MEMÓRIA PESSOENSE: Casablanca - Sérgio Botêlho



Mais ou menos na década de 90 o angolano Fred, e família, dono, já, da Adega do Alfredo, apresentou ao público outro empreendimento, colado ao restaurante marco inicial de toda a empreitada: o Casablanca.

A Adega começou bem menos espetacular do que passou a ser com o tempo, e cresceu em cima do trabalho e da dedicação de Alfredo (Fred), proprietário e chef da casa, estilo portuguesa, que ganhou elevado prestígio na sociedade paraibana, até hoje.

Localizada num dos espaços mais valorizados da cidade de João Pessoa, do ponto de vista turístico, na bela e histórica praia de Tambaú, à Adega logo se juntou outra atividade empresarial: o Royal Hotel.

Na sequência, veio o Casablanca, um restaurante-boate, com shows, desfiles e música ao vivo, num ambiente bastante requintado, e onde era possível dançar, não ao ritmo das velhas discotecas, mas, de músicas selecionadas, onde, naturalmente, rolava também o rock.

O Casablanca nasceu sob a inspiração do sucesso hollywoodiano homônimo, de 1942, ambientado na capital do Marrocos, com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, ainda hoje um dos maiores sucessos do cinema internacional.

Uma imensa tela no interior do Casablanca, por sinal exibia permanentemente cenas do filme norte-americano, antes e depois de qualquer show, desfile ou de performance de bandas. A decoração acompanhava o estilo das décadas de 40 e 50.

O ingresso na casa era bastante concorrido, sendo muito difícil que alguém conseguisse, sem ter reservado, antes, uma mesa. Na época, era, talvez, a casa noturna mais frequentada de João Pessoa.

Fred aproveitava a cozinha comum à Adega do Alfredo para servir o cardápio do Casablanca. Mas, o curioso é que havia diferenças importantes entre os dois cardápios, como me recordo, bem.

Da mesma forma que acontecia na Adega, o proprietário se desdobrava pessoalmente para atender os clientes de ambos os empreendimentos, sendo frequente sua presença no Casablanca, em seus dias de glória.

Era a mesma época de outro restaurante famoso, na mesma área, o Gambrinus, de outro gajo, este, português, mesmo, o Moita, sobre o qual já falamos nessa série que compõe as minhas memórias pessoenses.

Aliás, aquela área da cidade, mais conhecida como Baixo Tambaú, reunia um bom número de ambientes de diversão, aliás, como ainda hoje acontece, que tornava a referida área de João Pessoa em um dos setores, digamos, assim, mais felizes da capital paraibana.

Nunca perguntei a Alfredo – se fiz isso, não lembro – porque um dia o Casablanca fechou. Continuei frequentando a Adega, especialmente o setor de drinks, colado ao restaurante, com direito a piano-bar, com a inexcedível Isa y Plá, e tudo, já que era, e continua sendo, também, um ambiente bastante agradável.

Mas, nunca mais João Pessoa contou com um restaurante-boate no estilo do Casablanca, o que terminou fazendo uma falta danada pelos anos subsequentes, tenho certeza que não somente para mim, mas, também, para seus frequentadores.
Então, está aqui registrada a existência em João Pessoa, há cerca de 20 anos, ou um pouco mais, do Casablanca que, como todo empreendimento de lazer bem cuidado e singular, deixou saudade.





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