Os meus assaltos - Marcos Pires



É mais ou menos como o primeiro sutiã para a garotas; o primeiro assalto a gente nunca esquece. No meu caso deu-se que eu caminhava com alguns amigos de manhãzinha pela calçada do Cabo Branco quando dois bostinhas numa moto anunciaram o assalto. O mais valente de todos nós, filho do legendária Capitão Panta, o conhecido Nerivan, deu uma carreira que Bolt teria inveja, e foi se esconder atrás de um poste. Só que a geografia corporal do bravo é interessante; magro e barrigudo, assim como uma azeitona espetada no meio de um palito. Não fosse a agonia do momento seria motivo para boas risadas ver ao longe aquele abdômen projetado por trás do poste, como se existisse sozinho, sem estar pendurado num corpo qualquer. Não nego o tamanho de minha coragem; também corri, só que em direção ao mar, por isso tive que saltar o banco da calçadinha. Dei uma topada e cai na areia, de onde o filho de uma ronquefuça me fez levantar sob a mira do revolver. Resumidamente perdemos celulares, relógios, alianças e cordões de ouro.

Quando a dupla de celerados já se retirava, o meu bom amigo Dr. Fernando, Diretor do Laureano, conhecido nos grupos de corrida como Fernando Pezão (nenhum parentesco com o ladrão que desgoverna o Rio de Janeiro), diminuiu o passo da corrida e perguntou a um dos assaltantes do que se tratava. O selvagem da motocicleta apontou o revolver para Fernando e disse: “-É um assalto, seu curioso”, e levou tudo que Pezão conduzia.

Foi eficiente a polícia. Dias depois a dupla foi presa e identificada pelo nosso CSI Bessanger, que afirma ter curso de segurança feito em Israel, no Mossad.

Há quem afirme que meses depois o cão levou a dupla de inocentes.

Já no segundo assaltou eu estava andando sozinho pela calçadinha de Tambaú quando notei a uns 50 metros duas turistas sendo assaltadas. Uma delas gritou dizendo que os revólveres dos bandidos eram de brinquedo e eu parti para cima deles, chamando um senhor que estava do meu lado para ajudar. Os assaltantes fugiram e depois de acalmadas as duas senhoras (uma delas havia sido jogada no chão) eu notei no meio da pequena multidão que se formou, aquele tal senhor que eu chamara para ajudar e que não fizera nada. Reclamei, e ele se explicou: “-Mas meu amigo, essas senhoras disseram que os revolveres eram de brinquedo e o senhor acreditou? Ora, mulher não sabe nem escolher marido vai lá saber o que é revolver de brinquedo…”.

Até hoje não sei se sou corajoso ou ingênuo. Quem sabe descobrirei no próximo assalto…




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