MEMÓRIA PESSOENSE: o Gambrinus - Sérgio Botêlho



 

As figuras mais expressivas da imprensa paraibana se reuniam, durante a década de 80 e parte de 90, no restaurante Gambrinus, em um espaço que hoje faz parte daquele maior que é ocupado pela Feirinha de Tambaú.


Lembrar do Gambrinus é reviver tertúlias homéricas da mídia paraibana. Assemelhados ao Gambrinus certamente serviram à mídia, em épocas diferentes, o La Veritá, na Souto Maior, o Drive In, da Epitácio Pessoa, e, sem dúvida, o Cassino da Lagoa e a indefectível e imorredoura Churrascaria Bambu. Mas, nunca houve local onde tantos jornalistas se reunissem com tanta frequência, de uma vez, só, quanto no Gambrinus.

Um dia, o português Moita – inventor e proprietário do lugar – decidiu que devia retornar à pátria mãe, e adeus João Pessoa, para nunca mais outro Gambrinus. Ficamos a ver caravelas. Depois, a turma se espalhou de um jeito que, sinceramente, até os dias de hoje ficou muito difícil reencontrar todos, de uma só vez, em um determinado lugar. Assim como uma colmeia desmanchada. Dificuldade piorada em função do número de coleguinhas amontoados, hoje em dia, pelas redações de TVs, jornais, rádios, sem falar das dezenas de sites de notícias. É gente demais para andar junta!

Mas, enquanto durou, ali nós tínhamos a possibilidade de, a partir das quartas-feiras, conviver com Martinho Moreira Franco, e sua incrível verve, Nonato Guedes, e suas análises políticas, Paulo Santos, sempre alerta, Agnaldo Almeida, questionando os fatos, Tico Pinto, com intervenções cirúrgicas, Rubens Nóbrega, dissecando as personalidades, Walter Santos, antenado sobre os furos, Arlindo Almeida (de saudosa memória), problematizando as análises correntes, Erialdo Pereira e Silvio Osias, sempre sintonizados com o mundo global e com a cultura, Biu Ramos, implacável nas observações, Manoel Raposo, Willis Leal, imprescindível, sempre, Abelardo Jurema, ligado no jornalismo social, Paulo Soares, amigo permanente da imprensa.

Paulo (para os mais íntimos, Paulinho) Soares, profissional da Saúde exercendo a Medicina Infantil, ele, na verdade, tornou-se, desde tempos imemoriais, presença indispensável a uma mesa ocupada pela mídia, na certa por que, melhor do que qualquer um de nós, “Paulinho” consiga exercer uma crítica permanente, imperdível e impiedosa envolvendo fatos e gentes da hora; características marcantes, por sinal, também de seu irmão, Soares Madruga, que foi, enquanto vivo, jornalista e deputado estadual com incursões memoráveis na história crítica da política paraibana.

Curioso de saber de onde Moita havia buscado inspiração para o nome Gambrinus, acabei encontrando pistas a respeito, na quase infalível Internet. É nome, por exemplo, de um restaurante-bar-cervejaria que funciona em Lisboa. De acordo com as informações obtidas no site do Gambrinus lisboeta, era uma antiga “tasca”, um restaurante simples, que data de 1937. Em 1964, passou por uma reforma que transformou o empreendimento no que ele é, por ali, nos dias de hoje.

Segundo a cada vez mais acessada Wikipédia, Gambrinus é, ainda, nome de um rei de Flandres, na Bélgica, com certeza um inveterado tomador de cervejas, de tal maneira que se tornou o patrono não oficial da cerveja, emprestando o nome, enfim, a uma das cervejas tipo pielsen, de fabricação tcheca, considerada como das mais conhecidas do mundo.

Portanto, tanto em uma quanto em outra referência, duas inspirações de peso que poderiam muito bem ter servido a Moita na hora de escolher o nome do seu empreendimento em nossa Capital.
Muito bom era o Gambrinus, em sua versão pessoense!




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