Os coiotes da Câmara agiram de madrugada, quando seus caçadores dormiam e o povo não vigiava seus galinheiros - Gilvan Freire



 
Mamífero da família dos canídeos, parente próximo dos cachorros e das raposas, perecidos demais com eles, os coiotes são animais sagazes que se alimentam de caças, carnes e carniças . Pequenos animais ferozes, os coiotes saem à noite em bandos, as matilhas, e, se alguma pessoa se aproxima, eles atacam.

Foi na madrugada desta quarta-feira que deputados federais, fora dos holofotes atentos da grande imprensa livre do país, a mesma que descobriu os esconderijos e raposais desses animais caninos que transformaram os cofres públicos em carniça nos últimos tempos, prepararam armadilhas para pegar seus caçadores.

É verdade que galinhas não devem descansar no galinheiro enquanto as raposas se reunem em seu território, assim como caçadores de coiotes não podem relaxar em sua guarda quando as matilhas estão rondando sob cerco e amedrontadas diante da ameaça de extermínio.

Mas, daí a se admitir que a maioria parlamentar na Câmara Federal possa agir, mediante selvageria legislativa , no sentido de encurralar promotores e juízes encarregados de limpar o próprio parlamento de suas carniças internas e higienizar o país de sua imensa e insuportável fedentina, é demais da conta.

Esse espetáculo deprimente de uivos madrugais e festa noturna, como se fossem as penúltimas coisas a serem feitas pelos caninos em suas agitadas matilhas atacadas de morte, é um ritual mal-assombrado e arrepiador. Mas as povoações indefesas se levantarão a favor dos caçadores, e não dos coiotes.




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