mirim, para apresentar ao delegado o individuo Gordo e reunir toda equipe para retornar aos Periquitos cedo da manhã seguinte.
Já de manhã por volta das 7 horas, estávamos ultimando os preparativos para a operação, quando apareceu o policial Lindebergh, que era o encarregado da Polinter da nossa delegacia, que curioso, perguntou a João que estava acontecendo e ao ser informado da operação, demonstrou interesse em seguir junto, tendo João dito ao mesmo que não era necessário, pois a equipe já era numerosa, mas ele Linderberg mesmo assim resolveu ir junto, pegando na sua sala uma espingarda calibre 12.
Ao chegar à área do garimpo, conseguimos quatro barcos conhecidos como voadeiras, para o transporte da equipe até a draga onde estaria o procurado Estênio. Ao nos aproximarmos, João então resolveu que deveríamos desembarcar um pouco antes e seguir andando por cima das dragas, até chegáramos de surpresa à draga onde possivelmente estaria o assassino do taxista.
Chegando a equipe em tal draga, o individuo que estava sendo procurado fugiu para parte de cima, sendo seguindo pela por alguns policiais, enquanto os outros abordavam os garimpeiros que ali trabalhavam, solicitando identificação e na procura de armas, ficando eu, Lindeberg e João na parte de baixo da draga, porém o um barulho ensurdecedor dos motores não permitia sequer que houvesse comunicação entre nós, quando então mesmo assim, conseguimos ouvir um grito entre nós e ao observarmos vimos então Lindenberg já no chão, indicando que poderia ter sido alvejado por um tiro, porém ao examiná-lo verificamos que não existia nenhum ferimento, tendo João dito então que ele poderia ter sofrido algum ataque cardíaco e que deveria ser socorrido de imediato.
Naquele instante o policial Jose Nilton Dias, mais conhecido por Capixaba, ainda muito jovem e forte, sozinho apanhou Lindberg do chão e com ele nos braços praticamente se jogou numa voadeira que se encontrava encostada na draga, ordenando seguir imediatamente para a margem, pois o colega precisava ser socorrido. Confesso que eu, que já tinha admiração por Capixaba, naquele episódio, tive a admiração ao colega Capixaba crescido mais ainda.
Logo depois os colegas apareceram com o individuo Luiz Estênio e algumas armas aprendidas, quando então decidimos voltar para a cidade de Guajará apo chegar à localidade denominada Porto de Tota, próximo a Embratel, lembrei ao colega João, que na véspera uns indivíduos da draga de José Aldo, que se encontravam apoiada ali perto, desafiaram os três policias de Vila Nova, pois usando uma arma ponto 30, atiraram contra os mesmos e agora estando nós ali nas proximidades e com um bom numero de policiais, seria bom buscar tais pessoas na citada draga, tendo João imediatamente aceitado fazer a abordagem, oportunidade que fomos então até tal draga e lá chegando foi um grande corre corre, tendo os ‘valentes’ da véspera se acovardado ao perceberem o bom número de policiais.
Na abordagem, em determinado momento, percebi um individuo se esgueirando no outro lado da draga e temeroso que estivesse armado desferi vários tiros de espingarda na sua direção e o mesmo sumiu sem que ninguém mais o visse, mesmo procurando depois tal pessoa em todos os lugares.
Ao chegarmos às proximidades do Distrito de Vila Nova tivermos a notícia via rádio de que Lindenberg tinha falecido e ao chegarmos em Guajará-Mirim encontramos ali grande comoção da família do mesmo e dos colegas policiais com muito choro pela morte repentina do colega que era muito querido por todos.
No dia seguinte o policial Pedro Lucas que dirigia para o delegado daquela regional, informou que havia aparecido um corpo na em Vila Nova e que o delegado iria lá, quando então bem desconfiado, solicitei a ele Pedro que verificasse se tal morte tinha a ver com os tiros que efetuei na véspera.
De volta da missão o policial Pedro bem sério, me chamou em particular e disse que o morto conhecido por Cazuza e que era o autor dos tiros contra os policiais de Vila Nova, estava cheio de marcas de tiros nas costas, quando realmente fiquei muito assustado, até que Pedro abriu um sorriso e revelou que tal pessoa na verdade havia morrido afogado, pois ao correr dos policiais em cima da balsa escorregou e por não saber nadar terminou morrendo.
Conclusão num só dia, além da morte do taxista que ensejou toda a operação, tivemos a morte do garimpeiro Cazuza e lamentavelmente do nosso colega Lindenberg, ou seja, três mortes em um único dia.





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