Permissividade política - Chico Pinto

 Verdadeira casa de “Mãe Joana” a administração pública brasileira. Enquanto o caos campeia e se alastra praticamente em todas as esferas do poder, o que prevalece hoje em dia, e merece mais atenção dos detentores de mandatos, são os conchavos e os acordos – na maioria das vezes anti-republicanos -, que visam tão somente à perpetuação no comando da máquina administrativa.

Os exemplos são muitos e diversificados e o pai de todos eles, sem nenhuma dúvida, é o famoso mensalão, um artifício saído das entranhas do então todo poderoso ministro da Casa Civil, José Dirceu, através de um instrumento de compra de votos no Congresso, que tinha por objetivo manter a todo custo o PT no poder.

Descoberta a permissividade política, o mensalão tomou conta do noticiário e, ainda hoje, se encontra no Supremo Tribunal Federal, aguardando que os réus envolvidos no escândalo cumpram de fato as penas já determinadas pelo justiça. Outro escândalo com as mesmas características ainda aguarda julgamento, só que desta vez, praticado pelo tucanato mineiro.

Enquanto os conchavos políticos campeiam em todos os quadrantes do país, o que se observa são as interrupções de obras públicas de muita valia para a população. Estão paralisadas, na sua expressiva maioria, por conta da negligência administrativa, do superfaturamento e do desvio de verbas.

Para não ir mais além basta somente direcionar o olhar para o Projeto de Transposição do Rio São Francisco, onde já se gastou bilhões de reais e, sequer uma gota d’água, até hoje, veio em socorro dos nordestinos, vítimas constantes da seca que assola toda a região.

Para se ter uma idéia da falta de compromisso com a população, o prazo original para a água do São Francisco ser desviada e distribuída era 2010, passou para 2012 e, hoje, a perspectiva de entrega já vai em final de 2015.


A propósito, no programa partidário do PT, exibido na última quinta-feira, na TV, o locutor deixa claro: “Enquanto muitos países estão parados, o Brasil é um dos cinco países com maior volume de obras em andamento”. No caso da transposição, em andamento desde 2007 – não há 50% concluído. Proselitismo que já custou ao contribuinte brasileiro mais de R$ 8 bilhões e a tendência é aumentar cada vez mais.


A transnordestina também vai na mesma pisadinha para deleite e satisfação das empreiteiras, que abocanham bilhões de reais, seja por necessidade de relicitação de contratos, adaptação de empreendimento ou descumprimento das construtoras. O passo da obra é de tartaruga, mas a roubalheira tem a velocidade de um alce pantaneiro. Apenas estes dois exemplos servem para ilustrar à falta de vergonha estampada na cara dos nossos claudicantes governantes.


Enquanto o descalabro se acentua cada vez mais, as consequências recaem no colo do contribuinte, principalmente daqueles da “velha classe média” que há muito tempo deixaram de contar com o governo, pois já se acostumaram a pagar por tudo, principalmente por uma consulta médica, escola, segurança, transporte público de péssima qualidade, entre outros tanto.

Mas, é bom lembrar, que não faltou verba para financiar com dinheiro público a bolha Eike Batista, onde foi queimado mais de 5,2 bilhões de dólares do povo brasileiro, tirados de forma desavergonhada dos cofres do BNDES. É a famosa concha que protege uma elite patrimonialista encastelada num excludente e perverso sistema econômico.


Para a pobreza sobram apenas migalhas e a política hostil ao interesse público!..




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