O dia em que dinheiro voou na Paraíba - Tião Lucena




Não sei fazer análise profunda. Nem literária, nem médica, tampouco jornalistíca. Deixo para os especialistas. Mas ouso botar o dedo nessa querela Cássio/Ricardo Coutinho.
O senador Cássio vive a sonhar com uma vingança. Ele não perdoa Ricardo Coutinho por ter colocado uma mancha no seu currículo de seguidas vitórias. Criado para vencer e convencido de que jamais perderia, Cássio descobriu que não era imbatível. E foi derrotado por aquele que ele menosprezava e alardeava de ser sua cria.

Por isso, passa as 24 horas do dia pensando em Ricardo Coutinho. Pensa para dormir, sonha com ele e acorda pensando nele.

Hoje, por exemplo, convocou parte da imprensa que comunga com suas idéias de grandeza para, segundo disse, prestar contas de suas atividades parlamentares. Foi um café da manhã. Ouso achar que meu amigo Rubão não foi convidado, porque faltou a divulgação, no seu blog, do cardápio consumido.

Pois bem, em vez de enumerar suas conquistas e lutas, Cássio passou o café inteiro falando do que mais gosta: de Ricardo Coutinho. Criou até uma hashtag intitulada “julga TRE”, para por em dúvida, publicamente, a imparcialidade dos juízes que compõem a Corte Eleitoral.

Como o senador tem telhado de vidro, logo viu aparecer na imprensa outra hashtag com a sugestão “julga STF”, referindo-se ao inquérito que dorme no Supremo desde 2007 e trata do caso do dinheiro voador.

Vocês lembram desse caso?

Se não lembram, eu refresco a vossa memória.

Há, na Epitácio Pessoa, um opulento edifício chamado Concord. Nele, um empresário chamado Olavo Cruz, hoje assessor de gabinete de Cássio, foi flagrado com uma montanha de dinheiro destinado a comprar votos para a campanha à reeleição de Cássio Cunha Lima. A Polícia Federal bateu em cima e Olavinho, na tentativa de se livrar da polícia, jogou pela janela do edifício a bagatela de 400 mil reais. Foi nota voando pelos ares, transformando o céu de João Pessoa num imenso cifrão.

Lá dentro do escritório foram encontrados mais dinheiro e documentos comprovando que era numerário para gastar na campanha de Cássio.

Pois bem, esse episódio motivou a abertura de um inquérito que mais tarde foi remetido ao STF em razão da eleição de Cássio para o Senado.E permanece lá, sob a relatoria da ministra Rosa Weber, desde 2007. Dia cinco último foi mandado ao Ministério Público Federal para emissão de parecer.

Pois veja bem, leitor amigo, o senador Cássio, que pede celeridade ao TRE, sequer menciona o seu inquérito no Supremo. E olhando os dois casos, acho que o caso cabeludo não é o do Empreender que gastou dinheiro com gente carente. Cabeludo é o caso do dinheiro que criou asas e escandalizou o país.




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