Eu só queria entender - Tião Lucena

 

O leitor que acompanha os acontecimentos políticos da Paraíba deve ter notado que o governador Ricardo Coutinho se mantém em silêncio diante das especulações e declarações feitas tanto por gente que é tida como sua aliada, quanto por seus conhecidos adversários.


A saraivada de fuxicos se espalha, uns dizem o que antes não diziam, outros buscam um meio de justificar a mudança de hábito, mas o governador permanece silencioso, demonstrando uma tranqüilidade que inquieta os que desejariam vê-lo perder o controle.


O mundo paraibano passou a girar, de repente, em torno de um possível rompimento do senador Cássio com o governador. A estimular esse possível rompimento, entre os muitos que poderiam ser citados, estão amigos íntimos do senador, como o seu colega de Senado Cicero Lucena, o presidente do seu partido, Ruy Carneiro, e, pasmem os senhores, os tradicionais adversários de Cássio, Zé Maranhão e os irmãos Vital do Rego.


O senador Cicero vive anunciando a candidatura de Cássio de meia em meia hora. E não satisfeito, mete o pau na administração de Ricardo Coutinho.Ruy Carneiro idem, visita as cidades do interior dizendo que Cássio é candidato e que vai romper antes do carnaval.


Por incrível que pareça, nenhum dos dois foi desautorizado, até agora, pelo senador tucano.


Monta-se um cenário procurando justificar o rompimento. Querem forçar o governador a perder a calma e responder aos insultos, para assim ser encontrada a motivação que justifique o nem te ligo. Esse filme já foi rodado em outros cenários e deu certo. Só não está dando agora, porque Ricardo Coutinho, que não vê motivos para romper com seu amigo Cássio Cunha Lima, toca seu governo sem olhar de banda para esses disse me disse.


De pasmar mesmo é a solidariedade de Vitalzinho a Cássio. Logo Vitalzinho, que, não faz muito tempo, chamava o senador de oportunista! Mas faz parte do jogo, o objetivo é outro e para alcança-lo vale tudo, até perder a identidade e a coerência.
Aliás, estou pagando pra ver Cássio e o PMDB da Paraíba num mesmo palanque.Quero ver como se comportarão o senador tucano e o ex-governador Zé Maranhão, um sorrindo para o outro e ambos certamente esquecidos daquele processo que tomou o mandato de Cássio, tendo Zé assumido em seu lugar e ainda achado ruim, como ele mesmo demonstrava, dizendo na imprensa que Cássio lhe havia subtraído dois anos e meio de mandato.


E se for pra relembrar mais pra trás, que tal aquela convenção de 98, quando Zé fez barba, cabelo e bigode, tomou o PMDB de Ronaldo e ainda encurralou os convencionais num hotel de luxo em Natal, para não correrem o risco de um arrependimento?


Não custa lembrar, ainda, a briga do Campinense Clube, aquela que oficializou o rompimento dos Cunha Lima com os Maranhão, ainda recente na memória de todo mundo.


Vindo mais pra perto, quem não se recorda daquele grupo “dos 20 anos de atraso” sobre o qual Veneziano se referia toda vez que tratava dos Cunha Lima?
Claro que em política tudo é possível, até boi voar pode, mas admitir uma união do PMDB com o senador Cássio é tripudiar sobre aqueles que sofreram com ele, Cássio, durante os anos de cassação e o ano em que ele, embora eleito, amargou esperando tomar posse, enquanto Wilson Santiago desfrutava do mandato como se senador fosse.


Naquela ocasião Cássio não prestava, Zé Maranhão dizia que ele era o cão chupando manga e os rebentos do saudoso Vital do Rego consideravam o senador um imprestável. Passar uma borracha em tudo o que foi dito e achar normal é mangar desse povo que foi solidário a Cássio,que com ele sofreu e que ao seu lado festejou sua posse demorada e dolorida no Senado Federal.


Como o passado não pode ser apagado, veja aqui reproduzido um trecho de entrevista prestada por Vitalzinho ao PB Agora, quando a justiça de Campina cassou o mandato de Vené e ele, Vital, se preparava para disputar o mandato de senador:
“O processo relacionado à cassação do prefeito de Campina Grande, Veneziano Vital (PMDB), não deve atrapalhar a pré-candidatura do deputado federal Vital do Rego Filho, rumo ao Senado Federal. A projeção é do próprio parlamentar, que declarou nesta segunda-feira (19), durante entrevista a uma emissora de rádio, que a cassação do gestor não influenciará no resultado do pleito.

Na entrevista, Vital também aproveitou para rebater a postura "oportunista" de Cássio em relação ao episódio. Para o parlamentar, Cássio se utilizou da fragilidade momentânea de Veneziano, que dois dias depois foi recolocado no cargo. "A atitude demonstra apenas a falta de caráter do tucano", falou.
Dá pra entender essa mudança de conceito?





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