Loucuras relativas - Marcos Pires



Mãe Leca foi Diretora do Juliano Moreira por quase 4 anos e tinha colado no vidro do seu carro um adesivo enorme daquela maravilhosa instituição, que lhe permitia acesso ao estacionamento interno do manicômio.

Um dia ela estava conduzindo duas amigas a quem dera carona, quando o policial de uma blitz de trânsito mandou que parasse. O militar pediu que ela apresentasse seus documentos. Obvio que Mãe Leca, como sempre, esquecera a bolsa em casa. Mas não se fez de rogada. Mostrou o adesivo e disse ao policial: “- O senhor me permite pegar a bolsa na mala do carro? É que trabalho no Juliano Moreira e estou levando essas duas pacientes para internar. Como a mais alta é violenta, eu tive medo de deixar a bolsa ao alcance dela. Mas por favor, fique tomando conta das duas que eu pego rapidamente a bolsa na mala e apresento os documentos”. As amigas, ao ouvirem a conversa, entenderam a situação e simularam umas caras e gestos de loucura.

O militar aboticou os olhos e respondeu: “- Como é? A senhora quer que eu fique tomando conta sozinho dessas duas loucas, sendo que uma delas é violenta? Tá doida, minha senhora, pode ir embora”.

Já dois amigos meus (F. e A.) estavam voltando para casa depois de um fim de semana na farra.

A. adormeceu e F., muito presepeiro, estacionou em frente ao supermercado Extra, onde à época funcionava a Clinica São Pedro, que cuidava de alienados mentais. Sem que o amigo acordasse, disse ao atendente que se tratava de um louco furioso, que precisava ser internado, mas que tivessem cuidado porque ele era violento e tinha a mania de dizer que não era maluco. ”- Pode deixar, aqui todos dizem que não são doidos”. Em seguida, quatro parrudos enfermeiros colocaram uma camisa de força no dorminhoco que acordou brabo, dando pesadas e dizendo que era normal.

Rindo muito, F. dirigiu-se para casa, onde pretendia tomar um banho e voltar para liberar A.. Porém adormeceu e acordou dez horas depois. Correu à clínica para esclarecer a brincadeira, mas os médicos não acreditaram ser uma patuscada ante a fúria que o interno demonstrou ao rever F.. Foi necessário um laudo de J., psiquiatra amigo de ambos, para liberar A..

Durante muitos anos quando os dois se encontravam num bar, A. confundia as orelhas de F. com um tira-gosto.





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