"Separaram-se depois de vinte e seis anos de casados? Ah, agora que não acredito mais no amor!" - Leila Araujo



 "Separaram-se depois de vinte e seis anos de casados? Ah, agora que não acredito mais no amor!"

Com uma ou outra variante, tenho lido e ouvido coisas parecidas, obviamente por conta da separação de Fatima Bernardes e William Bonner.


Devo dizer que acho o raciocínio meio mocorongo.


Ora, SÃO VINTE E SEIS ANOS juntos! Esse tempo todo, por si, deveria ser prova inapelável da existência do amor, de que a crença nesse sentimento deve ser mantida e fortalecida.


Provavelmente, a jornada amorosa daquele casal, como de tantos outros, tenha encontrado um final e/ou (o que é mais provável) o sentimento tenha-se transformado, sem necessariamente virar algo negativo.


Mas o fundamental aí é que uma história dessas serve muito mais para reafirmar e mesmo reiterar a grandeza desse sentimento do que para refutar sua existência.
Sim, claro que às vezes idealizamos o amor eterno, mas a verdade é que ele raramente existe. Porém, sua não-eternidade não faz com que seja menos intenso ou, pior ainda, inexistente. É meio bocó (para ser bonzinho) colocar sentimentos humanos complexos nessa coisa de 8/80.


Fora que o amor mesmo, sem deixar de ser amor e sem deixar de ser uma relação a dois, também tende a transformar-se de maneiras igualmente bonitas: paixão extrema quase loucura, paixão amena, companheirismo confidente, amizade irredutível etc. A vida é feita de processos e etapas e, quando a vida é a dois, suas quantidades aumentam exponencialmente.


Então, é meio tosco acreditar que o final de uma relação, tanto mais depois de vinte e seis anos, significaria um sinal de fracasso do amor. Parece ser o extremo oposto. E isso também vale, aliás, para relações mais curtas.


Amor não é ciência exata. Nem costuma ser idêntico àquele produzido ficcionalmente para agradar aos anseios de leitores e telespectadores. E idealizar algo ao extremo, no fim das contas, pode ser uma maneira engenhosa e inconsciente de fugir dessa mesma coisa; clássica auto-sabotagem.




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