Sady Castor e Ágaba, um caso de amor e morte na Paraíba VII



 Pesquisa pela Tese de FAVIANNI DA SILVA apresentada à Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Educação Brasileira da Universidade Federal do Ceará, como requisito para à obtenção do título de doutor em Educação Brasileira. Área de concentração História e Memória da Educação. Orientador: Prof. Dr. José Gerardo Vasconcelos.

E artigo do Jornalista e escritor Ramalho Leite.

Filme curta metragem

Adaptação e roteiro – camilo Macedo

PRODUÇÃO E DIREÇÃO – DANIEL RIZZI

Assistente de Direção –

DIREÇÃO DE ELENCO e roteiro – camilo Macedo

Edição - DANIEL RIZZI

FIGURINO - VIVI Lopes

Maquiagem -

Direção Musical -

Fotografia - IGGO NICOLAS DE MACED

Desenho e Arte -

Montagem e edição -

Técnico de Som -

Produtora de Objetos -

Assistente de Produção de Objetos -

Produção de Locação -

Narra a história de um crime ocorrido no dia 22 de setembro de 1923, na cidade de Parahyba, capital do Estado da Parahyba do Norte, com repercussão nos anos seguintes. A escolha do tema não foi ao acaso: entre o crime e as ações do Grêmio existe uma relação explicita; já entre o crime e as tensões políticas, há uma relação mais sutil, tecida com fios tênues que se desdobram em aspectos de uma cultura histórica, específica do lugar e da época pesquisada. tendo como fio condutor a participação do Grêmio Cívico Literário 24 de Março Lyceu Parahybano nos protestos e manifestações desencadeadas pelo assassinato do “inditoso” Sady Castor.

Entre 1877 e 1895, atuou como juiz municipal e juiz de Direito (havia a distinção). Foi juiz federal de 1899 a 1915. Faleceu no Rio de Janeiro a 17 de fevereiro de 1939, deixando vasta descendência. Fonte: http://memorialvirtual.tjpb.jus.br/textos/personagens/personagens-venancio-neiva/ 61 Epitácio Lindolfo da Silva Pessoa nasceu em Umbuzeiro (PB), em 1865. Aos sete anos de idade perdeu os pais, tendo sua criação ficado aos cuidados de seu tio Henrique Pereira de Lucena, o barão de Lucena, presidente da província de Pernambuco no Império e ministro da Fazenda do governo republicano de Deodoro da Fonseca.Advogado, bacharelou-se pela Faculdade de Direito de Recife em 1886. Participou da elaboração da Constituição de 1891 como deputado eleito por seu estado natal. Em 1894, já no governo de Floriano Peixoto, teve a sua reeleição à Câmara impugnada devido à sua oposição ao governo federal. Em 1898, assumiu o Ministério da Justiça do governo Campos Sales, permanecendo no cargo até 1901. No ano seguinte, foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), posto que exerceu até 1912, quando se aposentou por conselho médico. Mesmo assim, nesse mesmo ano, elegeu-se senador pela Paraíba. No Senado teve atuação destacada, ao mesmo tempo que consolidava a sua liderança sobre a política paraibana. Com o fim da Primeira Guerra Mundial, chefiou a delegação brasileira na Conferência de Paz realizada em Versalhes, na França. Desempenhava essa função quando, em janeiro de 1919, morreu Rodrigues Alves, presidente da República recém-eleito e que não havia ainda tomado posse. O vice- 69 novembro de 1889 a 27 de novembro de 1891. Estes tiveram vida curta. Quando o Governo do Marechal Deodoro da Fonseca62 foi derrubado por Floriano Peixoto63, também é dissolvida a primeira junta governativa estadual (Neiva - Pessoa), e em seu lugar é endossada uma nova, cujo grupo político daria origem à oligarquia “Machado – Leal” ou simplesmente “alvarista”, na figura de seus principais líderes, Álvaro Machado e o Padre Walfredo Leal64. Empossado presidente da Paraíba, em 23 de fevereiro de 1892, e fundador do Partido Republicano Conservador – PRC – da Paraíba, ambos comandaram a política do Estado, se revezando no poder até o ano de 1912. Durante esse período, os venancistas fizeram oposição ao alvarismo, fundando o Partido Autonomista, com sólido apoio de Epitácio Pessoal. Segundo Ferreira (1993, p.101), em razão da característica personalista da representação política desse período, mesmo com a existência de partidos em oposição, no caso o Republicano, de Álvaro Machado, e o Autonomista, de Venâncio Neiva, não havia programas presidente eleito Delfim Moreira assumiu e, após curto período no exercício do cargo, convocou novas eleições. O nome de Epitácio, lançado pelo Partido Republicano Mineiro (PRM), surgiu, então, como alternativa capaz de manter a unidade dos setores políticos situacionistas. Mesmo permanecendo ausente do Brasil durante toda a campanha, devido à sua atuação na Conferência de Paz, Epitácio venceu o candidato da oposição Rui Barbosa no pleito realizado em abril de 1919 e retornou ao Brasil em julho para assumir a presidência da República. Seu governo foi bastante conturbado. Grandes greves operárias que já vinham sendo deflagradas desde 1917, foram duramente reprimidas, com grande parte de seus líderes sendo presos ou deportados. Além disso, sua passagem pela presidência foi marcada pela animosidade na relação entre governo e militares, iniciada quando nomeou dois civis para dirigir as pastas da Guerra e da Marinha, respectivamente Pandiá Calógeras e Raul Soares de Moura. A tensão nos meios militares atingiu proporções maiores durante a disputa pela sua sucessão, que opôs a candidatura situacionista do mineiro Artur Bernardes à do fluminense Nilo Peçanha, lançada pela Reação Republicana, chapa de oposição que contou com o apoio de importantes setores militares. A publicação, pela imprensa, de cartas forjadas atribuídas a Bernardes com referências depreciativas às Forças Armadas e ao presidente do Clube Militar, o ex-presidente Hermes da Fonseca, bem como a utilização de tropas do Exército por Epitácio para intervir nas eleições pernambucanas, contribuíram ainda mais para exaltar os ânimos entre os militares,

principalmente entre os jovens oficiais, os tenentes. A vitória de Bernardes no pleito realizado em março de 1922 acabaria sendo questionada por tais grupos e, na sequência dos fatos, Epitácio ordenou a prisão do marechal Hermes da Fonseca e o fechamento do Clube Militar. Em reação a essas medidas, foram deflagrados levantes militares no Rio de Janeiro e no Mato Grosso no mês de julho, dando início ao que ficaria conhecido como movimento tenentista. Epitácio Pessoa decretou o estado de sítio e, após controlar os focos rebeldes, passou a presidência a Artur Bernardes. No ano seguinte, a convite da Liga das Nações, assumiu o posto que Rui Barbosa havia ocupado na Corte Internacional de Justiça de Haia, deixado vago com a sua morte naquele ano. A partir de 1924, passou a acumular esse cargo com o de senador, para o qual foi novamente eleito pelo estado da Paraíba. Em 1930, apoiou a candidatura oposicionista de Getúlio Vargas à presidência da República na chapa da Aliança Liberal, que tinha como vice o seu sobrinho João Pessoa, também paraibano. Após a derrota da Aliança Liberal, participou de forma discreta das articulações do movimento político-militar que depôs o presidente Washington Luís no mês de outubro, desaprovando, contudo, a participação no movimento dos tenentes que o haviam combatido quando exercera a presidência da República. Empossado o novo governo, foi convidado pelo presidente Vargas a ocupar o posto de embaixador brasileiro nos Estados Unidos, recusando, porém, a indicação. Retirou-se, a seguir, da vida pública. Morreu em Petrópolis (RJ), em 1942. Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001. 62 Manuel Deodoro da Fonseca (Cidade de Alagoas, 5 de agosto de 1827 — Rio de Janeiro, 23 de agosto de1892) foi um militar e político brasileiro, proclamador da República e primeiro presidente do Brasil.O Governo Deodoro foi marcado pelo esforço da implantação de um regime de Estado Republicano, mas foi caracterizado, entretanto, por grande instabilidade política e também econômica, devido às tentativas de centralização do poder, da movimentação de opositores da queda do Império, e por parte de outros setores das Forças Armadas descontentes com a situação política republicana. A crise teve seu ápice no fechamento do "Congresso Nacional do Brasil", o que mais tarde acabou levando à renúncia de Deodoro da Fonseca. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Marechal_Deodoro_da_Fonseca 63 Floriano Vieira Peixoto (Maceió, Alagoas, 30 de abril de 1839 — Barra Mansa, Rio de Janeiro, 29 de junho de 1895) foi um militar e político brasileiro. Primeiro vice-presidente e segundo presidente do Brasil, presidiu o Brasil de 23 de novembro de 1891 a 15 de novembro de 1894, no período da República Velha. Foi denominado "Marechal de Ferro" e "Consolidador da República". Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Floriano_Peixoto 64 Walfredo Soares dos Santos Leal (Areia, 21 de fevereiro de 1855 — João Pessoa, 30 de junho de 1942) foi um sacerdote da igreja católica e político brasileiro. Era filho de Matias Soares Cavalcanti e Maria dos Santos Leal. Começou seus estudos na Paraíba e, em seguida, ingressou na vida religiosa. Foi ordenado padre em Roma e, de volta ao Brasil, foi designado vigário de Guarabira. Devido ao cargo religioso, monsenhor Walfredo Leal teve forte influência no brejo e litoral da Paraíba, chegando a ser eleito deputado constituinte estadual em 1892. Em seguida foi eleito vice-presidente de estado, nos períodos 1893 - 1893, 1894 - 1894, 1896 - 1896 e 1905 - 1908, chegando a governar o estado em várias ocasiões. Foi eleito deputado federal em 1901. Em 1908 foi eleito senador, ficando no cargo até 1917. Nos períodos de 1922 a 1923, 1924 a 1926 e 1928 a 1930, exerceu o mandato de deputado estadual. Depois da revolução de 1930, afastou-se da vida pública. Era tio do ministro José Américo de Almeida, principal advogado do réo, Antonio Carlos Milanez, mais conhecido como Guarda 33. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Walfredo_Soares_dos_Santos_Leal. 70 ou clivagens ideológicas que diferenciassem um partido do outro. Ser oposição significava apenas que estava fora do poder, procurando formas de alcançá-lo. E, por fim, a terceira oligarquia, foi o epitacismo

(antigos venancistas e epitacistas), na figura do ex-presidente da República Epitácio Pessoa, quando assumiu o controle do Partido Republicano Conservador - PRC, em 1912, comandando assim os rumos da política até 1930. O revés político se deu diante da “conjuntura” política do governo de Hermes da Fonseca, favoráveis a Epitácio Pessoa e, por consequência da morte de Álvaro Machado, obrigando Walfredo Leal a entrar em acordo com os venancistas e epitacista, cedendo gradativamente, o ponto de dividirem a liderança do PRC. Nesse ponto, o governo Castro Pinto (1912 – 1915) foi um divisor de águas, na medida em este que tentou conciliar interesse mútuo. Nas eleições de 1915, no entanto, o acordo se tornou insustentável, eclodindo o rompimento definitivo entre as duais facções, reconfigurando o cenário político parahybano, com os epitacistas (PRC-P) vitoriosos e o alvarista - walfredistas (PRC), com um único deputado eleito (Semeão Leal – primo de Walfredo), pelo “Partido Autonomista”. (LEWIN, 1993). O período seguinte (1916 a 1930) testemunhou a ascensão e declínio políticos do grupo ligado a Epitácio Pessoa. O auge da oligarquia epitacista situou-se dos anos de 1919 a 1922, quando Epitácio Pessoa chega à Presidência da República, posto que lhe permitiu desenvolver uma ampla política de infraestrutura e favorecimento da economia algodoeira e de combate às secas no Nordeste, injetando no Estado uma grande quantidade de verbas através da IFOCS - Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas.65 As obras de serviram, também, para beneficiar e cooptar as oligarquias locais, consolidando seu total controle da política estadual. (LEWIN, 1993). Na transição presidencial de 1922 (a saída de Epitácio Pessoa e a entrada de Arthur Bernardes), o País entra em ebulição (político, social e cultural), cujas consequências abriam as postas para a revolução de 1930. Na Parahyba, o assassinato de João Pessoa, por João Duarte Dantas, foi estopim que deflagrou o golpe que derrubou Arthur Bernardes e instaurou o governo getulista por longos quinze anos. Sobre as ebulições de 1922, entrarei em detalhes do capitulo 7, pois diz respeito, mais especificamente, a detalhes da política local que mais se relacionam aos acontecimentos de 22 de setembro de 1923. Nesse contexto, se por um lado a Republica não trouxe grandes mudanças políticas, por outro, aportou germes de futuras transformações que afetaram irreparavelmente a 65 Dentre os órgãos regionais, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas - DNOCS se constitui na mais antiga instituição federal com atuação no Nordeste. Criado sob o nome de Inspetoria de Obras Contra as Secas - IOCS através do Decreto 7.619 de 21 de outubro de 1909 editado pelo então Presidente Nilo Peçanha, foi o primeiro órgão a estudar a problemática do semiárido. O DNOCS recebeu ainda em 1919 (Decreto 13.687), o nome de Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas - IFOCS antes de assumir sua denominação atual, que lhe foi conferida em 1945 (Decreto-Lei 8.846, de 28/12/1945), vindo a ser transformado em autarquia federal, através da Lei n° 4229, de 01/06/1963. 71 economia, a política, as instituições e a própria sociedade como um todo. Entre as principais preocupações dos governantes estava a transformação urbanística das principais cidades. As chagas da sociedade escravista deviam ser cobertas pelas luzes da Belle Époque (1899-1922). Esse projeto civilizador, inspirado no modelo parisiense, influenciava a todos e impingia um estilo afrancesado de ser como um ideal a ser buscado. Esse processo se iniciou nos primeiros anos do século XX e se estendeu ao longo da década de 1920, quando foram finalmente executados os serviços de saneamento da Cidade, há muito tempo esperado, e a implementação do sistema de abastecimento de água, projetos elaborados pelo escritório de Saturnino de Brito (CHAGAS, 2004). Por esse período, a cidade de Parahyba passava a ser considerada de médio porte e começava a respirar os ares da modernidade. Apesar das transformações na paisagem urbana estarem diretamente relacionadas ao processo de desenvolvimento econômico e industrial em torno da agricultura (principalmente do algodão, pois o Estado era o principal produtor no Brasil à época), o surto de urbanização não acompanhou o processo de industrialização. Segundo Joffily (1980, p. 16),

na Capital paraibana, havia apenas uma indústria embrionária que se confundia em muitos aspectos com artesanato em média escala, com cerca de 4.000 operários pouco organizados. Segundo Gurjão (1994, p. 66) “(...) , apesar do movimento operário estar relativamente organizado, este teve sua fragilidade determinada, principalmente, pela estrutura agrária, em suas relações sociais de dominação, de onde provém a absoluta maioria do operariado industrial da Parahyba”, no período da Primeira Republica. Antes do surto urbanístico, a topografia da Cidade era como as demais capitais menores do Império: um aglomerado urbano, dos mais pobres e atrasados. Caracterizava-se pela existência de duas áreas: uma baixa e outra alta. Na parte baixa, encontravam-se o porto e as casas comercias, constituindo-se no núcleo inicio da Cidade. A parte alta era onde residia a pequena elite urbana, tendo em suas adjacências – periferia – os demais moradores residindo em casebres sem qualquer serviço de infraestrutura ou de saneamento. (CHAGAS, 2004) Na Parahyba, o auge dessas transformações urbanísticas foi realizado entre os governos de Camilo de Holanda (1916-1920), mais principalmente, no governo de Sólon de Lucena (1920-1924). (CHAGAS, 2004). Sua época de governo é assinalada por muitas transformações de valores políticos-culturais. Os quatro anos em que esteve no governo, como chefe político local, se portou com extremo cuidado, pautando seus atos dentro de “retilínea” conduta político-administrativa, respeitando acima de tudo a autoridade do chefe 72 político da região, Epitácio Pessoa. Na sua administração, as ideias sanitaristas e de salubridade por que estava passando o Brasil, se tornaram mais presentes. Na gestão do prefeito Walfredo Guedes Pereira (1920-1924), um médico assume a frente destas reformulações, privilegiando a preocupação constante em dotar a Cidade de um aspecto limpo e aberta a novos espaços, dando um significativo impulso no remodelamento e no embelezamento da Cidade, engendrando noções de modernidade e, por conseguinte, de ordenamento urbano (CHAGAS, 2004).

Segundo Souza (998), em seu estudo sobre a Praça João Pessoa, antiga Praça Comendador Felizardo Leite, as transformações urbanas na Capital paraibana, especificamente nas praças, iniciaram-se no ano de 1879. A partir desse momento, o Largo Felizardo Leite, na cidade alta, que, até então, era uma grande área descampada e se denominava Largo do Colégio, em alusão ao estabelecimento educacional que os Jesuítas mantiveram até serem expulsos dali, em 1760, transformou-se em Jardim Público, sendo 75 cercado por um gradil e quatro portões de ferro, tendo ainda, em sua volta, algumas palmeiras imperiais. Sua idealização foi um desejo do Padre Felipe Benício Galvão. A colocação da primeira pedra aconteceu na presença daquela autoridade e de todos os que faziam parte de seu partido político. A construção do Jardim foi realizada em duas etapas. Primeiro, foram plantadas as palmeiras imperiais, construído o muro e colocado o gradil no período de 1879 a 1881. Em 1889, são postos os bancos e edificado o coreto no centro da Praça (AGUIAR, 1993, p. 205). A modernização das cidades e a institucionalização do footing nos primeiros anos do século XX mudaram a forma como as pessoas utilizavam os espaços de lazer e de socialização e, no meio dessas transformações urbanísticas, as praças adquiram um papel importante nesse processo, pois, segundo Chagas, “quem era moderno sai de casa e vai à praça” (2004, p.143); um lugar onde as pessoas podiam se encontrar e exercer qualquer tipo ou forma de lazer. Nesse sentido, a Praça Comendador Felizardo Leite oferecia as condições para as pessoas se divertirem e descansar, inserindo-as, dessa forma, no desenvolvimento social da Cidade, já que era na praça, por exemplo, que as noticias chegavam, eram discutidas, analisadas e defendidas (CHAGAS, 2004). Parada obrigatória dos bondes, onde se realizavam as festas e retretas, a Praça Felizardo Leite era um dos poucos lugares onde era possível se encontrar um espaço voltado a estimulação da convivência entre pessoas, pois abrigava a maioria dos fatos

culturais, políticos e sociais. Nesse sentido, a forma de socialização que mais ocorria era do tipo superficial, em que as pessoas se encontravam conversavam e, muitas vezes, não voltavam a se ver; mas também era um lugar próprio ao tipo de sociabilidade de relações mais duradouras. Como se sabe, muitas pessoas iam as praças no intuito de encontrar um companheiro ou uma companheira, enfim, de experimentar algum tipo de relacionamento. Era um lugar organizado, com bancos, dois coretos, palmeiras imperiais e um jardim. Lá aconteciam diversos eventos culturais, atraindo pessoas de todos os grupos sociais, para passear, descansar, conversar, encontrar os amigos e exercer a arte do flirt, muito embora tenha havido certa vigilância que controla o acesso de indesejáveis, como também punindo comportamentos indevidos, segundo as regras da moralidade vigente.

O Mons. João Batista Milanês nasceu em Guarabira a 13 de outubro de 1881, filho de Lourenço Ferreira de Milanês e d. Joana de Seixas Milanês. Cursou o Seminário Diocesano do Estado da Parahyba do Norte, recebendo o presbyterato em 13 de novembro de 1904. Como religioso, uma de suas primeiras funções fora dedicada ao preparo dos jovens. Primeiro, no Colégio Santo Antônio, em Natal, onde desempenhou varias funções, a principal delas como professor. Já no Colégio Diocesano Pio X, na cidade de Parahyba, Capital do Estado da Parahyba do Norte, exerceu seis longos anos na direção deste educandário “em que empregou o melhor de suas atividades e optidões que eram muitas, de seus esforços, de seu selo e carinho que pediam meças a sua ânsia de fazer o bem”.86 Na administração do Estado da Parahyba do Norte, exerceu o cargo de diretor da Escola Normal, a convite do então Presidente Camilo de Holanda (1916 a 1920).87 No terceiro ano do governo Sólon de Lucena, foi diretor da Escola Normal e diretor da Instrução Pública do Estado. Assim, diante de sua autoridade, em tão altos postos da administração pública, não é de se estranhar que seu pedido tenha sido atendido prontamente pelo chefe de polícia, para por um fim, aos constantes “assédios” por parte de "certos moços" ás alunas da Escola Normal, sendo esta, a principal razão do mesmo ter tomado essa medida extra-disciplinar.

segundo a respectiva folha católica, o jornal A Imprensa, a atitude do padre, logo após o crime do guarda 33, era de indignação e desoladora expressão, sendo visto verberando o policial que exagerou a ordem da autoridade, deturpando as maneiras de intimação e cometendo o deplorável homicídio; no entanto, sabe-se que o guarda 33 foi preso quase que imediatamente após o crime e encaminhado ao comando da Guarda Civil pelo guarda 41, acompanhado pelo Dr. Mariano Falcão. Se for verdade que o monsenhor verberou palavras contra o guarda 33, o mesmo não foi relatado por nenhum outro jornal ou mesmo por testemunhas ao descrever as cenas do crime. O certo é que o mesmo ficou extremamente abatido, sendo dia depois exonerado, a pedido próprio, de ambos os cargos que exercia (diretor da Escola Normal e diretor interino da Instrução Pública) e em seu lugar foi nomeado o cônego Pedro Anísio Bezerra Dantas, como diretor interino da Escola Normal, exercendo, também, interinamente, o cargo de diretor geral da Instrução Publica.95 No mesmo dia de sua exoneração, o Presidente do Estado lhe concede, “atendeu ao que requereu monsenhor João Batista Milanez, dois meses de licença, com ordenado, na forma da lei, para tratamento de sua saúde onde lhe convier”. Durante esse período, recebeu copiosas visitas, principalmente de comitivas de alunas da Escola Normal, como mostra a noticia do jornal A União do dia 28 de setembro de 1923:96 As alunas do 4 ano da Escola Normal fizeram ontem pela manhã, incorporadas, visitas a ilustre sacerdote monsenhor João Batista, diretor daquele conceituado educandário desta capital. As gentis professorandas deste ano já tinham sido precedidas nesse gesto de simpatia

ao esforçado diretor da Escola Normal pelas alunas de varias outras classes. Messes depois, ele voltou as suas funções, permanecendo até o fim do quatriênio João Suasuna.97 Poucos anos depois faleceu, em 12 de janeiro de 1930, às 15 horas, em sua residência, à Avenida João Machado, vitima de “cruel enfermidade” que o prendia ao leito desde muito tempo. Segundo os jornais da época, a sua morte causou profunda consternação em todos os círculos da Capital, provocando verdadeira romaria de amigos e pessoas das suas relações que se iam inteirar da marcha da sua agonia.98 Assim, ciente de que a vida desse religioso e educador não pode ser resumida a estes poucos parágrafos, dada a importância que o teve para a educação parahybana naquele 95 Fonte: Diário Official do Estado. Anno XXXX. Parahyba, 06 de outubro de 1923. N.213. Imagem Anexa 29. Referência: PTDC 0134. 96 Fonte: Diário Official do Estado. A União. Anno XXXX. Parahyba, 28 de setembro de 1923. N.203. Imagem Anexa 30. Referência: PTDC DSCN5600 97 Leitão, Deusdedit. O Ensino Público na Paraíba. Síntese Histórica da Secretaria da educação. p31. 98 Fonte: jornal A União. Parahyba – terça-feira, 14 de janeiro de 1930. Ano XXXVIII, n 10. 99 período, fico no limiar do objetivo deste texto, aguardando outras oportunidades para, quem sabe, um dia, um estudo biográfico possa esclarecer melhor as decisões tomadas. Interessa dizer é que a Igreja exercia forte influência nos rumos da educação do Estado, seja exercendo altos cargos na Administração Pública e ou intermediando a relação entre Estado e Igreja – política e religião - no que tange às diretrizes educacionais da Primeira República. Portanto, o Monsenhor agia de acordo os ditames da Igreja, sem imaginar a repercussão trágica de suas decisões.

João da Mata Correia Lima, considerado o “general da mocidade”. A atuação desde ultimo junto a “classeestudantina” foi tão marcante, que o Grêmio seguinte, pós-Revolução Tenentista, faria homenagem justamente ao professor líder dos estudantes dos anos de 1920, o Dr. João da Mata148. Já João da Mata era filho do Dr. Lindolfo Correia Lima, este ex-deputado estadual, secretário do governo e emérito professor do Lyceu. A época do crime, o Dr. Lindolfo era então diretor do Lyceu Parahybano. Notável advogado, brilhante orador, ex-aluno do Lyceu (turma de

1908), João da Mata mostrou logo cedo suas aptidões intelectuais. Ingressou no Lyceu em 1912, concluindo o curso em 1915. Líder estudantil a sua época, era considerando um aluno excelente. Em 1912, fundou o Grêmio Maciel Pinheiro, onde colaborava para a revista Lyceum. Em 1915, é aprovado no exame de admissão para a Faculdade de Direito do Recife, baicharelando-se em 18 de dezembro de 1919. Segundo Lima, João da Mata atuou em diversos jornais, onde deixou “traços marcantes de sua pena”. Como em “(...) A Noite, onde publicou diversos sonetos sob pseudônimo de “C. L” (1915); Renascença (1916); Correio da Manhã, a partir de 1917, com pequenas interrupções; o Norte; o Comercio da Parahyba; Era Nova; O Jornal; O Diário do Povo (1929) e a Gazeta Humorística”. Foi no Jornal Correio da Manhã porém, onde exercitou sua vocação de jornalista e onde construiu os alicerces de sua carreira política (LIMA, 1951, p. 22). Ao longo de sua formação, atou como jornalista, orador, literato, poeta, professor e advogado, esta última considerada sua maior vocação. No inicio da década de 1920, de volta a Parahyba, trabalhou defendendo causas polêmicas, juntamente com seu amigo e sócio, o Dr. João Duarte Dantas. Segundo Melo “(....) apesar do absoluto contraste de temperamento, era considerado verdade amigo de João Dantas”. Ambos militaram na imprensa, no fórum e na política parahybana, durante toda década de 1920 do século passado (MELO 2002, p.55 e 56). Ainda segundo esse autor (2002. 61), João Dantas e João Mata fizeram da advocacia sua principal profissão, patrocinando inúmeras e importantíssimas causas, sempre conquistando expressivas vitórias.

 

Continua amanhã....




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