Ministro da Educação: "a universidade não é para todos" - Leila Araujo



 Existem muitas formas de comunicar uma mesma ideia. O ministro da educação poderia ter dito que o Brasil tem uma tradição de tratar profissões técnicas como trabalho de segunda classe, que nossa cultura do "dotô" leva muita gente em busca de um diploma universitário motivado apenas por desejo de status, e que ele trabalhará para resgatar a importância dessas carreiras técnicas, garantindo espaço e formação de qualidade. Mas ele não fez isso. Ele disse que "a universidade não é para todos", e isso é algo muito grave de se dizer num país como o nosso, com tanta gente correndo atrás do prejuízo para se salvar da pobreza, com tanta carência de formação e com tantos entraves para pesquisa e desenvolvimento.

A universidade deveria ser para todos: todos que quisessem e que estivessem dispostos a se esforçar para cumprir os requisitos. E nós, como sociedade, deveríamos nos esforçar para garantir que os que estivessem dispostos também tivessem acesso aos meios. O nosso problema é acreditar que todos são obrigados a querer, que esse é o único caminho possível para uma vida profissional bem sucedida.

O ministro pode ser uma pessoa bem intencionada, e ele não precisa se tornar um demagogo para participar do governo, mas não pode falar como se o seu público fosse formado por colegas de Facebook. Talvez precise de um choque de realidade, conversar com a dona Maria e com o seu José, que ralam para pagar faculdade particular para os filhos, enquanto as públicas estão com as vagas ocupadas pela classe média alta.





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