Todo carnaval tem seu fim - Leila Araujo



 Já fui apaixonada por um grande amigo. Estudávamos juntos e criamos uma ligação enorme um com o outro. Ele me falava tudo da vida dele, ríamos como uns loucos, tirávamos sarro de tudo, éramos cúmplice, mas um dia, ele me disse que estava apaixonado. Oh tortura. Eu, serena como a violência da morte sem aviso prévio, firme como uma rocha e impassível, disse: "Que legal! Até que enfim." E me mantive assim em todo seu relacionamento. Nunca falei mal da menina, nunca me insinuei para ele, sempre apoiei o relacionamento, até que o namoro chegou ao fim e ele- arrasado- me contou sobre isso.

Eu, Rodriguiana como sou, descobri naquele momento o amor:

-Por que você terminou com ela, tá louco? Você não acha melhor sentar e conversar com ela, explicar seu amor, detalha-lo para que ela não se sinta insegura? Quer que eu escreva algo bem bonito para você mandar para ela com umas rosas daquelas vermelhas bem grandonas? Quer que eu fale com ela do seu amor? O que eu posso fazer por você para não te ver assim?

Doía em mim a dor dele. E não importava o que eu teria que fazer, mas faria tudo para que ele não sentisse aquela dor. Eu preferia vê-lo feliz com outra pessoa do que infeliz comigo ou sem a outra pessoa. Reneguei, abneguei aquele sentimento e, nunca saberei se aquilo era romântico ou verdadeiramente fraterno. Talvez nunca ninguém o tenha amado como eu amei, e ele jamais soube disso. E, por incrível que pareça, este foi o maior e mais verdadeiro amor que eu tive, um amor que eu não vivi, mas como todo amor verdadeiro, não precisou provar a existência para eu saber que ele existiu.

Todo carnaval tem seu fim




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