MEMÓRIA PESSOENSE: Bar e restaurante Moicano - Sérgio Botêlho



Há experiências gastronômicas que passaram rápido por João Pessoa, mas, que deixaram marca, uma vez que, mesmo fugazes, ainda hoje são lembradas por quem as experimentou, naqueles momentos de sucesso.

Uma dessas experiências, como não poderia deixar de ser, existiu em Jaguaribe, terra das novidades em João Pessoa, e de tantas culturas mortas ou vivas naquele bairro tão tradicional da capital paraibana.

Falo do bar e restaurante Moicano ou O Moicano ou Moicanos, não consigo me lembrar exatamente, especialista em servir receitas feitas com os testículos do boi, e, que, pelo inusitado, acabou paradeiro de boêmios e comensais em geral.

Na época, comentava-se que moicano tinha diretamente alguma coisa a ver com a especialidade gastronômica oferecida, embora todos soubessem que os Moicanos eram uma Nação indígena que habitava a América do Norte antes e depois da chegada dos europeus.

Talvez, o nome que os Moicanos davam aos ovos do boi, quem sabe, ainda, a mais requintada gastronomia daquela nação indígena, responsável, o alimento, por fazerem dos índios americanos valentes e destemidos!

Houve quem garantisse, à época, que, beber comendo ovo de boi cozido, conforme era oferecido no referido bar e restaurante, fazia do boêmio um sujeito mais resistente aos efeitos conhecidos do álcool.

Pelo que andei pesquisando na sempre nova, surpreendente e bem informada Internet, são muitas as receitas com os escrotos do boi, principalmente ensopados, depois, é claro, de uma providencial limpeza.

Eu só sei que depois de algumas cervejas geladas ou whisky ou algumas cachacinhas, o ensopado de ovo de boi, devidamente cortado em cubos, e bastante temperado, tinha um gosto, embora forte, que satisfazia o freguês.

O Moicano funcionava ali por perto do antigo cine São José, que, por sua vez, ficava numa esquina, entre as ruas Senador João Lira e Floriano Peixoto, como já disse, no inexcedível bairro de Jaguaribe.

A mesma Jaguaribe de tantos barzinhos, alguns, sobre os quais já me reportei nessas memórias pessoenses, a exemplo do Luzeirinho, mas, também, do Bar do Zé, pelo que sei, ainda hoje firme e forte.

Não sei precisar quanto tempo o nosso bar e restaurante se demorou por Jaguaribe, e nem mesmo quem foi ou quem foram os investidores que o puseram em cena na vida gastronômica e boêmia de João Pessoa.

Sei, apenas, que ele existiu e que, pelo que me lembro, foi bem frequentado, tanto por homens quanto por mulheres pessoenses, jovens ou não, certamente por conta da novidade na gastronomia local.

Por ter sido, assim, bem frequentado e comentado, não sei bem o porquê de seu fechamento, um dia. Só sei que não ouvi falar, depois disso, em nenhum empreendimento semelhante especializado na iguaria.




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