Os brasileiros decidiram , pôr um "mito" no Planalto. Infelizmente mitos não existem.



"Coleguinhas formado/as na UF&W (Universidade Facebook & WhatsApp), permitam-me dar uma pequena luz de como o mundo funciona - já que na minha universidade e no meu curso, eu pude aprender isso.

Não adianta vocês ficarem defendendo o governo em relação às queimadas (seja porque vocês acham que índios estão queimando tudo ou ONGs) e culpando os outros países de imporem barreias aos negócios de nosso país. O mundo FUNCIONA assim. Os países, muitas vezes, criam barreias sanitárias somente para serem protecionistas. Isso não é nada novo. Só para citar um caso conhecido - ao menos por quem estuda esse tipo de coisa - da carne americana e da União Europeia (UE).

Há o caso de uma empresa chamada Monsanto - que produz, entre outras coisas, produtos que afetam os bichos (um tipo de agrotóxico animal) - que vende produtos que os produtores agrícolas americanos usavam em seu gado. O gado é usado para produzir carne - e, uma parte dessa, seria exportada para a Europa. Então, o pessoal da Europa apresentou estudos científicos mostrando que as substâncias faziam mal à saúde das pessoas e CANCELARAM a compra da carne americana. Os EUA - lembrando que esta é a primeira potência mundial -, para responder, apresentaram novos estudos - feitos por cientistas do país - afirmando que, na verdade, as substâncias não ofereciam risco à saúde humana. Sabe qual o desfecho dessa história? Os DOIS LADOS continuaram apresentando estudos a favor e contra e o negócio só se manteve PARADO.

Agora, imaginem, o governo do Brasil - um país que nem é uma potência nem um país facilmente ignorável (para citar Stephen M. Walt), vai e fica inerte em relação a queimadas imensas (que chegam a causar o escurecimento em plena tarde da maior cidade do país), prejudicando imensamente a imagem do país internacionalmente. Vocês acham MESMO que ficar se lamentando porque "os outros estão sendo maus conosco" vai resolver alguma coisa?

Mais ainda, se não for a Europa, quem vai comprar de nós - dando-nos uma certa autonomia internacional? Os EUA? Ano que vem tem eleição para a Casa Branca. Trump já está até mesmo mudando a retórica para tentar reconquistar os eleitores. Ademais, a ideia do atual presidente americano é "Os EUA em primeiro lugar" (só que ele, ao menos, tenta levar essa retórica a sério, diferentemente do presidente brasileiro). Então, vocês acham mesmo que ele proporá um acordo que vai nos beneficiar? É muita ingenuidade achar isso... Por outro lado, o presidente americano é extremamente volátil. Sendo que, para citar outro caso prático, num mês ele estava no Reino Unido falando muito bem da ex-primeira ministra Theresa May, somente para quase um mês depois está-la desqualificando. Esse é o grande parceiro que vai "receber o novo embaixador brasileiro de maneira diferenciada"? É só ele acordar com "a pá virada" (como se fala por aqui) para mandar o tal "03" catar uns coquinhos.

Aí temos a China! Um grande país comunista - que era também um componente do temeroso moinho do nosso presidente quixotesco ainda à época da eleição - que está em plena guerra comercial com os EUA e já sentindo os efeitos da peleja de Trump. Outro país que, nos últimos anos, cresceu fortemente - e não foi fazendo acordos que beneficiassem ambos os lados. Ficar dependente da China também não é algo que ninguém esteja muito interessado.

Teríamos também a Europa! Mas ela acabou de se juntar ao moinho de nosso Dom Quixote e deve ser, futuramente, combatida a ferro e fogo - muito provavelmente. Aí temos quem? Nossa querida hermana Argentina que está prestes a eleger Cristina Kirchner como vice-presidente - o que não fará nada para melhorar o relacionamento com o Brasil (graças a nosso presidente, diga-se de passagem). O Paraguai, com quem nosso presidente tem tantas afinidades com o governo atual? Acho que não, né... Aí temos os outros países "bolivarianos" da América do Sul - que também não acho que sejam opções para nosso Messias.

Sobra-nos a África e o Oriente Médio. Este último já se mostrou contra nosso presidente por causa da grande diplomacia de nosso governo junto aos países do Mundo Árabe. Não acho que seja uma grande opção para o governo (por mais que estejamos votando com eles nas questões de direitos humanos na ONU - uma bela relação de amor e ódio). Além disso, já estamos afetando nossa relação com o Irã também - depois de outro grande episódio diplomático no caso da não-venda de combustível por "medo de sanções americanas" à Petrobrás.

Eu sei que é difícil e triste se sentir injustiçado no cenário internacional, mas é por isso que não se deveriam eleger crianças ou adolescentes à presidência. No entanto, e não por falta de aviso, o brasileiro médio decidiu, por conta das burradas e mau-caratismo de boa parte da esquerda brasileira, pôr um "mito" no Planalto. Infelizmente mitos não existem. E aqueles que usam essa máscara não estão fazendo o show bem o bastante para mantê-la.

Como fala a música de Guns N‘ Roses: Welcome to the jungle (bem-vindo à selva)".

Texto de
Caio Ponce de Leon

Graduado em Relações Internacionais (UFPB), Mestrando em Relações Internacionais pela UFPB, professor de idiomas (Francês, Alemão, Sueco, Italiano)

 





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