Qualquer um pode se transformar num Hugo Chavez da vida



 Francis Lopes de Mendonça

No Brasil, a política ensinada pelos grandes mestres se tornou algo tão ordinário quanto uma pornochanchada de Alexandre Frota. Tenho na minha casa uma humilde biblioteca com as obras daqueles que pensaram racionalmente sobre a política: Platão, Aristóteles, Hobbes, Jung, Maquiavel, Tocqueville, Darcy Ribeiro, Max Weber. Mas parece que vou ter que jogar tudo na lata do lixo, pois é inútil invocar, em meu socorro, as ideias maravilhosas desses pensadores. Elas são totalmente inúteis num país que não pode ser mais entendido com cabeça de filósofo. Só pode ser entendido com cabeça de peidão. E é só com cabeça de peidão que a gente pode entender a superioridade moral com que as militâncias politiqueiras olham para os demais, para os que não apóiam Jair e nem apóiam Luiz Inácio.

Não foi só por causa da bandidagem do PT que a maioria detesta o esquerdismo tupiniquim. Foi também, entre outras coisas, por causa do seu autoritarismo, e da sua insistência em assumir o monopólio das boas intenções, do mesmo jeito que a militância bolsominion está agora a se conduzir.

Jair e Luiz Inácio dizem muito mais de suas militâncias politiqueiras que deles mesmos. Ninguém mais do que ambos os populistas nos ensinam acerca de certos colegas facebookianos que, até então, não tínhamos a menor noção de quem eram. Mas só precisamos ficar atentos e, diante de pessoas que preferem Jair e Luiz Inácio, podemos tirar uma série de deduções que, se não fosse tal observação, nunca saberíamos.

Ao vermos colegas apoiando essas duas figuras nefastas à sociedade brasileira, com ambos se revelando como o que realmente são – um fazendo-se de desentendido para permanecer chefiando uma quadrilha de assaltantes e outro chefiando uma oligarquia que mama com força nas tetas do dinheiro do povo, o que não deixa de ser também uma forma de assalto aos cofres da nação -, sabemos que esses colegas apoiadores estão, de fato, se mostrando para nós sem a compostura costumeira. É como se esses colegas estivessem nos dando um recado: “somos assim, não nos importamos com ética e igualdade alguma, com moral alguma que professamos no Facebook.

Esta é nossa verdade”. Claro que eles não falariam dessa maneira, eles não avalizariam roubo de nenhuma forma. Mas, ao apoiarem Jair e Luiz Inácio, elas estão sim dizendo isso, talvez até de maneira intencional. E talvez porque essa bizarra compostura de certos colegas em torno de factóides populistas seja típica dos períodos de crise estrutural que de tempos em tempos atormenta a cena político-sócio-cultural e alguns países.

Pois é notório: quando há crises de instabilidade econômica e política na conjuntura geral de um país, torna-se fértil o terreno para a germinação de ideologias fascistas e fanáticas, tanto à direita quanto à esquerda, seja na forma de messianismo ou seja na forma de caudilhismo ou seja na forma de qualquer outra erva daninha produzida nesse tipo de contexto. Tanto faz Luiz Inácio, Jair ou um milico qualquer, pois qualquer um pode se transformar num Hugo Chavez da vida ou num monstrengo pior do que isso.




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