MEMÓRIA PESSOENSE: Colégio Arquidiocesano Pio XII - Sérgio Botêlho



De minha casa, na Arthur Aquiles, até o Pio XII, onde estudei primário e ginásio, era um pulo, como se diz. Subia a pequena ladeira da rua onde morava, pegava a Visconde de Pelotas, passava a praça do Bispo (Dom Adauto), dobrava à esquerda, e, pronto, estava no colégio.

Antes do Pio XII, que ocupava prédio pertencente a um conjunto de edificações que ainda hoje é propriedade da Arquidiocese, existiu o Externato Diocesano São José, que funcionou em prédio de frente para a Praça do Bispo. Foi o antecedente exato do Pio XII.

No complexo arquidiocesano havia, ainda, o Seminário, que depois passou a ser ocupado pelo Colégio Estadual do Roger, e a Igreja São Francisco. Antes do Pio XII, o prédio respectivo abrigava o Pio X, dos Irmãos Maristas (antes de se mudar para o atual prédio da Praça da Independência). Hoje, no prédio que foi ocupado pelo Pio XII, existe uma Faculdade de Ciências Médicas.

O Pio XII era um dos quatro colégios confessionais mais importantes das décadas de 50 e boa parte da década de 60, juntamente com o Nossa Senhora das Neves, comandado por freiras, o Pio X, como já falei, pelos Irmãos Maristas, e o Nossa Senhora de Lourdes (Lourdinas), assim como o das Neves, dirigido por freiras.

Quando ingressei no colégio, que não era dirigido por religiosos, mas, evidentemente, por católicos, os diretores era os míticos (para todos nós, ex-alunos do colégio, evidentemente) doutor Ercílio e dona Iracema, fortes referências quando se trata de entender o nascimento e a evolução do Pio XII.

Na sequência, vieram o professor Afonso Liguori e o padre Marcos, todos esses, na nossa época, até o início da década de 70, quando o Arquidiocesano Pio XII passou a ser um educandário misto, para rapazes e moças, e a oferecer o curso científico, hoje, chamado de segundo grau. Antes disso, funcionavam, apenas, o primário e o ginásio, ambos reunidos, hoje, no chamado primeiro grau.

Falar do Pio XII é voltar a um tempo em João Pessoa bem mais ameno, do ponto de vista das relações urbanas e sociais, do que o que ocorre nos tempos de hoje. Tanto assim que era possível a uma criança, mais ou menos na idade de 7 anos para cima, ir sozinha para o colégio, sem grandes sobressaltos.

Havia colegas meus, até morando um pouco mais distantes do que eu, que iam de bicicleta para o colégio, percorrendo ruas como General Osório ou Duque de Caxias ou Visconde Pelotas, Ponto de Cem Reis, Parque Solon de Lucena, Trincheiras, enfim, ruas que hoje são de trânsito arriscado até para ciclistas adultos.

Confesso que a maior parte do que sei, em termos de português e de cálculos, aprendi, ainda, nos bancos do Pio XII, devido a um ensino, como se diz no jargão educacional, puxado, onde tínhamos, no estudo da língua portuguesa, no primário, já, leitura silenciosa, ditado, cópia, e provas chamadas subjetivas, onde o aluno era obrigado a discorrer sobre as perguntas. E, ainda, a velha tabuada.

Como imaginar uma escola, nos dias de hoje, massificada, com professores mal pagos, correndo de um colégio para outro, pilotando turmas enormes, pensar em tais práticas educacionais! Impossível. Foi a partir dessa nova situação das escolas que começaram, então, a surgir as provas chamadas objetivas. Lembro que, já no ginásio, a novidade chegou ao Pio XII. Mas, o primário, foi bem mais duro.

Dos colégios chamados confessionais daqueles tempos, em João Pessoa, somente restaram, hoje, o Pio X e as Lourdinas, mantendo a tradição de colégios católicos na capital paraibana. Mais do que católicos, eram colégios que primavam pela disciplina e pela valorização do aprendizado.

Por isso, inscrevo o Pio XII entre as memórias pessoenses que ando escrevendo, por força do seu significado na formação de muita gente, em João Pessoa. Gente que, hoje, exerce suas profissões em diversos segmentos da vida paraibana e brasileira, e que tiveram como base de suas formações o velho e saudoso Colégio Arquidiocesano Pio XII.




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