Por que os militares não podem pensar nem falar sobre a crise moral e institucional brasileira? - Gilvan Freire



 

Isso não parece censura imposta, em grande parte, pelos próprios delinquentes políticos que aterrorizam a população com seus maus feitos e acocoraram o país na tentativa de submeter o Estado ao império de poderosas facções criminosas confederadas, travestidas de organizações políticas democráticas ?


Por que os militares podem opinar sobre quase tudo de interesse do povo e do Brasil, na terra, no ar e no mar, da educação à saúde , do combate à criminalidade ao controle de nossas fronteiras, sobre as questões de segurança interna e externa, mas não podem emitir opinião sobre os descaminhos políticos que ferem de morte as instituições e transformam a nação em terra arrasada ?

Como privar o cidadão comum de opinar e reagir contra esse caudaloso rio de indecência que corta o país em todas direções e desconstitui o legado democrático conquistado a duras penas humanas, quando criminosos do colarinho branco saqueiam os bens e o dinheiro público e se protegem em abrigos garantidos pelo próprio Estado, destinados somente a autoridades constituidas e presumidamente idôneas ?
Mais ainda, como cercear a liberdade de manifestação de um líder militar que externa as inquietações de milhões de brasileiros atônitos com o dilúvio de imoralidades que varre o território brasileiro e força o povo a aceitar a impunidade e a delinquência como regras sociais impostas pelo conluio de autoridades encasteladas em antros criminosos ?
Como desprezar a opinião de brasileiros que, ao contrário dos antros de sodomia , integram ambientes moralmente sadios que não promiscuem a vida pública nem contribuem para agravar essa crise degenerativa dos maus costumes dominantes, e pertencem a instituições estatais que merecem o raro respeito da sociedade hoje ?
É, militares não podem pensar o Brasil em crise, como se a sociedade pudesse se dar ao luxo de excluir algum setor invulnerável à bancarrota criminosa quando se trata de defender a própria democracia que se queda impotente diante de verdadeiras hordas de assaltantes políticos. Acha-se pouco que militares de todas as armas tenham como chefes supremos presidentes da república flagrados em crimes atentatórias à dignidade do cargo e à honra comum do cidadão honesto ?

Como aceitar a desmoralização da justiça pelos juízes desonrados ou pelos próprios jurisdicionados e criminosos insubmissos, que precisam garantir a impunidade de seus crimes para que a criminalidade triunfe ? Como impor o silêncio sob ‘pacto de sangue‘ até a militares e civis que deploram e repulsam os malfeitores públicos e querem reconstruir o Brasil em bases morais saudáveis ? Como submeter os militares brasileiros à obediência hierárquica de chefes do crime ?

Sim, devemos ter medo de uma intervenção militar, por causa da memória histórica do país, mas não devemos temer a opinião dos militares em hora de grande crise envolvendo o papel reservado às instituições públicas, sob pena de negarmos a um setor específico da sociedade aquele direito fundamental que até os delinquentes usam para negar seus crimes praticados contra o povo e contra o Estado.

É bem melhor saber o que os militares pensam do que castrar-lhes a liberdade de pensar e punir-lhes pelo delito de opinião, ou ignorar o que eles pensam e dizem. O resto é puro preconceito e medo, especialmente desses setores que transformaram uma democracia liberal numa democracia libertina, sem regras, sem controle social, sem respeito à coletividade.

A esquerda brasileira, com complexo de culpa histórica , atormentada pelo seu fracasso político e pela falência moral de sua governança, transforma os militares em hipotéticos terroristas de direita, quando foi ela própria, em alianças espúrias, que fez da direita no Brasil uma linha auxiliar na consumação de sua obra de destruição do país e suas instituições.

O medo em si tem justificativa aceitável, por conta da experiência nefasta com o golpe militar de 64, quando os quartéis, cumpliciados com os políticos da época, tomaram o poder à força com o propósito de sanear os costumes e refundar as instituições. Criaram uma ditadura duradoura, cruenta, que matou , torturou, cassou , baniu e expatriou seus adversários, muitos deles severamente punidos e exterminados sumariamente pela prática de delitos de opinião, o mesmo delito que queremos imputar hoje a militares decentes.

De qualquer forma, oremos contra as ditaduras mais temíveis, universalmente as mais odientas e criminosas : a de esquerda e a de direita. E não aceitemos também a ditadura da opinião de censores corruptos contra a liberdade de expressão dos brasileiros que querem mudar o país.




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