MEMÓRIA PESSOENSE: Malhação do Judas, na Vila dos Motoristas - Sérgio Botêlho



Se o estudioso se decidir por levantar a história cultural e social de João Pessoa, não vai conseguir entender muita coisa se não fizer uma incursão demorada pelas memórias dos bairros de Jaguaribe, Torre, Centro, Cordão Encarnado e Roger.
Pois bem. Relembro hoje um evento dos mais tradicionais que João Pessoa já registrou e é mais um do bairro de Jaguaribe. Falo da Malhação do Judas, na Vila dos Motoristas e que tem nome e sobrenome vinculados à referida tradição: Ednaldo Marinho, o Galego da Vila.


Aliás, a Vila tem uma carga memorial formidável e profundamente ligada a Jaguaribe de ontem e de hoje, principalmente em virtude de certa vivência comunitária entre vizinhos, compondo uma grande família, que, como toda família, tem encontros e desencontros.

Sobre a Malhação do Judas, a festa atraia em seus momentos mais grandiosos gente de todos os recantos da capital, além, é claro, do povo de Jaguaribe, sempre ligado aos eventos do bairro, para acompanhar o espetáculo comandado pelo Galego.
Na verdade, Marinho sempre foi uma figura que transcendia, em popularidade, o seu próprio bairro. E ele contribuía para que esse prestígio fosse cada vez mais consolidado, cultivando um folclore em torno de sua figura, como no tempo em que andava com um símio em sua moto.

Fazia parte do show, naturalmente, e, com isso, ele carreava ainda mais as atenções para o evento anual da Vila. Contava, a bem da verdade, com a ajuda do pessoal da praça na preparação do ato, de sempre, ao meio dia do Sábado de Aleluia.
O Judas, a ser malhado, trata-se do Judas Iscariotes, o mais famoso traidor da história da humanidade, que vendeu Jesus Cristo por 30 dinheiros, levando o Filho de Deus a ser crucificado, depois de muito sofrimento pelas ruas de Jerusalém.

O Judas, na malhação, é representado por um boneco geralmente cheio de trapos, serragem e todo tipo de “fuleragem”, que passa a ser surrado violentamente pela turba, além de arrastado sem piedade pelas ruas, representando a vingança contra o traidor.
Talvez seja a mais tradicional representação de que o povo não gosta dos traidores, nem no Brasil nem em parte nenhuma do mundo, já que a malhação do Judas acontece em todos os países católicos, e, também, ortodoxos da Terra.

Na Malhação do Judas em Jaguaribe, o boneco, comumente, além de bombons e guloseimas para a garotada, carregava críticas políticas e, até, fofocas sobre os moradores de Jaguaribe, o que terminava, por vezes, a provocar confusões danadas.
Dessa forma, fica registrada nessas memórias pessoenses que tenho postado o registro da Malhação do Judas em Jaguaribe, sob a batuta de Ednaldo Marinho, o Galego da Vila, na famosa Vila dos Motoristas no final da Bento da Gama.




Comentários


Comentar


Sidebar Menu