A OAB fez a curva - Gilvan Freire



Já passava do tempo. Eram manifestamente evidentes os descaminhos que a OAB tomava sob o domínio de Odon Bezerra, ao mesmo tempo grande líder dos jovens advogados – surgido nos últimos tempos com a marca de xerife dos consumidores e forte inserção na mídia – e feitor desatento às responsabilidades sociais da velha Ordem, uma Instituição que esteve sempre de prontidão em defesa dos direitos e interesses da sociedade, contra o poder do arbítrio, a tirania e a opressão.

Odon, de tão leniente e encantado com o prestígio da presidência junto aos poderes do Estado e as autoridades de plantão, esqueceu de perguntar aos advogados o que eles pensam sobre os compromissos da Entidade com o Estado de Direito e a Cidadania (ou seja: com as causas do povo), já que menos interessante e de menor valia são os interesses individuais, profissionais e políticos dos lideres dirigentes.

No Estado, sob os olhos murchos da OAB atual, que se transformou numa entidade entreguista e ausente dos grandes debates que envolvem o interesse público, as organizações e movimentos sociais estão sendo esmagados, as entidades classistas são açoitadas, direitos individuais e coletivos são desconsiderados, e os poderes instituídos sofrem retaliações financeiras para, sob a opressão e o medo, submeterem-se ao agachamento servil. E onde esteve a OAB? – calada, silenciosa, ao lado da opressão, quando não, pontualmente, a serviço dos opressores, para preservar conquistas políticas, pessoais ou profissionais e familiares de seus lideres. Um horror!

CARLOS FREDERICO – Pode-se dizer que a única virtude da passagem de Odon pela presidência terá sido a eclosão de um movimento silencioso de insurreição contra a sua administração distanciada dos objetivos históricos da OAB e a desenfreada tentativa de criar um poder de mando de viés continuista, no melhor estilo político dominante. Outro horror!

Neste sentido, CARLOS FREDERICO surge como um líder novo de grande desenvoltura, demonstrando enorme capacidade de aglutinação e mobilização, além de ser um advogado muito bem sucedido no mercado profissional. Fez uma campanha moderna, plástica, movida pelos mais eficientes recursos da mídia, possivelmente os elementos que mais se exibiram pelo excesso e a seu desfavor, afora a mística política, que terminou invadindo a sua biografia, granjeando, conjunturalmente, o sentimento anti-petista. Mas, mesmo que Fred tenha garantido a muitos advogados que não seguiria o modelo amorfo de gestão de Odon, isso não convencia muito, pois pareciam padrinho e afilhado. Foi por isso que ele tombou, e pela ostensividade do poderio econômico que parecia representar seu estafe de apoio, passando a impressão de “igrejinha” e “panelinha”, baseadas em grupos de elite profissional, ferindo os brios do “baixo clero”.

PAULO MAIA – A OAB do Brasil também não é mais a mesma dos tempos da Ditadura e da Resistência Democrática, onde pontificavam os mais intimoratos advogados do Brasil, os mais cultos, sábios e dignos, a exemplo de Raimundo Faoro, só para citar um deles. Tempos em que gritavam juntas OAB, CNBB e a Associação Brasileira de Imprensa, de Barbosa Lima Sobrinho, o invencível.

Mas a eleição de Paulo Maia tem essas características de resgate da identidade histórica da OAB e do fim do modo continuista que vinha sendo engendrado com abusos de toda a natureza, inclusive com o tráfico de influência de forças estranhas à Ordem e relações poucas republicanas entre pessoas interessadas em troca de favores carimbados. Assim como a surpreendente eleição da FPF, a eleição do Clube dos Oficiais da Polícia Militar, Sindifisco e outras organizações de classe, a vitória de Paulo Maia premia as categorias de base e os lideres emergentes de padrão moral e profissional à moda antiga. Pelo menos, a OAB da Paraíba fez a curva antes do abismo.





Comentários


Comentar


Sidebar Menu