Ricardo Coutinho e o Ministério Público Eleitoral - Tião Lucena




Leitor do blog faz reparos, justos por sinal, a um artigo que publiquei ontem acusando o senador Cássio de renegar seu passado e desmentir a si próprio, quando, derrotado nas urnas, tenta um terceiro turno para assumir o Governo da Paraíba no tapetão. Esclarece o leitor, cujo nome preservo para evitar exposição desnecessária, que o Ministério Público Eleitoral também está na briga pela cassação do governador.

E é verdade.

Das Aijes interpostas, mais da metade é da lavra do Ministério Público Eleitoral.
E o leitor pergunta:

Sendo a ação parida do ventre do Ministério Público, há quem se atreva a dizer alguma coisa contra?

O Brasil é pródigo em eleger ídolos intocáveis. O maior deles foi Pelé. O segundo é o Ministério Público.

Na ótica do Brasil,o Ministério Público não erra. E quem se atrever a dizer o contrário, que prepare o lombo para a rebordosa.

Eu me atrevo a dizer que às vezes o Ministério Público é injusto.

Em 2010, sem segundas intenções, devo avisar, publiquei no meu blog uma enquete perguntando ao paraibano quem ele preferia para ser o seu senador.Era uma enquete sem pretensões maiores além de movimentar o blog e motivar o leitor.Na enquete estava dito que aquilo não tinha valor ceintífico nenhum.

O moço do Ministério Público, porém, achou que eu estava cometendo hediondo crime e me acionou. O juiz singular me absolveu. O Ministério Público apelou para o pleno do TRE, alegando que eu precisava ser condenado para dar o bom exemplo. Perdi por um voto.Apelei ao TSE e lá meu processo foi incorporado a 45 outros que nada tinham a ver com o meu, o ministro julgou o da cabeça e lascou o resto.

Resultado: O Procurador da Fazenda Nacional me executou e estou sendo intimado a pagar uma multa de 80 mil reais, a preço de março de 2014, sob pena de, se não o fizer, passar de cidadão pagador de suas dívidas a um velhaco com o nome sujo, ter bens penhorados e ficar com minha conta bancária bloqueada.

Faço um parêntesis: Antes de meu caso, a Justiça Eleitoral da Paraíba julgara Cássio Cunha Lima, cassara o seu mandato e lhe aplicara uma multa de 100 mil reais. Cássio não pagou a multa, a justiça não cobrou e a multa prescreveu.
E agora?
Devo achar que Cássio não foi cobrado porque é pobre. Eu, que sou rico, tenho que dar o bom exemplo. Pelo menos achou isso o ilustre representante do Ministério Público Eleitoral.
Por isso não acompanho a unanimidade que endeusa segmentos da sociedade e chama de demônios os outros segmentos. Todo mundo é humano e todo humano é feito de carne e osso.

Ricardo Coutinho incomoda muita gente. Ele é a antítese do político tradicional. Ele é diferente, e por sê-lo, não é digerido por quem estava acostumado a ver nos postos de mando o filho do coronel, o sobrinho do usineiro e o neto do latifundiário. Ricardo é filho de comerciante, vendeu leite nas portas de Jaguaribe para sobreviver e não precisou de pilastra familiar para ser o que é.

Na Paraíba, nós sabemos, essas qualidades são consideradas defeitos irreparáveis.Os coronéis tradicionais ainda têm poder desmedido nos limites dessa terrinha de muro baixo.





Comentários


Comentar


Sidebar Menu