MEMÓRIA PESSOENSE: Oca do Piá - Sérgio Botêlho



Há equipamentos de lazer, do tipo bares, em João Pessoa, que se fizeram efêmeros, mas, que deixaram suas marcas, seja pela localização ou pelo cardápio ou pelas bebidas que eram servidas ou o conjunto dessas coisas. O fato é que não desapareceram, e “zé fini”.

Um desses equipamentos funcionou vizinho ao Edifício Cannes, na urbaníssima praia de Tambaú, no mesmo espaço onde tempos depois se instalaria o icônico Maravalha-Clube dos Solteiros, que já foi assunto de artigo nesta série de memórias pessoenses.
Na época, Tambaú estava desenvolvendo a vocação de centro de divertimento preferido da população pessoense, pois, desde o início da década de 50 que a avenida Epitácio Pessoa recebera calçamento, facilitando o deslocamento de massas humanas cada vez mais numerosas àquela praia urbana, para curtir ou para morar.

É por esse tempo que começaram a surgir novos bares e restaurantes na orla marítima a se juntarem ao Elite Bar que, durante anos, reinou absoluto na orla marítima, e que ainda haveria de brilhar muito pela década de 70 afora.

Lembro, hoje, da Oca do Piá, um barzinho maneiro, como se diz na modernidade, que servia tira-gostos simples, afora cerveja, whisky e o indefectível Ron Montilla, uma verdadeira coqueluche das décadas de 50-60, normalmente entornado com Coca-Cola, formando a dupla conhecida como Cuba Libre.

Calculo a data de funcionamento da Oca do Piá como sendo entre os anos de 1966 e 1969, já com o edifício Cannes construído, esta, uma obra de 1965 segundo estudo da arquiteta e urbanista Patrícia Alonso de Andrade, intitulado Verticalização em João Pessoa-Produção do Espaço e Transformações Urbanas.

O formato do bar era mesmo de uma oca, imitando uma cabana indígena, havendo muitas mesas do lado de fora, pois, dentro, o espaço era mais diminuto e não cabia tanta gente quanto o bar terminou acolhendo em alguns dias de glória.

A Oca do Piá entrava em função tanto durante o dia quanto a noite, podendo ser entendido, no turno da noite, como local de aquecimento para noitadas mais endiabradas pelas discotecas-boates que iam surgindo, na época.

A cobertura do bar, naquele formato de cabana indígena, era de palha, mesmo, transformando o local em algo singular na vida noturna da capital paraibana, especialmente na orla marítima, que ia se transformando, aos poucos.
Tambaú foi palco de outros bares que fizeram sucesso por determinados momentos, como, por exemplo, a Moeda, se o espírito não me engana, do mesmo Pedro que era dono do Pietros, na Lagoa.

A Moeda, já na década de 70, palco de jornadas intermináveis de cerveja misturada com o jogo do xadrez, ficava praticamente vizinho ao edifício São Marcos, quase de frente para o Hotel Tambaú, na mesma Avenida Tamandaré onde existia a Oca do Piá.
O que caracterizava a Oca do Piá era mesmo o ambiente diferentemente decorado. Mas, lembro que havia um bom atendimento dos garçons, incansáveis a servir piratinhas e piratões para a turma, normalmente, majoritariamente de jovens.

Penso que os vizinhos do Edifício Cannes não deviam gostar muito da Oca do Piá devido ao natural barulho dos amantes da alegria. Problema, evidentemente, transferido, com acréscimo de algazarra, para o Maravalha.

Pois, assim, fica inscrito nessas memórias pessoenses o bar Oca do Piá que, um dia, desapareceu do mapa, mas, que não ficou esquecido, merecendo estar sendo lembrado, agora, aqui, no maravilhoso Facebook.




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