Dinheiro - Marcos Pires



 Dinheiro nunca foi problema para mim, sempre solução. Quando tenho dinheiro eu gasto, quando não tenho espero ele chegar. Tenho pavor de compras a prazo, mesmo porque na minha profissão não posso contar com o que talvez vá receber. É que de vez em quando alguém esquece de pagar, se é que vocês me entendem. Mas gosto muito de conversar sobre esse tema. Um dos porteiros do flat onde moro é uma figura. Me dizia que pobre não pode ter um dinheirinho extra que a geladeira quebra, o chuveiro queima, o cachorro adoece, o gás acaba… “- Parece que tem um alarme na carteira do pobre, Doutor. É entrar qualquer dinheirinho e o diabo se solta. Ô inferno pra ter cão”.

Como praticante do nadismo (ou seja, não fazer nada), tenho me dedicado ultimamente a observar essa relação das pessoas com o dinheiro. Você sabia, milionário leitor, que após o surgimento do watsapp e do facebook temos uma nova categoria social no Brasil? Pois é; o pobre de classe rica. É igualzinho ao rico, só não tem dinheiro. Mas posta fotos encostado em carros que não são seus, sentado em luxuosos salões de recepção de prédios caríssimos onde é faxineiro ou cozinheira e se der bobeira divulga fotos junto a pratos de comida que nem imagina o sabor.

Tem gente que adora coçar a palma da mão direita pensando que isso traz grana. Esse é o pessoal que rompeu o ano usando cueca ou calcinha amarela e está até agora, pleno São João, ainda esperando que caia uma fortuna em sua conta. Ou aqueles lisos que dizem sempre que dinheiro não traz felicidade. Quando eu ouço isso me dá uma vontade enorme de meter a mão no bolso e puxar 5 mil reais pra dar ao autor da frase, só pra ver a cara de infelicidade dele com a grana na mão. O problema é que depois que eu boto a mão no bolso, quando puxo só saem 5 dedos. Aliás, isso de dinheiro não trazer felicidade porque tem coisas que o dinheiro não compra só me lembra o grande Nelson Rodrigues, que afirmava com convicção: “- Dinheiro compra até amor verdadeiro”.

E K., hem? “- Txxxxio, eu estou tão cansada de não ter dinheiro e Deus tão cansado de ouvir minhas reclamações que se a gente organizasse ambos sairíamos ganhando, né?”.

Na Grécia antiga, o filosofo Aratanha já ensinava que dinheiro não é tudo mas é cem por cento.

O sábio Branchú acredita nisso piamente.





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