MEMÓRIA PESSOENSE: o Underwood - Sérgio Botêlho



Não foram poucos os educandários, na história da Educação, em João Pessoa, incluídos no rol das instituições do tipo “pagou-passou”. Sendo privada (mas, não confessional), era o suficiente para o disse-me-disse ter início, algumas vezes com histórias “verídicas”, do tipo “eu vi” ou “quem me disse foi alguém de lá, mesmo”.

Não creio que tenha havido outra instituição na capital paraibana a sofrer mais esse tipo de ataque do que o Underwood, escola, que, nas décadas de 50-60, existia na Duque de Caxias, por trás do prédio de A União (que depois, virou aquele troço desconexo do conjunto arquitetônico da Praça João Pessoa, onde funciona a Assembleia Legislativa).

As histórias ganhavam mais cores, ainda, por ser um educandário onde a maioria dos alunos tinha origem nas camadas sociais menos favorecidas. Sendo assim, a fama passava a ser ainda mais forte, na suposição de que alguém de mais posses tenderia, mesmo, a ser beneficiado, por sua condição, e, portanto, corresse para o Underwood à procura de aprovação.

Na verdade, tratava-se, coisa que pouca gente procurava saber, de uma Escola Técnica de Comércio, dirigida pela professora Osmarina de Almeida Carvalho, na verdade, uma instituição dedicada, desde os idos de 1928, a formar, entre outros profissinais, técnicos em Contabilidade com destino à atividade comercial.
Tomei conhecimento mais detalhado da história buscando informações na Internet, como sempre faço, sobre o assunto que pretendia postar, aqui, no Facebook, parte dessa série dedicada à memória pessoense. A memória, pura e simples, apenas me conduzia à lembrança do Underwood e da carga existente contra a instituição.
Assim, pesquisando, me deparei com um texto resultado de pesquisa acadêmica realizada pelo Grupo de Pesquisa em História da Educação Contábil (GHEC) da Universidade Federal da Paraíba – Campus IV – Litoral Norte, na cidade de Mamanguape, assinado por José Jassuipe da Silva Morais e António Gomes Ferreira, ambos, doutores em Educação.

Foi a professora Osmarina, fiquei sabendo por conta do texto, a responsável, depois de intensa e incansável batalha por apoio ao Ministério da Educação e Saúde da época, para construção daquele prédio próprio da Duque de Caxias, quando a Escola Técnica de Comércio Underwood deixou a General Osório, um prédio alugado.

Segundo apuraram os pesquisadores, a escola mantinha os cursos Básico de Comércio, Técnico de Comércio, mas, também, Jardim da Infância, Primário, Preparatório ao exame de admissão, Datilografia e Estenografia (Taquigrafia). Foi possível saber, ainda, que o Underwood, assim como todos os colégios da época, era rigoroso no quesito disciplina.

Mas, há, sobre a Escola Técnica de Comércio Underwood, elementos, na pesquisa, que contribuem para a sua má-fama, perto do fim, fruto, precisamente, das crescentes necessidades de recursos, da concorrência da Academia de Comércio Epitácio Pessoa, e da diversificação dos cursos, para além dos especificamente destinados a formar trabalhadores para o Comércio.

Porém, segundo os pesquisadores, enquanto foi possível, a professora Osmarina conseguiu concretizar o propósito original da educação para o trabalho, mesmo enfrentando forte repercussão negativa na imprensa paraibana, quando do seu fechamento, que aconteceu na década de 1960.




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