Eleição e mineração só depois da apuração - Chico Pinto

Uns dizem que a autoria é de Tancredo Neves, já outros afirmam, que se trata de um provérbio português, o certo é que ela deve ser levada em consideração por quem encara um processo eleitoral, desprovidos de paixões desregradas, prognósticos fictícios e adivinhações mirabolantes.


Estou me referindo à antológica frase que sintetiza que “eleição é como mineração: só depois da apuração”. O autor desta assertiva, simplesmente quis dizer, que numa disputa eleitoral o clima do já ganhou acomoda, produz frieza durante o processo eleitoral e pode muito bem trazer surpresas desagradáveis para aqueles que agem com soberba e não aguardam o resultado final das urnas.


Diferentemente desses otimistas, alguns cardeais do próprio PT, já admitem que a eleição presidencial deste ano vá para o segundo turno.


Alegam que “o cenário econômico ruim, o escândalo do mensalão e a expectativa do retorno dos protestos populares durante a Copa do Mundo fazem com que o governo federal, o PT e partidos aliados dêem como certo que a eleição presidencial deste ano só será decidida no segundo turno”.


E vão mais além quando analisam que se somam a esses fatores o desgaste da máquina do governo, que vai completar 12 anos sob o comando petistas, além do surgimento de novas candidaturas nunca antes testadas pelo eleitor em nível federal, como as do senador Aécio Neves (PSDB) e a do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).


“A disputa será muito difícil. Não temos expectativa de vencer no primeiro turno. Por isso, o patamar dessa campanha é vencer a eleição”, já admite Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, que num rompante de honestidade, afirmou em Porto Alegre, “que o modelo responsável por levar o PT ao poder exibe sinais preocupantes de desgaste”.


Diante de uma platéia de esquerda, a maior parte dela do PT, que não gostou nem um pouco do que ouviu, Gilberto Carvalho acentuou que “neste momento, nos damos conta que as conquistas importantes que tivemos estão dadas".


E acrescentou: "Foram importantes, mas absolutamente insuficientes. Tivemos um processo de inclusão social inegável e devemos nos orgulhar disso. Mas temos que reconhecer que foi absolutamente insuficiente”, desabafou diante do ranger de dentes daqueles incrédulos com a realidade.


Na mesma linha de pensamento o presidente nacional do PT, Rui Falcão, deixa claro que “não trabalha com a possibilidade de vitória no primeiro turno”. Dizem que o cenário também tem sido traçado pelo ex-presidente Lula nas conversas que vem mantendo com a direção do PT e aliados.


A arrogância tem sido a marca forte do PT desde que chegou com Lula ao poder federal em 2002, mas, diante da realidade e do cenário indefinido, é justamente o que faz com que Lula tenha orientado a presidente Dilma a, desde já, amarrar as alianças políticas, através da oferta de ministérios, para que nenhum dos atuais aliados possa trocar o PT pelas candidaturas adversárias.


Ou seja, um método espúrio de barganha, próprio daqueles que querem o poder a qualquer custo.

 

Para o presidenciável Aécio Neves, o segundo turno é certo. Indagado a respeito, disse que “quando não há uma convicção clara a favor da manutenção do governo, a população aposta no segundo turno. É o que vai ocorrer. O índice de aprovação do atual governo e aquele que aponta os que querem mudança indicam isso”, asseverou.


O certo é que mais de 60% dos brasileiros querem mudanças, conforme o Datafolha. Porém, fica a pergunta que vale milhões de dólares:


Mudanças com Dilma e o PT ou sem eles?




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