Só tem graça se Lula entrar - Gilvan Freire




O povo brasileiro já descobriu que pode ser governado por um pobre. Também já descobriu que governo de pobres não toma nada dos ricos. Descobriu que no governo de Lula os ricos ficaram mais ricos e os pobres menos pobres. E o país ficou próspero.

Lula passou mais de uma década andando pelo país, perdendo eleições e aprendendo a governar. Matuto genial, Lula debateu o Brasil com os sábios de seu tempo, adquiriu conhecimentos e visitou vários países do mundo. Curioso como os nordestinos que vencem, Lula aprendia rápido para não mais esquecer. Mas, de modo muito especial, Lula não esquecia que tinha compromissos com o pagamento da divida social que o Brasil acumulava com os pobres e miseráveis. Pagou uma boa parte e criou mecanismos de governo para que essa dívida desumana e assombrosa continuasse sendo paga. Lula é o cara.

O país acostumou-se com Lula. Depois dele todos parecem menor do que ele. Mas o problema ainda não é esse. O problema é o lulismo, uma organização política integrada pelos pobres do Brasil e o PT do PT. Sim, o PT é só do PT, fira em torno de seus próprios interesses, nos últimos tempos interesses tão claramente escusos que fizeram do lulismo um movimento de risco, menos aceitável que Lula.

De tão grande, Lula abusou do tamanho e impôs Dilma ao povo brasileiro. O PT pensava à época em Zé Dirceu, mas Lula dobrou o partido e bateu o martelo. Alguém já pensou se o PT tivesse dobrado Lula e Zé Dirceu fosse o presidente? Imagine-se Zé Dirceu repetindo o sucesso de Fernando Collor e o PT substituindo a gang de PC Farias. Não seria a maior tragédia política brasileira?

O grande impasse hoje é que Lula ainda não é o candidato. Pode até ser ainda. Mas Lula atrofiou Dilma (que nunca teve talento para liderar), abafou Zé Serra, sepultou FHC e inibiu a criação de novos líderes. Todos se parecem diminutos diante de Lula, que passou a ser o padrão métrico do líder político do Brasil na atualidade.

O fracasso de Dilma como líder inventada em laboratório, deixa a eleição de 2014 sem um líder que lembre Lula, se é que ele não volta. Marina, a insossa, sem um mínimo de preparo para governar um país tão complexo e tão grande, tem a biografia e a simplicidade que lembram Lula. Ela vem do Norte, que divide com o Nordeste a condição de regiões com maior déficit social do Brasil – regiões atrasadas e desassistidas pelos governos.

Mas Marina nem de longe é Lula. Não tem seu carisma, seu preparo, suas intuições e sua inteligência bruta exuberante. Marina é só um risco, porque seu histórico de pobreza e resistência remete a Lula no imaginário coletivo. É muito possível que ela somente sirva para eliminar Aécio e levar Dilma de volta ao governo. O que é que a falta de líderes não faz? Mas pode ser também que ela ganhe pela mesma razão: a falta de líderes.

Marina chega em uma hora em que o povo está ofendido com os políticos. Aécio e Dilma são os melhores exemplos da classe política dominante, essa que não muda nada daquilo que o povo brasileiro quer mudar. Marina pode se transformar (isso não parece muito provável ) numa espécie de esperança desesperançada. Daí para se transformar numa onda de incerteza não custa. É como se o povo dissesse assim: vamos implodir tudo, jogar para cima e ver como fica. É o maior dos riscos. Mas não seria bem melhor ir buscar Lula de volta e implodir o PT na campanha? Sem os riscos de Marina, Dilma e Aécio, o país tem futuro. Isso é que se chama trilema. Já o quadrilema é Lula voltar com o PT a tiracolo.

Este artigo integrará o futuro livro:
‘PREVISÕES POLÍTICAS DE UM VIDENTE CEGO’





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