MEMÓRIA PESSOENSE: Dona Creuza Pires - Sérgio Botêlho



Hoje vou falar sobre uma figura entre as mais singulares que João Pessoa já teve. Uma mulher que marcou fortemente a vida pessoense, em sua época, e que deveria servir de exemplo às novas gerações.

Estou me referindo a dona Creuza Pires, que, em vida, experimentou dificuldades, a glória financeira, e, outra vez, dificuldades, e, nesses altos e baixos que a vida às vezes nos reserva, nunca deixou de ser o que sempre foi: uma criatura extremamente simples e brilhante.

Certamente, não poderia ser o que conseguiu ser na vida sem sua família, a exemplo do marido Adrião Pires, e dos filhos Marcos, David e Daniel. Ninguém é forte, sozinho. Mas, dona Creuza era singular.

Minha primeira lembrança da nossa heroína do texto de agora é nas Casas Pires, uma loja que funcionava na esquina da Maciel Pinheiro com a Barão do Triunfo, especialista no comércio de miudezas em geral, vendendo muito em João Pessoa, e para todo o interior da Paraíba. Época de Natal, então, era coisa de louco!, comunicativa, simples no vestir e na forma de se dirigir às pessoas, dona Creuza dominava a loja inteira, entre os balcões e as pilhas de mercadorias, de tal forma que podia ser confundida com uma funcionária normal da casa. O brilho e a determinação, no entanto, a distinguiam.

A minha próxima lembrança de dona Creuza é, já, no “Pirão”, a superloja de departamentos que o casal Pires inaugurou na Lagoa do Parque Solon de Lucena - como parte de um edifício com dezenas de apartamentos -, com direito a escada rolante e algumas centenas de funcionários.

Novamente, o flagrante da memória é a de sempre: , comunicativa, simples no vestir e na forma de se dirigir às pessoas, dona Creuza dominava a loja inteira, entre os balcões, as conversas com os clientes, e o espaço onde as moças, ela no meio, embalavam as mercadorias dos clientes.

A próxima imagem de dona Creuza é na Bagunça, depois do desastre do Pirão (ressalve-se, não por culpa do casal investidor, mas, de um infeliz empréstimo feito em dólar, no Banco do Brasil, que, numa maxidesvalorização da moeda americana, levou tudo de roldão, explicou o jornalista José Euflávio em reportagem de maio de 2007).

A Bagunça, que funcionou um tempo na Treze de Maio e outro tempo na Travessa Frutuoso Barbosa (na rua do IHGP), era uma pequena loja de miudezas onde tinha de tudo e à qual os consumidores recorriam como última instância.

Do mesmo jeito de sempre, , comunicativa, simples no vestir e na forma de se dirigir às pessoas, dona Creuza dominava A Bagunça inteira, entre os balcões e as pilhas de mercadorias, de tal forma que podia ser confundida com uma funcionária normal da casa.

Na sequência, a imagem que guardo é da vereadora Creuza Pires: hiperativa, comunicativa, simples no vestir e na forma de se dirigir às pessoas, ela continuava se distinguindo, agora, na Câmara, E, ainda encontrava tempo para se dedicar a trabalhos sociais importantes com pessoas idosas ou simplesmente carentes, além de um programa de rádio, na Tabajara.

Dona Creuza foi, definitivamente, uma pessoa ímpar durante o tempo que lhe coube viver, e muito mais ainda poderia ser dito sobre essa figura marcante da história de João Pessoa. Tenho certeza que, ainda, muito mais será lembrado.

Apenas, para terminar, creio que não seria exagero sugerir que, em algum lugar da urbe pessoense, já que a figura de dona Creuza cabe em qualquer espaço da capital paraibana, bom seria que ela dispusesse de uma lembrança forte, à altura de, ao menos, um busto, ou um espaço, para que as populações futuras possam lembrar quem ela foi, e em seus exemplos possam se inspirar.




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