Curso para corruptos - I - Marcos Pires



Quando os 3 sócios decidiram iniciar o curso que ensinaria corrupção não esperavam o tremendo sucesso que ocorreu. Primeiramente porque o curso se dá de forma quase secreta; só são admitidos os realmente vocacionados, e isso depois de uma seleção prévia rigorosíssima, entre candidatos que não se inscrevem. São convidados depois de um exame cuidadoso de suas vidas, onde são observados dados como quem era o aluno que comia na cantina da escola todos os dias e conseguiu terminar o ano sem jamais ter pago um lanche e nem por isso ter sido objeto de qualquer reclamação. Critério importante também foi a utilização de bizu no vestibular e nas provas da faculdade, obviamente sem nunca ter aberto um livro no curso (mais pontos contam para os que sequer compraram livros; economizaram para pagar mais caro pelos resultados).

Mas enfim vamos ao curso. Os sócios iniciam explicando que são só 3 porque se fossem 4 sócios ou mais, cairiam no que dispõe o artigo 288 do Código Penal, que trata da formação de quadrilha ou bando. Dessa maneira, se o curso vier a ser descoberto pelo menos desse crime eles escapam.

Todo o ensino se baseia numa premissa muito simples: no Brasil a corrupção sempre prosperou porque é da natureza das autoridades esse comportamento, haja vista que não existe nada mais desorganizado do que as quadrilhas de políticos e empresários que assaltam nossos cofres públicos. Um exemplo claro é a dificuldade que os corruptos têm em esconder o produto dos seus saques aos cofres públicos, bem assim essa série de delações premiadas que derruba todas as quadrilhas, afora outras “amenidades”, como por exemplo obrigar todos os futuros corruptos a fazerem um curso superior, nem que seja por correspondência. Pode ser até de corte a costura ou culinária. Vale tudo para o distinto ocupar uma cela especial se por acaso todo o resto que aprender no curso falhar.

Na matéria dinheiro, é necessário que o futuro corrupto aprenda a extorquir e roubar o máximo possível porque nunca haverá dinheiro demais quando tiver que contratar advogados e começar a “pavimentar” a estrada de seus delitos com parceiros gulosos.

De fundamental importância que tenha várias amantes para pôr em nome de cada uma delas a terça parte do roubo, porque mesmo que duas ou três o enganem, sempre restará grana suficiente.

Continuarei na próxima semana.




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