Sou da pequena tribo dos que acham que os fins não justificam os meios.



 

Leila Araújo

Em 2016 tive longas e instigantes discussões (pessoalmente, claro, por aqui é impossível) com uma pessoa por conta do vazamento, por parte do Moro, das conversas entre Dilma e Lula e que se mostraram fundamentais para evitar que Lula se tornasse ministro. A pessoa defendia com unhas e dentes a validade do vazamento e eu argumentava que existiam duas coisas diferentes na situação: a legalidade do vazamento e seu resultado.

Por mais que eu tenha gostado do resultado, e gostei muito, me sentia incomodada com a possível ilegalidade do ato. Sou da pequena tribo dos que acham que os fins não justificam os meios. Meu pensamento primeiro, alicerce e gênese da minha visão de mundo, é que as regras devem ser respeitadas sempre. Se você entra em um jogo, você o faz sabendo as regras. Se você não concorda com as regras basta se tornar alguém que faz as regras e então adequá-las ao seu modo de ver jogo e regra. Ou seja, na minha opinião, Moro conhecia as regras do jogo e optou por quebrá-las. Isso me incomoda. Hoje ele está na posição de quem pode mudar as regras. Então acho isso válido.

A possibilidade de que parte das operações da lava-jato tenham se estruturado sobre quebras das regras do jogo me incomoda profundamente. Não consigo defender algo só porque me agrada. Briguei com muita gente que passou décadas fazendo isso. As regras existem para que possamos estabelecer limites. Que os limites sejam quebrados por quem acha que tem razão é o que considero uma falha civilizatória.

De resto e por fim, acompanho o desenrolar dessa história achando que, independente do resultado, perdemos mais uma oportunidade em avançar como nação. Somos, aparentemente, só um jogo de várzea com 5 bolas em campo.
O Brasil nos maltrata.





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