Domingo, o dia em que RC vai saber se valeu a pena fazer o que faz, ou só sobrou reprovação pelo que tem feito - Gilvan Freie



 Dois dias separam RIcardo Coutinho de seu destino político incerto, como incerto é o destino de todos os homens. No caso de RC, porém, seu próprio destino é um projeto concebido por ele mesmo, tão bem elaborado e perfeito que parece obra de uma autoridade superior, que não é outra senão ele, o criador de si em pessoa.

De tanto ser autoridade superior em tudo e de pensar e realizar sozinho o tudo que pensa sozinho, RC chegará a um ponto em que terá de dar de conta de tudo que os outros esperam que ele resolva sozinho. É uma tarefa e tanto para um homem só.
Nestas eleições do domingo, que serão o teste dos noves fora, RC terá de demonstrar que não é apenas o deus de si mesmo, mas também o deus de milhares de pessoas que atribuíram a ele a capacidade de pensar por elas. De milagreiro e santo, pode virar uma divindade de carne e osso.


Ganhar a eleição em João Pessoa, onde desafia adversários poderosos e onde colocou no imaginário coletivo o seu retrato acima da foto da candidata oficial, para passar a ideia de que a disputa é entre ele e seus opositores, é certamente um teste de fogo, daqueles que separam o inferno do Céu, ali nas imediações do purgatório.
Mas não é somente na Capital que RC precisa ganhar para não decrescer diante do futuro próximo, precisa vencer no grande cinturão metropolitana e em Campina Grande, núcleos com quase um milhão e meio de votos. Mais : precisa vencer pesquisas e prognósticos que desafiam a sua soberba e sua superior autoridade.
Enfim, RC, um líder fecundado na grande metrópole, nascido para habitar o Olimpo e derramar a partir de lá seus poderes e encantos sobre a planície e o povo, corre o risco de virar o rei dos rincões, mais pobres e menos habitados, onde só a humildade reina no lugar da soberba.





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