Eu estive no passado, não esqueço dele!



Virgolino de Alencar

Nos anos 60, eu saia, no início da noite, de uma República de Estudantes no centro velho de João Pessoa, caminhava a pé uns dois quilômetros, jantava na Casa do Estudante, e de lá rumava para o Liceu Paraibano, caminhando mais uns cinco quilômetros.

Às dez horas da noite, voltando para casa, dava um paradinha no Ponto de Cem Réis, então a Boca Maldita da Cidade, para bater um papo com os demais companheiros e conterrâneos do Interior.

Ainda tirava um tempo para ler e afinal ir dormir. No dia seguinte, levantava cedo, dava uma aula em um colégio(curso ginasial) e ia para a repartição trabalhar. Tudo a pé.

Em 10 anos nessa rotina, nunca fui incomodado por assaltante, sequer trombadinhas, nunca me tomaram nada, não sofri a mínima violência.

Isso permitiu que me desenvolvesse na vida sem medo, conseguindo sair da modesta vida, evoluindo, entre alegrias e procelas, para uma vida melhor.

Mas, hoje, não tenho coragem de sair à noite, a pé pelas ruas de Tambaú, onde moro, sequer para ir a uma Pizzaria que fica a pouco mais de um quilômetro do meu apartamento, nem ir dar voltas no calçadão da Praia, a 700 metros do meu prédio.

Uma moradia cheia de vigilantes, tanto humanos quanto tecnológicos, com câmeras por todo lado que monitoram cada passo.

Ainda assim, o medo é maior do que o prazer de ter galgado a essa considerada boa posição na vida.

POR ISSO GUARDO SAUDADES DO PASSADO!

Virgolino de Alencar





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