Caseiro mata patrão e simula um assalto.



 No início dos Anos 80, como delegado Regional na cidade de Guajara-Mirim, vivi diversas situações muito difíceis e uma delas foi o assassinato de um senhor já bem idoso e muito querido e respeitado naquela cidade, cujo nome era Rafael, também conhecido por Dom Rafaelito, uma pratica de tratamento pessoal, muito comum no país vizinho a Bolívia, ao se referir a pessoas muito respeitadas na sociedade.

Dom Rafaelito ficava entre sua casa dentro da cidade e boa parte do tempo num sítio de sua propriedade a alguns quilômetros rio acima da cidade de Guajará, cuja navegação Dom Rafaelito fazia num  barco a motor, muito conhecida naquela região como ‘voadeira.

Além dele, vivia no sítio em questão, um boliviano - cujo nome agora já não recordo, a esposa do mesmo e uma criancinha filha do casal. Certo dia, eis que o boliviano apareceu no porto da cidade num barquinho velho, trazendo o corpo de Dom Rafaelito, num barco ele trouxe até a cidade utilizando apenas remos, pois como explicou posteriormente na delegacia de policia, o barco a motor de Dom Rafaelito, havia sido roubado, daí a viagem num segundo barco que vivia ancourado no sitio.

No cartório da delegacia, tomei o depoimento do boliviano, depois de ele ser ouvido na Sevic pela equipe chefiada pelo experiente policial João Pomba e me convenci da versão que me apresentou, de que o sitio havia sido invadido por ladrões oriundos da Bolívia.

No interior do barco, para tristeza de todos que o viram chegar, o corpo de Dom Rafaelito, morto segundo ele, com um disparo de espingarda na cabeça, disparado pelos bandidos que invadiram o sítio e levaram todos os bens possíveis existentes na propriedade.

No cartório da delegacia ouvi o boliviano, depois de ele ser ouvido na Sevic pela equipe chefiada pelo experiente policial João Pomba e me convenci da versão apresentada pelo boliviano e o liberei, tendo ele seguido para velório de Dom Rafaelito na casa da cidade, onde ele chorava muito e repetia a todo momento para todos ouvirem: ‘Dom Rafaelito era um pai para mim‘ e chorava tanto que soluçava, impressionando parentes e amigos do morto.

Entre os muitos parentes e amigos no velório, um discretamente num canto da sala observava a todos e muito particularmente o comportamento do boliviano, pois diferente de mim e demais colegas ele o policial Waldeci Felix não tinha recebido muito bem a história narrada pelo empregado de Dom Rafaelito.

Logo cedo, na manha seguinte, recebo na minha residência o citado policial, que me revelou que não havia digerido bem a história e queria a minha autorização para conduzir aquele empregado do sitio e novamente ouvi -lo na Sevic, mas sabia que iria criar um tremendo mal estar, pois o suspeito era tão querido pela família do morto, que ainda na véspera ele, esposa e a criança receberam várias roupas novas, pois segundo ele no assalto tinham ficado só com a roupa do corpo.

Depois de devidamente autorizado ele Waldeci com alguns colegas seguiram para a residência do morto e todos já haviam ido para o cemitério, tendo a equipe seguido até lá e sem que ninguém percebesse retiraram dali o boliviano e o conduziram até a Delegacia, tendo Waldeci sozinho na Sevic com ele, passado a questionar a sua versão e depois de um bom tempo, em razão da experiência de Waldeci e sua paciência, finalmente o sujeito confessou o crime, pormenorizando, que junto com a sua esposa teriam forjado tal quadro, para que assim se apoderarem de todos os bens do patrão e levar tudo para vender na Bolívia.

Informou ainda o mesmo em sua confissão, que a marca nas duas costas tinha sido feita pela própria esposa, atendendo suas orientações, para assim a versão parecer real. Disse também que após a morte de Dom Rafaelito com a espingarda que ficava na fazenda, ele e esposa colocaram no barco, a arma do crime, mantimentos, ferramentas, redes de dormir, redes de pescas e outros utensílios e esconderam o barco num arbusto na beira do rio, para assim, depois de convencer a todos, inclusive a policia posteriormente levar tudo para a Bolívia e vender, retornando para a propriedade onde se deu o crime, onde iriam continuar trabalhando, em razão da confiança e amizade que exatamente havia adquirido junto aos familiares da vítima, principalmente junto ao filho mais velho Rafael, respeitado servidor do Basa - Banco do Amazonas S.A, Agencia Guajará.

Horas depois, já de posse da confissão do boliviano nos autos do processo, com ele devidamente preso preventivamente a meu pedido, encontrava com ele no meu gabinete, já que os policiais da Sevic haviam saído em busca do barco e pertences roubados, quando chegou ali o filho Rafael filho da vítima, que aliás, era meu velho conhecido dali mesmo da cidade.

O comissário ao adentrar no meu gabinete parecia assustado e me disse que a família de Dom Rafaelito havia descoberto tudo e que o filho Rafael, aparentando muito nervoso queria adentrar no gabinete a todo custo e eles os policiais naquele momento estavam em número bem reduzidos daí a intranquilidade deles policiais, quando então liberei sua entrada, mas disse ao policial que antes verificasse se ele Rafael, portava alguma arma.

Naquele momento o boliviano se encontrava a minha frente e de costas para a porta, quando mandei que trouxesse sua cadeira e se postasse sentado ao meu lado e ele bastante tremulo fez exatamente assim e ficamos aguardando a entrada de Rafael, que para minha surpresa, gritando muito, praticamente voou por cima da mesa para pegar o pescoço do boliviano e sendo ele um homem franzino e de pequena estatura, atravessei na frente e o segurei pelas mãos,fazendo-o sentasse e se controlar, e ele repetia: ‘Por que, por que, matar o meu velho pai, você tinha toda confiança dele e da família e o boliviano, escondido atrás de mim nada respondia ao desesperado Rafael, quando então determinei a retirada do criminoso do ambiente.

Já recuperado Rafael passou a contar a sua decepção e da sua família com a ingratidão, pois essa pessoa passava fome na Bolívia e a vítima acolheu e o ajudou sempre, pagando seu salário é lhe dando cestas básicas, que levava a cada viagem que fazia de Guajará ao sítio.

O amigo Rafael, não sei se ainda vive, anterior a a morte do seu querido pai, outro golpe terrível, ja havia ocorrido na sua vida, pois passeando numa voadeira com sua família, uma das suas duas filhas de apenas 4 anos de idade, caiu no rio e jamais foi encontrada.

Quanto ao policial Waldeci Félix, o seu exemplo de profissional e o amor ao trabalho, permitiu que um brutal assassinato não ficasse impune. Waldeci quem sabe algum dia, receb

Pedro Marinho – O dia que tive que ouvir em cartório um surdo-mudo

 

Ao tomar posse na Polícia, quando da transformação do território em Estado, confesso que me senti como um peixe fora d’ água, pois tinha apenas a formação oriunda da iniciativa privada como gestor de diversos hotéis na cidade de João Pessoa, um curso de graduação como bacharel em Direito e alguma prática como aprendiz em jornal diário e nada, além disso.

Ao tomar posse e sem muitas delongas, me foi entregue numa caixa contendo um revolver novo, seis munições e o documento funcional como delegado de polícia, além de um memorando para que me apresentasse no 3º Distrito Policial, onde ficaria como adjunto, para na prática aprender o difícil mister de como policial servir a coletividade.


Naquela unidade policial, já encontrei como titular o delegado Marcos Santiago e como adjunto o delegado Jório Ismael da Costa, ambos meus conterrâneos, sendo ali muito bem recebido por todos, delegados, agentes, escrivães e o pessoal administrativo.
Nos primeiros dias tendo como escrivão o excelente Manuelzinho, fiquei na sala do delegado Jório e ali acompanhava os depoimentos para assim aprender como fazer, o que perdurou por alguns dias, quando então, em determinado inquérito, Jorio se levantou da cadeira e mandou que eu ali sentasse e tomasse a termo em seu nome as declarações de uma pessoa. Confesso que foi um momento muito difícil, mas as duras penas consegui realizar a contento o trabalho que me fora confiado e a partir daquele dia, passei a presidir meus próprios inquéritos.

Certo dia o colega Jório se envolveu num acidente, pois abalroou uma bicicleta que tinha como condutor um surdo-mudo, que em razão do forte impacto subiu no capô do fusca e estraçalhou o pára-brisa do veiculo, sofrendo ele a vitima várias lesões, sendo socorrido para um hospital.

O inquérito sob a minha presidência vinha tramitando bem até o dia que tive que ouvir a vitima o surdo-mudo e ai o tempo esquentou, pois naquela época a língua brasileira de sinais Libra ainda era muito insipiente, pois se usava quase sempre a leitura labial, ou palavras incompreensíveis ditas pelo mudo. Por conta da dificuldade, nomeei então a irmã do mesmo como sua interprete, tendo em vista que ela em razão da convivência com o mesmo entendia muita coisa que ele balbuciava e iniciei a oitiva.

Cada pergunta que eu fazia ele o mudo se levantava para explicar e virava as cadeiras, derrubava o telefone, deitava no chão e até em cima da minha mesa, para explicar como tinha sido atingido pelo carro e rolado para cima do capô, a sua forma de se fazer entender era um verdadeiro horror.

Temeroso que até o final da sua oitiva, o mesmo terminasse destruindo toda sala do cartório, fiz que ele se sentasse junto de minha cadeira e fiquei e com uma mão manuseando o inquérito e com a outra segurando o mesmo por um dos seus braços até o final do depoimento, para que ele não se mais se levantasse, sendo realmente foi muito duro contê-lo até o final, quando sob risos de todos os presentes, finalmente exausto terminei aquele trabalho e pela primeira vez em um depoimento, foi como eu tivesse carregado um saco de cimento nas costas por muitos metros, pois além da preocupação em ditar para o escrivão, tinha ainda que usando moderada força segurar a irrequieta e escandalosa vítima. Para um noviço como eu, foi uma estréia exaustiva e surreal.

Histórias da Polícia XV

 Pedro Marinho - Humberto Morais de Vasconcelos e a apreensão do cinturão do delegado

Um episódio bem marcante da rudeza de Humberto Morais de Vasconcelos, se deu com o ex-delegado Cândido ( nome é fictício para preservar o ex-delegado) da primeira turma de delegados formada pelo Estado de Rondônia.
O delegado Cândido, era há bastante tempo delegado titular do 1º Distrito Policial na capital e certo dia com a sua equipe – quem sabe querendo mostrar serviço – saiu pelo Bairro do Mocambo, abordando todo muito e entrando nas casas, pedindo nota fiscal de tudo e na falta dela a nota fiscal aprendia televisão, rádio, bicicleta e tudo que via pela sua frente, tendo casos que o dono do imóvel estava assistindo a televisão e ele o delegado desligava a TV direto na tomada e mandava levar para as viaturas.
Em determinado momento, eis que vinha um cidadão trafegando numa bicicleta, quando então o delegado segurou no guidão da mesma e indagou: ‘Cadê a nota fiscal dessa bicicleta?”e como a pessoa não tinha ali tal comprovante, não teve jeito a sua bicicleta foi uma das apreendidas e também levada para a delegacia que ficou lotada de objetos.
O problema é que o cidadão que teve a bicicleta aprendida era vigia da residência da Secretaria do Planejamento Janelene Melo, uma pessoa com muito prestigio e que muitas vezes assumia o Governo do Estado nos impedimentos do Governador Jorge Teixeira de Oliveira, que aquela noite dormiu sem vigia na sua residência.
Logo nas primeiras horas da manha Janelene foi procurada pelo vigia que lhe narrou os fatos tendo ela imediatamente telefonado para o secretário Humberto, que bem constrangido lhe pediu mil desculpas e disse a mesma que iria resolver o caso imediatamente.
Ao desligar o telefone, Humberto aos gritos começou a chamar e apertar a campainha em cima da mesa, chamando os seus assessores que ficavam na ante-sala, para que localizassem sem perda de tempo o delegado Cândido, que deveria comparecer ao gabinete dele secretário, ordem imediatamente cumprida via serviço de rádio, já que o delegado se encontrava trafegando na viatura.
Ao receber o chamado para comparecer urgente ao gabinete do Secretário, Cândido engoliu em seco, pois todos sabiam que ser chamado por Humberto, com certeza coisa boa não poderia ser e bem constrangido ele seguiu para a Secretaria de Segurança e ao chegar na ante-sala seu aperreio aumentou ainda mais, pois foi informado que o secretário bastante impaciente já tinha perguntado por ele umas três vezes.
Ao adentrar cuidadosamente na sala e educadamente cumprimentar o secretário, Cândido não obteve nenhuma resposta, pois Humberto levantou a cabeça lhe fuzilou com o olhar e se levantando da mesa, segurou fortemente o cinto do delegado e gritava: ‘Cadê a nota, cadê a nota fiscal desse cinto? E Francisco atônito tentando se livrar do mesmo, respondia: Não tenho, não tenho. Quando então o secretário gritava: O cinto tá apreendido, o cinto tá apreendido, até que os ânimos se acalmaram com a chegada de outras pessoas para tirar o delegado daquela situação.
De volta a sua delegacia, Cândido encheu um caminhão de objetos aprendidos e foi devolver aos seus proprietários e nunca mais na sua vida profissional realizou rondas, até que certo dia para surpresa de todos. pediu exoneração e retornou para a sua terra.
Oportunamente voltarei com mais histórias do ex-secretário Humberto de Morais Vasconcelos.

Pedro Marinho - Secretário Humberto Vasconcelos é barrado na Delegacia de Guajará
Jesus Antonio de Oliveira Gomes
Certa feita chegando à cidade de Guajará-Mirim, já por volta das 20 horas, sem sequer dar uma boa noite ao comissário Jesus Antonio de Oliveira Gomes e aos demais plantonistas, o então secretário da Segurança Pública, com o seu jeito bem sisudo, já foi entrando para o interior da delegacia para assim vistoriar as instalações, quando então o Antonio Pescoção, como era mais conhecido, surpreso com aquela invasão foi logo dizendo: ‘Ei moço alto lá, para onde pensa que vai?”, Humberto diante do que acabara de ouvir virou-se e olhando feio para Pescoção, bradou: ‘Alto lá você rapaz, eu sou Dr. Humberto Morais de Vasconcelos, secretario de Segurança e, portanto seu chefe’. Pescoção não se deu por vencido e rebateu:; ‘Não o conheço, portanto se identifique, apresentando as suas credenciais, pois senão não vai entrar de jeito nenhum’.
Verificando que a parada estava bem difícil diante da dureza apresentada pelo policial Pescoção, Humberto com cara de poucos amigos, não teve alternativa outra alternativa senão apresentar as suas credenciais e com cara de poucos amigos, adentrar na repartição.
Na saída Humberto Morais para não se dar por vencido, de passagem e olhando de soslaio, disse para o comissário Pescoção: ‘Ei rapaz, aprenda a trabalhar, não gostei do seu jeito não‘, o que ato contínuo Pescoção, quem sabe até para desanuviar o clima respondeu: ‘Pois eu gostei muito do senhor, que é uma pessoa civilizada e obediente, tanto que até se identificou’.
Nem é necessário dizer que Humberto deixou a delegacia fumegando de raiva e Pescoção só escapou da degola que era muito comum na época, tendo em vista que não tinha cometido nenhuma ilegalidade ou insubordinação e sim cumprido de forma correta o seu dever como comissário plantonista.
Difícil foi no dia seguinte a tal acontecimento Antonio Pescoção se explicar ao Delegado Américo Abiorana, depois de ele Américo levar uma reprimenda logo cedo, chamado que foi ao hotel onde Humberto Morais estava hospedado.
Oportunamente voltarei com mais histórias do ex-secretário Humberto de Morais Vasconcelos.

 

 

 

 

 

Historias da Policia Civil XIV

 João Paulo das Virgens conta a sua terceira história na Polícia Civil - Kojak
No início dos Anos 80 o saudoso Claudionor Silva, o Kojak, foi reformado como cabo do Exército e o mesmo desejoso de ingressar na Polícia Civil, mesmo estando reformado ele diariamente vestia a sua farda do Exército e amanhecia no gabinete do Governador Jorge Teixeira, querendo solicitar a nomeação.
Quando o governador adentrava na ante-sala do seu gabinete sempre cercado de secretários e assessores, ele Kojak rapidamente se postava de pé juntava os coturnos e fazendo continência e gritava: ‘Pronto Coronel, cabo Claudionor se apresentando’, grito que muitas vezes até assustava o próprio coronel e as demais pessoas presentes.
O certo é que as visitas diárias que Kojak, fazia ao palácio do governo não surtiam efeito, pois sempre alegando falta de disponibilidade a secretaria do governador adiava a esperada audiência que Kojak queria ter com o governador, para então fazer o seu pedido.
Diante das dificuldades de ser atendido no gabinete governamental, Kojak então mudou de tática e passou a fazer plantão às 6 horas da manhã na frente da Casa do Governador no centro da cidade e ficava por ali conversando com Dodó motorista do coronel Teixeira, que quando aparecia KojaK devidamente fardado prestava continência e repetia o velho grito: ‘Pronto coronel, Cabo Claudionor se apresentando”, Jorge Teixeira, respondia a continência e deizia ao seu dispor e rapidamente adentrava no veiculo oficial e Kojak nunca conseguia falar direito com ele.
Esse cerco ao governador era diário e demorou meses, até que um dia ele Jorge Teixeira que já não aguentava mais, falou para o então secretário de Segurança Hélio Maximo, que arrumasse um emprego para ele Kojak na policia civil, pois ele o governador já não aguentava mais o cerco diário.
No dia seguinte chamado a SSP/RO, Kojac logo cedo apareceu fardado no gabinete do secretário e ao entrar juntou os pés e sapecou uma ‘Pronto comandante as duas ordens’, tendo então Hélio Maximo muito sisudo dito a ele: ‘Kojak você vai ser contratado, mas evidente não pode andar por ai com a farda do Exército exercendo uma atividade civil, portanto, você só deve vesti-la quando for participar lá no quartel de algum evento militar.
Mesmo sem receber a arma ou documento funcional, Kojak foi colocado para estagiar comigo e demais policiais da equipe, tendo alguns dias depois a equipe sido designada para ir numa diligencia atrás dos fugitivos da Ilha de Santo Antonio e lá em Jaci-Paraná ficamos a noite inteira escondido debaixo de uma ponte e pedindo que todos ficassem de forma mais discreta possível, pois sequer era permitido acender cigarros, para assim surpreender os fugitivos, Mas não tinha quem fizesse Kojak ficar quieto, pois não parou a noite inteira contanto historias que dizia ter vivido no Exército.
Perto do amanhecer resolvemos subir para a estrada e pouco tempo depois, eis, que alguns dos fugitivos apareceram num carro e então ocorreu intenso tiroteio, porém eles conseguiram furar o cerco e passaram por nós, ocasião em que eu e os colegas entramos na viatura e eu falei para o motorista Raimundinho motora, vamos rapidamente atrás dos bandidos, tendo o mesmo se recusado a dar partida no carro, pois Kojak na hora dos tiros, tinha se enfiado debaixo do veiculo e ainda se encontrava lá, quando então eu disse ao mesmo, que acionasse o motor que ele com certeza sairia, tendo Raimundinho ligado o motor, mas mesmo assim não havia jeito de fazer ele Kojak sair, o que obrigou a todos a descerem para com muito custo retirar Kojak de debaixo do veiculo, tendo demorado muito para convencê-lo, tendo os colegas dito ao mesmo que já poderia sair, pois não existia mais nenhum risco.
O certo é que com o tempo perdido convencendo Kojak a sair debaixo da viatura , ao seguir atrás dos bandidos, já não foi possível alcançá-los e prende-los o que já veio há acontecer três dias depois já perto de Abunã.
João Batista Damasceno conta a sua história na Polícia Civil

Depois de Receber baixa do Exército brasileiro no mês em janeiro de 1981, ingressei no mês de Maio do mesmo ano, com apenas 19 anos de idade, na Polícia Civil e imediatamente sem nenhum treinamento, como era comum naquela época, recebi um revolver 38 e fui designado para trabalhar na cidade de Ji-paraná, pois o prédio da delegacia de cidade de Presidente Médici, para onde eu deveria ser lotado, não estava concluído.
Apresentei-me exatamente no mês de Junho, ao Delegado Regional Edson Martins inicialmente comecei a trabalhar no plantão, porém certo dia fui convocado pelo delegado, para ir junto com o pessoal da Sevic numa diligencia para capturar o individuo Delvino Del Pla, capixaba, que no mês anterior havia assassinado o policial Jaime – que nem cheguei a conhecer - cuja esposa se encontrava gestante, o que causou grande comoção na cidade e toda Região.
O fato é que naquela época, existiam grande conflitos de terra e Jaime e um outro chamado de Borborema, foram a zona rural distante de Ji-Paraná e lá o policial Jaime, foi abatido a tiros de espingarda, pelo citado individuo, quando então o policial Borborema, sem saber ao certo se existiam outros atiradores se evadiu e de volta a delegacia narrou os fatos aos delegado.
Como se sabe, naquela época existiam muitas pessoas de outros Estados e muitos pistoleiros, que eram contratados para ameaçar e matar os proprietários rurais, para que abandonasses as suas terras, o que ensejou por parte da SSP/RO inclusive a Operação Caça-Pistoleiro, com a prisão e morte de vários deles.
Foram escalados para a missão de captura do assassino do policial Jaime, Getulio Mario Gomes de Azevedo, hoje inspetor da PRF, Jani Ferreira, lotado na Delegacia de Ouro Preto D” Oeste e um outro colega de Ji-Paraná, cujo nome não recordo mais. O fato é que eu ainda noviço, enfrentei naquela oportunidade a minha primeira prova de fogo na atividade policial, junto com policiais veteranos.
Para a diligencia conseguimos um veiculo Jipe emprestado do Incra, em razão dos grandes atoleiros nas estradas vicinais, para essa área bem distante, tanto que tivermos que pernoitar num sitio, para tentar a prisão no amanhecer do dia seguinte, como de fato ocorreu.
Esse assassino foi a júri popular, porém foi absolvido, pois se alegou que o mesmo foi induzido a erro ao ver dois homens armados e num veiculo descaracterizado, imaginou que se tratava de bandidos, querendo matar a si e família, para assim se apoderar de suas terras e sem manter qualquer dialogo foi logo atirando, pois naquela época se vivia em toda região um clima de verdadeiro terror.
A passagem naquela cidade de Ji-Paraná, mais precisamente na Delegacia de Polícia daquela cidade, com policiais bem tarimbados, como Simões, Nivaldo Xavier e o seu irmão, dentre outros, foram motivo de orgulho para mim e contribuiu muito para a minha formação policial, onde permaneci ate 1985, quando fui transferido para o 5º DP na capital.
Conto tal história, para que fique registrada as muitas dificuldades que atravessamos naquela época nesse difícil, porém empolgante trabalho policial. Oportunamente relatarei outras historias, para que fiquem registradas no nosso site e consequentemente nos anais da nossa Polícia Civil.

Francisco Alves Cipriano - Nossos nomes estão gravados no livro do Eterno Ser.

Mais uma das minhas histórias referentes às dificuldades enfrentadas pela nossa polícia civil principalmente por mim.
Nós policiais do ex-território que não havia feito academia, nos anos 1984 ou 1985, tinha que fazer uma reciclagem na academia de polícia, então éramos trinta agentes das delegacias da capital e de cidades do interior do estado.
Naquela época devido aos salários muito baixos, dos trintas policias, a maioria não possuía veículos para sua locomoção e ia de ônibus até o 5º DP e daí até a academia ia mesmo a pé já que não existia transporte publico até ali. Ao retornar ficava mais fácil, pois os poucos automóveis ficavam cheio de caronistas, mas como tinha muitos atoleiros pela Avenida. Amazonas, nós adentrávamos por dentro do bairro Jardim Ipanema e vínhamos sair no 5º DP.
Na academia as palestras eram dadas por autoridades ligadas a segurança pública, eu não lembro o nome de todas as autoridades, recordo apenas dos nomes: Dr. Telmo Forte e Dr. Esmone.
Dr. Telmo Forte deu uma palestra e alguns policias ficaram insatisfeito, porque se sentiram ofendido pelo palestrante e foram até o diretor da academia levando suas queixas, não sei qual o assunto e até gostaria de lembrar para poder explicar melhor, tanto que quando o Dr. Telmo Forte retornou para dar mais palestra, o diretor da academia levou o assunto até aquela autoridade e ele se sentiu constrangido, porque como ele disse que em momento algum teve a intenção de ofender alguém, pois ele tinha muito respeito pela classe, assim mesmo ele deu a palestra mais “desafinada” que já ouvi.
Já a palestra do Dr. Esmone, eu me recordo muito bem, de quando ele disse que os policiais do ex-território de cada dez prisão efetuadas, nove era de forma ilegal. Fiquei preocupado, com medo de uma punição ou mesmo de uma demissão, porque nós estávamos ali não era tanto pelos salários, pois era muito baixo, mas sim, com a coragem de reprimir o crime antes fosse tarde demais e assim a gente ficava meio perdido, porque coragem e medo não podem andarem de braços dados, pois não combinam.
Finalmente vou deixar o esse assunto de lado e vou me remeter aos salários daquela época. Eu tinha um táxi e no ano de 1982, eu trafegava pela Av. Amazonas no Bairro Nova Porto Velho, eu vi um colega taxista conversando com alguns garimpeiros e encostei o carro e fui lá conversar também com os mesmo, porque eram garimpeiros conhecidos e nós havíamos trabalhados junto no Garimpo do Imbaúba e Jirau no Rio Madeira no ano de 1980, quando tudo era também muito difícil, só tinha apenas a Estrada do Caldeirão, no qual tinha que subir de voadeira até Cachoeira do Jirau e tínhamos que juntar vários homens para pegar aquele pesado motor e subir o barranco do Rio Madeira, atravessar a Cachoeira do Jirau para poder chegar ao Garimpo do Imbaúba.
No meio da conversa com os taxistas foi quando um colega taxista disse que eu CIPRIANO estava na polícia, daí a conversa mudou e eles queriam saber como funcionava o trabalho, achando que não combinava com o meu perfil, pois eu era muito calmo e na polícia era muito agitada e perguntaram quanto eu ganhava... fiquei com vergonha de dizer, porém resolvi falar a verdade e disse que meu salário era vinte três mil oitocentos e quarenta cruzeiros. Foi aquela gozação e pior foi quando eu disse que na minha casa tinha um pedreiro trabalhando e eu pagava cinco mil cruzeiros a diária, aí foi gargalhadas e mais gargalhadas, porque fazendo as contas o meu salário de um mês, não dava para pagar uma semana de serviço de um pedreiro.
O fato é que as dificuldades não ficavam por aí e aconteceu uma separação. Fiquei apenas com o taxi e eu estava devendo o mesmo, pois eu havia comprado o carro financiado e juntando salário e a renda do táxi só dava para pagar a prestação, fiquei morando de favor e o dinheiro não dava para comprar mais nada e assim fiquei uns três ou quatro meses tomando água natural, porque eu não tinha condições de comprar uma geladeira.
Certo dia, eu criei coragem e fui ao comercio tentar comprar uma geladeira, mas o vendedor quando olhava a minha carteira de trabalho e via o meu salário já não queria mais nem conversa e virava as costas E assim ainda fui em três lojas, porém o atendimento era sempre o mesmo. Em determinado, momento eu lembrei que eu conhecia um vendedor que trabalhava na loja A Pernambucana e que ele poderia me ajudar. Dirigi-me para lá e fui direto falar com ele, contei o meu problema e o mesmo pediu a minha carteira de trabalho e quando olhou, já me antecipou que achava muito difícil o gerente autorizar a venda, mas ele ia ver se poderia me ajudar e então foi até o seu gerente e contou o meu problema e ele o gerente mandou que eu entrasse na sala e estando ele com minha carteira de trabalho na mão, me olhou e disse que com aquele salário não dava de comprar a geladeira mais simples que tinha disponível no estoque da loja.
Depois dessa fala do gerente desanimado já pensava em bater em retirada e ele com certeza compadecido da situação, autorizou a venda em dez prestações, então eu falei que tinha outra fonte de renda, já que possuía um taxi e ele respondeu que não queria saber de outra renda, queria saber do que tinha na carteira.
Para mim foi uma travessia muito difícil, imagine quem me deu uma mãozinha inacreditável, mais é verdade foi a Dona CERON a empresa elétrica, pois ela passou nove meses sem me cobrar a conta de luz da minha casa e quando me cobrou foi tudo de uma vez, porém eu já estava em melhores condições financeiras, já havia comprado muitas coisas que precisava e graça à Deus e Dona Ceron.
Os policiais mais antigos ganhavam lá estas coisas, porque alguns colegas com mais de quatro anos de serviço, ganhavam mais do que eu. Nós recebíamos nossos vencimentos no banco Itaú, na agência da Av. Sete de Setembro, c/ a praça marechal Rondon. Naquele tempo, bem poucos policiais tinham conta bancária e recebia mediante o contracheque, a gente ficava na fila das cinco horas da manhã muitas vezes até as dez para receber muitas vezes sem tomar sequer café, não era porque não queria, era exatamente porque não tinha, muitas vezes o pó e o pão.
Um colega que não vou identificar, dizia que quando estava na fila para receber e estava chegando ao caixa, olhava para trás e se tinha alguém conhecido, ele mandava passar na frente, para que a pessoa não visse o salário dele e quando o caixa colocava seu salário no balcão, ele de imediato colocava a mão em cima e saia de porta afora quase correndo e quando chegava no centro da praça Marechal Rondon, ele olhava para os lados para ver se não tinha alguém por perto e aí ele contava aqueles chamados couros de ratos, separava a parte de pagar a taberna, onde ele comprava fiado o mês inteiro e em seguida dava uma passada no mercado central logo ali perto e comprava um peixe, algumas latas de conservas e uns dois quilos de farinha e em seguida ia para casa e chegando lá a esposa preparava aquele pirão, ele almoçava junto com a família e retornava para dar continuidade no plantão.
Foram momentos bem difíceis, mas nos enfrentamos de cabeça erguida, porque éramos vocacionados e tínhamos a certeza que estávamos fazendo o bem a nossa sociedade. Como diz um dos versos da nossa Polícia Civil de Rondônia ‘Nossos nomes estão gravados no livro do eterno Ser”.

 

Histórias da Pollícia Civil XII

 Cipriano e a sua segunda história
No ano de 1985, não me recordo o dia e mês, eu estava de plantão juntamente com os colegas policial Ivan, policial Wilmar e o policial Edson Matos que era o comissário, era um plantão noturno e tudo corria normalmente, porém, esta tranquilidade que foi interrompida, quando fomos avisados que na antiga Praça dos Engraxates, situada entre as Ruas Enrique Dias e Sete de Setembro, mais precisamente em frente à Marinha, havia um elemento armado intimidando quem por ali transitava, como se tratava de uma pessoa portando arma de fogo, o comissário Edson achou por bem solicitar a polícia militar(PM) para averiguar o que estava acontecendo, chegando ao local foi dada voz de prisão ao infrator, que foi imediatamente desarmado e levado para o primeiro Delegacia de Polícia(DP).
Na delegacia foi preenchido o BO e entregue juntamente com a arma ao comissário de plantão e para nossa surpresa o infrator era um policial civil que era subdelegado de polícia lotado ao longo do Rio Madeira, e como se tratava de um policial, o comissário comunicou o fato ao delegado de plantão que solicitou a presença do mesmo para explicar melhor os fatos.
Ao receber a ordem conduzi o infrator levando a ocorrência e a arma até a Central de polícia, naquele dia o delegado de plantão era o Dr. Sergio Barbosa, fiz a entrega da arma e da ocorrência, apresentei o infrator e o delegado mandou que o mesmo sentasse para conversar, o infrator sentou e colocou os pés em cima da mesa do delegado que o repreendeu e disse que ali era a mesa do delegado e que ele respeitasse, o infrator respondeu dizendo que era federal e que para conversar com um delegado do estado era daquele jeito, diante disso o delegado percebendo que aquela pessoa não se encontrava sóbrio não quis mais conversa e mandou que eu conduzisse o mesmo de volta e o colocasse atrás das grades.
Chegando a delegacia, comuniquei a ordem do delegado ao comissário, que pelo fato do infrator também ser policial, achou melhor que ele ficasse junto a nós no plantão e pegou uma cadeira para que ele sentasse, ele então sentou e ficou super a vontade.
Naquela época eu tinha um táxi e como já era tarde da noite e eu estava com sono fui até o taxi que tinha um toca fita e fiquei ouvindo som enquanto observava as pessoas indo e voltando do centro da cidade, naquele momento eu estava de costa para a delegacia quando ouvi um barulho vindo do interior dela, achei que fosse uma fuga em massa, quando na verdade eram os dois policiais, que estavam de plantão, correndo atrás do policial infrator que tentava fugir,quando então que já estava do lado de fora da delegacia, também corri atrás, e antes que o infrator chegasse ao local onde hoje funciona o galpão da feira do Cai n’água, ele foi alcançado e levado de volta, agora para o xadrez.
Pela manhã o Delegado plantonista ordenou que o levasse a Central de Polícia para que lhe fosse entregue a sua arma, naquela oportunidade conduzi tal policial e chegando lá, o mesmo se recusou a entrar alegando estar com vergonha do delegado, quando então o Dr. Sergio Barbosa aceitou a ausência dele e concordou de me entregar a arma e que levasse ele o policial até a margem do Rio Madeira e só entregasse a arma a ele quando lá chegasse.ma par ale, lá fizesse a entrega da arma e liberasse o mesmo para que fosse embora.
Seguindo as ordens do delegado, seguimos para a margem do rio e chegando lá o infrator desceu da viatura, fiz a entrega da arma e ele foi embora na sua voadeira pelo Rio Madeira, fiquei olhando até quando ele desapareceu e voltei para a Delegacia para concluir o nosso plantão.
Quem vinha do interior para a cidade passava obrigatoriamente defronte à delegacia e como fiquei conhecendo o mesmo, o vi algumas vezes passando pelo outro lado da rua observando o galpão velho da estrada de ferro. Certo dia eu ainda tentei falar com o mesmo, porém, ele olhou para mim e acenou com a mão dando a entender que não desejava conversa, acho que a sua vergonha ainda perdurava.

No final dos Anos 80, início dos Anos 90, estava acontecendo muitas fugas de perigosos bandidos das frágeis celas dos Distritos policiais, tais como Sapeca, o perigo pistoleiro Argemiro, matador do advogado Agenor de Carvalho, quando então o delegado Dario Xavier Macedo resolveu criar na antiga Central de Polícia hoje Direção Geral, um grupo para cuidar apenas das celas e assim evitar fuga de presos.
Certo dia, fui escalado para ficar cuidando das celas em companhia do colega policial Josmar Câmera Feitosa, quando em determinado momento, fui chamado pelo detento Argemiro para ir até a cela, que o mesmo ocupava sozinho e ao adentrar nos corredores o preso Argemiro era um sujeito de cor negra, alto e bem robusto e talvez para tentar impressionar, foi logo dizendo: ‘Policial sabia que o primeiro que matei, foi um policial, atirei na cara dele e depois matei mais uns vinte policiais. Naquela ocasião, mesmo surpreso ainda falei: “Sabia não, poxa então você é brabo mesmo hein? Logo em seguida me retirei.
Ao sair daquele recinto e de volta a minha mesa colocada na entrada das celas, fiquei a pensar no que poderia fazer em razão daquela desfeita do preso, sem assim ferir a legislação e prejudicar a mim e ao colega Câmara, que me acompanhava no plantão e ai tive a seguinte idéia, iria desligar as luzes para assim causar desconforto aqueles ali recolhidos.
Ao apagar as luzes comuniquei a Câmara, que no escuro ficaria melhor até para a observação dos presos. Quase que imediatamente o preso Argemiro começou a gritar: “Policial, ligue a energia, eu não sei dormir sem luz, Dr. Dario sabe disso”. A cada instante ele o preso, repetia tal cantilena. Depois de muitas lamentações, foi quando então eu sacramentei a vingança contra o atrevido preso dizendo: ‘Não adianta chiadeira, as celas irão permanecer sem energia até o amanhecer, você não se diz valente, matador de policial’, tendo as luzes permanecidas amanhecer.
No plantão seguinte ao chegar por volta das 18 horas, fui convocado a sala do delegado Dario, que foi logo me dizendo Você está apresentado, volte para sua Delegacia de Homicídio que você não está sabendo se comportar com os presos.
Esta minha história tem o propósito de lembrar como no passado trabalhávamos até mesmo para cuidar de presos e também para homenagear o delegado Dario Xavier Macedo, que foi um dos bons profissionais de nossa instituição policial. Em breve voltarei com novas histórias.

O fechamento da Boate Tartaruga

Entre os anos de 1987 e 1988, quando me encontrava mais uma vez como Diretor de Polícia Metropolitana, fui procurado por um grupo de senhoras e estudantes, reclamando que não podiam caminhar pelas proximidades da conhecida e antiga Boate Tartaruga, no centro da cidade, pois segundo elas, ocorriam ali muita bebedeira, exploração de menores de idade e as senhoras e estudantes que passavam ali por perto, eram assediadas pelos frequentadores e que, portanto, alguma providencia teria que ser tomada, pois as mesmas já tinham recorrido a diversas autoridades e nada tinha sido feito para resolver a grave questão, que ocorria diariamente e a luz do dia. Depois de ouvir a mesma e de formalizar um Boletim de Ocorrência, prometi ao grupo que em 24 horas aquele problema de décadas seria finalmente resolvido.
Já no dia seguinte solicitei para ficar a minha disposição o ônibus da garagem e mais duas viaturas veraneio e requisitando cerca de 15 homens com seus respectivos revolveres e três armas de grande porte.
Por volta das 15 horas quando o movimento dos freqüentadores da Boate já era grande, solicitei que o ônibus ficasse atravessado na rua na parte de cima e que as duas Viaturas Veraneios, se posicionassem na outra extremidade da rua, evitando assim quaisquer fugas, fossem de indivíduos suspeitos, fossem de menores de idade.
Na verdade existiam duas boates na final da rua, quase defronte uma casa da outra. Na primeira que adentrei com parte da equipe não verifiquei nenhum anormalidade, tendo então me dirigido a Boate Tartaruga e ao adentrar ali, já pressenti um clima bem desagradável entre o motorista da Metropolitana, o policial do Estado Claudinei que trabalhava diretamente comigo e dois sujeitos alterados e desacatando os policiais presentes.
Tais pessoas em pleno expediente e embriagadas se diziam soldados da Polícia Militar e que eles sim entendiam de policia e que nós não sabíamos de nada, quando então os rebati, dizendo que se eles eram tão entendidos assim em atividades policiais, era bem estranho que fossem ainda dois soldados rasos, quando então o mais forte não gostando da gozação que fiz com ambos, veio na minha direção, mas ficou só na vontade, pois o zeloso Claudinei, que tinha cerca de 1.80 de altura, passou voando próximo ao meu ombro e deu uma voadora acertando o peito do militar o jogando longe, quando então ordenei que ambos fossem algemados dentro do ônibus e encaminhados a Central de Polícia para as providências legais, bem como outros freqüentadores irregulares e as menores, tendo naquele dia a Boate Tartaruga encerrado de forma definitiva as suas atividades naquele local, são sabendo eu se ressurgiu em algum outro local da cidade. Penso que não.
Com os policiais militares algemados no cano da Central de Polícia determinei que fossem adotadas as providenciam legais contra os mesmo e fui para meu gabinete informar ao comando da Polícia Militar sobre o acontecido e solicitando a presença do Oficial de Dia para levá-los para o quartel paras providencias administrativas. Qual não foi minha surpresa quando momentos depois fui rapidamente chamado pelo delegado de plantão, pois dois aspirantes que tinham chegado ali, atrevidamente usando as suas próprias chaves estavam tentando abrir as algemas dos dois soldados, desrespeitando os delegados e policiais presentes, quando então adentrei no recinto gritei ‘Alto lá’ e dei uma lição de moral nos dois, pedindo que ambos se retirassem e retornassem para o quartel, pois não entregaria os militares presos a eles, que não souberam se conduzir como graduados na casa alheia e que eu iria fazer um relatório sobre a conduta dos dois soldados e deles oficiais, o que de fato cumpri no mesmo dia.
Novamente liguei para o quartel e o próprio Oficial de Dia um capitão louro, cujo nome infelizmente não recordo que veio pessoalmente buscar os soldados e lamentou todo ocorrido, principalmente a conduta do dois aspirantes a Oficial e disse ali na Central na presença de todos, que as providências com os quatro militares seriam com certeza rigorosas, mas entretanto jamais soubemos o que aconteceu com os mesmos. Talvez absolutamente nada, mas tenho certeza que cumprimos o nosso dever e nos impomos.
Esta é mais uma das tantas histórias que nós policiais vivenciamos mesmo com as dificuldades próprias daquela época, Deixo aqui de citar nomes dos demais policiais civis envolvidos, pois infelizmente não recordo e também por temer cometer injustiças.

João Paulo das Virgens conta a sua quarta história na policia civil
Ainda no inicio dos Anos 80, eu estava voltando, juntamente com Douglas, Fittipaldi e Juarez da cidade de Extrema do Acre, pois com tais colegas tinha ido até ali para averiguar um homicídio, ficando nós hospedados lá por dois dias em razão do péssimo tempo que tornava a estrada intransitável. Eram tempos bem difíceis para exercemos a atividade policial.
Ao retornar chegando ao Distrito de Jacy Paraná, nos encontramos com o subdelegado que era Aroldo Dunda, tendo o mesmo nos chamado reservadamente num canto da delegacia, para reclamar que haviam mandado para ajudá-lo, Claudionor Silva, o Kojak e que ele o auxiliar, estava lhe trazendo problemas.
Aroldo Dunda que sabidamente gostava muito da boemia, de tomar uns tragos, jogar sinuca, era também bastante conhecido como excelente dançarino e gostava de se divertir nas suas horas de folga, tendo Kojak, novo na atividade policial, após o estágio numa delegacia em Porto Velho, sido enviado para auxiliar Dunda em Jacy.
Ao chegar naquela localidade, Kojak já foi determinando o fechamento dos bares e cabarés até as 20 horas, acabando com a renda dos comerciantes e com a alegria de Dunda, que para não desautorizar o seu auxiliar, mesmo a contra gosto aceitou a determinação do mesmo.
O fato é que Aroldo em razão da autoridade do seu cargo, todas as noites discretamente ia aos bares, entrava e fechava a porta do estabelecimento e ali ficava se divertindo a noite inteira, sem que Kojak percebesse, indo ele Aroldo dormir às 4 horas da manhã, mas, porém tinha problema sério, pois às 5 horas da manhã, Kojak devidamente trajado com a sua farda de cabo do Exército, batia na porta de Aroldo o acordando, para juntos hastearem a Bandeira do Brasil, o que era um verdadeiro tormento para ele Dunda, que não podia revelar ao colega sua noite mal dormida e tal sofrimento portanto, se repetia todos os dias.
Ao conversar comigo, Aroldo bem revoltado disse: “João pelo amor de Deus, fale com o secretário e dê um jeito de tirar esse Kojak daqui, pois, ou eu vou embora de Jacy ou vou terminar fazendo uma besteira com esse homem, pois ele está acabando com o Distrito e principalmente comigo, que estou sendo obrigado a me divertir escondido e ainda tendo que cedo da manhã, devidamente perfilado, cantar o Hino Nacional brasileiro e o povo de longe dando gargalhadas.
Depois dessa revelação de Aroldo, a equipe retornou para Porto Velho dando boas gargalhadas, imaginando Aroldo de ressaca, hasteando a Bandeira do Brasil e Kojak devidamente perfilado, cantando o Hino Nacional.
Esta história tem o propósito de lembrar e homenagear o nosso saudoso colega e amigo Kojak, que para cumprir o seu dever como servidor da SSP/RO, às vezes misturava as suas antigas atividades da caserna com a sua nova atividade profissional de policial civil, o que quase sempre se tornava um episódio bem pitoresco e divertido para todos nós e até mesmo para ele Kojak, quando suas histórias eram contadas, bem como homenagear o saudoso colega Aroldo Dunda, que deu bons exemplos de profissionalismo, enquanto esteve na instituição policial.

 

História da Polícia Civil X



 Ao tomar posse na Polícia quando da transformação do território em Estado, confesso que me senti como um peixe fora d’ água, pois tinha apenas a formação oriunda da iniciativa privada como gestor de diversos hotéis na cidade de João Pessoa, um curso de graduação como bacharel em Direito e nada além disso.

Ao tomar posse e sem muitas delongas, me foi entregue numa caixa contendo um revolver novo, seis munições e o documento funcional como delegado de polícia, além de um memorado para que me apresentasse no 3º Distrito Policial, onde ficaria como adjunto, para na prática aprender o difícil mister de como policial servir a coletividade.

Naquela unidade policial, já encontrei como titular o delegado Marcos Santiago e como adjunto o delegado Jório Ismael da Costa meu conterrâneo, sendo ali muito bem recebido por todos, delegados, agentes, escrivães e o pessoal administrativo.

Nos primeiros dias tendo como escrivão o excelente Manuelzinho, fiquei na sala do delegado Jório e ali acompanhava os depoimentos para assim aprender como fazer, o que perdurou por alguns dias, quando então, em determinado inquérito Jorio se levantou da cadeira e mandou que eu ali sentasse e tomasse a termo em seu nome as declarações de uma pessoa. Confesso que foi um momento muito difícil, mas as duras penas consegui realizar a contento o trabalho que me fora confiado e a partir daquele dia, passei a presidir meus próprios inquéritos.

Certo dia o colega Jório se envolveu num acidente, pois abalroou uma bicicleta que tinha como condutor um surdo-mudo, que em razão do forte impacto subiu no capô do fusca e estraçalhou o pára-brisa do veiculo, sofrendo ele a vitima várias lesões, sendo socorrido para um hospital.

O inquérito sob a minha presidência vinha tramitando bem até o dia que tive que ouvir a vitima o surdo-mudo e ai o tempo esquentou. Nomeei a irmã do mesmo como sua interprete, através de sinais e também por ela entender muita coisa que ele falava e iniciei a oitiva.

Cada pergunta que eu fazia ele o mudo se levantava para explicar e virava as cadeiras, derrubava o telefone, deitava no chão e até em cima da minha mesa, para explicar como tinha sido colhido pelo carro, sua forma de se fazer entender era um verdadeiro horror.

Temeroso que até o final da sua oitiva o mesmo terminasse por destruir toda delegacia fiz que o mesmo se sentasse junto de minha cadeira e fiquei e com uma mão manuseando o inquérito e com a outra fiquei segurando o mesmo até o final do depoimento, para que ele não se mais se levantasse e realmente foi muito duro contê-lo até o final, quando sob risos de todos os presentes, finalmente exausto terminei aquele trabalho e pela primeira vez um depoimento, foi como se eu tivesse carregado um saco de cimento nas costas por muitos metros, pois além da preocupação em ditar para o escrivão tinha que usando a força segurar a irrequieta e escandalosa vítima. Para um noviço como eu, foi uma estréia exaustiva e surreal.

 

 

 


Pedro Marinho – Na sua recaptura o latrocida Sapeca de joelhos,
Mais ou menos no ano de 1985, como já acontecera outras vezes, o perigoso marginal oriundo do Amazonas, mais precisamente da capital Manaus, conhecido apenas por Sapeca, em razão da sua periculosidade e astucia, fugiu do 4º Distrito Policial depois de serrar as barras de ferro da cela.
Naquela ocasião, vários delegados e agentes policiais se dividiram em perseguição a Sapeca, pois em que pese ser ele um sujeito de pequena estatura, era destemido e capaz de livre cometer outros crimes e até mesmo matar para roubar, que era a sua especialidade.
Temerosos que o mesmo na ânsia de fugir fizesse novas vitimas, não faltaram esforços para a sua localização com equipes espalhadas por estradas diferentes, pois existia a informação que fugia a pé e que poderia se encontrar armado.
Certo dia com dois veículos Volkswagen, rumei com uma equipe de cerca de sete homens com destino a localidade de Abunã, pois Sapeca poderia tentar alcançar o Acre e seguíamos a pé no meio de muita poeira e os veículos vinham sempre atrás, cerca de mil metros, para evitar o barulho dos motores e assim espantar ele Sapeca caso estivesse ali por perto.
Depois de invadir propriedades e casas desertas e verificar se havia vestígios do citado fugitivo, via rádio mandávamos que o carro nos alcançasse e nós íamos mais adiante, quando novamente desembarcávamos e fazíamos o mesmo procedimento seguíamos a pé invadindo as propriedades abandonadas.
Depois de muitos quilômetros dessa cansativa jornada, subindo e descendo dos veículos, invadindo sem sucesso várias propriedades, eis que quando nos aproximávamos de um centro de umbanda, que existia num alto do lado esquerdo da pista sentido Abunã, avistamos parado defronte ao imóvel um individuo que parecia ser o Sapeca, quando então via rádio determinei que as viaturas lá atrás, desligassem os motores para não afugentar o individuo e neste instante dei ordem para que todos subíssemos sorrateiramente para confirmado ser o Sapeca o surpreender evitando assim qualquer reação por parte do mesmo.
Com as armas em punho, contornamos a modesta casa sem sermos vistos e fomos nos esgueirando pela lateral da mesma, até que eu surgi na frente da casa e ali vi Sapeca que tomava água num copo de alumínio, que havia solicitado a dona da casa e ele que já me conhecia do 4º D.P, [i] ao me ver, soltou o copo caiu de joelhos com as mãos na cabeça e gritou: “Dr. Pedro Marinho, não me mate e não deixe que ninguém faça nada comigo”. Evidente que diante da covarde reação do mesmo, ninguém iria fazer nenhum mal aquele marginal, que foi preso inclusive na presença de todos que se encontravam naquela casa.
De volta ao 4º DP a prisão de Sapeca foi comemorada por todos, principalmente pelo secretário de Segurança e pelo Diretor Geral que deu os parabéns para toda equipe responsável pela prisão do perigoso marginal e as outras equipes que não mediram esforços para localizar o foragido, que anos depois foi morto em Manaus num confronto com a Policia amazonense.
No dia seguinte todos os órgãos de imprensa destacaram com ênfase a prisão do bandido Sapeca, tendo o extinto Jornal a Tribuna, edição guardada hoje em meus arquivos, circulado com a interessante manchete ‘Latrocida Sapeca pede clemência ao delegado Marinho’.

Noberto Savala conta uma das suas muitas histórias na Policia Civil de Rondônia

Quando a zona leste começou a ser invadida, uma vez fomos fazer uma diligência a procura de um latrocida. Quando lá chegamos avistamos o dito cujo Carcará e como não poderia ser diferente ele começou s correr. Na época estávamos eu, Sérgio Barriga, José Maria e um motorista, cujo nome não recordo.
Naquele momento cada um correu para lados diferentes para assim fazermos o cerco. Naquela época as pessoas começavam construir casas e depois abandonavam sem concluir as mesmas e a ruas eram somente, na maioria, pequenos caminhos que os próprios moradores faziam e num desses cruzamentos tombei com o sujeito e ele vinha com uma faca e no choque da trombada eu que vinha com minha arma na mão e ele com a faca deixamos cair as armas.
O bandido não sabendo que minha arma tinha caído, saiu correndo e eu logo após recuperar minha arma sai correndo atrás do dito cujo, mas o perdi de vista, porém continuei o procurando e quando passava por um terreno já devidamente murado, avistei a figura saindo de um buraco lá no fundo do terreno há uns 45 metros de distância e gritei : ‘Parado é a polícia’ e mesmo assim ele correu e pulou um muro de uns dois metros de altura e mesmo porque esse individuo era também bastante alto e forte.
No momento em que ele pulou ai eu atirei, porém ele pulou o muro e eu continuei a procurá-lo até que em certo momento um garoto me falou: ‘Seu puliça , outro puliça pegou o bandido e o mesmo moleque me levou até onde estava o José Maria e lá verifiquei que o sujeito estava com um lençol amarrado no peito resultado do que o tiro que eu havia disparado, quando ele pulou o projétil o acertou bem do lado esquerdo e ele que era de cor negra já estava ficando branco.
Constatado o ferimento, o levamos para o Hospital de Base e lá chegando quem estava de plantão era o nosso saudoso colega médico-legista Dr. Rachid, quando então explicamos a situação e ele se prontificou a dar o atendimento de urgência.
Dalí, fomos para a Central de Polícia e o delegado de Plantão do dia era o delegado João Lacerda de cujo plantão eu fazia parte, pois naquela época cada delegado de Plantão tinha sua equipe de policiais.
Após colocamos o delegado a par da situação, permanecemos ali na porta de entrada da Central, momento em que um outro delegado apareceu por lá e falou: ‘Se fosse eu o plantonista tomava a arma desse policial e o atuava em flagrante delito’. No mesmo momento pulei lá fora e respondi: Minha arma está na cintura, venha tomá-la. Ele por acaso veio?
Logo em seguida Dr. Francisco Esmone que era Diretor Geral da Policia, soube de todo ocorrido e foi até a Central onde conversou com o delegado Lacerda, dizendo ao mesmo: ‘Faça o trabalho de moto que não prejudique o policial Norberto, porque bandido é bandido e policial é policial‘. Esse gesto dele Esmone, foi para mim muito marcante e até hoje nutro uma profunda admiração e respeito pelo mesmo. Enfim, o bandido se salvou, ficou bom e continuou sua vida de crimes e, acredito que deva estar preso até hoje ou foragido e, esse mesmo elemento depois do citado episódio, nunca mais correu de mim quando íamos procurá-lo em outras oportunidades.

Francisco Alves Cipriano e mais uma de suas histórias na Polícia Civil de Rondônia

Nas minhas histórias sempre falo sobre taxi pelo fato de eu ter trabalhado como taxista antes de entrar para polícia e mesmo não trabalhando mais como taxista, assim mesmo continuei usando o taxi e sempre que chegava no primeiro Distrito Policial estacionava o taxi do outro lado da rua e por isso a maioria das pessoas entendiam que eu estava esperando passageiro.
Um dia um colega taxista me perguntou se eu estava tendo problemas com a polícia, pois tinha visto por três dias seguidos o meu táxi parado em frente à delegacia, eu respondi que não e que estava trabalhando lá e ai ele ficou muito admirado e feliz por saber que eu estava bem profissionalmente, pois conseguira um emprego fixo.
Certo dia circulava pelas ruas de Porto Velho e ai peguei um passageiro, que poucos minutos depois de entrar no táxi, indagou se eu tinha outra profissão além de taxista, quando então eu respondi que também era funcionário público, ele logo perguntou em qual secretária eu trabalhava, tendo respondido ao mesmo que era na secretária de segurança pública, quando então ele logo perguntou se eu era policial e diante da minha confirmação ele para minha surpresa respondeu, que se estivesse no meu lugar não aceitaria exercer nenhuma das duas profissões, pois na visão dele passageiro nas duas categorias só trabalhavam pessoas de mau caráter, quando então lhe respondi que quem esta do lado de fora só enxerga o lado negativo e que na minha opinião a maioria das pessoas que atuavam nessas profissões eram pessoas que trabalham com dedicação e responsabilidade, e que no futuro eu pretendia parar de trabalhar como taxista e me dedicar apenas a carreira de policial até chegar o momento de me aposentar.
Realmente não podemos negar que em qualquer profissão existem pessoas que são desonestas, na classe dos taxistas por exemplo, Dr. Elias que era delegado de polícia, uma certa vez me disse que viajando de táxi da cidade para o interior do Estado e pagou um determinado valor de sua residência até a rodoviária, ao retornar para a cidade de Porto Velho já trazia consigo o mesmo valor que havia pago ao taxista na ida, ao desembarcar na rodoviária da capital, pegou um taxi até a sua residência, chegando lá perguntou quanto tinha dado o valor da corrida, tendo o taxista lhe cobrado o dobro do valor que o mesmo tinha pago na ida. Surpreso o Dr. Elias apenas deu uma risada e disse que daria naquele momento apenas o valor que tinha em mãos e que no dia seguinte o taxista fosse até o terceiro D.P, onde ele trabalhava como delegado, para pegar o restante do valor. Ora, o taxista que durante todo trajeto estava com uma cara nada amigável logo se mostrou alegre e sorrindo disse que o delegado não devia mais nada e que estava tudo certo.
Já na classe dos policiais, trabalhando no quarto Distrito Policial. eu estava aguardando um colega policial que iria trabalhar naquele plantão comigo, o colega entrou as pressas no comissariado e um cidadão entrou logo atrás dele me perguntando se o colega também era policial, quando então eu respondi que sim, e a pessoa informou que era taxista e que o colega que entrará correndo no DP não queria lhe pagar a corrida. Surpreso eu pedi que ele sentasse e fui atrás do policial, pedindo que ele acertasse a corrida com o taxista, mas ele na maior cara de pau, disse que não tinha dinheiro. Dito isso, para resolver logo aquela situação, eu decidi me responsabilizar pelo pagamento da referida corrida, ficando claro naquele momento para mim, que no nosso meio existiam os bons e maus policiais.
O passageiro que citei no início da história, até tinha razão de me oferecer aquele conselho, mas da mesma forma que o Dr. Pedro Marinho não aceitou o conselho do amigo Cabeça Branca – Mas essa se trata de uma outra história - eu também não aceitei o conselho daquele passageiro.

 

Histórias da Polícia Civil IX



 Pedro Marinho - O dia em que cortei o ponto de um colega delegado de polícia
Em meados de 1987, eu me encontrava mais uma vez como Diretor de Policia Metropolitana e em razão da desordem reinante na DAT – Delegacia Especializada em Acidentes de Trânsito, fui chamado ao gabinete do então secretário Eurípedes Miranda, que disse da sua preocupação e que gostaria que eu assumisse e ajeitasse aquela especializada e caso eu a rejeitasse, ele iria conversar com o governador, para extinguir aquele órgão, motivos constantes de preocupações, para a sua gestão e que a partir daí cada delegacia apurasse os delitos de transito em suas respectivas áreas.
Ao ouvir esse seu pedido, fiz ver ao mesmo que na condição de diretor de polícia da capital seria muito desconfortável para mim, deixar a diretoria que assumi pela quarta vez, sem pedir a ninguém e ir trabalhar na DAT e, portanto se fosse convite eu não aceitaria, salvo se fosse dada como missão, tendo o secretário, na mesma hora aproveitado a deixa e dito que se tratava de uma missão que me estava sendo confiada, quando então disse ao mesmo que podia contar, pois iria assumir a DAT e iria tentar resolver todos os problemas, o que de fato aconteceu.
Chegando ali no primeiro dia já convoquei uma reunião com todo quadro funcional, falei da desordem do desaprecimento de peças e automotivas, liberação ilegais de veículos apreendidos e falei que aqueles que já me conheciam, sabiam que não tinha ido ali para brincadeira e se fosse preciso até mesmo colocar desonestos na Corregedoria, eu não hesitaria um minuto em fazê-lo. Ao terminar a minha apresentação cinco policiais imediatamente solicitaram deixar aquela repartição, sendo de pronto atendidos.
O fato é que corrigi as falhas da Delegacia, algumas muito graves, na oportunidade em razão do elevado número di inquéritos parados, solicitei cinco delegados, dez escrivães, alguns agentes e duas viaturas novas e passamos a trabalhar normalmente, passando o secretário Miranda a nos citar como bom exemplo nas suas andanças pelo interior do Estado.
Tudo corria bem, quando certo um dia um dos delegados me procurou dizendo que sua esposa se encontrava enferma na cidade de Guajará-Mirim e nos solicitou sua liberação a partir da quarta-feira, ficando ele de retornar apenas na segunda, sendo de pronto atendido.
Dois dias, eis que depois o Delegado Regional de Guajará, Adão Caetano, me telefonou para indagar se aquele delegado Fulano - Faço questão de omitir o seu nome - se encontrava em gozo de férias ? e diante da minha negativa, o mesmo me informou que eu tratasse de tirar aquele colega dali, pois ele estava bebendo tanto, que iria acabar o estoque de cerveja da cidade, sem falar na censura da população.
Diante dessa informação, nem preciso dizer da minha revolta e indignação, tendo de pronto solicitado a escrivã e também secretaria geral da Delegacia Marinete, que trouxesse ao meu gabinete as folhas de ponto e um lápis vermelho, tendo colocado falta no abusado servidor da quarta em diante e deixando os demais dias em aberto até o seu retorno, que só ocorreu na terça-feira seguinte, tendo eu antes de sua chegada colocado falta também na segunda-feira.
Na terça-feira, eis que o dito cujo de cara feia apareceu na minha sala e indagou como eu havia colocado quatro faltas na sua folha de ponto se tinha autorizado a sua ida a cidade de Guajará, tendo eu dito ao mesmo, que de fato induzido a erro tinha lhe concedido tal autorização, mas sabedor das suas farras nas mesas de bar daquela cidade, entendia que deveria puni-lo e o fiz.
Momentos depois o mesmo retornou a minha sala e informou que iria até o DGPC comunicar o ocorrido ao Diretor Geral e solicitar providencias contra a minha pessoa e em seguida se retirou. Momentos depois eis que o telefone toca e o diretor me pede para eu me dirigir ao seu gabinete o que fiz de pronto e em lá chegando, encontro o referido delegado com cara de choro e o diretor geral com a folha de ponto dele na mão e virando-se para mim foi logo dizendo: ‘Que é isso Dr. Pedro Marinho, não fica bem cortar o ponto de um delegado seu colega, quebra a hierarquia, reconsidere e abone as faltas do mesmo e assim daremos esse caso por encerrado.
Surpreso com a recomendação do diretor Geral fiz ver ao mesmo, que já tinha cortado pontos de outros delegados anteriormente e aquele delegado ali presente, tinha errado feio e se não fosse para colocar faltas em delegados, não seria legitimo colocar falta em nenhum servidor da SSP e que ele diretor com a sua autoridade, se assim entendesse o fizesse, ou seja, rasgasse aquele folha de ponto e assinasse outra para o servidor e me retirei da sala.
Cerca de duas horas depois, o tal delegado já chegou com a sua transferência para a então cidade de Vila Nova, onde iria atuar como único delegado, atendendo as ocorrências da cidade e aquelas oriundas dos garimpos.
Poucos meses depois eis que o secretário recebeu relatório da Polícia Militar, registrando que o trabalho em Vila Nova estava totalmente prejudicado, pois todas as vezes que as guarnições levavam alguma ocorrência, o delegado inexplicavelmente se encontrava flanando em Guajará-Mirim, gerando desgaste e tempo nos deslocamentos das viaturas até aquela cidade para adoção dos procedimentos policiais.
O fato é que o diretor geral, depois desse acontecimento ao me receber em seu gabinete, fez questão de pedir desculpas e me dizer que eu estava certo, pois aquela figura realmente não gostava de trabalhar e que tinha sido bem feito o mesmo ter tomado aquele prejuízo no passado, pois boa parte do seu salário havia sido descontada, em razão das quatro faltas que coloquei e a consequente perda das folgas do sábado e domingo, perfazendo, portanto seis dias descontados naquele mês.
Tempos depois esse mesmo delegado voltou a trabalhar sob o meu comando, mas diferente de outrora, passou a agir com bastante cuidado nos seus afazeres e obrigações e me perguntando sobre tudo que tinha que fazer no dia a dia. Penso que foi traumático mas aprendeu.


Pedro Marinho fala da demissão de um delegado da Polícia Civil de Rondônia

No final dos anos 80 me encontrava como diretor da Polícia Metropolitana e professor da Academia, quando conheci um casal, sendo ele Jair - esquecendo agora o seu nome de família – que era aluno-delegado e a sua esposa, estudante-agente, cujo nome me foge inteiramente a memória, ambos oriundos do Estado de São Paulo.
Era um casal jovem, bem aparentado e ambos meus alunos, ele no curso de delegado de Polícia e ela no curso de agente policial e se destacavam por terem um conversa bem agradável.
Terminado o curso na Academia de Polícia, ele em razão das boas notas obtidas na conclusão do curso, teve a opção de ficar na capital do Estado e ela por ser esposa, também foi lotada numa das delegacias da capital, salvo engano na Delegacia da Mulher. Ele Jair foi designado para trabalhar no plantão de polícia e, portanto sob a minha chefia direta.
No trabalho o mesmo sempre se mostrou desembaraçado e muito preparado nas lavraturas dos flagrantes e outros procedimentos sob suas responsabilidades e todas as vezes que se encontrava de plantão, mesmo existindo um coordenador que era o delegado Mauro Gomes, o mesmo fazia questão de ir até a minha sala fazer um breve relato de tudo que ocorrera, seja na jornada diurna ou noturna.
Certa feita, o mesmo me procurou dizendo que havia conversado com o delegado Mauro, sobre a possibilidade de permutar um dos seus plantões, pois necessitava ir até a cidade de Guajará-Mirim, onde residia uma sua tia, que ali se encontrava enferma e que ele voltaria no final de três ou quatro dias. Em razão desse pedido, Mauro o aconselhou que ele me procurasse e solicitasse tal licença, o que ele fez, sendo de pronto atendido por mim, penalizado com a situação da tia do colega delegado.
Dois ou três dias depois, fui informado que o delegado Jair, havia sido abordado por João Lins Dutra, o João Pomba e equipe no Porto de Guajará Mirim, tentando passar para a Bolívia com um carro marca Brasília e interpelado se disse delegado, mas se negou a se identificar, dizendo que só o faria ao delegado daquela cidade, inclusive tratando mal os policiais, tendo João diante da sua recusa, resolvido levá-lo a delegacia de polícia, tendo ele ali, mostrado seus documento pessoais e do veiculo e como até aquele momento não havia nada de roubo, o delegado o liberou mas avisou que ele na passasse o caro para a Bolívia até o esclarecimento dos fatos, tendo o mesmo aproveitado e feito a travessia do carro.
Poucos dias depois, chegou a informação de que tal veiculo que se encontrava em poder do delegado, havia sido roubado na cidade de Ouro Preto e ali na Bolívia havia sido trocado por drogas e que ele o delegado Jair que levou tal veiculo, não tinha parente nenhum em Guajará-Mirim e que seria testa de ferro de uma quadrilha de ladrões de automóveis, ou seja, com o documento funcional de delegado de polícia ele conseguiria mais facilmente abrir portas.
Diante de tal informação, fiquei possesso, pois tal delegado havia quebrado a minha confiança e me deixado em situação bem delicada, pois tinha sido eu o responsável, pela sua liberação e viagem para Guajará.
Considerando que já existia um inquérito policial instaurado para apurar os fatos, preparei um documento para a Corregedoria para o devido processo administrativo e mandei buscar em casa o delegado, tendo recebido o mesmo com cara de poucos amigos e depois de lhe dizer umas boas, solicitei naquele momento sua carteira funcional e a sua arma, que ele entregou sem maiores contestações.
Chamado para ser ouvido tanto no inquérito penal como no administrativo, na presença do mesmo e do seu advogado fui incisivo contra o mesmo e relatei as suas mentiras e desfaçatez, sendo que na Corregedoria, numa sala bem apertada e, portanto, todos bem próximos, o advogado tentou dar uma de tranquilo e soberbo e se virando para mim, foi dizendo: ‘Doutor, se este meu cliente for demitido, eu prometo ao senhor jogar fora meu anel e rasgar meu diploma’, ao que de pronto respondi: ‘Se a demissão dele depender de mim, eu aconselharia ao senhor ao sair daqui, já jogar seu anel e diploma no Rio Madeira.
O fato é que tempos depois esse delegado foi demitido a bem do serviço público e a esposa do mesmo para acompanhá-lo de volta a São Paulo, solicitou a sua demissão e se foi junto com ele.
Tempos depois, junto com os colegas delegados Deraldo Scatalon e Silvio Machado, fomos fazer um curso de 40 dias na Academia de Polícia de São Paulo de ‘Gerenciamento Policial’ para delegados de classe especial, vindos de toda parte do Brasil. Ali em visita ao Palácio da Polícia, tomamos conhecimento que ele o ex-delegado Jair, havia sido preso naquele Estado de São Paulo, acusado de roubo de veículos e que se encontrava cumprindo pena no presídio policial, localizado naquele prédio da polícia.
Recordo que do nada, o corregedor geral da Polícia de São Paulo um delegado muito famoso e que serviu como corregedor a vários governadores daquele Estado, se virou para nós e talvez para nos testar, disse: ‘Tem aqui um colega de vocês preso por roubo de carros, gostariam de visitá-lo?” Tendo Silvio rapidamente se levantado do sofá, dizendo que sim e que gostaria de reencontrá-lo, quando educadamente fiz Silvio voltar a se sentar no sofá e virando para o corregedor lhe disse: ‘Dr. desculpe, mas devo lhe dizer que não temos colega ladrão, tanto que o expulsamos da Policia de Rondônia. Tendo o corregedor se desculpado e dito que havia se expressado mal. Logo depois encerramos tal visita.
Triste fim para um jovem delegado e para sua esposa agente policial, que aprovados num difícil concurso público poderiam ter tido um futuro profissional digno na Polícia Civil de Rondônia.

 

Histórias da Polícia Civil VIII



 Pedro Marinho – O dia em que o policial assassinou o próprio sobrinho
Em meados de 1985, cumprir um plantão na Central de Polícia era um trabalho estressante e que ninguém gostava de fazer. No caso dos delegados, como o quadro ainda era bem reduzido, a carga de plantões era demasiada e muitas vezes com inquéritos prestes a vencer, ao sair do plantão noturno, o delegado ainda tinha que ir cumprir o expediente na sua delegacia.
Certo dia, iniciando um plantão às 20 horas e que se não ocorresse nenhum atropelo deveria terminar apenas às 8 horas do dia seguinte, eu rogando naquela ocasião, para que fosse uma noite tranquila, eis que dispara o telefone e do outro lado da linha, um policial cujo nome não recordo, disparou: ‘ Dr. Pedro Marinho, nós estávamos tomando umas bebidas na casa do policial Fulano - mesmo sendo uma ocorrência publica, em razão de o mesmo já não se encontrar entre nós vou omitir o seu nome - e ele começou a discutir com um sobrinho dele já adulto, com ciúmes da esposa e ai eu resolvi sair do local e já me afastava quando ouvi vários tiros, não sei bem o que aconteceu, mas estou pensando no pior”. De imediato reagi: ‘Poxa vocês não sabem nem se comportar numa brincadeira familiar e as coisas já tomam esse rumo’. Tendo em seguida desligado o telefone e dito ao condutor da viatura, o Senhor Lima, que iríamos tentar localizar o Jurandir nas imediações da residência do mesmo, ali próximo ao Conjunto Santo Antonio.
Ao descer os degraus da porta lateral da Central de Polícia para adentrar na viatura, cuja lateral sempre foi muito mal iluminada, eis que ouvi alguém chamar pelo meu nome e ao me virar vi sair da escuridão, o policial Fulano, com os olhos esbugalhados e a arma apontada para mim, dizendo: ‘Doutor matei o meu sobrinho e vim me entregar ao senhor, ocasião que assustado com a aparição, disse ao mesmo: ‘Faça o correto, baixe a arma e me entregue a mesma pelo cabo, com o cano apontado para baixo’ o que ele fez.
Ao adentrar com ele na sala do plantão, não nego, mandei uns desaforos contra o mesmo e parti para o local do crime e ao adentrar na residência, já vi a vitima uma pessoa de boa estatura como a dele o assassino, estendida no corredor da casa e muito sangue espalhado pelo chão do corredor da casa. Tendo naquela ocasião, adotado as providencias de preservar o local do crime e acionar a perícia.
De volta ao plantão, verifiquei ali o advogado Abílio Nascimento, que já havia sido acionado por alguém da família e que se apresentou como advogado dele o policial em questão. Verifiquei também, que a minha situação era bem desconfortável, pois pela lei, eu estava obrigado a fazer o auto de apresentação espontânea do mesmo e ficaria numa situação bem difícil, pois nem a imprensa, a população e muito menos os familiares dele o atirador, iriam entender que ainda na madrugada do grave delito, eu o liberasse para retornar ao local do crime, totalmente livre.
Expliquei ao advogado Abílio, que ia fazer o auto de apresentação espontânea, mas seria temerário liberar o policial e eu mesmo assumindo o risco de abuso de autoridade, iria mantê-lo detido até o dia seguinte, quando então veria uma solução menos traumática para o caso, o que de pronto o advogado que era muito amigo da família do citado policial, entendeu as minhas razões e se virando para o atirador, disse: ‘Nem vou ficar aqui, pois confio muito no Dr. Pedro Marinho e a solução que ele dará. Você se encontra em boas mãos e só voltarei aqui no amanhecer para receber cópia do auto e se retirou em seguida’.
Já pela manha, por volta das 8 horas, com a Central fervilhando de jornalistas, Dr. Abílio retornou e eu disse ao mesmo: “Dr. Abílio, continuo sem solução para o caso, como vou liberar esse homem e ele retornar a sua residência, palco dos acontecimentos, o que irão dizer vizinhos e familiares? ’ Quando então Dr. Abílio, que era uma pessoa super brincalhona e sendo ele da raça negra, surpreendeu a todos, dizendo: ‘Doutor já tenho a solução para esse problema, um negrão desse – o policial era também negro e de bom porte físico - vai dar certinho no meu sitio, pois vou dar uma enxada para ele e empurrar muito trabalho para o mesmo, garantindo ao senhor que nos próximos trinta dias, ele não aparecerá aqui na cidade’ e saiu levando o policial, que o seguiu mesmo a contragosto o seguiu, já prevendo que teria que trabalhar duro, pois, certamente jamais havia utilizado uma enxada no cansativo trabalho de roça.
O fato é que com muito sacrifico me safei daquela verdadeira noite de terror, mas aquele plantão ficou para sempre na minha memória.

Francisco Alves Cipriano e mais uma de suas histórias na Polícia Civil
Nas minhas histórias sempre falo sobre taxi pelo fato de eu ter trabalhado como taxista antes de entrar para polícia e mesmo não trabalhando mais como taxista, assim mesmo continuei usando o taxi e sempre que chegava no primeiro Distrito Policial estacionava o taxi do outro lado da rua e por isso a maioria das pessoas entendiam que eu estava esperando passageiro.
Um dia um colega taxista me perguntou se eu estava tendo problemas com a polícia, pois tinha visto por três dias seguidos o meu táxi parado em frente à delegacia, eu respondi que não e que estava trabalhando lá e ai ele ficou muito admirado e feliz por saber que eu estava bem profissionalmente, pois conseguira um emprego fixo.
Certo dia circulava pelas ruas de Porto Velho e ai peguei um passageiro, que poucos minutos depois de entrar no táxi, indagou se eu tinha outra profissão além de taxista, quando então eu respondi que também era funcionário público, ele logo perguntou em qual secretária eu trabalhava, tendo respondido ao mesmo que era na secretária de segurança pública, quando então ele logo perguntou se eu era policial e diante da minha confirmação ele para minha surpresa respondeu, que se estivesse no meu lugar não aceitaria exercer nenhuma das duas profissões, pois na visão dele passageiro nas duas categorias só trabalhavam pessoas de mau caráter, quando então lhe respondi que quem esta do lado de fora só enxerga o lado negativo e que na minha opinião a maioria das pessoas que atuavam nessas profissões eram pessoas que trabalham com dedicação e responsabilidade, e que no futuro eu pretendia parar de trabalhar como taxista e me dedicar apenas a carreira de policial até chegar o momento de me aposentar.
Realmente não podemos negar que em qualquer profissão existem pessoas que são desonestas, na classe dos taxistas por exemplo, Dr. Elias que era delegado de polícia, uma certa vez me disse que viajando de táxi da cidade para o interior do Estado e pagou um determinado valor de sua residência até a rodoviária, ao retornar para a cidade de Porto Velho já trazia consigo o mesmo valor que havia pago ao taxista na ida, ao desembarcar na rodoviária da capital, pegou um taxi até a sua residência, chegando lá perguntou quanto tinha dado o valor da corrida, tendo o taxista lhe cobrado o dobro do valor que o mesmo tinha pago na ida. Surpreso o Dr. Elias apenas deu uma risada e disse que daria naquele momento apenas o valor que tinha em mãos e que no dia seguinte o taxista fosse até o terceiro D.P, onde ele trabalhava como delegado, para pegar o restante do valor. Ora, o taxista que durante todo trajeto estava com uma cara nada amigável logo se mostrou alegre e sorrindo disse que o delegado não devia mais nada e que estava tudo certo.
Já na classe dos policiais, trabalhando no quarto Distrito Policial. eu estava aguardando um colega policial que iria trabalhar naquele plantão comigo, o colega entrou as pressas no comissariado e um cidadão entrou logo atrás dele me perguntando se o colega também era policial, quando então eu respondi que sim, e a pessoa informou que era taxista e que o colega que entrará correndo no DP não queria lhe pagar a corrida. Surpreso eu pedi que ele sentasse e fui atrás do policial, pedindo que ele acertasse a corrida com o taxista, mas ele na maior cara de pau, disse que não tinha dinheiro. Dito isso, para resolver logo aquela situação, eu decidi me responsabilizar pelo pagamento da referida corrida, ficando claro naquele momento para mim, que no nosso meio existiam os bons e maus policiais.
O passageiro que citei no início da história, até tinha razão de me oferecer aquele conselho, mas da mesma forma que o Dr. Pedro Marinho não aceitou o conselho do amigo Cabeça Branca – Mas essa se trata de uma outra história - eu também não aceitei o conselho daquele passageiro.


Paulo Caracará, conta mais uma história sua na Polícia Civil
No inicio dos Anos 80, mais ou menos em 1983, eu me encontrava como comissário no 2º Distrito Policial, cujo prédio hoje sequer existe mais, pois inexplicavelmente juntamente com o 1º e 4º Distritos da capital, foram abandonados pela direção da SSP, estando todos em ruínas, quando fui procurado pelo delegado de plantão, cujo nome não mais me recordo, que informou que iria mandar para ali uma pessoa a ser recolhida, apenas no corredor que separava as celas e que deveria permanecer ali durante toda noite, o que de fato aconteceu.
Depois de recolher tal pessoa, com os cuidados recomendados pelo delegado plantonista, eis que recebi a visita do sempre barulhento e hoje saudoso advogado Abílio Nascimento, indagando a mim se aquela pessoa se encontrava recolhida ali no 2º Distrito, tendo eu de pronto negado o recolhimento do mesmo.
Nesse mesmo tempo, sem que ninguém percebesse, o preso subiu até a grade que dava vistas para a saída do prédio e ao perceber o advogado Abílio que se dirigia até o seu veiculo para procurar em outras delegacias, gritou a pleno pulmões: ‘Dr. Abílio eu estou preso aqui’, ato continuo o advogado retornou e bastante irritado me disse que iria adotar sérias providencias e que poderia ocorrer inclusive demissões, se retirando em seguida até o plantão de polícia.
Tempos depois, eis que o delegado, me determinou a soltura dessa pessoa, que aparentemente se encontrava recolhida ilegalmente, posto que nunca tomei conhecimento de nenhum procedimento legal contra tal preso.
Nem é necessário dizer que durante noite perdurou entre nós plantonistas do 2º Distrito Policial um clima terrível de angustia, pois naquela época por muito pouco nós perdemos o emprego, em rzaõ das coisas mais simples, imagine se recolher nos corredores das celas uma pessoa sem o devido processo legal.
Muito cedo da manhã, quando amargurado já ia sair para entregar as ocorrências da noite ao delegado de plantão, aparece de repente na delegacia o advogado Abílio Nascimento, que com o coração sempre muito generoso e sabedor que tinha deixado a todos angustiados, falou que tinha repensado e não iria formular qualquer queixa contra nós e que aquele fato, deveria servir como exemplo, para ocorrências futuras, que poderiam nos comprometer profissionalmente e que, portanto deveríamos agir sempre dentro do que dispunha a legislação.
Saudade do grande advogado e amigo dos policiais, Abílio Nascimento.

Em Porto Velho assaltantes levaram até o pesado cofre da Padaria Popular
Em 2003 me encontrava como delegado Titular da Delegacia de Crimes contra o Patrimônio, tendo ali na equipe Edilson Lopes, Sivaldi, Faustino, Cabral, Rivaldo, Catanhede, Raimundo 18, Serjão e muitos outros policiais, realizando naquela época um trabalho bem elogiado, pois desbaratamos a Quadrilha de jovens da sociedade de Porto Velho, que praticavam estupros e roubos e que era comandada pelo falecido individuo de vulgo Gato. Com informações de um informante de Catanhede a nossa equipe teve importância vital no esclarecimento do latrocínio de Carlos Donege superintendente da .........crime que chocou toda sociedade rondoniense, a prisão da estelionatária granfina de Belém-PA, esposa de um militar da alta patente, a prisão do conhecido estelionatário Evon Cançado Arantes que comprava cheques de pequeno valor e colocava valores bem superiores, preservando apenas a assinatura do titular da conta e muitos outros furtos e roubos importantes.
Uma ação, porém teve muito destaque, ou seja, um certo dia na madrugada, assaltaram a tradicional Padaria Popular, que servia lanches e que tinha um movimento muito grande e consequentemente tinha sempre dinheiro em caixa.
Quatro indivíduos todos armados, adentraram no citado estabelecimento, renderam a todos e tomaram dinheiro e pertences e quando já se imaginava que os mesmos já iriam se retirar, eis que estacionou defronte a padaria, um veiculo cinza modelo Del Rey, servindo como taxi e os indivíduos resolveram também levar o pesado cofre da padaria e com muito sacrifício conseguiram colocar na mala do taxi e se evadiram do local.
Muito cedo da manhã fui ‘educadamente’ despertado pelo secretário Humberto Morais de Vasconcelos, irado dizendo até palavrões, pois entendia ele que inadmissível acontecer um fato daquele com um irmão de Maçonaria do Governador, que por sua vez já tinha telefonado para sua casa, exigindo dele secretário o imediato esclarecimento daquele roubo.
Ainda pensei em dizer ao secretário que nem eu nem os policiais éramos guardas noturnos e, portanto não poderíamos estar ali na hora do assalto, mas ai poderia piorar muito a coisa e até gerar punições, o que era bem comum naquela época e engoli calado.
Sai rapidamente de casa e ao chegar na Delegacia, solicitei ao comissário que mesmo antes do horário normal de expediente, enviasse duas viaturas para buscar nas respectivas casas os componentes da nossa equipe, o que de fato foi feito.
Diante da informação de que o cofre teria sido levado num carro Del Rey de cor cinza e de praça, fiz uma rápida reunião e disse aos policiais que não deveriam ter tantos veículos com essa discrição e, portanto caíssem em campo e trouxessem até delegacia todos os carros que se encaixassem nessa descrição.
Cerca de uma hora depois uma equipe trouxe um taxi Del Rey Cinza e o seu condutor, um sujeito, branco, baixo e forte. Ao observar o mesmo percebi suas roupas sujas e amarrotadas e os olhos bem vermelhos como se tivesse passado a noite trabalhando e indagando sobre isso, me disse que estava dormindo em casa, quando então peguei a chave do carro e sozinho fui olhar a mala do carro e ao abrir logo vi claramente as marcas dos quatros pés do cofre e ai não tive mais nenhum duvida, mas para não fazer uma avaliação errada, chamei separadamente dois ou três policiais e passei a indagar o que os mesmos viam ali na mala e todos forma unânimes que o cofre tinha sido transportado naquele veiculo.
De volta a sala, me virei para o suspeito e disse ao mesmo: ‘Aqui não tem trouxa não e nós temos urgência em saber onde se encontra seus parceiros e o cofre. O dito cujo percebendo que a casa tinha caído, nem pestanejou e disse que todos estavam naquele momento abrindo o cofre nos fundos de uma casa abandonada na Rua Pinheiro Machado e que estavam todos armados.
Acionei toda equipe do Patrimônio, bem como o pessoal da Sevic do 4º DP que funcionava também no mesmo prédio e rumamos rapidamente para lá, desembarcamos das viaturas um quarteirão antes e fomos andando, na verdade quase correndo e adentramos na casa até o quintal, quando inesperadamente o policial Cabral com a metralhadora na mão e sem receber nenhum comando, com os pés estraçalhou a porta de entrada e ali se encontravam os quatro indivíduos de cócoras, abrindo o cofre utilizando um maçarico, com as respectivas armas longe dos mesmos em cima de uma velha prateleira, não permitindo assim nenhuma reação, quando então todos foram devidamente imobilizados e algemados.

De volta a Delegacia do Patrimônio, muita comemoração dos policiais e ai sim, muitos afagos e parabéns da cúpula da SSP, com elogio recebido até mesmo do governador do Estado, pelo esclarecimento do roubo a apreensão do cofre com todo dinheiro em pouco mais de cinco horas de trabalho.
Depois dessa resolveram que eu deveria trabalhar como delegado-titular e solitário em Guajará-Mirim, em tempos terríveis de muito comércio de drogas e ao lado um pesado garimpo. Mas, essa é outra história para depois.

Historia da Polícia Civil VI

 Pedro Marinho - Humberto Morais de Vasconcelos costumava jogar no lixo os inquéritos em tramitação
O ex-secretário de Segurança Humberto Moraes de Vasconcelos, delegado oriundo dos quadros da Polícia Federal, foi nomeado na gestão do saudoso governador Jorge Teixeira de Oliveira, Secretario de Segurança Pública de Rondônia, para suceder o saudoso Hélio Máximo, que havia sido nomeado Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia.
Humberto, era homem sisudo e de poucas falas e na sua gestão, desagradou muito aos servidores da Pasta, pois nunca fez questão de cativar e fazer amigos nos quadros da Polícia Civil e era muito conhecido pela sua rudeza, constatada em vários episódios.
Quando Humberto chegou a Rondônia, trouxe consigo informações equivocadas sobre nossos profissionais, em razão principalmente da morte do garimpeiro Assis, fato de grande repercussão a época, tendo Humberto demitido alguns delegados sem sequer oferecer aos mesmos o direito a ampla defesa, sendo, porém a demissão mais inexplicável de todas elas, a do competente delegado Smith, que foi demitido apenas porque Humberto já o conhecia dos quadros da Polícia Federal e não simpatizava com ele, tendo ainda cerca de dez policiais por não concordarem com aquela truculenta gestão, solicitaram transferência para Roraima.
Ele o secretário Humberto tinha algumas manias, dentre elas ele do nada aparecia de surpresa nas delegacias da capital e também do interior do Estado e como tinha muita afinidade com os trabalhos cartorários, cumprimentava o delegado titular e logo pedia para ser levado ao cartório e solicitava então para manusear os inquéritos em tramitação.
Naquela época o efetivo era bem reduzido nos cartórios e existiam, portanto, em muitas delegacias fazendo o trabalho que deveria ser de escrivães, agentes policiais ou agentes administrativos nomeados ad hoc, consequentemente o trabalho era bem difícil, razão pela qual se tomava os depoimentos e depois eram colocados juntos e soltos na capa referente aquela apuração, mas sem numeração e as folhas soltas, ou seja, o escrivão só organizava todo inquérito depois do relatório quando numerava e junto com o delegado assinava todas as folhas e encaminhava para a Justiça.
O secretario na sua maneira rude, quando recebia aquela capa com os todos documentos soltos, por absoluta falta de tempo e condições dos incansáveis escrivães, olhava feio para ele escrivão e para o delegado e de rosto contraído rapidamente procurava uma lixeira e dizia: ‘Esse amontoado de papel vai para o lixo, pois inquérito tem formalidades e isso pode ser tudo menos um inquérito’, se retirando em seguida deixando todos atônitos.


Pedro Marinho - A história do hino da Policia Civil de Rondônia
Diz a sabedoria popular que a pessoa só estará plenamente realizada quando superar três desafios na sua vida, ou seja, gerar filhos, plantar uma árvore e escrever um livro.
Dentro deste entendimento, o autor destas singelas linhas, já poderia então se julgar realizado, pois sou pai de três filhos, plantei não apenas uma única arvore, mas diversas delas, sendo o responsável pelo plantio de todas as arvores que ficam na calçada da sede do Sindicato dos Policiais do ex-Território de Rondônia e também as arvores que circundavam a sede do prédio da Central de Polícia em Porto Velho e que inexplicavelmente foram arrancadas, numa das muitas reformas realizadas no velho prédio.
Obtive, portanto grandes conquistas na minha vida e todas me envaidecem muito, porém abro um parêntese no texto, para falar com relação às árvores do antigo Plantão de Polícia, registrando que carrego comigo uma grande tristeza, pois depois que as plantei, não perdia a oportunidade de sempre visitar aquela repartição policial, apenas para observar o crescimento e o progresso das mesmas, verificando com satisfação que as pequenas mudas, obtidas junto a Prefeitura, já estavam adultas e encontravam frondosas, oferecendo sombra e abrigo, a todos aqueles que trafegavam por ali, até que um dia as encontrei no chão, derrubadas pela falta de sensibilidade de alguns.
Mas voltando ao tema da crônica, além dos filhos e das árvores, completando as três exigências, escrevi um livro biográfico com duzentas páginas, sobre o músico e compositor paraibano Joaquim Pereira, considerado pela critica musical, como um dos maiores compositores de música marcial do nosso país em todos os tempos, cujo trabalho, possibilitou o meu ingresso como musicólogo, na Cadeira nº 6 da Academia Paraibana de Música, bem como o livro denominado ‘Procissão das Pedras’ uma coletânea de mais de 200 artigos escrito ao longo dos anos.
A minha alegria e satisfação poderiam ter parado por ai, pois afinal de contas, havia superado essas três etapas – que dizem completam o ser humano – porém o meu contentamento foi mais além, pois verificando que em todas as solenidades a instituição Policial Civil, se ressentia de um hino para enaltecer os seus valores, bem como levantar o ânimo de seus componentes, fui provocado por alguns colegas e amigos para escrever o hino.
Aceitei o desafio e atrevidamente, sem nunca ter escrito um único verso, com as dificuldades próprias dos noviços, incursionei como letrista, elaborando quatro versos, mais o estribilho. Trabalho, em que procurei da melhor maneira possível, enaltecer a instituição, que tive a honra de pertencer por quase três décadas.
Concluída a letra, faltava então compor a melodia, missão inteiramente impossível, para uma pessoa como eu, que não tive na vida a ventura de identificar uma única nota musical, sendo incapaz de executar um simples instrumento musical, como por exemplo, um reco-reco. Porém, depois de muito esforço, com a letra pronta e com melodia na cabeça, procurei o então regente da Banda de Música da Polícia Militar, Tenente Celestino e o seu auxiliar Sargento Neves, tendo ambos com a grandeza e a sensibilidade próprias dos músicos, após ouvir a minha intenção e ouvindo a melodia que precariamente cantei, os dedicados músicos passaram a fazer as partituras e os seus arranjos.
Finalmente estava pronto o Hino da Polícia Civil de Rondônia. De posse da base gravada pela Banda da Polícia Militar, procurei o nosso saudoso colega Messias Viveiros, que tinha na sua residência um modesto estúdio e ele encantado com a composição, lá mesmo na sua residência utilizando a base musical que eu havia levado, fez questão de mesmo precariamente cantar e gravar o hino.
Superada a etapa de criação, faltava o ponto principal, o reconhecimento por parte do Governo do Estado, o que se tornou possível, graças o empenho do então Secretário de Segurança Pública Walderedo Paiva, que encaminhou o assunto ao Governador José Bianco, que prontamente através do Decreto nº 8803/99, oficializou a nossa composição, tendo depois disso o Secretario de Segurança Paulo Moraes, publicado uma portaria regulamentando sua execução em todas as solenidades da Policia Civil.
Tenho agora, portanto agora, não apenas três razoes para me sentir realizado, mas quatro grandes motivos, sendo o último deles, exatamente a ventura de ter escrito o hino, em que declaro o meu amor e respeito a esta instituição policial de tantas tradições em nosso Estado de Rondônia.

Pedro Marinho - O dia em que um seqüestrador telefonou para o secretário da Casa Civil do Governo de Rondônia
No ano de 1996 dois indivíduos ousados assaltaram um posto bancário que funcionava exatamente no prédio do Fórum Criminal de Porto Velho, cujo órgão era sempre muito movimentado, inclusive freqüentado por policiais que faziam escolta de presos.
Naquela ocasião dois policiais que estavam participando de uma audiência saíram em perseguição dos mesmos e dado voz prisão dois aos ladrões quando eles tentavam fugiam numa moto, tendo o individuo que viajava como carona atirado e no revide dos policiais sido morto, enquanto o condutor da moto, no nervosismo perdido do controle e caído e ao se levantar, corrido e invadido o escritório do advogado Miguel Roumiê, que funcionava ali nas proximidades do fórum.

O famoso advogado rondoniense foi tomado como refém, ficando o mesmo sob a mira do revólver do assaltante por quase 20 horas, com a imprensa e curiosos cercando o imóvel onde se desenrolava o drama.
O saudoso delegado Cézzar Pizzano assumiu as negociações e para manter contato com o sequestrador e como quase ninguém possuía telefone celular naquela época, ele pediu o celular do secretário da Casa Civil que passava por ali. O telefone ficou sendo utilizado durante horas Pizzano usando o telefone do secretário e o seqüestrador o telefone celular do sequestrado Miguel Romier. Já à noite tudo foi resolvido, ficando acertado que o individuo que mantinha o advogado nessa difícil situação, a receberia um automóvel e poderia deixar o local, libertando o refém mais adiante, sendo o delegado Pizzano sido informado que o aparelho teria que ser devolvido ao usuário, no caso o secretário da Casa Civil.
Depois de sair do local com o refém dirigindo o seu próprio automóvel, o ladrão percebeu que estava sendo seguido pela polícia (policiia enviados pelo delegado Pizzano - enquanto trafegava pela BR-364, nas proximidades do Cemetron, o mesmo bastante assustado, ligou do celular do refém para o delegado:
“Alô, doutor Pizzano....o senhor não está cumprindo o que prometeu. A polícia está atrás de mim, preciso de tempo necessário para fugir conforme combinado’.
Sem entender absolutamente nada da conversa, o secretário da Casa Civil bastante assustado pediu detalhes, ao que o ladrão bem zangado respondeu: ‘Porra, doutor, aqui é o seqüestrador”
Após essa informação, o secretário mandou um assessor levar rapidamente o celular de volta ao delegado Pizzano. Naquele momento, o Dr. Miguel Roumiê ja havia sido libertado e o sequestrador fugido no meio do sapezal. Meses depois esse perigoso delinqüente foi morto, ao tentar realizar um assalto em Manaus/AM.
Com relação ao telefone utilizado nas negociações com o marginal, depois do susto que passou o secretário Chefe da Casa Civil sequer o quis de volta.


Pedro Marinho - O dia em que o cantor Tim Maia precisou da Polícia Civil de Rondônia
Numa das vezes em que eu ocupava o cargo de Diretor de Policia Metropolitana o telefone tocou e do outro lado ouvi uma voz muito forte, que me pareceu bem familiar. Ao falar a pessoa foi logo dizendo: Dr. Pedro Marinho, aqui é Sebastião Maia e eu gostaria de denunciar que ai em Porto Velho, estão anunciando indevidamente um show meu sem que isso seja verdade. Então eu falei: ‘Espera, mas quem fala ai’, tendo o mesmo para a minha surpresa respondido: ‘Dr. É Tim, Tim Maia o cantor, quando então finalmente pude comprovar que efetivamente conhecia aquela voz inconfundível.
Superada de minha parte a surpresa inicial, Tim foi acrescentando que tomara conhecimento que existiam umas faixas na cidade de Porto Velho, anunciando um show seu para determinada data e ele logo foi dizendo ‘Dr. Eu já levo fama de não comparecer aos meus compromissos profissionais devidamente assinados, imagine se for comparecer um show que sequer ocorreu algum contato? Peço ao senhor, portanto, que apure, pois tem alguém ai querendo lesar as pessoas.
Ainda no mesmo telefone, considerando que naquela época as comunicações eram precárias, informei ao Tim Maia de que necessitava algo escrito para levar avante a investigação e disse ao mesmo que aceitaria até mesmo que fosse feita a queixa via telex, pois assim ficaria embasado para adotar as providencias cabíveis.
Minutos depois o telex enviado por Tim maia chegou as minhas mãos e como existia uma faixa estendida na Rua Carlos Gomes desse pseudo show, fui até lá e verifiquei que a anunciante era a sempre correta profissional Jussara Gottlieb e logo percebi que deveria estar ocorrendo algum equívoco.
Naquele momento poderia a ter chamado a meu gabinete, mas percebendo que a mesma poderia ter sido induzida a erro, fui até o Jornal Estadão, onde a mesma Ela Jussara, escrevia uma famosa coluna social, sendo carinhosamente pela mesma, quando mostrei a denuncia vinda via telex e Jussara como sempre muito correta nas suas atividades profissionais, ficou perplexa e explicou que havia sido enganada por alguém de São Paulo que havia se apresentado como empresário de Tim Maia, inclusive solicitado um adiantamento em dinheiro, mas que diante da mina informação ela iria imediatamente suspender toda a publicidade sobre o show e iria enviar toda aquela documentação para Tim Maia, para as providencias junto as autoridades policiais do Estado de São Paulo.
Visando esclarecer a identidade do autor daquele estelionato, ajudei e Jussara no que foi possível para o encaminhamento da documentação, ficando ela apenas com o prejuízo financeiro, já que nunca mais conseguiu o ressarcimento, pois esse tipo de estelionatário é sempre muito astuto.
Já Tim Maia, dias depois tornou a telefonar para me agradecer e disse que quando fosse para algum show no Estado de Rondônia faria questão de me procurar para dar um abraço e me trazer sua vasta coleção de sucessos - acho que naquela época os discos eram de vinil - o que infelizmente jamais aconteceu, mas valeu a pena pois ajudei a amiga Jussara Gottlieb num momento difícil e ao meu ídolo de ontem de hoje e de sempre Tim Maia.

Histórias da Polícia Civil V



 Pedro Marinho - A fuga do delegado da cidade

No ano de 1984, enfrentando um garimpo bem trabalhoso com milhares de homens, bem como o pesado trafico de drogas, me encontrava sozinho como delegado Regional de Guajará-Mirim, sem contar sequer com um adjunto ou mesmo com um escrivão, trabalhando apenas com uma agente administrativa, a nossa colega Judite, que nomeava ad hoc e posteriormente nomeado por mim como ajudante o policial Airton Procópio e também contando com uma excelente equipe de agentes policiais que me ajudaram muito nas tarefas de toda a regional e também a combater o trafico, tendo naquela ocasião dizimado a quadrilha do então maior traficante da Região Amazônica Nereu Machado de Lima, que residia naquela cidade.
Depois de muitos pedidos de pelo menos um delgado auxiliar, finalmente a direção Geral de Polícia, enviou para Guajará três novos delegados, sendo eu informado que os mesmos iriam permanecer ali aprendendo e posteriormente eu seria transferido para Porto Velho, sendo eles João do Vale Neto, Samuel dos Santos e um terceiro cujo nome devido o pouco tempo de convivência, infelizmente não guardei na memória, oriundo do Estado de São Paulo, que só guardei o apelido ‘Mingau’.
Ao se apresentarem a minha pessoa, considerando que a minha esposa e filhos se encontravam em João Pessoa, em decorrência de problemas de saúde do filho recém nascido Rodrigo e verificando que os mesmos estavam com pouco dinheiro, resolvi acomodá-los na minha casa até que eles conseguissem se estabelecer nas suas respectivas moradias.
A razão desse apelido de Mingau – depois vim, a saber – foi que durante o curso na Academia, todos os dias ele estudante, fazia uma papa bem rala, parecendo mesmo um mingau e dizia aos colegas que desde criancinha sua mãe preparava esse mingau para ele até o dia em que já adulto, foi para a academia em Rondônia e por isso ele não abria mão de degustar todas as manhas o seu mingau, o que gerou muitos gracejos e o apelido por parte dos colegas.
Soube posteriormente também, que durante o curso, ele contava sempre muita valentia e dizia que iria jogar duro como delegado de polícia seja contra os bandidos e também com relação à disciplina nas delegacias aonde viesse a atuar, pois ele não era homem de temer cara feia.
Na semana seguinte que chegaram os três novos delegados, o capitão Lucena, que comandava a Companhia da Polícia Militar e que se localizava ao lado da delegacia, enviou um convite dizendo que queria junto com os seus comandados recepcionar os novatos com uma feijoada por volta do meio-dia, o que foi prontamente aceito, pois seria bom para entrosá-los com os militares.
No dia supracitado, eu passava para lá r para cá e só via na repartição João do Vale e Samuel, quando então, em certo momento perguntei pelo delegado ausente, tendo João me respondido que os três haviam chegado cedo a delegacia e que ele misteriosamente sem nenhum satisfação havia desaparecido e como já se aproximava a hora do almoço chamei o policial João Pomba e solicitei ao mesmo que desse uma volta na cidade e fosse também até meu endereço, para localizar o delgado ausente.
Tempos depois João e sua equipe retornaram, tendo João informado que não tinham encontrado o delegado nem na casa e em nenhum lugar da cidade, informação que me deixou bem preocupado, pois como eram ainda eram muito sem experiência me sentia responsável pelos três.
Confesso que fui ao almoço na Companhia da PM, apenas com os dois colegas João do Vale e Samuel e a feijoada mesmo muito bem preparada, para mim não tinha sabor de nada em razão da grande preocupação com o sumiço do colega, pois temia que o mesmo inadvertidamente tivesse atravessado para a Bolívia e lá se apresentado como delegado e caído nas mãos de bandidos.
Logo depois do almoço resolvi pessoalmente procurar o colega, tendo primeiro dado uma volta pela cidade, mas sem nenhum sucesso, quando então, resolvi ir até a minha casa, pois quem sabe o mesmo poderia ter em seu interior passado mal e se encontrar por lá precisando de socorro.
Ao abrir a porta e adentrar na casa, fui recebido com um revolver na cara e então verifiquei que se tratava dele o colega desaparecido, com os olhos bem esbugalhados e que ao constatar de quem se tratava, baixou a arma e bem constrangido saiu apressadamente para o quarto, sendo seguido por mim, indagando ao mesmo, o que estava acontecendo com ele, quando então depois de várias vezes perguntas, ele disse apenas que não iria mais permanecer em Guajará, não explicando de jeito nenhum qual seria a razão dessa mudança brusca de comportamento e que já estava com a passagem comprada para viajar a noite daquele dia no ônibus das 19 horas e que iria permanecer em casa trancado até à hora da partida, mesmo sem alimento, já que fazíamos os quatro as nossas refeições na rua.
Na mesma conversa o assustado colega, ainda solicitou que eu o acompanhasse até a Rodoviária e dali escoltasse o ônibus até a Torre da Embratel, não admitindo que sequer os policiais da Sevic o acompanhassem. Tendo ele na ocasião indagado: ‘Doutor o senhor está armado?’ e diante da minha resposta afirmativa revelou que desejava que apenas eu o acompanhasse na sua despedida.
À noite depois de jantar com João do Vale e Samuel, comprei um sanduíche e um guaraná para ele e retornamos para casa, quando mais uma vez fui surpreendido com a postura do mesmo, que se recusou a comer ainda muito espantado estava com seu revolver numa cartucheira amarrada na perna como se fosse um Cowboy americano.
Conforme combinado o conduzi a rodoviária e ali o mesmo ainda fez uma solicitação que necessitaria de uma escolta na Rodoviária e outra mais tarde para levá-lo até o avião no aeroporto, tendo eu dito ao mesmo que iria providenciar o seu pedido, telefonando para a capital e atendendo o seu pedido, solitariamente acompanhei o ônibus até a saída da cidade.
Já na capital o mesmo pediu desligamento da Polícia Civil, porém informou que só entregaria a carteira funcional e o revolver ao chegar ao avião, sendo então escoltado até o interior da aeronave pelo Delegado Jovely Gonçalves e uma equipe de policiais e ali já no avião devolvido a arma e o documento.
O fato é que muito depois tomei conhecimento de que ele Mingau tinha chegado à cidade de Guajará-Mirim, muito cheio de exigências e falando de forma pouco educada com os policiais e com o publico, tendo inclusive sem que eu soubesse, implicado com os policiais com relação ao uso da viatura, recebendo dias depois, sem que se saiba até hoje a sua autoria, um estranho telefonema, dando um prazo de 24 horas para ele sumir de Guajará, sob pena de ser morto. Coitado do Mingau e da sua pseuda ‘valentia’.


Walderedo e o valentão do bar que desafiava a Polícia

No início da década de 80, a nossa policia passava por muitas transformações com a contratação de novos policiais e delegados graduados em Direito, pois com o advento do garimpo estavam chegando muitos garimpeiros e dentre esses que buscavam melhoras para as suas vidas, vinha também muitos indivíduos de má índole, muitos deles até procurados pelas polícias de outros Estados da Federação.
No interior do nosso Estado, a carência de efetivo policial era muito maior, o que gerava muita desordem e aumento da violência, inclusive com a frequencia de muitos crimes de pistolagem em questão de brigas por terras, com a ação de pistoleiros nos municípios como Jaru, Ouro Preto e Ji-Paraná ou seja, praticamente em todo Estado.
Naquela oportunidade, foram trazidos do Estado da Paraíba, cerca de vinte bacharéis em Direito, dentre eles Walderedo Paiva dos Santos, halterofilista e eleito Mister Paraíba, um homenzarrão com cerca de 1,85 m, 110 quilos, que pela sua aparência inglesa – que lhe rendeu uma participação no filme ‘Menino de Engenho’ – com seus olhos azuis chamava a atenção de todos, pois o seu biótipo era bem diferente daqueles da nossa região e ele Walderedo pela sua força física, logo foi apelidado de ‘Mão de onça’, cujo apelido foi dado pelo repórter policial Dalton Di Franco, depois de receber dele um aperto de mão de esmagar os ossos.
Certa feita vez ao chegar numa dessas cidades, o delegado Walderedo Paiva num jipe Gurgel e na companhia de dois policiais foi recebido pelo colega titular e em dado momento eis que entram esbaforidos no gabinete dois policiais lotados ali e logo se dirigem ao titular: Doutor, ta difícil o valentão tá desafiando todo mundo lá no bar, não respeitou os militares chamando os mesmos de meganhas e muito menos a nós, ele está com uma faca encostado na parede, desafiando a todos, o jeito vai ser atirar nele.
Walderedo ao ouvir aquele relato, entendeu como uma grande falta de respeito com a polícia e ato continuo, considerando o pequeno efetivo da delegacia, falou para o delegado me apontem o local, pois vou dar um jeito nesse valente e seguiu para o bar. Descendo do carro, com certa dificuldade em razão da sua altura e deixando a porta do Gurgel totalmente aberta, Walderedo parou na porta do bar gritou: " Seu Cabra de peia, seu fdp, tá vendo aquele carro ali parado, sem um pio embarque nele agora, pois quem está mandando sou eu, Walderedo Paiva dos Santos".
O então valentão olhou de alto a baixo para Walderedo e claro, temeroso da estampa do delegado e para preservar a sua integridade física, com um sorriso amarelo nos lábios, colocou a faca sobre uma mesa, olhou para os policiais que antes ele havia desafiado e disse: “Com vocês eu jamais iria, mas com esse homem super educado, eu vou tranquilamente".
De cabeça baixa então caminhou em direção a porta e passando rente a Walderedo, que tomava mais da metade do caminho, retirou o chapéu, levantou os olhos e respeitosamente cumprimentou Walderedo, seguindo então sozinho para a viatura, quando então Walderedo foi efusivamente aplaudido pelos curiosos que cercavam o bar e ele o desordeiro vaiado.
No ano de 1982 Walderedo, com o apoio da categoria e de muitos admiradores junto à população, foi eleito deputado estadual constituinte e foi ainda várias vezes secretário da Segurança e Secretário de Justiça. Walderedo já aposentado como delegado de polícia faleceu na sua terra natal João Pessoa-PB.


Pedro Marinho - Inquérito para apurar quem comeu as bananas do secretário de Segurança de Rondônia
Humberto Morais de Vasconcelos, em sua curta passagem como secretário de Segurança de Rondônia, deixou registrado muitos fatos pitorescos, dentre eles um episódio que chegou inclusive as páginas dos jornais da Capital, escrito que foi pelo jornalista Nonato Cruz, que foi editor policial do Jornal Estadão e Assessor de Comunicação da SSP/RO.
O fato é que Humberto residia ali do lado da antiga Central de Polícia, na casa que pertencia a Chiquilito Erse e tinha muito ciúmes das frutas que existiam no terreno citada da casa.
Numa detemninada época estava amadurecendo um cacho de bananas e Humberto todas as manhãs, ficava um bom tempo admirando as frutas e também verificava para saber se as mesmas já estavam maduras.
Certo dia, o mesmo ficou bastante indignado, pois constatou que parte das bananas havia desaparecido e prontamente já imaginou que aquele malfeito era obra de algum policial, pois pessoas outras não teriam tal ousadia e investigando, verificou que o autor de tal proeza tinha sido exatamente Raimundo, que era seu motorista e que na sua ausência tinha degustado as bananas.
Em razão desse episódio Raimundo ficou conhecido como ‘Raimundo das Bananas’ tendo ele Humberto, furioso determinado a instauração der um inquérito policial para apurar o desaparecimento das bananas para assim ter a oportunidade de punir exemplarmente seu motorista Raimundo.
Raimundo depois dessa sua atitude logo foi remanejado da função de motorista do secretário e escapou, quem sabe, de perder o seu emprego, porque algum tempo depois, Humberto deixou a Secretaria, e o delegado encarregado do inquérito mandou arquivá-lo, por considerar o caso irrelevante, dando apenas uma advertência ao devorador de bananas da casa do secretário.

 

Historia da Policia Civil IV

 SERÁ QUE ESSE É UM CAUSO VERDADEIRO? Só eles pra confirmarem.
.ERA BALA ...Muita bala....Sei, não! Vamos ler.
(03-09-2007)

Estimados colegas policiais

Agora vou contar um causo, que se deu em meados dos anos 80, quando funcionava o presídio na ilha de Santo Antônio, onde certo dia houve uma fuga em massa e fomos convocados para fazer parte de uma equipe que iria em busca dos presos.
Faziam parte, além de mim, João Paulo, Leite, Norberto, Jaime, Duarte, Índio (Ji-paraná), Dr. Jandir e outros, que não me recordo.

Já fazia oito dias que nós estávamos na mata, nas proximidades de Mutum-Paraná, todos cansados e com fome, quando, ao amanhecer, avistamos uma casa e ao tentarmos nos aproximar, fomos recebidos a bala por três fugitivos que estavam na mesma, quando revidamos e partimos em direção à casa,.foi quando, de repente, ouvimos o grito do João Paulo: ME ACERTARAM, ME ACERTARAM.

Eu e outro colega fomos socorrer o mesmo, quando notamos que um galho de goiabeira havia cortado o supercílio dele e não um tiro.

Foi uma gargalhada só! E, alegria maior ainda foi quando chegamos à casa, encontramos duas latas de conserva e aproximadamente meio quilo de farinha...
Era tanta a fome que comemos como se estivéssemos deliciando um filé. Os presos só foram capturados dois dias depois, um deles baleado no pé.

Companheiro João Paulo, você também, com certeza, faz parte da História da Polícia Civil do Estado Rondônia.

Muito obrigado por sua amizade e por suas lembranças e me desculpe à brincadeira.

Pedro Marinho, conta a sua história na polícia
Quando cheguei a cidade de Guajará-Mirim no Início dos Anos 80, a mesma já estava há muitos anos sem delegado de polícia, já que ninguém aceitava ser lotado ali, em razão do forte tráfico na fronteira com a Bolívia e do garimpo muito trabalhoso com milhares de garimpeiros atuando nas imediações da cidade.
Em razão da falta de um delegado quem exercia tal responsabilidade, era o agente administrativo, o saudoso Américo Abiorana, que posteriormente foi transposto para agente de polícia.
Apesar dos cuidados de Américo e dos bons quadros ali lotado, eles os policiais, desejavam alguém que nas dificuldades o apoiassem, pois se sentiam inseguros para o exercício das atividades policiais. Logo na primeira reunião realizada, disse aos mesmos que agissem sem nenhum receio de eventuais poderosos da região, sendo tal promessa literalmente cumprida, pois todas as vezes que ocorreram dificuldades no exercício do trabalho, ou choques com as autoridades locais, sempre me posicionei a favor dos policiais, estando muito deles vivos e assim poderão confirmar estas minhas colocações.
Mas vãos a história, certo dia, o policial Apolônio Silva, mais conhecido por todos como Vaca Brava e que solitariamente trabalhava no Distrito de Surpresa como subdelegado, bastante aflito, passou um rádio em que pedia para falar comigo. De pronto atendi o mesmo que me relatou que estaria se sentindo desmoralizado, pois um reservista, recém saído do Exército, havia desacatado ele Vaca Brava, em razão de um som alto que estava sendo reclamado pelas freiras, informou ele que tinha ido até o local, para pedir ao barulhento para diminuir o volume, tendo o dito cujo se rebelado e sem respeitar o servidor e muito menos a idade do mesmo, informado que não diminuiria o volume e ainda na presença de todos, utilizando palavras de baixo calão, mandou o policial para a PQP.
Naquela oportunidade, ainda no rádio Vaca fez ver que estava se sentindo desmotivado e desmoralizado e sem condições de permanecer naquela localidade, pois como trabalhava só, no momento de agressão verbal, só teria um caminho, sacar sua arma e fazer valer a sua autoridade, mas ai tinha pensado na sua esposa Emilia e no seu filho pequeno, razão porque optou em não reagir. Disse ainda que depois dessa desmoralização preferiria deixar a localidade de Surpresa, me solicitando um substituto, quando então disse ao mesmo que se alguém tivesse que deixar aquela localidade, com certeza não seria ele e que o mesmo ficasse quieto pois eu com alguns policiais estaríamos chegando ali para localizar e prender o atrevido, o que de fato foi feito, ainda no mesmo dia, utilizando uma voadeira, eu, Eguiberto e Lucena, enfrentamos seis horas de viagem subindo o rio até chegar a localidade.
Em Surpresa, verificamos que Vaca tinha falado demais e o sujeito estava foragido, havia se embrenhado no mato, ate que o encontramos escondido num sitio abandonado e o levamos para o centro da vila para que todos vissem quem realmente mandava e que, portanto, mereceria todo respeito. Na presença dos moradores, demos aquele tratamento vip no mesmo, o algemamos e o fizemos entrar no barco até Guajará-Mirim, ele apavorado pedia para não ser morto.
De volta a Guajará, novamente tivemos aquela conversa amistosa com ele e o trancafiamos na solitária, até o dia seguinte para lavratura do flagrante o que efetivamente foi feito e ao liberar o mesmo o avisei que se chegasse a Surpresa e olhasse ao menos de lado para o subdelegado, a sua situação iria piorar muito, pois quando nos subíssemos a sua situação ficaria bem ruim e, portanto ele que escolhesse o melhor para si.

Pedro Marinho conta a sua terceira história na Polícia Civil
Nos anos 80 em data que não consigo relembrar, fui chamando as pressas no Gabinete do Diretor Geral da Policia, Francisco Esmone Teixeira e ali fui avisado de que teria de imediatamente, acompanhado de um escrivão e de um agente de polícia, ir de avião até a Mineração Oriente Novo, nas proximidades da cidade de Ariquemes, pois um individuo havia invadido a área de mineração daquela empresa e tentado furtar um saco de 30 quilos de cassiterita, quando foi surpreendido pelos seguranças e preso. Informou o diretor, que nós deveríamos levar apenas o material para lavrar o flagrante, pois usaríamos usando a maquina de escrever da citada mineração.
Naqueles tempos, os recursos para deslocamento e diárias dos policias era bem escassos e a mineradora sempre que necessitava de algum apoio, pagava aos policiais generosas diárias, que normalmente eram pagas aos seus técnicos, quando em deslocamentos pelo Estado de Rondônia, razão pela qual eram sempre bem vindas, considerando ainda que os nossos salários eram bem pequenos. O fato é que naquela ocasião, foi dito que nos três receberíamos três diárias, quando lá chegássemos.
Ao chegarmos à Mineração Oriente Novo, descemos do pequeno avião e fomos recebidos pelo chefe da segurança, que nos levou para o local onde se encontrava recolhido o ladrão. Ao se abrir a sala, com surpresa, verificamos que o sujeito tinha aberto um buraco no telhado do prédio e fugido do local e o pior, levando consigo o saco de cassiterita, que desnecessariamente e estranhamente, havia sido deixado com ele, para segundo os seguranças da empresa, caracterizar o furto quando da nossa chegada.
O fato é que diligenciamos por toda área da mineração e pelas estradas adjacentes e o sujeito jamais foi encontrado e muito menos a res furtiva, o que deixou os seguranças numa situação bem complicada, para não dizer hilária.
Depois de uma excelente estadia, acomodados em confortáveis dormitórios e recebendo refeições de muito boa qualidade, preparadas por especialistas da cozinha, voltamos já no seguinte para Porto Velho. Como de praxe, na hora da partida, recebemos cada um da equipe, um envelope branco com as três diárias no seu interior e embarcamos no avião, levando conosco o engraçado episódio e junto com o piloto da aeronave, demos boas gargalhadas daquela surreal situação, que definitivamente marcou a minha história na Polícia Civil e dos dois companheiros policiais de viagem, que hoje infelizmente não recordo quem eram e quais os seus nomes.

Pedro Marinho conta a sua quarta história na Polícia Civil
Em mês e ano que infelizmente não recordo, sabendo apenas que foi no final dos Anos 80, me encontrava como diretor da Polícia Metropolitana quando fui chamado fui chamado urgente na Diretoria Geral da Polícia, recebendo a determinação do Diretor Francisco Esmone Teixeira, para embarcar urgente num helicóptero no hangar do governo e seguir um veiculo gol branco com três homens que haviam assaltado um comprador no centro da capital e empreendido fuga pela Campos Sales seguido de perto por uma viatura do 4º Distrito Policial, porém ao chegar na entrada da rodovia que leva a Abunâ, eis que faltou combustível, posto que naquela época a cota diária era de apenas de 10 litros por viatura, tendo o veiculo gol se evadido.
Naquela ocasião, foi dito pelo diretor, como a aeronave não transportava muita gente, eu deveria perseguir os criminosos levando apenas o policial Aldenis, que na época fazia a segurança do secretário, cujo policial morreu anos depois, vitima de acidente de transito na Avenida Jorge Teixeira de Oliveira, tendo Aldenis, se apresentado a mim portando na cintura como eu um revolver 38 e trazendo ainda duas metralhadoras Iná, para a operação que foi iniciada imediatamente com a decolagem do helicóptero.
Após alguns minutos, eu bem ansioso, pois jamais tinha me deslocado num helicóptero, eis que nós avistamos um gol branco, ou seja, com as mesmas características, em grande velocidade pela rodovia, tendo o piloto a meu comando, executado alguns vôos mais baixos, para assim tentar fazer com que o veiculo parasse e os assaltantes se entregassem, num momento de muita apreensão, pois ele mergulhava de frente o helicóptero e como o mesmo é todo envidraçado eu sentado ao seu lado no banco da frente,, tinha a impressão que iria atravessar o vidro e cair embaixo, uma sensação muito desagradável, para quem como eu jamais tinha utilizado um helicóptero.
Depois de vários ataques, eis que o motorista do gol adentrou no Distrito, hoje submerso pelas águas, Mutum -Paraná e parou a cerca de 20 metros, descendo os ocupantes do Gol, todos com as mãos para o alto, quando então o piloto fez descer o helicóptero, levantando toneladas de areia vermelha e estragando definitivamente os almoços de dezenas de pessoas que naquela hora comiam nas muitas barracas ali existentes.
Ao saltar do helicóptero com as metralhadoras apontadas para os três e prevendo possível reação, gritamos muitos para eles: ‘Para o chão’.... ‘Para o chão’....‘Para o chão’. Oportunidade que as três pessoas se jogaram de bruços no chão, ficando todos cobertos pelo barro vermelho ali existente.
Logo que com as devidas cautelas, nós aproximamos, os mesmos começaram gritar que não eram bandidos e sim o motorista e dois engenheiros da Ceron, que estavam ali serviço da empresa, num veiculo gol alugado e sem identificação. Na oportunidade então os revistamos e sacamos dos bolsos dos mesmos os respectivos documentos, verificando ainda no interior do veiculo, que não existiam armas e nem muito menos ouro e sim apenas o material de trabalho dos dois engenheiros, que foram ali fazer um trabalho de observação e medição da fiação elétrica.
Desnecessário dizer o constrangimento de todos nós, ou seja, do piloto e policiais, dos donos das barracas de alimentos e das pessoas que perderam seus almoços e muito principalmente dos servidores da Ceron, que devem ter perdido as roupas que vestiam na ocasião, em razão da impossibilidade de tirar delas depois aquele vermelho do bairro impregnado no tecido e também pelo demorado banho que tiveram que tomar para se livrar de sujeira por todo corpo, principalmente nos cabelos.
Quanto aos quilos de ouro roubados, os ladrões jamais foram encontrados, se imaginando que fugiram para a região de garimpo, para o Acre ou até mesmo para Guajará-Mirim e dali para a Bolívia.

 

Pedro Marinho, conta a sua quinta história na Polícia Civil
Entre os anos de 1987 e 1988, quando me encontrava mais uma vez como Diretor de Polícia Metropolitana, fui procurado por um grupo de senhoras e estudantes, reclamando que não podiam caminhar pelas proximidades da conhecida e antiga Boate Tartaruga, no centro da cidade, pois segundo elas, ocorriam ali muita bebedeira, exploração de menores de idade e as senhoras e estudantes que passavam ali por perto, eram assediadas pelos frequentadores e que, portanto, alguma providencia teria que ser tomada, pois as mesmas já tinham recorrido a diversas autoridades e nada tinha sido feito para resolver a grave questão, que ocorria diariamente e a luz do dia. Depois de ouvir a mesma e de formalizar um Boletim de Ocorrência, prometi ao grupo que em 24 horas aquele problema de décadas seria finalmente resolvido.
Já no dia seguinte solicitei para ficar a minha disposição o ônibus da garagem e mais duas viaturas veraneio e requisitando cerca de 15 homens com seus respectivos revolveres e três armas de grande porte.
Por volta das 15 horas quando o movimento dos freqüentadores da Boate já era grande, solicitei que o ônibus ficasse atravessado na rua na parte de cima e que as duas Viaturas Veraneios, se posicionassem na outra extremidade da rua, evitando assim quaisquer fugas, fossem de indivíduos suspeitos, fossem de menores de idade.
Na verdade existiam duas boates na final da rua, quase defronte uma casa da outra. Na primeira que adentrei com parte da equipe não verifiquei nenhum anormalidade, tendo então me dirigido a Boate Tartaruga e ao adentrar ali, já pressenti um clima bem desagradável entre o motorista da Metropolitana, o policial do Estado Claudinei que trabalhava diretamente comigo e dois sujeitos alterados e desacatando os policiais presentes.
Tais pessoas em pleno expediente e embriagadas se diziam soldados da Polícia Militar e que eles sim entendiam de policia e que nós não sabíamos de nada, quando então os rebati, dizendo que se eles eram tão entendidos assim em atividades policiais, era bem estranho que fossem ainda dois soldados rasos, quando então o mais forte não gostando da gozação que fiz com ambos, veio na minha direção, mas ficou só na vontade, pois o zeloso Claudinei, que tinha cerca de 1.80 de altura, passou voando próximo ao meu ombro e deu uma voadora acertando o peito do militar o jogando longe, quando então ordenei que ambos fossem algemados dentro do ônibus e encaminhados a Central de Polícia para as providências legais, bem como outros freqüentadores irregulares e as menores, tendo naquele dia a Boate Tartaruga encerrado de forma definitiva as suas atividades naquele local, são sabendo eu se ressurgiu em algum outro local da cidade. Penso que não.
Com os policiais militares algemados no cano da Central de Polícia determinei que fossem adotadas as providenciam legais contra os mesmo e fui para meu gabinete informar ao comando da Polícia Militar sobre o acontecido e solicitando a presença do Oficial de Dia para levá-los para o quartel paras providencias administrativas. Qual não foi minha surpresa quando momentos depois fui rapidamente chamado pelo delegado de plantão, pois dois aspirantes que tinham chegado ali, atrevidamente usando as suas próprias chaves estavam tentando abrir as algemas dos dois soldados, desrespeitando os delegados e policiais presentes, quando então adentrei no recinto gritei ‘Alto lá’ e dei uma lição de moral nos dois, pedindo que ambos se retirassem e retornassem para o quartel, pois não entregaria os militares presos a eles, que não souberam se conduzir como graduados na casa alheia e que eu iria fazer um relatório sobre a conduta dos dois soldados e deles oficiais, o que de fato cumpri no mesmo dia.
Novamente liguei para o quartel e o próprio Oficial de Dia um capitão louro, cujo nome infelizmente não recordo que veio pessoalmente buscar os soldados e lamentou todo ocorrido, principalmente a conduta do dois aspirantes a Oficial e disse ali na Central na presença de todos, que as providências com os quatro militares seriam com certeza rigorosas, mas entretanto jamais soubemos o que aconteceu com os mesmos. Talvez absolutamente nada, mas tenho certeza que cumprimos o nosso dever e nos impomos.
Esta é mais uma das tantas histórias que nós policiais vivenciamos mesmo com as dificuldades próprias daquela época, Deixo aqui de citar nomes dos demais policiais civis envolvidos, pois infelizmente não recordo e também por temer cometer injustiças.

 

História da Policia Civil III

 No início de 1981, o Negro Dario e mais uma dezena de presos fugiram da Ilha de Santo Antonio, depois de esfaquear um vigilante que fazia e a guarda externa do presídio. Fugiram dali, Carlinhos Palmeira e mais os seus primos, o Negão Santa Brígida, o individuo conhecido por Paulista e também Nego Dario, fugindo todos no sentido de Guajará-Mirim. No meio do caminho, como não se achava os fugitivos, alguns policiais resolveram regressar para Porto Velho, tendo eu, Manoel e Josimar esse último de Ji-Paraná e que tinha vindo a Porto Velho apanhar uns documentos, terminou também participando da operação.
Passamos onze dias no trecho, certo dia fomos informados que um individuo com as características do Paulista, havia passado pela estrada e ai pedi emprestada a camioneta de um garimpeiro e aliás, autorizei o mesmo a portar a espingarda e ele foi junto comigo e com o colega Josimar, que tomou o volante da camioneta, enquanto eu e o garimpeiro deitados na carroceria e ao chegarmos nas proximidades de Mutum-Paraná, avistamos o Paulista, seguindo pela estrada e pedindo carona, quando então, Josimar parou o veículo mais adiante e ele se aproximou, quando então eu e o dono da camioneta, saímos armados da carroceria e o surpreendemos o Paulista e mesmo ele com um revolver enrolado num saco, com as mãos para trás do corpo, pronto para reagir, mas quando viu três pessoas armadas e num lugar totalmente deserto se ajoelhou e pediu para não ser morto.
Depois de tal prisão, recolhi o mesmo na localidade de Jaci-Parana, mas os garimpeiros queria matá-lo e ai tive que levá-lo para Porto Velho. É importante dizer, que até prender o Paulista, eu e Josimar passamos cinco ou seis dias atrás dos fugitivos, eu ia para um lado e o Josimar ia para outro. Ele pegava um caminhão e ia para algum lugar da estrada eu pegava o caminhão do Frigorífico Wilson do Acre e ia para o outro e sempre muito mal acomodados, pois até debaixo de ponte tivemos que dormir.
Teve um dia que em encontrava tão cansado, que fui dormir debaixo da ponte e pedi a alguns populares que não deixassem ninguém cruzar a ponte, pois temia que pudesse ser um dos fugitivos e me surpreender dormindo e as pessoas de bom grado atenderam e ficaram vigiando a ponte, porém mesmo assim, utilizando o matagal o Nego Dario conseguiu passar e seguir em direção ao Acre e posteriormente ao ser preso, disse que me avistou e só não me matou, em razão das pessoas que se encontravam ali nas proximidades.
Ao amanhecer desse dia, fui até a Vila para conseguir gasolina para fazer o motor funcionar e assim passar um rádio para Porto Velho, para informar que os forasteiros estavam lá, solicitando o envio de reforços, o que de fato foi feito.
No primeiro tiroteio que Eu, Josimar e Manelão tivermos com ele, os grupo de policiais se separou e depois nos reencontramos, até a chegada dos demais colegas. Tendo chegado os delegados Walderedo Paiva e Jandi de Melo Lacerda e ainda os policiais João Vianney, Leite, Coruja, Norberto Savala, Jaime, Duarte, sendo que nessa ocasião eu me encontrava dormindo sob a ponte e fui acordado por Norberto se fazendo que eram os bandidos, me pregando assim um grande susto.
Eles os bandidos caminhavam quase sempre pela linha da rodovia Madeira Mamoré e ao passar pelos sítios, eles furtavam alimentos e armas.
No oitavo dia nas proximidades de Mutum-Paraná, eu e todos os policiais bem cansados e com fome, ao amanhecer, avistamos uma casa e ao tentarmos nos aproximar, fomos recebidos a bala por três fugitivos que estavam na residencia, quando revidamos e partimos em direção a casa e foi muito corre...corre, quando então percebi que algo havia acertado no meu rosto que sangrava e passei a gritar: ME ACERTARAM, ME ACERTARAM, quando os colegas vieram em meu socorro, perceberam que era alarme falso, pois apenas um galho de goiabeira que havia cortado o meu supercílio e não um tiro, como eu nervosamente imaginava.
Foi com certeza a parte hilária da aventura. O Nego Dario foi o último a ser preso no décimo primeiro dia na extrema do Acre, bastante abatido, pois há dias não se alimentava.

João Paulo das Virgens conta a sua historia na Polícia
Uma vez o Diretor Geral de Polícia, Carlos Lobo, me chamou e disse: Pegue sua equipe (Saudosos Sérgio Barriga, Juarez "Nariz de Ferro" e João Faustino) e vão para Ariquemes, pois o governador vai estar lá amanhã cedo e vocês devem já estar esperando quando ele chegar pois querem invadir o Banco do Brasil e os funcionários estão todos escondidos. Continuei em pé diante dele que olho para mim e perguntou o que eu estava esperando? Lhe respondi que estava aguardando se iríamos de Ônibus ou se ele ia disponibilizar alguma viatura e motorista. Ele me respondeu que não, que eu me virasse e estivesse em Ariquemes no outro dia antes de Teixeirão. Retirei-me, chamei os colegas e pedi ao Fittipaldi que nos levasse até ao Aeroclube. Chegando lá, perguntei de quem era a vez do vôo, assinei a requisição e voamos para Ariquemes. Fomos para o Hotel e no outro dia os parceleiros estavam todos na frente do BB que era uma estrutura de pré-moldado e queriam o dinheiro de qualquer maneira. O Banco fechado e os funcionários e gerente sumidos. Quando chegou o governador Jorge Teixeira com William Cury, José Renato e Hélio Máximo. Nos colocamos na frente da carroceria do caminhão que eles subiram e Teixeira, Cury e o prefeito Francisco Sales discuraram, Teixeira disse uns palavrões, Cury outros e a turma se acalmou e no final até aplaudiu. Apaziguada a situação, os colonos se dispersaram com a promessa do Govenador que na outra semana faria o pagamento, pois iria a Brasília resolver isso. Daí o prefeito Sales nos deu a passagem de volta e retornamos de ônibus a Porto Velho. Passado uns dias, fui chamado pelo Secretário e quando entrei na sala, lá estava o Diretor e Hélio Máximo aos berros. Mal entrei na sala e já foram me mostrando a ordem de vôo assinado por mim. O secretário me perguntou quem mandou pegar um avião para Ariquemes? Eu falei logo: O Diretor, que quase desmaia na sala. Aí eu expliquei: Ele disse que nós tínhamos que chegar antes do governador e dos senhores lá em Ariquemes naquele dia. Perguntei qual o meio de transporte e ele mandou eu me virar. Eu me virei. Agora pergunto ao senhor: quem o senhor achar que arrumou aquele caminhão e colocou no meio da multidão para o governador e os senhores subirem e acalmar os ânimos do povo que queria tocar fogo no Banco do Brasil? Diante disso ele mandou eu me retirar da sala com as promessas de não fazer mais isso. E Carlos Lobo ficou lá em papos de aranha. Logo depois em uma revolta da Polícia, derrubamos ele do DGPC.

A segunda historia de João Paulo das Virgens na Polícia Civil
João Paulo das Virgens conta conta a sua terceira história na Polícia Civil - Kojak
No início dos Anos 80 o saudoso Claudionor Silva, o Kojak, foi reformado como cabo do Exército e o mesmo desejoso de ingressar na Polícia Civil, mesmo estando reformado ele diariamente vestia a sua farda do Exército e amanhecia no gabinete do Governador Jorge Teixeira, querendo solicitar a nomeação.
Quando o governador adentrava na ante-sala do seu gabinete sempre cercado de secretários e assessores, ele Kojak rapidamente se postava de pé juntava os coturnos e fazendo continência e gritava: ‘Pronto Coronel, cabo Claudionor se apresentando’, grito que muitas vezes até assustava o próprio coronel e as demais pessoas presentes.
O certo é que as visitas diárias que Kojak, fazia ao palácio do governo não surtiam efeito, pois sempre alegando falta de disponibilidade a secretaria do governador adiava a esperada audiência que Kojak queria ter com o governador, para então fazer o seu pedido.
Diante das dificuldades de ser atendido no gabinete governamental, Kojak então mudou de tática e passou a fazer plantão às 6 horas da manhã na frente da Casa do Governador no centro da cidade e ficava por ali conversando com Dodó motorista do coronel Teixeira, que quando aparecia KojaK devidamente fardado prestava continência e repetia o velho grito: ‘Pronto coronel, Cabo Claudionor se apresentando”, Jorge Teixeira, respondia a continência e deizia ao seu dispor e rapidamente adentrava no veiculo oficial e Kojak nunca conseguia falar direito com ele.
Esse cerco ao governador era diário e demorou meses, até que um dia ele Jorge Teixeira que já não aguentava mais, falou para o então secretário de Segurança Hélio Maximo, que arrumasse um emprego para ele Kojak na policia civil, pois ele o governador já não aguentava mais o cerco diário.
No dia seguinte chamado a SSP/RO, Kojac logo cedo apareceu fardado no gabinete do secretário e ao entrar juntou os pés e sapecou uma ‘Pronto comandante as duas ordens’, tendo então Hélio Maximo muito sisudo dito a ele: ‘Kojak você vai ser contratado, mas evidente não pode andar por ai com a farda do Exército exercendo uma atividade civil, portanto, você só deve vesti-la quando for participar lá no quartel de algum evento militar.
Mesmo sem receber a arma ou documento funcional, Kojak foi colocado para estagiar comigo e demais policiais da equipe, tendo alguns dias depois a equipe sido designada para ir numa diligencia atrás dos fugitivos da Ilha de Santo Antonio e lá em Jaci-Paraná ficamos a noite inteira escondido debaixo de uma ponte e pedindo que todos ficassem de forma mais discreta possível, pois sequer era permitido acender cigarros, para assim surpreender os fugitivos, Mas não tinha quem fizesse Kojak ficar quieto, pois não parou a noite inteira contanto historias que dizia ter vivido no Exército.
Perto do amanhecer resolvemos subir para a estrada e pouco tempo depois, eis, que alguns dos fugitivos apareceram num carro e então ocorreu intenso tiroteio, porém eles conseguiram furar o cerco e passaram por nós, ocasião em que eu e os colegas entramos na viatura e eu falei para o motorista Raimundinho motora, vamos rapidamente atrás dos bandidos, tendo o mesmo se recusado a dar partida no carro, pois Kojak na hora dos tiros, tinha se enfiado debaixo do veiculo e ainda se encontrava lá, quando então eu disse ao mesmo, que acionasse o motor que ele com certeza sairia, tendo Raimundinho ligado o motor, mas mesmo assim não havia jeito de fazer ele Kojak sair, o que obrigou a todos a descerem para com muito custo retirar Kojak de debaixo do veiculo, tendo demorado muito para convencê-lo, tendo os colegas dito ao mesmo que já poderia sair, pois não existia mais nenhum risco.
O certo é que com o tempo perdido convencendo Kojak a sair debaixo da viatura , ao seguir atrás dos bandidos, já não foi possível alcançá-los e prende-los o que já veio há acontecer três dias depois já perto de Abunã.


O policial Josmar Câmara Feitosa conta a sua história na Polícia Civil.
A minha história se deu quando eu estava lotado na DRE, por volta dos idos de 1983, nosso destemido delegado titular era José Jório Ismael da Costa. Toda a equipe era fechada com ele, - o temido "Escovão", muito amigo da equipe e querido pela mesma.
Nós apelidávamos a nossa equipe de ‘elite’, pois era formado por excelentes profissionais, como o saudoso Luís Ataíde, paulista de Drascena - que por sinal foi quem me apresentou a música sertaneja, em razão de suas raízes e que até os dias atuais, não pode faltar no meu repertório musical – o falecido Ivaldo Pimenta Fernandes, policial dos mais corajosos, cujo espaço aqui seria pequeno para descrever o mesmo, pois tive a oportunidade de comprovar isso quando fui destacado para o garimpo pela primeira vez e ele foi o meu parceiro, (Garimpo do Embaúba) ano de 1983, só nós dois de Agentes, um delegado e um escrivão, para cuidar de milhares de garimpeiros, podendo por ai ver a qualidade e o destemor da equipe, compunha ainda a equipe do DRE, o recém falecido José Carlos de Araújo, o policial Marcondes, que abria garrafa de bebidas com um soco técnico de cair o queixo, tinha também o Paulo Calixto, excelente policial, dispensando maiores comentários, tinha ainda na equipe o Antônio Miranda dos Santos dentre outros.
Certa ocasião tivemos que fazer uma busca e apreensão na casa de um traficante famoso na época de nome "Iramar", tanto que o mesmo saiu até nas páginas da revista Veja, devido a sua periculosidade.
Naquele tempo não havia necessidade de mandado do Juiz, pois bastava o delegado se fazer presente e já era possível se realizar a busca. Naquela ocasião, o Dr. Jório estava presente e foi aquele alvoroço por se tratar do elemento famoso e perigoso. Me lembro que quando estávamos fazendo a ‘varredura’ no local’, toda vez que eu me aproximava de determinada área da residência, a comparsa do mesmo dizia para mim que o delegado estava me chamando, ocorrendo esse aviso por duas vezes, quando entãoperguntei ao delegado Jório se de fato ele havia me chamado e diante da sua negativa, desconfiados fomos até o lugar que a comparsa tentava me desviar a atenção, e então encontramos vestígios de que a terra fora removida, oportunidade em que o Dr. Jório mandou o bandido cavar a área e foram encontrado 10 quilos de maconha prensada, tendo imediatamente algemados os meliantes, ocorrendo muita alegria e satisfação na equipe, em razão do achado.
O que mais chamou a atenção nesse fato foi o nosso faro e perspicácia no desenrolar da operação, cujas prisões ensejaram muita comemoração, em razão da periculosidade daqueles indivíduos e por terem eles sido retirados de circulação e que mesmo agindo há bastante tempo nem mesmo a Federal o tinha prendido.
Essa é minha história juntamente com todos os participantes dessa DRE do passado. Oportunamente trarei novas história pois o nosso passado e todas as dificuldades vividas, deve m ficarem registradas para o futuro.

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