Deixa que eu resolvo. - Marcos Pires



Criativos leitores, tal como vocês eu também tenho solução para os grandes problemas que nos afligem. Quanto maior a bronca mais simples a solução, não é mesmo?

Um exemplo facílimo de resolver é a questão do rombo da previdência social. Se em 1940 a expectativa de vida do brasileiro era de 45 anos, em 2015 já era de 75 anos. É claro que se estamos vivendo mais estamos aumentando a conta. Dizem que isso representa metade dos gastos do governo anualmente. Pois muito bem, minha solução é de uma simplicidade franciscana, que diminuiria pelo menos para a metade esses valores. Basta que o governo ofereça aos aposentados e pensionistas uma espécie de plano de demissão voluntária (PDV) que contemplasse não a demissão do emprego, mas a renúncia a uma parte da aposentadoria. Funcionaria assim; o aposentado ou pensionista que tivesse por exemplo 70 anos e uma expectativa de vida (segundo os dados oficiais) de mais 5 anos de vida, poderia receber antecipadamente os valores correspondentes à metade desse tempo num único pagamento e renunciar ao resto. Se vivesse mais do que setenta e cinco anos seria muito bom para ele, mas teria que achar um meio de pagar suas contas. Claro que estou falando de opção, mas tenho certeza que pelo menos metade dos interessados embarcaria nessa ideia, porque o outro lado da moeda é o cidadão receber à vista um valor correspondente a dois anos e meio de sua aposentadoria e morrer dois ou três meses depois.

Imaginem a festa que esses idosos (eu sou idoso na forma da lei) fariam. Os restaurantes iriam faturar alto, porque seria enorme o número de filhos e netos que de repente iriam lembrar dos velhinhos e leva-los para almoçar e jantar fora, contanto que pagassem a conta. Solidão jamais. As raras visitas que os parentes fazem aos seus idosos seriam disputadas à tapa quando soubessem que eles planejam uma viagem à Europa e precisam de um acompanhante com tudo pago.

E que importaria se depois de tantas festas e viagens na companhia de seus desinteressados parentes a grana que conseguiram antecipando suas aposentadorias e pensões acabasse antes dos seus dias finais. Ou muito bem iriam morar com seus redescobertos descendentes ou para sempre seriam uma lembrança amarga na memória dos filhos e netos que os esqueceram duas vezes na vida.

Doeu? Pois dói muito mais neles. E dói todos os dias.




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