A educação dos nossos jovens – II - Bira Delgado




Está tão difícil encontrar pais que tenham firmeza nas decisões em prol dos filhos que é até um colírio ler o que o meu ex Professor Içami Tiba escreveu... Hoje todos acham que qualquer rigor vai "traumatizar" crianças e adolescentes, como coisa que há 30, 40, 50 anos atrás as crianças não tivessem regras infinitamente mais rígidas - e sobreviveram sem sequelas. Só em casos extremos, onde crianças eram completamente tolhidas em seus direitos e às vezes até agredidas covardemente (o que é diferente da necessária disciplina básica baseada na autoridade sem uso de força), é que alguma criança de épocas passadas restou "traumatizada". Ou então é porque a criança tinha problemas de outra ordem. A vantagem de agora é que é possível combinar elementos de disciplina com uma grande interação, adequando e flexibilizando coisas na medida do possível. Mas dialogar, adequar e flexibilizar não deve (ou não deveria) se constituir em dar a palavra final para crianças, uma vez que só adultos têm condições de visualizar e antever problemas que comprometam a saúde e/ou a segurança delas. Sua filha seguramente não vai ficar "traumatizada" por perder acesso a redes sociais. Vai é se transformar em uma mulher muito inteligente, apreciadora de literatura, arte e cultura em geral. Possivelmente mais humana, inclusive. E um dia pode ter certeza que ela vai te agradecer muito por teu zelo.

GERAÇÃO ZAP – DO LIVRO – QUEM AMA, EDUCA – IÇAMI TIBA

As crianças já nascem com telas interativas diante dos olhos. Em vez de olhar pela janela, que não oferece atrações participativas, exceto a possibilidade de jogar objetos nos passantes, vêem telas na sua frente.

Enquanto dá certo, permanecem no jogo; quando não conseguem superar obstáculos, em vez de fazer novas tentativas pegam outro. Simplesmente mudam de tela. Todas as crianças fazem isso. Descartam jogos difíceis e preferem brincar com aqueles em que vão melhor.

Daí resulta o grande problema dessa geração: a incapacidade de lidar com frustrações, que se transpõe para os relacionamentos sociais. Se não dá certo com uma pessoa, as criancinhas a agridem, deixam-na de lado, buscam outra. Descartam-na como se fosse videogame.

Púberes e adolescentes agem da mesma maneira ao “ficar” com alguém. Enquanto interessa, estão juntos; do contrário abandonam a pessoa sem saber o nome da “zapeada”. É o que tenho ouvido dos ficantes

E, assim, a geração zapse acostuma à quantidade e à su perficialidade. Esta, aliás, é uma das tendências do mundo moderno que mais prejudicam a sociedade. Pessoas descartam umas às outras. Pais abandonam filhos com facilidade. O que vale é satisfazer o objetivo pessoal. Reina o individualismo.

As grandes empresas descartam pessoas como se fossem máquinas de produzir. Em vez de investir, educar, preparar, melhorara formação e dar treinamento, é mais fácil trocar e pagar um salário mais baixo. Há muita mão-de-obra disponível, prega a cartilha do capitalismo selvagem.

Pessoinhas fazem seu capitalismo pessoal. Vangloriam- se de quanto namoraram e beijaram. Serial kisses. Abandonam quem não as satisfaz e passam a agir como piratas, extraindo o máximo que podem de pessoas e situações. Terminado o saque, mudam de alvo. Não preservam o quarto, o local de trabalho, a família. Detonam tudo pelo caminho.

Mas nem tudo está perdido. Quando há amor, capacitação e boa vontade, o rumo da história pessoal pode ser melhorado.
Morreu na noite deste domingo, aos 74 anos, o escritor e psiquiatra Içami Tiba. O professor/escritor estava internado desde o início do ano no Hospital Sírio- Libanês, em São Paulo.

Içami Tiba nasceu em Tapiraí SP, em 1941. Formou-se em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em 1968 e especializou-se em Psiquiatria no Hospital das Clínicas da USP. Por mais de 15 anos, foi professor de Psicodrama de Adolescentes no Instituto Sedes Sapientiae. Foi o Primeiro Presidente da Federação Brasileira de Psicodrama em 1977-78 e Membro Diretor da Associação Internacional de Psicoterapia de Grupo de 1997 a 2006.


PRINCIPAIS LIVROS QUE ESCREVEU:

Sexo e Adolescência, Editora Ática, 10ª- ed., 1985.
Puberdade e Adolescência, Editora Ágora, 6ª- ed., 1986.
Saiba Mais sobre Maconha e Jovens, Editora Ágora, 6ª- ed., 1989
123 Respostas sobre Drogas, Editora Scipione, 3ª- ed., 11ª- impr., 1994.
Adolescência, o Despertar do Sexo, Editora Gente, 18ª- ed., 1994.
Seja Feliz, Meu Filho, Editora Gente, 21ª- ed., 1995.
Abaixo a Irritação, Editora Gente, 16ª- ed., 1995.
Disciplina, limite na medida certa, Editora Gente, 72ª- ed. 1996
O(A) Executivo(a) & Sua Família - O Sucesso dos Pais Não Garante a Felicidade dos Filhos, Editora Gente, 8ª- ed., 1998.
Amor, Felicidade & Cia., Editora Gente, 7ª- ed., 1998.
Ensinar Aprendendo, Editora Gente, 24ª- ed., 1998.
Anjos Caídos - Como Prevenir e Eliminar as Drogas na Vida do Adolescente, Editora Gente, 31ª- ed., 1999.
Obrigado, Minha Esposa, Editora Gente, 2ª- ed., 2001.
Quem Ama, Educa!, Editora Gente, 160ª- ed., 2002.
Homem-Cobra, Mulher-Polvo, Editora Gente, 26ª- ed., 2004.
Adolescentes: Quem Ama, Educa! - Integrare Editora, 38ª ed., 2008.




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