Sady Castor e Ágaba, um caso de amor e morte na Paraíba



 Pesquisa pela Tese de FAVIANNI DA SILVA apresentada à Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Educação Brasileira da Universidade Federal do Ceará, como requisito para à obtenção do título de doutor em Educação Brasileira. Área de concentração História e Memória da Educação. Orientador: Prof. Dr. José Gerardo Vasconcelos.

E artigo do Jornalista e escritor Ramalho Leite.

Filme curta metragem

Adaptação e roteiro – camilo Macedo

PRODUÇÃO E DIREÇÃO – DANIEL RIZZI

Assistente de Direção –

DIREÇÃO DE ELENCO e roteiro – camilo Macedo

Edição - DANIEL RIZZI

FIGURINO - VIVI Lopes

Maquiagem -

Direção Musical -

Fotografia - IGGO NICOLAS DE MACEDO

Desenho e Arte -

Montagem e edição -

Técnico de Som -

Produtora de Objetos -

Assistente de Produção de Objetos -

Produção de Locação -

Narra a história de um crime ocorrido no dia 22 de setembro de 1923, na cidade de Parahyba, capital do Estado da Parahyba do Norte, com repercussão nos anos seguintes. A escolha do tema não foi ao acaso: entre o crime e as ações do Grêmio existe uma relação explicita; já entre o crime e as tensões políticas, há uma relação mais sutil, tecida com fios tênues que se desdobram em aspectos de uma cultura histórica, específica do lugar e da época pesquisada. tendo como fio condutor a participação do Grêmio Cívico Literário 24 de Março Lyceu Parahybano nos protestos e manifestações desencadeadas pelo assassinato do “inditoso” Sady Castor.

O “inditoso” estudante nasceu em Soledade, município no Estado da Paraíba (Brasil), localizado na microrregião do Curimataú Ocidental, em 15 de fevereiro de 1896. Dos catorze irmãos, Sady era o quinto filho do coronel Emiliano Castor de Araújo e dona Vitória Jacinta Correia Lima

Castor, tradicional família de fazendeiros que, juntamente com os Nóbrega, seus parentes, tinham forte influência nos rumos da política local.

Por esse tempo, mais especificamente em 1922, a sociedade brasileira vivenciava um momento de confluências de insatisfações, colocando o País, pela primeira vez, no centro das discussões políticas, quase simultaneamente em toda a Nação, caracterizadas pela insatisfação política, social e cultural por parte de uma elite urbana e comercial (TRINDADE, 1979).

Alguns costumes, no entanto, insistiam em prevalecer, como, por exemplo, a drástica separação do sexo nos espaços públicos e privados. Nas escolas, a separação de meninas e meninos ainda era um tabu, tida como regra nas instituições educativas do Estado. A influência da Igreja Católica na educação do Estado contribuía sobremaneira na manutenção desse modelo, apesar de já existir debates sobre a coeducação dos sexos.

Lembrando que, naquela época, apesar da separação República - Igreja Católica, está última passou a “auxiliar” o Estado no processo de escolarização da educação brasileira, mesmo com a constituição de 1891 estabelecendo a laicidade do ensino público. Em alguns estados, no entanto, a igreja teve intensa influência nas políticas públicas em educação.

O Monsenhor João Batista Milanez. havia restringido a aproximação masculina (mais especificamente dos estudantes do Lyceu) nas mediações da Escola Normal, a fim de evitar o contato entre moças e rapazes no início, nos intervalos e na saída das aulas. Para que se cumprisse inflexivelmente sua ordem, transmitida em nome da “honrada família paraibana”, o Monsenhor solicitou ao Chefe de Polícia, Dr. Demócrito de Almeida, uma autorização para colocar um guarda civil na porta da Escola.

E assim ficou disponibilizado um agente de segurança do Estado, mais especificamente, da Guarda Civil, exclusivo para vigiar a aproximação de “certos” indivíduos nas proximidades daquele educandário.

Cena 01 -

Mostra o menino Sady, brincando, com amigos na fazenda do seu Pai, Cel. Emiliano). Sua mãe Dona Vitória lhe chama a atenção:

D. Vitoria – Sady, olhe a hora passe já pra dentro, vá se arrumar menino, já devia estar pronto para ir à escola. Vá, passe logo, e venha almoçar. Aprenda a ter responsabilidade, da próxima vez direi a seu Pai.

Sady – Desculpe mãe, perdi a hora, estava brincando, desculpe, não precisa falar pra papai, não vai mais acontecer.

Em 1918 foi sorteado para servir o Exército e incorporado passando a residir na capital. Nessa época, morava numa república de estudantes no mesmo prédio onde também funcionava o jornal Correio da Manhã

CENA - 02

– Sady, em sala de aula, assistindo aula. Em seguida, ele já rapaz, conversa com seu pai. ( O cel. Emiliano, sentando no terraço, com um documento na mão, chega Sady).

Cel. Emiliano – Foi bom você ter chegado, acabei de receber este comunicado do Comandante do Batalhão do Exercito. Você foi escolhido, para servir a pátria, será aluno a oficial. Espero que faça carreira militar.

Sady – Isso é muito bom Pai, cumprirei minha obrigação com a pátria, vou procurar ser um bom militar, saberei honrar o seu nome, mas, seguir a carreira, não tenho certeza. Quando devo me apresentar ?

Cel. Emiliano – aqui estar, na próxima segunda feira, você deve viajar para a capital, para não chegar atrasado logo no primeiro dia. ( Sady se aproxima e pega a correspondência).

CENA 03 -

Sady, se apresenta ao oficial de dia, ao 49º Batalhão de Caçadores, e é encaminhado para fazer os exames primários de saúde, depois recebe o fardamento de oficial aluno.

Meses depois recebe um comunicado do comandante do Batalhão, seria transferido para Recife, ali ficando por meses, depois, durante a gestão de Epitácio Pessoa na Presidência da República (em 1919), foi novamente transferido para o Rio de Janeiro, exercendo a função de telefonista no Catete (e/ou) guarda do então presidente da República.

CENA - 04

- O Tenente aluno, Sady, conversa com um colega de farda, o também tenente aluno Hudson Marinho.

Tenente aluno Hudson Marinho. E aí Sady, pensas em seguir carreira como oficial. Olha só, na verdade só estou aqui, para dá gosto a meu pai, ele é major do exército, servindo no corpo de paraquedista do exercito.

Ainda conversei com minha mãe, ela me pediu por tudo, para não dar um desgosto desse ao meu pai. É bonita a carreira, mais queria mesmo era ser advogado.

Tenente Sady - Pois companheiro, não serei militar de carreira, quando ingressei avisei logo a meu pai, ele também é cel. Servir com honra, eu servirei, seguir carreira é outra história. Terminando meu tempo, voltarei para a Parayba, sonho em ser médico.

Devo tentar o vestibular na Faculdade de Medicina no Recife, além disso o contexto hoje aponta crises econômicas e ideológicas não só na Paraíba, mas em todo o país e tenho notícias do colégio, que há movimentos estudantis, principalmente na capita do Estado.

CENA 05 -

SADY - dar baixa do exército em 1921, E volta a Parayba, desembargando no porto de Cabedelo, dias depois ingressa no serviço público, para trabalhar como funcionário das obras contra as secas promovidas pelos IFOCS, foi enviado para cidade de Barra de Santa Rosa, conheceu, após meses de namoro, noivou com Francisca Amorim, jovem muito prendada e recatada naquela cidade.

( Ao final da tarde, o casal passeia ao lado de Sady, sempre acompanhada de perto por uma serviçal dos seus pais, sentam-se no banco da praça).

FRANCISCA AMORIM – Penso sempre que olho para você, vejo em seus olhos, um futuro ausente, como se este aqui não fosse fazer morada.

SADY – Francisca ! o que estás a dizer, a meses que a ti cortejo, até pedi consentimento ao teu Pai, para que pudéssemos namorar. E pensas assim de mim.

FRANCISCA AMORIM – Não, estou a buscar defeitos em ti Sady, és um homem fidalgo, Cortez, e feliz será a mulher que será tua esposa. Mas com toda minha alma, não foste talhado para viver neste longínqua cidade, como funcionário público.

Falas muito em politica principalmente deste o Grêmio Cívico Literário 24 de Março. Dos movimentos que foram e serão organizados, da importância desta organização estudantil ver-se que estão indo além das tradições “cívicas” e “literárias”, ao se envolver diretamente nas disputas políticas desde 1920.

SADY – O que estás a querer me dizer Francisca...

FRANCISCA AMORIM - Sei que em breves, serás transferido, até mesmo para a capital do Estado, pela influência que teu Pai tem junto ao governo. Pensas em fazer medicina e deverás ir para a cidade do Recife, quando formado, de certos irás para o Rio de Janeiro.

SADY – Em partes tem certa razão, recebi correspondência do meu pai, falava ele que mandou telegrama ao Presidente, solicitando empenho para minha transferência, entretanto, não vejo nisso empecilho para o nosso compromisso.

FRANCISCA AMORIM - A sim Sady, e tu sabes disso, penso que houve uma certa precipitação, ao pedir minha mão em casamento ao meu Pai. Teríamos que namorar como todos e dá tempo ao tempo. Sabes quantos anos é preciso para alguém se formar em medicina e todos que conheci, logo viajaram para a capital federal ou para São Paulo, alguns anos depois voltaram para a Paraíba.

SADY – Tô entendendo, que me põe contra a parede, é isso, sabes que assumi compromisso com teu Pai, com tua família para corteja-la. E insinuas assim, para que eu rompa este compromisso. Penso que a mim não amas mas.

FRANCISCA AMORIM – Não podes pensar de mim assim, a ti muito respeito, sei que assumistes um compromisso com meu Pai, compromisso de amar, me fazer feliz, ter uma família, como sonha toda mulher. Não tens compromisso e tenho certeza que meus pais não iriam querer, ver sua filha, triste, com o marido, sabe Deus por onde. Não há Sady, compromisso para a infelicidade de ninguém.

SADY – Devo entender então Francisca, que estamos terminando nosso noivado.... Vou conversar com teu Pai amanhã para tudo explicar.

Continua amanhã......

 




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