A morte de Paulo Brandão - Tião Lucena



Já falei sobre a morte de Paulo Brandão, o jovem empresário do Sistema Correio da Paraíba assassinado com mais de 20 tiros num distante 1984. Volto a falar, depois de ouvir Camilo Macedo contar que foi o primeiro, e talvez o único, a ver Paulo Brandão dar o último suspiro.

Como já disse, e se não disse, digo agora, somente no dia seguinte ao crime soube da morte de Paulo. Nesse tempo trabalhava no Correio e me dirigia ao jornal, quando o rádio do carro informou sobre o local do velório e a hora do enterro. Tive um choque, corri para o Sistema, a Rua Pedro II onde o jornal funciona até hoje estava lotada de gente do povo e de autoridades.

E o que Camilo contou? Melhor transcrever o que ele me disse:
“Era 13 de dezembro de 1984 - Havia comprado uma moto na cidade do Recife, ao retornar, já no distrito industrial de João Pessoa, observei um cidadão que vagava circulando um veiculo, que parecia sinistrado. Incontinente, parei a moto, e corri em socorro das possíveis vitimas.

Mataram Dr. Paulo!, alguém gritou. Naquele instante não liguei as pessoas, corri pela porta direita, e vi Paulo Brandão um pouco curvado para o banco do passageiro, completamente ensangüentado.

Um revolver dormia numa cartucheira pregada na perna direita. Seus óculos em aro, pendiam em seu rosto, preso apenas por uma das pernas. Retirei um pequeno cordão de ouro do seu pescoço e o entreguei ao cidadão que já havia se identificado como vigia da fabrica. Pessoas se aglomeravam em torno do sinistro.
De pronto perguntei: Foi acidente ? O homem me respondeu assustado, não !
Tiramos seu corpo imóvel do veiculo, deitando-o ao solo.

Lembrei de ligar para Luiz Otavio, peguei a moto e corri para o Posto da Gauchinha. Ali havia um orelhão. Liguei sem sucesso, pois ele a noite não costumava atender telefone. Saí em disparada até o Jornal Correio. Em lá chegando, perguntei por Roberto Cavalcanti. Havia noticias que ele havia ido a uma reunião no Colégio Pio X. Dei a notícia da morte a Zé Fernandes e a Luiz Otávio, que estavam no jornal. Sai com os dois para o Pio X. Chegando la, vi Zé e Luiz se aproximarem de Roberto e também vi quando ele, Roberto, levou as mão ao rosto e afastou-se com Zé e Luiz Otavio.

Voltamos ao local do crime. Lá já se encontravam dezenas de pessoas,vários policiais civis e militares, além do próprio Secretário de Segurança , Fernando Milanez.

Andando de um lado para o outro e acendendo um cigarro atrás do outro, disse meu compadre Luiz Otávio: -Vê com o Secretario, cadê a porra desse pessoal do IML!?
Me dirigi ao Secretario a questioná-lo pela demora do rabecão. Ele Fernando disse... Tem razão Vereador, não havia percebido, e determinou via radio, a imediata vinda da pericia, que chegou dali a pouco, fez o levantamento do local e levou o corpo para o necrotério do IML.”




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