MEMÓRIA PESSOENSE: Corrinha - Sérgio Botêlho




Entre as primeiras notícias que recebi nesta quinta-feira, 11, pela manhã, uma delas provocou, em mim, imensa tristeza. Lena, minha irmã, chorosa, me informou que Corrinha havia morrido.

“Como, assim?! A morte apagou o sorriso de Corrinha?! Não podia ter começado o dia de forma mais terrível do que essa. Logo, grupos do whatsapp e gentes e grupos do Facebook começaram a divulgar a notícia, ao mesmo tempo que os blogs noticiosos.

Junto com a notícia, a indefectível foto da grande rainha do Cafuçu, espalhada nas redes sociais, chocava pela alegria que sempre a caracterizou, com aquele sorriso largo, permanente, sincero, ingênuo e profundamente emocionante, de toda a sua vida. Impossível não chorar!

Nascida em Cajazeiras, Corrinha chegou em João Pessoa para cativar - da mesma maneira com que já se comportava em sua terra de nascimento - a todos com quem fez amizade, distribuindo sua marca registrada, que era aquele sorriso.

Mulher de seu tempo, Corrinha não se eximiu de participar ativamente dos movimentos que se lhe apresentavam como afirmativos, a exemplo de sua atuação no processo de consolidação do movimento dos professores, na Ampep.

Daí para o Folia de Rua, e para o Cafuçu, foi um passo normal, assumindo, rapidamente, uma a uma as características de uma pessoense imensamente identificada com a terra que ela escolheu para derramar sua alegria contagiante.
Me perdoem, mas, tive que suspender o post que havia programado para hoje, sempre levado ao ar entre as 19hs e as 20hs30min, de cada dia, no Facebook, para que pudesse inscrever, desde já, na parte mais saudosa das memórias pessoenses a nossa querida Corrinha.

Pois bem. Embora pareça inacreditável, Corrinha agora é saudade. Ela passa a compor as figuras inscritas nas lembranças indeléveis da história da capital paraibana, no escaninho da felicidade e dos fatos positivos de João Pessoa.
Escrevo, confesso, buscando conter as lágrimas e, nesse esforço contínuo, penso que Corrinha está apenas voltando ao planeta de onde veio, primeiro para Cajazeiras e, depois, para a nossa terra querida, nossa, e, mais do que evidentemente, dela, também.

É porque começo a achar que Corrinha apenas está retornando a um espaço onde todos vivem sorrindo, um território onde moram eternamente os encantados, assim como ela, agora, sempre e sempre sorrindo.

E, nesse devaneio, ponho-me a pensar que seu retorno deve ser muito mais motivo de felicidade, para todos nós. Receio, assim, que possa estar sendo extremamente egoísta em desejar reter, entre nós, um espírito de luz tão brilhante, quanto foi Corrinha, quando sua terra se encontra, na verdade, em outro plano mais elevado e mais feliz.

Mas, o fato é que existe a saudade, sentimento que passa a nos dominar, irresistivelmente, a partir de agora, algo que nem Corrinha, em sua extrema bondade e alegria, vai conseguir arrancar de todos nós que com ela convivemos.

Queira Deus que um dia possamos todos nos encontrar com ela, e, neste momento, rir e rir muito, zombando das infelicidades que teimam em vir se apresentando, nestes tempos terríveis, dos quais nossa amiga mangou enquanto pôde.

Vá em paz, querida amiga!




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