Lambuzando com pouco mel - Virgolino de Alencar

 

Para quem nunca comeu mel, e só porque a colmeia do mercado despejou um pouco do produto, a preços caros, está se lambuzando, entusiasmadamente, observe o que tento mostrar a seguir:

O trabalhador brasileiro entrega ao governo, em impostos e contribuições, um valor equivalente ao salário recebido de janeiro a maio(5 meses em 12). Esses 5 meses de carga fiscal representa sobre os 12 meses de salário o incrível percentual de 41,66%.(O décimo terceiro, como prêmio de Natal e com descontos exclusivamente na fonte, não entra no cálculo).

Para piorar, o contribuinte não tem, em retorno, os serviços que paga e o governo não os oferece.

O dinheiro é empregado, de forma superfaturada, em coisas desnecessárias, padrão Primeiro Mundo, enquanto as demandas vitais vêm em doses quartomundistas.

O crescimento vegetativo do Brasil, que começou quando Cabral, desorientadamente, aportou na costa que ele pensava ser a das Índias Ocidentais, não poderia ser, 513 anos depois, o mesmo do primeiro dia do descobrimento. Com 200 milhões de habitantes, a estratificação de renda por classes de consumo é a mesma, percentualmente, de anos atrás.

O governo, para dizer que a classe média aumentou, inclui nessa categoria, absurdamente, uma família de quatro pessoas, onde tem 3 com emprego, ganhando cada uma R$ 1.100,00, o que dá renda familiar de R$ 3.300,00. É a classe média criada não pela economia, mas no forno estatístico do governo.

A verdade. Família que tem essa renda bruta, depois de descontados os encargos obrigatórios, fica com um valor líquido que a inclui na pobreza, sem direito a muitos produtos do moderno consumismo. Ou, se se mete a fazê-lo, entra no vermelho, no cheque especial com juros elevados, cai no endividamento e embarca num círculo vicioso de pagar dívida com dívida.

Isso é enganação, com características desumanas e portanto criminosas, à luz da obrigação que tem o governo com sua população. Juntando toda as famílias que ganham R$ 3.300,00, o somatório não chega nem perto do que o governo gasta com publicidade para tentar convencer que elas são classe média.

Lamento, comedores inocentes desse mel, mas todos são mesmo é classe abaixo da média.

Virgolino de Alencar





Comentários


Comentar


Sidebar Menu