Sobre o parto da mulher sem teto - Tião Lucena



 Uma sem teto ganhou as manchetes dos veículos de comunicação de João Pessoa porque teve um filho no meio da rua. As fotos exibem a moça deitada no chão, com a criança adormecida sobre a sua barriga, ainda com o cordão umbilical.

Isso foi o bastante para freqüentadores(alguns gatos pingados, convém ressaltar) das redes sociais meterem o cacete no governo, culpando-o pelo acontecido.
Mas eu discordo em parte.
O governador Ricardo Coutinho, ou o prefeito Luciano Cartaxo, nenhum dos dois, em suma, mandaram a moçar abrir as pernas, fazer um filho e despejá-lo de forma irresponsável no mundo.
Ela perambula pelas ruas, é uma infeliz, como tantos infelizes existem por aí.
No caso da moça do parto a coisa é ainda mais diferente, porque ela não é daqui. Veio de Pernambuco, em busca do marido, ou companheiro, que está preso na Paraíba.
O rapaz é bandido e foi preso em ação. A moça ficou, com bucho e tudo, perambulando pela cidade de João Pessoa, aguardando o dia de visitar o pai da criança que carregava no bucho.
Não era tão sem teto como se disse, pois tinha dinheiro para pagar uma pousada existente no Varadouro.
Quando passou mal, estava na pousada. Não resistindo as dores, saiu do quarto e pariu na calçada.
Quando a ambulância da Cândida Vargas chegou, a criança já tinha nascido. Levada para à Maternidade, recebeu atendimento e passa bem, informam as enfermeiras.
Ela já é mãe de cinco, decerto recebe o Bolsa Familia e, com esse bucho, sejamos sinceros, quis mais aumentar mais a renda do que destilar sua infelicidade e miséria.
Claro, os que levam tudo para o campo da política, correram a culpar governantes pelo acontecido.
Mas nenhum deles se preocupou em ir ver a parturiente, seja na rua, seja na pousada ou na maternidade, para lhe emprestar um mínimo de solidariedade.
São apenas uns bocões, que falam dos outros enquanto escondem o rabo.
E o resto é bagaço que a porca chupa.
blogdotiaolucena.com.br





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