RC Coutinho entra no corredor polonês - Gilvan Freire




Procurar fazer sempre o bem e nunca fazer o mal a ninguém, eis a velha regra infalível adotada pelos cristãos de todo o mundo como remédio para alcançar uma vida feliz. Às vezes, a busca pelo dinheiro ou pelo poder leva os homens a acreditarem menos em Deus e mais nos dotes que têm, porque, efetivamente, o dinheiro e o poder fazem grandes coisas que os milagres não conseguem fazer com a mesma frequência. Por isso é comum que pessoas ambiciosas e devotadas às conquistas materiais e pessoais subestimem o papel de Deus. Muitos nem acreditam em Deus, tamanho o sucesso que obtêm apegados às suas crenças pagãs.

Mas quando têm uma necessidade que suas forças e atributos não conseguem vencer sozinhos, os materialistas recorrem a Deus, ou para se esconderem de empáfia fracassada, ou para enganarem a boa-fé dos cristãos convictos, desde que dos cristãos também precisem para salvar suas ambições. Ou seja, o materialista fracassado é um cínico, capaz de tudo para preservar seus interesses pessoais. Ele, até que precise do outro Deus, é um deus absoluto que se julga com poderes suficientes para conquistar sozinho o que mais precisa. É, em suma, um doente mental que se acha gênio, até que se ache perdido.

Claro que a regra acima não se aplica àqueles que não se acham Deus e nem acreditam nele, mas não transformam a vida numa guerra de cobiça pelo dinheiro e pelo poder, substituindo Deus por bens e prestígio. Esses são menos anormais, não têm fé nem crença, mas não são tão malignos à falta de grandes ambições. Se são ambiciosos, contudo, não têm pena de ninguém, desconhecem a felicidade e a vida dos outros. São capazes de tudo para não descer do pedestal aonde chegam sem o Deus dos que ficam logo abaixo.

Surpreende, porém, que homens extremamente vitoriosos, gênios revolucionários em várias áreas do conhecimento humano, se achem apenas simples servos de Deus, a quem atribuem suas grandes conquistas, inclusive de dinheiro e poder. Todos identificam a ação de Deus e de seus semelhantes na construção do sucesso, como se não fossem nada sozinhos. Estes são os normais.

Warren Buffett, gênio das finanças globais e o maior investidor de todos os tempos, despojado de qualquer vaidade e empáfia (mora na mesma casa onde sempre morou desde que era um homem comum e convive com os mesmos amigos dos tempos das vacas magras), esposando sua crença em Deus, diz que as maiores qualidades do homem são a caridade e a integridade, que ele mesmo prática à risca.

Ricardo Coutinho, com suas manias de deus único, arrogante, frio, sem caridade e sem amizades, sem se achar no dever de prestar contas a ninguém, e possuído da empáfia dos soberbos, está colhendo o que semeou. Chega ao ponto de não poder comparecer a um debate com seus auxiliares no governo (os servidores públicos), porque nunca os considerou como colaboradores da administração. Fez a eles (mais de 100 mil funcionários) e suas famílias, que totalizam indiretamente 500 mil pessoas, grandes males e causou imensos sofrimentos, mas agora seu destino e suas ambições estão também nas mãos deles e na vontade do outro Deus, o original.

Não há mistério: por que um governante de um Estado pobre e de um povo tão generoso e tão devoto de Deus sofre cerco tão grande para impedir que não permaneça no governo? Por que RC caminha para cadafalso de forma tão melancólica? O que há com o deus que está dentro de sua cabeça e move suas ambições que não lhe ouve e nem lhe socorre?


Este artigo integrará o futuro livro:
‘PREVISÕES POLÍTICAS DE UM VIDENTE CEGO’
E-mail: gilvanfreireadv@hotmail.com





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