CLEMENTINO GOMES PROCÓPIO - Camilo Macedo



 NOMES QUE FIZERAM E FAZEM A HISTÓRIA DA PARAÍBA - Autor - Camilo Macedo

CLEMENTINO GOMES PROCÓPIO -

O Professor Clementino Procópio, foi um dos grandes baluartes da educação campinense, mesmo não sendo natural da cidade. Oriundo de Bom Jardim, Pernambuco, Professor Clementino Procópio como ficou conhecido, nasceu em 06 de março de 1855. Seu pai era Lourenço Gomes Procópio e sua mãe, Maria Francisco de Brito. Fez Seminário em 1874, porém, não seguiu na Igreja. Morando em Taperoá-PB, veio para Campina Grande no ano de 1877, após uma grande seca ocorrida na Paraíba.


Em Campina, fundou a 05 de julho de 1878, o Colégio São José, localizado a Rua Dom Pedro I, onde hoje se localiza o Quartel de Polícia no Bairro de São José. Como disse Epaminondas Câmara em seu livro Datas Campinenses, “o colégio funcionava sem conforto, fora da cidade”, demonstrando como Campina Grande ainda não era tão grande assim. Todavia, o estabelecimento de ensino marcou época durante mais de 30 anos, sendo alicerce de educação para vários alunos de peso da sociedade paraibana, a exemplo de Argemiro de Figueiredo, Mauro Luna, dentre outros. O jornalista Eurípedes de Oliveira, ex-aluno de Clementino Procópio, relatou em crônica ao Jornal da Paraíba cujo texto, André de Sena transcreveu no livro “Eurípedes Oliveira, jornalista e construtor de Açudes”:


“O mobiliário escolar se compunha de uns bancos de madeira para grupos de cinco ou mais alunos conforme a freqüência. Num dos cantos lá do fundo estava uma jarra com água e alguns copos de flandres. A classe mais adiantada ficava sentada diante de uma mesa larga e comprida onde fazíamos nossos trabalhos de escrita logo que chegávamos. O professor sentava a sua cabeceira, pondo diante de si a palmatória.
Poucas semanas depois eu recebi, cheio de orgulho, o lugar de decurião. Era o premio ao aluno mais cuidadoso e tinha o privilégio de ficar respondendo pelo professor nas suas raras ausências da sala... Começamos as aulas fazendo a escrita ditada ou copiada e nela mesma fazíamos a análise gramatical dum trecho marcado. Depois, enquanto o professor corrigia as escritas, ficávamos estudando as lições do dia... Terminada a correção da escrita ele fazia a chamada. Um a um, íamos receber as notas. Se fosse má, estirávamos a mão e recebíamos dois bolos de palmatória; péssima, receberíamos quatro a teríamos que refazer tudo de novo. Se estivesse certa, ele marcava outra para o dia seguinte.


Depois da escrita era a vez das lições decoradas. Entregávamos o livro com a lição marcada do dia anterior e ficávamos diante dele (Clementino Procópio), de pé, com os braços caídos ao longo do corpo e recitávamos todas as palavras ali impressas, sem esquecer pontuação, notas ou exemplos. Terminada a prova, os bolos de palmatória, dois ou quatro, conforme a nota recebida e voltávamos a estudar até saber recitar tudo na ponta da língua; ás vezes ele voltava às páginas e apenas dizia as primeiras palavras do trecho que nós teríamos de continuar recitando para provar que não tínhamos esquecido as lições anteriores.


Aos sábados havia a sabatina. A classe formava um círculo, ele ao centro, com a palmatória nos joelhos, contava salteado, ora para um, ora para o outro lado, a fim de nos manter atentos a perguntava: o que é verbo? Ou, quantos são os pontos cardeais? Diga a regra para extrair uma raiz quadrada. Onde fica o Cabo da Boa Esperança? Qual é maior, um ângulo agudo ou um ângulo obtuso? Se o aluno titubeava, ele apontava para outro dizendo: ‘ adiante, adiante, adiante, adiante!’, até encontrar quem desse a resposta certa.


Então ele entregava a palmatória e o acertador corria a fila e dava um bolo em cada um dos que estivessem errados. Ai dele, se por descuido ou camaradagem desse um bolo pequeno; ele [o professor] tomava a palmatória e lhe dava um bolo exemplar para não dar mais bolo de compadre. O esforço era grande, pois ninguém gostava de apanhar e era preferível estar preparado para dar em vez de sofrer. Nas nossas reuniões, fazíamos as contas e os que mais davam apontados como bons alunos (...)” (SENA,1999, p.39/40)” Antes de adentrar ao Século 20, Clementino Procópio se envolveria em confusão com o Presidente do Estado da Paraíba. Clementino Procópio também se envolveria com a política, sendo membro do Partido Conservador e exercendo também o jornalismo político.


Este fato inclusive, influenciou seu filho Severino Procópio, que seria prefeito de Campina Grande por duas ocasiões. O dia 27 de maio de 1935 marcou o falecimento de Clementino Procópio. Foi alvo de várias homenagens na cidade, inclusive de Argemiro Figueiredo seu ex-aluno, que na época era o Governador do Estado. Mauro Luna, outro aluno, no dia do enterro disse a seguinte frase: “Clementino preparou espíritos capazes de conviver com o futuro”.Segundo Moacir Andrade em seu livro Vultos Paraibanos, “a banda de música posta em frente ao Cine Fox, tocou uma marcha fúnebre, e dois mil escolares formados, receberam o velho mestre inanimado com silêncio profundo”. Clementino Procópio foi sepultado no cemitério do Monte Santo, com todas as honras merecidas. Atualmente, uma das principais praças de Campina Grande se chama “Clementino Procópio”.




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