A luta de 1930 - Lourdinha Luna



 
Lourdinha Luna
O historiador Ramalho Leite, em artigos bem fundamentados, tem escrito sobre a luta de Princesa, em 1930. Conta, como subsídio, informações de jornais do sul do pais, de Recife e da Paraíba. Acosto-me para informar o que ouvi de Joaquim Inojosa, ex-genro de João Pessoa de Queiroz, no Rio de Janeiro, em 1975.

Como chefe da rebelião o cel. José Pereira, prometera aos Pessoas de Queiroz, comerciantes no Recife, que dentro de 3 semanas deporia seu Presidente, do governo da Paraíba. A presteza anunciada animou os inimigos familiares a subvencionar a luta armada. Para o êxito da beligerância, o insurreto contava com armas e munições fornecidas pela fábrica do Exército, em Realengo-RJ e o apoio logístico dos Estados aliados com a "guerra" de Princesa.

Na visita, em missão jornalística ao reduto rebelde, Victor do Espirito Santo, ouviu Zepereira e constatou a origem do material bélico e a pujança de seu almoxarifado, abastecido com alimentos e remédios, para os 2 mil homens à sua disposição. De Princesa o repórter foi a Piancó para documentar as condições precárias das forças legalistas...

No regresso da missão o enviado esteve na Paraíba, vindo do Recife, para informar às autoridades paraibanas sobre o que vira e ouvira dos grupos opostos. A foto com a presença do jornalista, aconteceu no jardim da residência do Presidente, na praça da Independência, publicada no blog de Pedro Marinho, no ano passado, o mais lido dentre os 10 mais importantes na especialidade.

A matéria divulgada no Rio de Janeiro fora reproduzida em outros matutinos do Brasil e assustou o Presidente Washington Luiz, a reação da Aliança Liberal, no Congresso. Cinco (5) meses se passaram e a vitória não se confirmava, nem para um lado ou outro. O envio do armamento, com o aval da Presidência da República, fora proibido. Por temor, a ajuda logística dos Estados de Pernambuco e Ceará, teve suspensão. O RN negou a passagem do grupo de Zepereira por seu território para, na capital, desautorizar seu Chefe de governar o Estado.

Só restou a Zepereira, João Suassuna e o Presidente Estácio Coimbra-PE, reunidos em São José do Egito-PE, pedirem arrego para ensarilharem as armas. (Um portador enviado a José Américo, em Piancó, dera a notícia do encontro). Epitácio seria o mentor da decisão, porém, o 26 de julho de 1930, fechou o ciclo fratricida.

Tardiamente o Presidente Washington Luiz mandou força para Princesa. A Revolução de 3 de outubro, deu outro destino à Paraíba, com a ascensão de uma figura exponencial de maior relevo – José Américo de Almeida.
Lourdinha Luna – Memorialista.




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