Caseiro mata patrão e simula um assalto.



 No início dos Anos 80, como delegado Regional na cidade de Guajara-Mirim, vivi diversas situações muito difíceis e uma delas foi o assassinato de um senhor já bem idoso e muito querido e respeitado naquela cidade, cujo nome era Rafael, também conhecido por Dom Rafaelito, uma pratica de tratamento pessoal, muito comum no país vizinho a Bolívia, ao se referir a pessoas muito respeitadas na sociedade.

Dom Rafaelito ficava entre sua casa dentro da cidade e boa parte do tempo num sítio de sua propriedade a alguns quilômetros rio acima da cidade de Guajará, cuja navegação Dom Rafaelito fazia num  barco a motor, muito conhecida naquela região como ‘voadeira.

Além dele, vivia no sítio em questão, um boliviano - cujo nome agora já não recordo, a esposa do mesmo e uma criancinha filha do casal. Certo dia, eis que o boliviano apareceu no porto da cidade num barquinho velho, trazendo o corpo de Dom Rafaelito, num barco ele trouxe até a cidade utilizando apenas remos, pois como explicou posteriormente na delegacia de policia, o barco a motor de Dom Rafaelito, havia sido roubado, daí a viagem num segundo barco que vivia ancourado no sitio.

No cartório da delegacia, tomei o depoimento do boliviano, depois de ele ser ouvido na Sevic pela equipe chefiada pelo experiente policial João Pomba e me convenci da versão que me apresentou, de que o sitio havia sido invadido por ladrões oriundos da Bolívia.

No interior do barco, para tristeza de todos que o viram chegar, o corpo de Dom Rafaelito, morto segundo ele, com um disparo de espingarda na cabeça, disparado pelos bandidos que invadiram o sítio e levaram todos os bens possíveis existentes na propriedade.

No cartório da delegacia ouvi o boliviano, depois de ele ser ouvido na Sevic pela equipe chefiada pelo experiente policial João Pomba e me convenci da versão apresentada pelo boliviano e o liberei, tendo ele seguido para velório de Dom Rafaelito na casa da cidade, onde ele chorava muito e repetia a todo momento para todos ouvirem: ‘Dom Rafaelito era um pai para mim‘ e chorava tanto que soluçava, impressionando parentes e amigos do morto.

Entre os muitos parentes e amigos no velório, um discretamente num canto da sala observava a todos e muito particularmente o comportamento do boliviano, pois diferente de mim e demais colegas ele o policial Waldeci Felix não tinha recebido muito bem a história narrada pelo empregado de Dom Rafaelito.

Logo cedo, na manha seguinte, recebo na minha residência o citado policial, que me revelou que não havia digerido bem a história e queria a minha autorização para conduzir aquele empregado do sitio e novamente ouvi -lo na Sevic, mas sabia que iria criar um tremendo mal estar, pois o suspeito era tão querido pela família do morto, que ainda na véspera ele, esposa e a criança receberam várias roupas novas, pois segundo ele no assalto tinham ficado só com a roupa do corpo.

Depois de devidamente autorizado ele Waldeci com alguns colegas seguiram para a residência do morto e todos já haviam ido para o cemitério, tendo a equipe seguido até lá e sem que ninguém percebesse retiraram dali o boliviano e o conduziram até a Delegacia, tendo Waldeci sozinho na Sevic com ele, passado a questionar a sua versão e depois de um bom tempo, em razão da experiência de Waldeci e sua paciência, finalmente o sujeito confessou o crime, pormenorizando, que junto com a sua esposa teriam forjado tal quadro, para que assim se apoderarem de todos os bens do patrão e levar tudo para vender na Bolívia.

Informou ainda o mesmo em sua confissão, que a marca nas duas costas tinha sido feita pela própria esposa, atendendo suas orientações, para assim a versão parecer real. Disse também que após a morte de Dom Rafaelito com a espingarda que ficava na fazenda, ele e esposa colocaram no barco, a arma do crime, mantimentos, ferramentas, redes de dormir, redes de pescas e outros utensílios e esconderam o barco num arbusto na beira do rio, para assim, depois de convencer a todos, inclusive a policia posteriormente levar tudo para a Bolívia e vender, retornando para a propriedade onde se deu o crime, onde iriam continuar trabalhando, em razão da confiança e amizade que exatamente havia adquirido junto aos familiares da vítima, principalmente junto ao filho mais velho Rafael, respeitado servidor do Basa - Banco do Amazonas S.A, Agencia Guajará.

Horas depois, já de posse da confissão do boliviano nos autos do processo, com ele devidamente preso preventivamente a meu pedido, encontrava com ele no meu gabinete, já que os policiais da Sevic haviam saído em busca do barco e pertences roubados, quando chegou ali o filho Rafael filho da vítima, que aliás, era meu velho conhecido dali mesmo da cidade.

O comissário ao adentrar no meu gabinete parecia assustado e me disse que a família de Dom Rafaelito havia descoberto tudo e que o filho Rafael, aparentando muito nervoso queria adentrar no gabinete a todo custo e eles os policiais naquele momento estavam em número bem reduzidos daí a intranquilidade deles policiais, quando então liberei sua entrada, mas disse ao policial que antes verificasse se ele Rafael, portava alguma arma.

Naquele momento o boliviano se encontrava a minha frente e de costas para a porta, quando mandei que trouxesse sua cadeira e se postasse sentado ao meu lado e ele bastante tremulo fez exatamente assim e ficamos aguardando a entrada de Rafael, que para minha surpresa, gritando muito, praticamente voou por cima da mesa para pegar o pescoço do boliviano e sendo ele um homem franzino e de pequena estatura, atravessei na frente e o segurei pelas mãos,fazendo-o sentasse e se controlar, e ele repetia: ‘Por que, por que, matar o meu velho pai, você tinha toda confiança dele e da família e o boliviano, escondido atrás de mim nada respondia ao desesperado Rafael, quando então determinei a retirada do criminoso do ambiente.

Já recuperado Rafael passou a contar a sua decepção e da sua família com a ingratidão, pois essa pessoa passava fome na Bolívia e a vítima acolheu e o ajudou sempre, pagando seu salário é lhe dando cestas básicas, que levava a cada viagem que fazia de Guajará ao sítio.

O amigo Rafael, não sei se ainda vive, anterior a a morte do seu querido pai, outro golpe terrível, ja havia ocorrido na sua vida, pois passeando numa voadeira com sua família, uma das suas duas filhas de apenas 4 anos de idade, caiu no rio e jamais foi encontrada.

Quanto ao policial Waldeci Félix, o seu exemplo de profissional e o amor ao trabalho, permitiu que um brutal assassinato não ficasse impune. Waldeci quem sabe algum dia, receb

Pedro Marinho – O dia que tive que ouvir em cartório um surdo-mudo

 

Ao tomar posse na Polícia, quando da transformação do território em Estado, confesso que me senti como um peixe fora d’ água, pois tinha apenas a formação oriunda da iniciativa privada como gestor de diversos hotéis na cidade de João Pessoa, um curso de graduação como bacharel em Direito e alguma prática como aprendiz em jornal diário e nada, além disso.

Ao tomar posse e sem muitas delongas, me foi entregue numa caixa contendo um revolver novo, seis munições e o documento funcional como delegado de polícia, além de um memorando para que me apresentasse no 3º Distrito Policial, onde ficaria como adjunto, para na prática aprender o difícil mister de como policial servir a coletividade.


Naquela unidade policial, já encontrei como titular o delegado Marcos Santiago e como adjunto o delegado Jório Ismael da Costa, ambos meus conterrâneos, sendo ali muito bem recebido por todos, delegados, agentes, escrivães e o pessoal administrativo.
Nos primeiros dias tendo como escrivão o excelente Manuelzinho, fiquei na sala do delegado Jório e ali acompanhava os depoimentos para assim aprender como fazer, o que perdurou por alguns dias, quando então, em determinado inquérito, Jorio se levantou da cadeira e mandou que eu ali sentasse e tomasse a termo em seu nome as declarações de uma pessoa. Confesso que foi um momento muito difícil, mas as duras penas consegui realizar a contento o trabalho que me fora confiado e a partir daquele dia, passei a presidir meus próprios inquéritos.

Certo dia o colega Jório se envolveu num acidente, pois abalroou uma bicicleta que tinha como condutor um surdo-mudo, que em razão do forte impacto subiu no capô do fusca e estraçalhou o pára-brisa do veiculo, sofrendo ele a vitima várias lesões, sendo socorrido para um hospital.

O inquérito sob a minha presidência vinha tramitando bem até o dia que tive que ouvir a vitima o surdo-mudo e ai o tempo esquentou, pois naquela época a língua brasileira de sinais Libra ainda era muito insipiente, pois se usava quase sempre a leitura labial, ou palavras incompreensíveis ditas pelo mudo. Por conta da dificuldade, nomeei então a irmã do mesmo como sua interprete, tendo em vista que ela em razão da convivência com o mesmo entendia muita coisa que ele balbuciava e iniciei a oitiva.

Cada pergunta que eu fazia ele o mudo se levantava para explicar e virava as cadeiras, derrubava o telefone, deitava no chão e até em cima da minha mesa, para explicar como tinha sido atingido pelo carro e rolado para cima do capô, a sua forma de se fazer entender era um verdadeiro horror.

Temeroso que até o final da sua oitiva, o mesmo terminasse destruindo toda sala do cartório, fiz que ele se sentasse junto de minha cadeira e fiquei e com uma mão manuseando o inquérito e com a outra segurando o mesmo por um dos seus braços até o final do depoimento, para que ele não se mais se levantasse, sendo realmente foi muito duro contê-lo até o final, quando sob risos de todos os presentes, finalmente exausto terminei aquele trabalho e pela primeira vez em um depoimento, foi como eu tivesse carregado um saco de cimento nas costas por muitos metros, pois além da preocupação em ditar para o escrivão, tinha ainda que usando moderada força segurar a irrequieta e escandalosa vítima. Para um noviço como eu, foi uma estréia exaustiva e surreal.

Histórias da Polícia XV

 Pedro Marinho - Humberto Morais de Vasconcelos e a apreensão do cinturão do delegado

Um episódio bem marcante da rudeza de Humberto Morais de Vasconcelos, se deu com o ex-delegado Cândido ( nome é fictício para preservar o ex-delegado) da primeira turma de delegados formada pelo Estado de Rondônia.
O delegado Cândido, era há bastante tempo delegado titular do 1º Distrito Policial na capital e certo dia com a sua equipe – quem sabe querendo mostrar serviço – saiu pelo Bairro do Mocambo, abordando todo muito e entrando nas casas, pedindo nota fiscal de tudo e na falta dela a nota fiscal aprendia televisão, rádio, bicicleta e tudo que via pela sua frente, tendo casos que o dono do imóvel estava assistindo a televisão e ele o delegado desligava a TV direto na tomada e mandava levar para as viaturas.
Em determinado momento, eis que vinha um cidadão trafegando numa bicicleta, quando então o delegado segurou no guidão da mesma e indagou: ‘Cadê a nota fiscal dessa bicicleta?”e como a pessoa não tinha ali tal comprovante, não teve jeito a sua bicicleta foi uma das apreendidas e também levada para a delegacia que ficou lotada de objetos.
O problema é que o cidadão que teve a bicicleta aprendida era vigia da residência da Secretaria do Planejamento Janelene Melo, uma pessoa com muito prestigio e que muitas vezes assumia o Governo do Estado nos impedimentos do Governador Jorge Teixeira de Oliveira, que aquela noite dormiu sem vigia na sua residência.
Logo nas primeiras horas da manha Janelene foi procurada pelo vigia que lhe narrou os fatos tendo ela imediatamente telefonado para o secretário Humberto, que bem constrangido lhe pediu mil desculpas e disse a mesma que iria resolver o caso imediatamente.
Ao desligar o telefone, Humberto aos gritos começou a chamar e apertar a campainha em cima da mesa, chamando os seus assessores que ficavam na ante-sala, para que localizassem sem perda de tempo o delegado Cândido, que deveria comparecer ao gabinete dele secretário, ordem imediatamente cumprida via serviço de rádio, já que o delegado se encontrava trafegando na viatura.
Ao receber o chamado para comparecer urgente ao gabinete do Secretário, Cândido engoliu em seco, pois todos sabiam que ser chamado por Humberto, com certeza coisa boa não poderia ser e bem constrangido ele seguiu para a Secretaria de Segurança e ao chegar na ante-sala seu aperreio aumentou ainda mais, pois foi informado que o secretário bastante impaciente já tinha perguntado por ele umas três vezes.
Ao adentrar cuidadosamente na sala e educadamente cumprimentar o secretário, Cândido não obteve nenhuma resposta, pois Humberto levantou a cabeça lhe fuzilou com o olhar e se levantando da mesa, segurou fortemente o cinto do delegado e gritava: ‘Cadê a nota, cadê a nota fiscal desse cinto? E Francisco atônito tentando se livrar do mesmo, respondia: Não tenho, não tenho. Quando então o secretário gritava: O cinto tá apreendido, o cinto tá apreendido, até que os ânimos se acalmaram com a chegada de outras pessoas para tirar o delegado daquela situação.
De volta a sua delegacia, Cândido encheu um caminhão de objetos aprendidos e foi devolver aos seus proprietários e nunca mais na sua vida profissional realizou rondas, até que certo dia para surpresa de todos. pediu exoneração e retornou para a sua terra.
Oportunamente voltarei com mais histórias do ex-secretário Humberto de Morais Vasconcelos.

Pedro Marinho - Secretário Humberto Vasconcelos é barrado na Delegacia de Guajará
Jesus Antonio de Oliveira Gomes
Certa feita chegando à cidade de Guajará-Mirim, já por volta das 20 horas, sem sequer dar uma boa noite ao comissário Jesus Antonio de Oliveira Gomes e aos demais plantonistas, o então secretário da Segurança Pública, com o seu jeito bem sisudo, já foi entrando para o interior da delegacia para assim vistoriar as instalações, quando então o Antonio Pescoção, como era mais conhecido, surpreso com aquela invasão foi logo dizendo: ‘Ei moço alto lá, para onde pensa que vai?”, Humberto diante do que acabara de ouvir virou-se e olhando feio para Pescoção, bradou: ‘Alto lá você rapaz, eu sou Dr. Humberto Morais de Vasconcelos, secretario de Segurança e, portanto seu chefe’. Pescoção não se deu por vencido e rebateu:; ‘Não o conheço, portanto se identifique, apresentando as suas credenciais, pois senão não vai entrar de jeito nenhum’.
Verificando que a parada estava bem difícil diante da dureza apresentada pelo policial Pescoção, Humberto com cara de poucos amigos, não teve alternativa outra alternativa senão apresentar as suas credenciais e com cara de poucos amigos, adentrar na repartição.
Na saída Humberto Morais para não se dar por vencido, de passagem e olhando de soslaio, disse para o comissário Pescoção: ‘Ei rapaz, aprenda a trabalhar, não gostei do seu jeito não‘, o que ato contínuo Pescoção, quem sabe até para desanuviar o clima respondeu: ‘Pois eu gostei muito do senhor, que é uma pessoa civilizada e obediente, tanto que até se identificou’.
Nem é necessário dizer que Humberto deixou a delegacia fumegando de raiva e Pescoção só escapou da degola que era muito comum na época, tendo em vista que não tinha cometido nenhuma ilegalidade ou insubordinação e sim cumprido de forma correta o seu dever como comissário plantonista.
Difícil foi no dia seguinte a tal acontecimento Antonio Pescoção se explicar ao Delegado Américo Abiorana, depois de ele Américo levar uma reprimenda logo cedo, chamado que foi ao hotel onde Humberto Morais estava hospedado.
Oportunamente voltarei com mais histórias do ex-secretário Humberto de Morais Vasconcelos.

 

 

 

 

 

Historias da Policia Civil XIV

 João Paulo das Virgens conta a sua terceira história na Polícia Civil - Kojak
No início dos Anos 80 o saudoso Claudionor Silva, o Kojak, foi reformado como cabo do Exército e o mesmo desejoso de ingressar na Polícia Civil, mesmo estando reformado ele diariamente vestia a sua farda do Exército e amanhecia no gabinete do Governador Jorge Teixeira, querendo solicitar a nomeação.
Quando o governador adentrava na ante-sala do seu gabinete sempre cercado de secretários e assessores, ele Kojak rapidamente se postava de pé juntava os coturnos e fazendo continência e gritava: ‘Pronto Coronel, cabo Claudionor se apresentando’, grito que muitas vezes até assustava o próprio coronel e as demais pessoas presentes.
O certo é que as visitas diárias que Kojak, fazia ao palácio do governo não surtiam efeito, pois sempre alegando falta de disponibilidade a secretaria do governador adiava a esperada audiência que Kojak queria ter com o governador, para então fazer o seu pedido.
Diante das dificuldades de ser atendido no gabinete governamental, Kojak então mudou de tática e passou a fazer plantão às 6 horas da manhã na frente da Casa do Governador no centro da cidade e ficava por ali conversando com Dodó motorista do coronel Teixeira, que quando aparecia KojaK devidamente fardado prestava continência e repetia o velho grito: ‘Pronto coronel, Cabo Claudionor se apresentando”, Jorge Teixeira, respondia a continência e deizia ao seu dispor e rapidamente adentrava no veiculo oficial e Kojak nunca conseguia falar direito com ele.
Esse cerco ao governador era diário e demorou meses, até que um dia ele Jorge Teixeira que já não aguentava mais, falou para o então secretário de Segurança Hélio Maximo, que arrumasse um emprego para ele Kojak na policia civil, pois ele o governador já não aguentava mais o cerco diário.
No dia seguinte chamado a SSP/RO, Kojac logo cedo apareceu fardado no gabinete do secretário e ao entrar juntou os pés e sapecou uma ‘Pronto comandante as duas ordens’, tendo então Hélio Maximo muito sisudo dito a ele: ‘Kojak você vai ser contratado, mas evidente não pode andar por ai com a farda do Exército exercendo uma atividade civil, portanto, você só deve vesti-la quando for participar lá no quartel de algum evento militar.
Mesmo sem receber a arma ou documento funcional, Kojak foi colocado para estagiar comigo e demais policiais da equipe, tendo alguns dias depois a equipe sido designada para ir numa diligencia atrás dos fugitivos da Ilha de Santo Antonio e lá em Jaci-Paraná ficamos a noite inteira escondido debaixo de uma ponte e pedindo que todos ficassem de forma mais discreta possível, pois sequer era permitido acender cigarros, para assim surpreender os fugitivos, Mas não tinha quem fizesse Kojak ficar quieto, pois não parou a noite inteira contanto historias que dizia ter vivido no Exército.
Perto do amanhecer resolvemos subir para a estrada e pouco tempo depois, eis, que alguns dos fugitivos apareceram num carro e então ocorreu intenso tiroteio, porém eles conseguiram furar o cerco e passaram por nós, ocasião em que eu e os colegas entramos na viatura e eu falei para o motorista Raimundinho motora, vamos rapidamente atrás dos bandidos, tendo o mesmo se recusado a dar partida no carro, pois Kojak na hora dos tiros, tinha se enfiado debaixo do veiculo e ainda se encontrava lá, quando então eu disse ao mesmo, que acionasse o motor que ele com certeza sairia, tendo Raimundinho ligado o motor, mas mesmo assim não havia jeito de fazer ele Kojak sair, o que obrigou a todos a descerem para com muito custo retirar Kojak de debaixo do veiculo, tendo demorado muito para convencê-lo, tendo os colegas dito ao mesmo que já poderia sair, pois não existia mais nenhum risco.
O certo é que com o tempo perdido convencendo Kojak a sair debaixo da viatura , ao seguir atrás dos bandidos, já não foi possível alcançá-los e prende-los o que já veio há acontecer três dias depois já perto de Abunã.
João Batista Damasceno conta a sua história na Polícia Civil

Depois de Receber baixa do Exército brasileiro no mês em janeiro de 1981, ingressei no mês de Maio do mesmo ano, com apenas 19 anos de idade, na Polícia Civil e imediatamente sem nenhum treinamento, como era comum naquela época, recebi um revolver 38 e fui designado para trabalhar na cidade de Ji-paraná, pois o prédio da delegacia de cidade de Presidente Médici, para onde eu deveria ser lotado, não estava concluído.
Apresentei-me exatamente no mês de Junho, ao Delegado Regional Edson Martins inicialmente comecei a trabalhar no plantão, porém certo dia fui convocado pelo delegado, para ir junto com o pessoal da Sevic numa diligencia para capturar o individuo Delvino Del Pla, capixaba, que no mês anterior havia assassinado o policial Jaime – que nem cheguei a conhecer - cuja esposa se encontrava gestante, o que causou grande comoção na cidade e toda Região.
O fato é que naquela época, existiam grande conflitos de terra e Jaime e um outro chamado de Borborema, foram a zona rural distante de Ji-Paraná e lá o policial Jaime, foi abatido a tiros de espingarda, pelo citado individuo, quando então o policial Borborema, sem saber ao certo se existiam outros atiradores se evadiu e de volta a delegacia narrou os fatos aos delegado.
Como se sabe, naquela época existiam muitas pessoas de outros Estados e muitos pistoleiros, que eram contratados para ameaçar e matar os proprietários rurais, para que abandonasses as suas terras, o que ensejou por parte da SSP/RO inclusive a Operação Caça-Pistoleiro, com a prisão e morte de vários deles.
Foram escalados para a missão de captura do assassino do policial Jaime, Getulio Mario Gomes de Azevedo, hoje inspetor da PRF, Jani Ferreira, lotado na Delegacia de Ouro Preto D” Oeste e um outro colega de Ji-Paraná, cujo nome não recordo mais. O fato é que eu ainda noviço, enfrentei naquela oportunidade a minha primeira prova de fogo na atividade policial, junto com policiais veteranos.
Para a diligencia conseguimos um veiculo Jipe emprestado do Incra, em razão dos grandes atoleiros nas estradas vicinais, para essa área bem distante, tanto que tivermos que pernoitar num sitio, para tentar a prisão no amanhecer do dia seguinte, como de fato ocorreu.
Esse assassino foi a júri popular, porém foi absolvido, pois se alegou que o mesmo foi induzido a erro ao ver dois homens armados e num veiculo descaracterizado, imaginou que se tratava de bandidos, querendo matar a si e família, para assim se apoderar de suas terras e sem manter qualquer dialogo foi logo atirando, pois naquela época se vivia em toda região um clima de verdadeiro terror.
A passagem naquela cidade de Ji-Paraná, mais precisamente na Delegacia de Polícia daquela cidade, com policiais bem tarimbados, como Simões, Nivaldo Xavier e o seu irmão, dentre outros, foram motivo de orgulho para mim e contribuiu muito para a minha formação policial, onde permaneci ate 1985, quando fui transferido para o 5º DP na capital.
Conto tal história, para que fique registrada as muitas dificuldades que atravessamos naquela época nesse difícil, porém empolgante trabalho policial. Oportunamente relatarei outras historias, para que fiquem registradas no nosso site e consequentemente nos anais da nossa Polícia Civil.

Francisco Alves Cipriano - Nossos nomes estão gravados no livro do Eterno Ser.

Mais uma das minhas histórias referentes às dificuldades enfrentadas pela nossa polícia civil principalmente por mim.
Nós policiais do ex-território que não havia feito academia, nos anos 1984 ou 1985, tinha que fazer uma reciclagem na academia de polícia, então éramos trinta agentes das delegacias da capital e de cidades do interior do estado.
Naquela época devido aos salários muito baixos, dos trintas policias, a maioria não possuía veículos para sua locomoção e ia de ônibus até o 5º DP e daí até a academia ia mesmo a pé já que não existia transporte publico até ali. Ao retornar ficava mais fácil, pois os poucos automóveis ficavam cheio de caronistas, mas como tinha muitos atoleiros pela Avenida. Amazonas, nós adentrávamos por dentro do bairro Jardim Ipanema e vínhamos sair no 5º DP.
Na academia as palestras eram dadas por autoridades ligadas a segurança pública, eu não lembro o nome de todas as autoridades, recordo apenas dos nomes: Dr. Telmo Forte e Dr. Esmone.
Dr. Telmo Forte deu uma palestra e alguns policias ficaram insatisfeito, porque se sentiram ofendido pelo palestrante e foram até o diretor da academia levando suas queixas, não sei qual o assunto e até gostaria de lembrar para poder explicar melhor, tanto que quando o Dr. Telmo Forte retornou para dar mais palestra, o diretor da academia levou o assunto até aquela autoridade e ele se sentiu constrangido, porque como ele disse que em momento algum teve a intenção de ofender alguém, pois ele tinha muito respeito pela classe, assim mesmo ele deu a palestra mais “desafinada” que já ouvi.
Já a palestra do Dr. Esmone, eu me recordo muito bem, de quando ele disse que os policiais do ex-território de cada dez prisão efetuadas, nove era de forma ilegal. Fiquei preocupado, com medo de uma punição ou mesmo de uma demissão, porque nós estávamos ali não era tanto pelos salários, pois era muito baixo, mas sim, com a coragem de reprimir o crime antes fosse tarde demais e assim a gente ficava meio perdido, porque coragem e medo não podem andarem de braços dados, pois não combinam.
Finalmente vou deixar o esse assunto de lado e vou me remeter aos salários daquela época. Eu tinha um táxi e no ano de 1982, eu trafegava pela Av. Amazonas no Bairro Nova Porto Velho, eu vi um colega taxista conversando com alguns garimpeiros e encostei o carro e fui lá conversar também com os mesmo, porque eram garimpeiros conhecidos e nós havíamos trabalhados junto no Garimpo do Imbaúba e Jirau no Rio Madeira no ano de 1980, quando tudo era também muito difícil, só tinha apenas a Estrada do Caldeirão, no qual tinha que subir de voadeira até Cachoeira do Jirau e tínhamos que juntar vários homens para pegar aquele pesado motor e subir o barranco do Rio Madeira, atravessar a Cachoeira do Jirau para poder chegar ao Garimpo do Imbaúba.
No meio da conversa com os taxistas foi quando um colega taxista disse que eu CIPRIANO estava na polícia, daí a conversa mudou e eles queriam saber como funcionava o trabalho, achando que não combinava com o meu perfil, pois eu era muito calmo e na polícia era muito agitada e perguntaram quanto eu ganhava... fiquei com vergonha de dizer, porém resolvi falar a verdade e disse que meu salário era vinte três mil oitocentos e quarenta cruzeiros. Foi aquela gozação e pior foi quando eu disse que na minha casa tinha um pedreiro trabalhando e eu pagava cinco mil cruzeiros a diária, aí foi gargalhadas e mais gargalhadas, porque fazendo as contas o meu salário de um mês, não dava para pagar uma semana de serviço de um pedreiro.
O fato é que as dificuldades não ficavam por aí e aconteceu uma separação. Fiquei apenas com o taxi e eu estava devendo o mesmo, pois eu havia comprado o carro financiado e juntando salário e a renda do táxi só dava para pagar a prestação, fiquei morando de favor e o dinheiro não dava para comprar mais nada e assim fiquei uns três ou quatro meses tomando água natural, porque eu não tinha condições de comprar uma geladeira.
Certo dia, eu criei coragem e fui ao comercio tentar comprar uma geladeira, mas o vendedor quando olhava a minha carteira de trabalho e via o meu salário já não queria mais nem conversa e virava as costas E assim ainda fui em três lojas, porém o atendimento era sempre o mesmo. Em determinado, momento eu lembrei que eu conhecia um vendedor que trabalhava na loja A Pernambucana e que ele poderia me ajudar. Dirigi-me para lá e fui direto falar com ele, contei o meu problema e o mesmo pediu a minha carteira de trabalho e quando olhou, já me antecipou que achava muito difícil o gerente autorizar a venda, mas ele ia ver se poderia me ajudar e então foi até o seu gerente e contou o meu problema e ele o gerente mandou que eu entrasse na sala e estando ele com minha carteira de trabalho na mão, me olhou e disse que com aquele salário não dava de comprar a geladeira mais simples que tinha disponível no estoque da loja.
Depois dessa fala do gerente desanimado já pensava em bater em retirada e ele com certeza compadecido da situação, autorizou a venda em dez prestações, então eu falei que tinha outra fonte de renda, já que possuía um taxi e ele respondeu que não queria saber de outra renda, queria saber do que tinha na carteira.
Para mim foi uma travessia muito difícil, imagine quem me deu uma mãozinha inacreditável, mais é verdade foi a Dona CERON a empresa elétrica, pois ela passou nove meses sem me cobrar a conta de luz da minha casa e quando me cobrou foi tudo de uma vez, porém eu já estava em melhores condições financeiras, já havia comprado muitas coisas que precisava e graça à Deus e Dona Ceron.
Os policiais mais antigos ganhavam lá estas coisas, porque alguns colegas com mais de quatro anos de serviço, ganhavam mais do que eu. Nós recebíamos nossos vencimentos no banco Itaú, na agência da Av. Sete de Setembro, c/ a praça marechal Rondon. Naquele tempo, bem poucos policiais tinham conta bancária e recebia mediante o contracheque, a gente ficava na fila das cinco horas da manhã muitas vezes até as dez para receber muitas vezes sem tomar sequer café, não era porque não queria, era exatamente porque não tinha, muitas vezes o pó e o pão.
Um colega que não vou identificar, dizia que quando estava na fila para receber e estava chegando ao caixa, olhava para trás e se tinha alguém conhecido, ele mandava passar na frente, para que a pessoa não visse o salário dele e quando o caixa colocava seu salário no balcão, ele de imediato colocava a mão em cima e saia de porta afora quase correndo e quando chegava no centro da praça Marechal Rondon, ele olhava para os lados para ver se não tinha alguém por perto e aí ele contava aqueles chamados couros de ratos, separava a parte de pagar a taberna, onde ele comprava fiado o mês inteiro e em seguida dava uma passada no mercado central logo ali perto e comprava um peixe, algumas latas de conservas e uns dois quilos de farinha e em seguida ia para casa e chegando lá a esposa preparava aquele pirão, ele almoçava junto com a família e retornava para dar continuidade no plantão.
Foram momentos bem difíceis, mas nos enfrentamos de cabeça erguida, porque éramos vocacionados e tínhamos a certeza que estávamos fazendo o bem a nossa sociedade. Como diz um dos versos da nossa Polícia Civil de Rondônia ‘Nossos nomes estão gravados no livro do eterno Ser”.

 

Histórias da Pollícia Civil XII

 Cipriano e a sua segunda história
No ano de 1985, não me recordo o dia e mês, eu estava de plantão juntamente com os colegas policial Ivan, policial Wilmar e o policial Edson Matos que era o comissário, era um plantão noturno e tudo corria normalmente, porém, esta tranquilidade que foi interrompida, quando fomos avisados que na antiga Praça dos Engraxates, situada entre as Ruas Enrique Dias e Sete de Setembro, mais precisamente em frente à Marinha, havia um elemento armado intimidando quem por ali transitava, como se tratava de uma pessoa portando arma de fogo, o comissário Edson achou por bem solicitar a polícia militar(PM) para averiguar o que estava acontecendo, chegando ao local foi dada voz de prisão ao infrator, que foi imediatamente desarmado e levado para o primeiro Delegacia de Polícia(DP).
Na delegacia foi preenchido o BO e entregue juntamente com a arma ao comissário de plantão e para nossa surpresa o infrator era um policial civil que era subdelegado de polícia lotado ao longo do Rio Madeira, e como se tratava de um policial, o comissário comunicou o fato ao delegado de plantão que solicitou a presença do mesmo para explicar melhor os fatos.
Ao receber a ordem conduzi o infrator levando a ocorrência e a arma até a Central de polícia, naquele dia o delegado de plantão era o Dr. Sergio Barbosa, fiz a entrega da arma e da ocorrência, apresentei o infrator e o delegado mandou que o mesmo sentasse para conversar, o infrator sentou e colocou os pés em cima da mesa do delegado que o repreendeu e disse que ali era a mesa do delegado e que ele respeitasse, o infrator respondeu dizendo que era federal e que para conversar com um delegado do estado era daquele jeito, diante disso o delegado percebendo que aquela pessoa não se encontrava sóbrio não quis mais conversa e mandou que eu conduzisse o mesmo de volta e o colocasse atrás das grades.
Chegando a delegacia, comuniquei a ordem do delegado ao comissário, que pelo fato do infrator também ser policial, achou melhor que ele ficasse junto a nós no plantão e pegou uma cadeira para que ele sentasse, ele então sentou e ficou super a vontade.
Naquela época eu tinha um táxi e como já era tarde da noite e eu estava com sono fui até o taxi que tinha um toca fita e fiquei ouvindo som enquanto observava as pessoas indo e voltando do centro da cidade, naquele momento eu estava de costa para a delegacia quando ouvi um barulho vindo do interior dela, achei que fosse uma fuga em massa, quando na verdade eram os dois policiais, que estavam de plantão, correndo atrás do policial infrator que tentava fugir,quando então que já estava do lado de fora da delegacia, também corri atrás, e antes que o infrator chegasse ao local onde hoje funciona o galpão da feira do Cai n’água, ele foi alcançado e levado de volta, agora para o xadrez.
Pela manhã o Delegado plantonista ordenou que o levasse a Central de Polícia para que lhe fosse entregue a sua arma, naquela oportunidade conduzi tal policial e chegando lá, o mesmo se recusou a entrar alegando estar com vergonha do delegado, quando então o Dr. Sergio Barbosa aceitou a ausência dele e concordou de me entregar a arma e que levasse ele o policial até a margem do Rio Madeira e só entregasse a arma a ele quando lá chegasse.ma par ale, lá fizesse a entrega da arma e liberasse o mesmo para que fosse embora.
Seguindo as ordens do delegado, seguimos para a margem do rio e chegando lá o infrator desceu da viatura, fiz a entrega da arma e ele foi embora na sua voadeira pelo Rio Madeira, fiquei olhando até quando ele desapareceu e voltei para a Delegacia para concluir o nosso plantão.
Quem vinha do interior para a cidade passava obrigatoriamente defronte à delegacia e como fiquei conhecendo o mesmo, o vi algumas vezes passando pelo outro lado da rua observando o galpão velho da estrada de ferro. Certo dia eu ainda tentei falar com o mesmo, porém, ele olhou para mim e acenou com a mão dando a entender que não desejava conversa, acho que a sua vergonha ainda perdurava.

No final dos Anos 80, início dos Anos 90, estava acontecendo muitas fugas de perigosos bandidos das frágeis celas dos Distritos policiais, tais como Sapeca, o perigo pistoleiro Argemiro, matador do advogado Agenor de Carvalho, quando então o delegado Dario Xavier Macedo resolveu criar na antiga Central de Polícia hoje Direção Geral, um grupo para cuidar apenas das celas e assim evitar fuga de presos.
Certo dia, fui escalado para ficar cuidando das celas em companhia do colega policial Josmar Câmera Feitosa, quando em determinado momento, fui chamado pelo detento Argemiro para ir até a cela, que o mesmo ocupava sozinho e ao adentrar nos corredores o preso Argemiro era um sujeito de cor negra, alto e bem robusto e talvez para tentar impressionar, foi logo dizendo: ‘Policial sabia que o primeiro que matei, foi um policial, atirei na cara dele e depois matei mais uns vinte policiais. Naquela ocasião, mesmo surpreso ainda falei: “Sabia não, poxa então você é brabo mesmo hein? Logo em seguida me retirei.
Ao sair daquele recinto e de volta a minha mesa colocada na entrada das celas, fiquei a pensar no que poderia fazer em razão daquela desfeita do preso, sem assim ferir a legislação e prejudicar a mim e ao colega Câmara, que me acompanhava no plantão e ai tive a seguinte idéia, iria desligar as luzes para assim causar desconforto aqueles ali recolhidos.
Ao apagar as luzes comuniquei a Câmara, que no escuro ficaria melhor até para a observação dos presos. Quase que imediatamente o preso Argemiro começou a gritar: “Policial, ligue a energia, eu não sei dormir sem luz, Dr. Dario sabe disso”. A cada instante ele o preso, repetia tal cantilena. Depois de muitas lamentações, foi quando então eu sacramentei a vingança contra o atrevido preso dizendo: ‘Não adianta chiadeira, as celas irão permanecer sem energia até o amanhecer, você não se diz valente, matador de policial’, tendo as luzes permanecidas amanhecer.
No plantão seguinte ao chegar por volta das 18 horas, fui convocado a sala do delegado Dario, que foi logo me dizendo Você está apresentado, volte para sua Delegacia de Homicídio que você não está sabendo se comportar com os presos.
Esta minha história tem o propósito de lembrar como no passado trabalhávamos até mesmo para cuidar de presos e também para homenagear o delegado Dario Xavier Macedo, que foi um dos bons profissionais de nossa instituição policial. Em breve voltarei com novas histórias.

O fechamento da Boate Tartaruga

Entre os anos de 1987 e 1988, quando me encontrava mais uma vez como Diretor de Polícia Metropolitana, fui procurado por um grupo de senhoras e estudantes, reclamando que não podiam caminhar pelas proximidades da conhecida e antiga Boate Tartaruga, no centro da cidade, pois segundo elas, ocorriam ali muita bebedeira, exploração de menores de idade e as senhoras e estudantes que passavam ali por perto, eram assediadas pelos frequentadores e que, portanto, alguma providencia teria que ser tomada, pois as mesmas já tinham recorrido a diversas autoridades e nada tinha sido feito para resolver a grave questão, que ocorria diariamente e a luz do dia. Depois de ouvir a mesma e de formalizar um Boletim de Ocorrência, prometi ao grupo que em 24 horas aquele problema de décadas seria finalmente resolvido.
Já no dia seguinte solicitei para ficar a minha disposição o ônibus da garagem e mais duas viaturas veraneio e requisitando cerca de 15 homens com seus respectivos revolveres e três armas de grande porte.
Por volta das 15 horas quando o movimento dos freqüentadores da Boate já era grande, solicitei que o ônibus ficasse atravessado na rua na parte de cima e que as duas Viaturas Veraneios, se posicionassem na outra extremidade da rua, evitando assim quaisquer fugas, fossem de indivíduos suspeitos, fossem de menores de idade.
Na verdade existiam duas boates na final da rua, quase defronte uma casa da outra. Na primeira que adentrei com parte da equipe não verifiquei nenhum anormalidade, tendo então me dirigido a Boate Tartaruga e ao adentrar ali, já pressenti um clima bem desagradável entre o motorista da Metropolitana, o policial do Estado Claudinei que trabalhava diretamente comigo e dois sujeitos alterados e desacatando os policiais presentes.
Tais pessoas em pleno expediente e embriagadas se diziam soldados da Polícia Militar e que eles sim entendiam de policia e que nós não sabíamos de nada, quando então os rebati, dizendo que se eles eram tão entendidos assim em atividades policiais, era bem estranho que fossem ainda dois soldados rasos, quando então o mais forte não gostando da gozação que fiz com ambos, veio na minha direção, mas ficou só na vontade, pois o zeloso Claudinei, que tinha cerca de 1.80 de altura, passou voando próximo ao meu ombro e deu uma voadora acertando o peito do militar o jogando longe, quando então ordenei que ambos fossem algemados dentro do ônibus e encaminhados a Central de Polícia para as providências legais, bem como outros freqüentadores irregulares e as menores, tendo naquele dia a Boate Tartaruga encerrado de forma definitiva as suas atividades naquele local, são sabendo eu se ressurgiu em algum outro local da cidade. Penso que não.
Com os policiais militares algemados no cano da Central de Polícia determinei que fossem adotadas as providenciam legais contra os mesmo e fui para meu gabinete informar ao comando da Polícia Militar sobre o acontecido e solicitando a presença do Oficial de Dia para levá-los para o quartel paras providencias administrativas. Qual não foi minha surpresa quando momentos depois fui rapidamente chamado pelo delegado de plantão, pois dois aspirantes que tinham chegado ali, atrevidamente usando as suas próprias chaves estavam tentando abrir as algemas dos dois soldados, desrespeitando os delegados e policiais presentes, quando então adentrei no recinto gritei ‘Alto lá’ e dei uma lição de moral nos dois, pedindo que ambos se retirassem e retornassem para o quartel, pois não entregaria os militares presos a eles, que não souberam se conduzir como graduados na casa alheia e que eu iria fazer um relatório sobre a conduta dos dois soldados e deles oficiais, o que de fato cumpri no mesmo dia.
Novamente liguei para o quartel e o próprio Oficial de Dia um capitão louro, cujo nome infelizmente não recordo que veio pessoalmente buscar os soldados e lamentou todo ocorrido, principalmente a conduta do dois aspirantes a Oficial e disse ali na Central na presença de todos, que as providências com os quatro militares seriam com certeza rigorosas, mas entretanto jamais soubemos o que aconteceu com os mesmos. Talvez absolutamente nada, mas tenho certeza que cumprimos o nosso dever e nos impomos.
Esta é mais uma das tantas histórias que nós policiais vivenciamos mesmo com as dificuldades próprias daquela época, Deixo aqui de citar nomes dos demais policiais civis envolvidos, pois infelizmente não recordo e também por temer cometer injustiças.

João Paulo das Virgens conta a sua quarta história na policia civil
Ainda no inicio dos Anos 80, eu estava voltando, juntamente com Douglas, Fittipaldi e Juarez da cidade de Extrema do Acre, pois com tais colegas tinha ido até ali para averiguar um homicídio, ficando nós hospedados lá por dois dias em razão do péssimo tempo que tornava a estrada intransitável. Eram tempos bem difíceis para exercemos a atividade policial.
Ao retornar chegando ao Distrito de Jacy Paraná, nos encontramos com o subdelegado que era Aroldo Dunda, tendo o mesmo nos chamado reservadamente num canto da delegacia, para reclamar que haviam mandado para ajudá-lo, Claudionor Silva, o Kojak e que ele o auxiliar, estava lhe trazendo problemas.
Aroldo Dunda que sabidamente gostava muito da boemia, de tomar uns tragos, jogar sinuca, era também bastante conhecido como excelente dançarino e gostava de se divertir nas suas horas de folga, tendo Kojak, novo na atividade policial, após o estágio numa delegacia em Porto Velho, sido enviado para auxiliar Dunda em Jacy.
Ao chegar naquela localidade, Kojak já foi determinando o fechamento dos bares e cabarés até as 20 horas, acabando com a renda dos comerciantes e com a alegria de Dunda, que para não desautorizar o seu auxiliar, mesmo a contra gosto aceitou a determinação do mesmo.
O fato é que Aroldo em razão da autoridade do seu cargo, todas as noites discretamente ia aos bares, entrava e fechava a porta do estabelecimento e ali ficava se divertindo a noite inteira, sem que Kojak percebesse, indo ele Aroldo dormir às 4 horas da manhã, mas, porém tinha problema sério, pois às 5 horas da manhã, Kojak devidamente trajado com a sua farda de cabo do Exército, batia na porta de Aroldo o acordando, para juntos hastearem a Bandeira do Brasil, o que era um verdadeiro tormento para ele Dunda, que não podia revelar ao colega sua noite mal dormida e tal sofrimento portanto, se repetia todos os dias.
Ao conversar comigo, Aroldo bem revoltado disse: “João pelo amor de Deus, fale com o secretário e dê um jeito de tirar esse Kojak daqui, pois, ou eu vou embora de Jacy ou vou terminar fazendo uma besteira com esse homem, pois ele está acabando com o Distrito e principalmente comigo, que estou sendo obrigado a me divertir escondido e ainda tendo que cedo da manhã, devidamente perfilado, cantar o Hino Nacional brasileiro e o povo de longe dando gargalhadas.
Depois dessa revelação de Aroldo, a equipe retornou para Porto Velho dando boas gargalhadas, imaginando Aroldo de ressaca, hasteando a Bandeira do Brasil e Kojak devidamente perfilado, cantando o Hino Nacional.
Esta história tem o propósito de lembrar e homenagear o nosso saudoso colega e amigo Kojak, que para cumprir o seu dever como servidor da SSP/RO, às vezes misturava as suas antigas atividades da caserna com a sua nova atividade profissional de policial civil, o que quase sempre se tornava um episódio bem pitoresco e divertido para todos nós e até mesmo para ele Kojak, quando suas histórias eram contadas, bem como homenagear o saudoso colega Aroldo Dunda, que deu bons exemplos de profissionalismo, enquanto esteve na instituição policial.

 

História da Polícia Civil X



 Ao tomar posse na Polícia quando da transformação do território em Estado, confesso que me senti como um peixe fora d’ água, pois tinha apenas a formação oriunda da iniciativa privada como gestor de diversos hotéis na cidade de João Pessoa, um curso de graduação como bacharel em Direito e nada além disso.

Ao tomar posse e sem muitas delongas, me foi entregue numa caixa contendo um revolver novo, seis munições e o documento funcional como delegado de polícia, além de um memorado para que me apresentasse no 3º Distrito Policial, onde ficaria como adjunto, para na prática aprender o difícil mister de como policial servir a coletividade.

Naquela unidade policial, já encontrei como titular o delegado Marcos Santiago e como adjunto o delegado Jório Ismael da Costa meu conterrâneo, sendo ali muito bem recebido por todos, delegados, agentes, escrivães e o pessoal administrativo.

Nos primeiros dias tendo como escrivão o excelente Manuelzinho, fiquei na sala do delegado Jório e ali acompanhava os depoimentos para assim aprender como fazer, o que perdurou por alguns dias, quando então, em determinado inquérito Jorio se levantou da cadeira e mandou que eu ali sentasse e tomasse a termo em seu nome as declarações de uma pessoa. Confesso que foi um momento muito difícil, mas as duras penas consegui realizar a contento o trabalho que me fora confiado e a partir daquele dia, passei a presidir meus próprios inquéritos.

Certo dia o colega Jório se envolveu num acidente, pois abalroou uma bicicleta que tinha como condutor um surdo-mudo, que em razão do forte impacto subiu no capô do fusca e estraçalhou o pára-brisa do veiculo, sofrendo ele a vitima várias lesões, sendo socorrido para um hospital.

O inquérito sob a minha presidência vinha tramitando bem até o dia que tive que ouvir a vitima o surdo-mudo e ai o tempo esquentou. Nomeei a irmã do mesmo como sua interprete, através de sinais e também por ela entender muita coisa que ele falava e iniciei a oitiva.

Cada pergunta que eu fazia ele o mudo se levantava para explicar e virava as cadeiras, derrubava o telefone, deitava no chão e até em cima da minha mesa, para explicar como tinha sido colhido pelo carro, sua forma de se fazer entender era um verdadeiro horror.

Temeroso que até o final da sua oitiva o mesmo terminasse por destruir toda delegacia fiz que o mesmo se sentasse junto de minha cadeira e fiquei e com uma mão manuseando o inquérito e com a outra fiquei segurando o mesmo até o final do depoimento, para que ele não se mais se levantasse e realmente foi muito duro contê-lo até o final, quando sob risos de todos os presentes, finalmente exausto terminei aquele trabalho e pela primeira vez um depoimento, foi como se eu tivesse carregado um saco de cimento nas costas por muitos metros, pois além da preocupação em ditar para o escrivão tinha que usando a força segurar a irrequieta e escandalosa vítima. Para um noviço como eu, foi uma estréia exaustiva e surreal.

 

 

 


Pedro Marinho – Na sua recaptura o latrocida Sapeca de joelhos,
Mais ou menos no ano de 1985, como já acontecera outras vezes, o perigoso marginal oriundo do Amazonas, mais precisamente da capital Manaus, conhecido apenas por Sapeca, em razão da sua periculosidade e astucia, fugiu do 4º Distrito Policial depois de serrar as barras de ferro da cela.
Naquela ocasião, vários delegados e agentes policiais se dividiram em perseguição a Sapeca, pois em que pese ser ele um sujeito de pequena estatura, era destemido e capaz de livre cometer outros crimes e até mesmo matar para roubar, que era a sua especialidade.
Temerosos que o mesmo na ânsia de fugir fizesse novas vitimas, não faltaram esforços para a sua localização com equipes espalhadas por estradas diferentes, pois existia a informação que fugia a pé e que poderia se encontrar armado.
Certo dia com dois veículos Volkswagen, rumei com uma equipe de cerca de sete homens com destino a localidade de Abunã, pois Sapeca poderia tentar alcançar o Acre e seguíamos a pé no meio de muita poeira e os veículos vinham sempre atrás, cerca de mil metros, para evitar o barulho dos motores e assim espantar ele Sapeca caso estivesse ali por perto.
Depois de invadir propriedades e casas desertas e verificar se havia vestígios do citado fugitivo, via rádio mandávamos que o carro nos alcançasse e nós íamos mais adiante, quando novamente desembarcávamos e fazíamos o mesmo procedimento seguíamos a pé invadindo as propriedades abandonadas.
Depois de muitos quilômetros dessa cansativa jornada, subindo e descendo dos veículos, invadindo sem sucesso várias propriedades, eis que quando nos aproximávamos de um centro de umbanda, que existia num alto do lado esquerdo da pista sentido Abunã, avistamos parado defronte ao imóvel um individuo que parecia ser o Sapeca, quando então via rádio determinei que as viaturas lá atrás, desligassem os motores para não afugentar o individuo e neste instante dei ordem para que todos subíssemos sorrateiramente para confirmado ser o Sapeca o surpreender evitando assim qualquer reação por parte do mesmo.
Com as armas em punho, contornamos a modesta casa sem sermos vistos e fomos nos esgueirando pela lateral da mesma, até que eu surgi na frente da casa e ali vi Sapeca que tomava água num copo de alumínio, que havia solicitado a dona da casa e ele que já me conhecia do 4º D.P, [i] ao me ver, soltou o copo caiu de joelhos com as mãos na cabeça e gritou: “Dr. Pedro Marinho, não me mate e não deixe que ninguém faça nada comigo”. Evidente que diante da covarde reação do mesmo, ninguém iria fazer nenhum mal aquele marginal, que foi preso inclusive na presença de todos que se encontravam naquela casa.
De volta ao 4º DP a prisão de Sapeca foi comemorada por todos, principalmente pelo secretário de Segurança e pelo Diretor Geral que deu os parabéns para toda equipe responsável pela prisão do perigoso marginal e as outras equipes que não mediram esforços para localizar o foragido, que anos depois foi morto em Manaus num confronto com a Policia amazonense.
No dia seguinte todos os órgãos de imprensa destacaram com ênfase a prisão do bandido Sapeca, tendo o extinto Jornal a Tribuna, edição guardada hoje em meus arquivos, circulado com a interessante manchete ‘Latrocida Sapeca pede clemência ao delegado Marinho’.

Noberto Savala conta uma das suas muitas histórias na Policia Civil de Rondônia

Quando a zona leste começou a ser invadida, uma vez fomos fazer uma diligência a procura de um latrocida. Quando lá chegamos avistamos o dito cujo Carcará e como não poderia ser diferente ele começou s correr. Na época estávamos eu, Sérgio Barriga, José Maria e um motorista, cujo nome não recordo.
Naquele momento cada um correu para lados diferentes para assim fazermos o cerco. Naquela época as pessoas começavam construir casas e depois abandonavam sem concluir as mesmas e a ruas eram somente, na maioria, pequenos caminhos que os próprios moradores faziam e num desses cruzamentos tombei com o sujeito e ele vinha com uma faca e no choque da trombada eu que vinha com minha arma na mão e ele com a faca deixamos cair as armas.
O bandido não sabendo que minha arma tinha caído, saiu correndo e eu logo após recuperar minha arma sai correndo atrás do dito cujo, mas o perdi de vista, porém continuei o procurando e quando passava por um terreno já devidamente murado, avistei a figura saindo de um buraco lá no fundo do terreno há uns 45 metros de distância e gritei : ‘Parado é a polícia’ e mesmo assim ele correu e pulou um muro de uns dois metros de altura e mesmo porque esse individuo era também bastante alto e forte.
No momento em que ele pulou ai eu atirei, porém ele pulou o muro e eu continuei a procurá-lo até que em certo momento um garoto me falou: ‘Seu puliça , outro puliça pegou o bandido e o mesmo moleque me levou até onde estava o José Maria e lá verifiquei que o sujeito estava com um lençol amarrado no peito resultado do que o tiro que eu havia disparado, quando ele pulou o projétil o acertou bem do lado esquerdo e ele que era de cor negra já estava ficando branco.
Constatado o ferimento, o levamos para o Hospital de Base e lá chegando quem estava de plantão era o nosso saudoso colega médico-legista Dr. Rachid, quando então explicamos a situação e ele se prontificou a dar o atendimento de urgência.
Dalí, fomos para a Central de Polícia e o delegado de Plantão do dia era o delegado João Lacerda de cujo plantão eu fazia parte, pois naquela época cada delegado de Plantão tinha sua equipe de policiais.
Após colocamos o delegado a par da situação, permanecemos ali na porta de entrada da Central, momento em que um outro delegado apareceu por lá e falou: ‘Se fosse eu o plantonista tomava a arma desse policial e o atuava em flagrante delito’. No mesmo momento pulei lá fora e respondi: Minha arma está na cintura, venha tomá-la. Ele por acaso veio?
Logo em seguida Dr. Francisco Esmone que era Diretor Geral da Policia, soube de todo ocorrido e foi até a Central onde conversou com o delegado Lacerda, dizendo ao mesmo: ‘Faça o trabalho de moto que não prejudique o policial Norberto, porque bandido é bandido e policial é policial‘. Esse gesto dele Esmone, foi para mim muito marcante e até hoje nutro uma profunda admiração e respeito pelo mesmo. Enfim, o bandido se salvou, ficou bom e continuou sua vida de crimes e, acredito que deva estar preso até hoje ou foragido e, esse mesmo elemento depois do citado episódio, nunca mais correu de mim quando íamos procurá-lo em outras oportunidades.

Francisco Alves Cipriano e mais uma de suas histórias na Polícia Civil de Rondônia

Nas minhas histórias sempre falo sobre taxi pelo fato de eu ter trabalhado como taxista antes de entrar para polícia e mesmo não trabalhando mais como taxista, assim mesmo continuei usando o taxi e sempre que chegava no primeiro Distrito Policial estacionava o taxi do outro lado da rua e por isso a maioria das pessoas entendiam que eu estava esperando passageiro.
Um dia um colega taxista me perguntou se eu estava tendo problemas com a polícia, pois tinha visto por três dias seguidos o meu táxi parado em frente à delegacia, eu respondi que não e que estava trabalhando lá e ai ele ficou muito admirado e feliz por saber que eu estava bem profissionalmente, pois conseguira um emprego fixo.
Certo dia circulava pelas ruas de Porto Velho e ai peguei um passageiro, que poucos minutos depois de entrar no táxi, indagou se eu tinha outra profissão além de taxista, quando então eu respondi que também era funcionário público, ele logo perguntou em qual secretária eu trabalhava, tendo respondido ao mesmo que era na secretária de segurança pública, quando então ele logo perguntou se eu era policial e diante da minha confirmação ele para minha surpresa respondeu, que se estivesse no meu lugar não aceitaria exercer nenhuma das duas profissões, pois na visão dele passageiro nas duas categorias só trabalhavam pessoas de mau caráter, quando então lhe respondi que quem esta do lado de fora só enxerga o lado negativo e que na minha opinião a maioria das pessoas que atuavam nessas profissões eram pessoas que trabalham com dedicação e responsabilidade, e que no futuro eu pretendia parar de trabalhar como taxista e me dedicar apenas a carreira de policial até chegar o momento de me aposentar.
Realmente não podemos negar que em qualquer profissão existem pessoas que são desonestas, na classe dos taxistas por exemplo, Dr. Elias que era delegado de polícia, uma certa vez me disse que viajando de táxi da cidade para o interior do Estado e pagou um determinado valor de sua residência até a rodoviária, ao retornar para a cidade de Porto Velho já trazia consigo o mesmo valor que havia pago ao taxista na ida, ao desembarcar na rodoviária da capital, pegou um taxi até a sua residência, chegando lá perguntou quanto tinha dado o valor da corrida, tendo o taxista lhe cobrado o dobro do valor que o mesmo tinha pago na ida. Surpreso o Dr. Elias apenas deu uma risada e disse que daria naquele momento apenas o valor que tinha em mãos e que no dia seguinte o taxista fosse até o terceiro D.P, onde ele trabalhava como delegado, para pegar o restante do valor. Ora, o taxista que durante todo trajeto estava com uma cara nada amigável logo se mostrou alegre e sorrindo disse que o delegado não devia mais nada e que estava tudo certo.
Já na classe dos policiais, trabalhando no quarto Distrito Policial. eu estava aguardando um colega policial que iria trabalhar naquele plantão comigo, o colega entrou as pressas no comissariado e um cidadão entrou logo atrás dele me perguntando se o colega também era policial, quando então eu respondi que sim, e a pessoa informou que era taxista e que o colega que entrará correndo no DP não queria lhe pagar a corrida. Surpreso eu pedi que ele sentasse e fui atrás do policial, pedindo que ele acertasse a corrida com o taxista, mas ele na maior cara de pau, disse que não tinha dinheiro. Dito isso, para resolver logo aquela situação, eu decidi me responsabilizar pelo pagamento da referida corrida, ficando claro naquele momento para mim, que no nosso meio existiam os bons e maus policiais.
O passageiro que citei no início da história, até tinha razão de me oferecer aquele conselho, mas da mesma forma que o Dr. Pedro Marinho não aceitou o conselho do amigo Cabeça Branca – Mas essa se trata de uma outra história - eu também não aceitei o conselho daquele passageiro.

 

Histórias da Polícia Civil IX



 Pedro Marinho - O dia em que cortei o ponto de um colega delegado de polícia
Em meados de 1987, eu me encontrava mais uma vez como Diretor de Policia Metropolitana e em razão da desordem reinante na DAT – Delegacia Especializada em Acidentes de Trânsito, fui chamado ao gabinete do então secretário Eurípedes Miranda, que disse da sua preocupação e que gostaria que eu assumisse e ajeitasse aquela especializada e caso eu a rejeitasse, ele iria conversar com o governador, para extinguir aquele órgão, motivos constantes de preocupações, para a sua gestão e que a partir daí cada delegacia apurasse os delitos de transito em suas respectivas áreas.
Ao ouvir esse seu pedido, fiz ver ao mesmo que na condição de diretor de polícia da capital seria muito desconfortável para mim, deixar a diretoria que assumi pela quarta vez, sem pedir a ninguém e ir trabalhar na DAT e, portanto se fosse convite eu não aceitaria, salvo se fosse dada como missão, tendo o secretário, na mesma hora aproveitado a deixa e dito que se tratava de uma missão que me estava sendo confiada, quando então disse ao mesmo que podia contar, pois iria assumir a DAT e iria tentar resolver todos os problemas, o que de fato aconteceu.
Chegando ali no primeiro dia já convoquei uma reunião com todo quadro funcional, falei da desordem do desaprecimento de peças e automotivas, liberação ilegais de veículos apreendidos e falei que aqueles que já me conheciam, sabiam que não tinha ido ali para brincadeira e se fosse preciso até mesmo colocar desonestos na Corregedoria, eu não hesitaria um minuto em fazê-lo. Ao terminar a minha apresentação cinco policiais imediatamente solicitaram deixar aquela repartição, sendo de pronto atendidos.
O fato é que corrigi as falhas da Delegacia, algumas muito graves, na oportunidade em razão do elevado número di inquéritos parados, solicitei cinco delegados, dez escrivães, alguns agentes e duas viaturas novas e passamos a trabalhar normalmente, passando o secretário Miranda a nos citar como bom exemplo nas suas andanças pelo interior do Estado.
Tudo corria bem, quando certo um dia um dos delegados me procurou dizendo que sua esposa se encontrava enferma na cidade de Guajará-Mirim e nos solicitou sua liberação a partir da quarta-feira, ficando ele de retornar apenas na segunda, sendo de pronto atendido.
Dois dias, eis que depois o Delegado Regional de Guajará, Adão Caetano, me telefonou para indagar se aquele delegado Fulano - Faço questão de omitir o seu nome - se encontrava em gozo de férias ? e diante da minha negativa, o mesmo me informou que eu tratasse de tirar aquele colega dali, pois ele estava bebendo tanto, que iria acabar o estoque de cerveja da cidade, sem falar na censura da população.
Diante dessa informação, nem preciso dizer da minha revolta e indignação, tendo de pronto solicitado a escrivã e também secretaria geral da Delegacia Marinete, que trouxesse ao meu gabinete as folhas de ponto e um lápis vermelho, tendo colocado falta no abusado servidor da quarta em diante e deixando os demais dias em aberto até o seu retorno, que só ocorreu na terça-feira seguinte, tendo eu antes de sua chegada colocado falta também na segunda-feira.
Na terça-feira, eis que o dito cujo de cara feia apareceu na minha sala e indagou como eu havia colocado quatro faltas na sua folha de ponto se tinha autorizado a sua ida a cidade de Guajará, tendo eu dito ao mesmo, que de fato induzido a erro tinha lhe concedido tal autorização, mas sabedor das suas farras nas mesas de bar daquela cidade, entendia que deveria puni-lo e o fiz.
Momentos depois o mesmo retornou a minha sala e informou que iria até o DGPC comunicar o ocorrido ao Diretor Geral e solicitar providencias contra a minha pessoa e em seguida se retirou. Momentos depois eis que o telefone toca e o diretor me pede para eu me dirigir ao seu gabinete o que fiz de pronto e em lá chegando, encontro o referido delegado com cara de choro e o diretor geral com a folha de ponto dele na mão e virando-se para mim foi logo dizendo: ‘Que é isso Dr. Pedro Marinho, não fica bem cortar o ponto de um delegado seu colega, quebra a hierarquia, reconsidere e abone as faltas do mesmo e assim daremos esse caso por encerrado.
Surpreso com a recomendação do diretor Geral fiz ver ao mesmo, que já tinha cortado pontos de outros delegados anteriormente e aquele delegado ali presente, tinha errado feio e se não fosse para colocar faltas em delegados, não seria legitimo colocar falta em nenhum servidor da SSP e que ele diretor com a sua autoridade, se assim entendesse o fizesse, ou seja, rasgasse aquele folha de ponto e assinasse outra para o servidor e me retirei da sala.
Cerca de duas horas depois, o tal delegado já chegou com a sua transferência para a então cidade de Vila Nova, onde iria atuar como único delegado, atendendo as ocorrências da cidade e aquelas oriundas dos garimpos.
Poucos meses depois eis que o secretário recebeu relatório da Polícia Militar, registrando que o trabalho em Vila Nova estava totalmente prejudicado, pois todas as vezes que as guarnições levavam alguma ocorrência, o delegado inexplicavelmente se encontrava flanando em Guajará-Mirim, gerando desgaste e tempo nos deslocamentos das viaturas até aquela cidade para adoção dos procedimentos policiais.
O fato é que o diretor geral, depois desse acontecimento ao me receber em seu gabinete, fez questão de pedir desculpas e me dizer que eu estava certo, pois aquela figura realmente não gostava de trabalhar e que tinha sido bem feito o mesmo ter tomado aquele prejuízo no passado, pois boa parte do seu salário havia sido descontada, em razão das quatro faltas que coloquei e a consequente perda das folgas do sábado e domingo, perfazendo, portanto seis dias descontados naquele mês.
Tempos depois esse mesmo delegado voltou a trabalhar sob o meu comando, mas diferente de outrora, passou a agir com bastante cuidado nos seus afazeres e obrigações e me perguntando sobre tudo que tinha que fazer no dia a dia. Penso que foi traumático mas aprendeu.


Pedro Marinho fala da demissão de um delegado da Polícia Civil de Rondônia

No final dos anos 80 me encontrava como diretor da Polícia Metropolitana e professor da Academia, quando conheci um casal, sendo ele Jair - esquecendo agora o seu nome de família – que era aluno-delegado e a sua esposa, estudante-agente, cujo nome me foge inteiramente a memória, ambos oriundos do Estado de São Paulo.
Era um casal jovem, bem aparentado e ambos meus alunos, ele no curso de delegado de Polícia e ela no curso de agente policial e se destacavam por terem um conversa bem agradável.
Terminado o curso na Academia de Polícia, ele em razão das boas notas obtidas na conclusão do curso, teve a opção de ficar na capital do Estado e ela por ser esposa, também foi lotada numa das delegacias da capital, salvo engano na Delegacia da Mulher. Ele Jair foi designado para trabalhar no plantão de polícia e, portanto sob a minha chefia direta.
No trabalho o mesmo sempre se mostrou desembaraçado e muito preparado nas lavraturas dos flagrantes e outros procedimentos sob suas responsabilidades e todas as vezes que se encontrava de plantão, mesmo existindo um coordenador que era o delegado Mauro Gomes, o mesmo fazia questão de ir até a minha sala fazer um breve relato de tudo que ocorrera, seja na jornada diurna ou noturna.
Certa feita, o mesmo me procurou dizendo que havia conversado com o delegado Mauro, sobre a possibilidade de permutar um dos seus plantões, pois necessitava ir até a cidade de Guajará-Mirim, onde residia uma sua tia, que ali se encontrava enferma e que ele voltaria no final de três ou quatro dias. Em razão desse pedido, Mauro o aconselhou que ele me procurasse e solicitasse tal licença, o que ele fez, sendo de pronto atendido por mim, penalizado com a situação da tia do colega delegado.
Dois ou três dias depois, fui informado que o delegado Jair, havia sido abordado por João Lins Dutra, o João Pomba e equipe no Porto de Guajará Mirim, tentando passar para a Bolívia com um carro marca Brasília e interpelado se disse delegado, mas se negou a se identificar, dizendo que só o faria ao delegado daquela cidade, inclusive tratando mal os policiais, tendo João diante da sua recusa, resolvido levá-lo a delegacia de polícia, tendo ele ali, mostrado seus documento pessoais e do veiculo e como até aquele momento não havia nada de roubo, o delegado o liberou mas avisou que ele na passasse o caro para a Bolívia até o esclarecimento dos fatos, tendo o mesmo aproveitado e feito a travessia do carro.
Poucos dias depois, chegou a informação de que tal veiculo que se encontrava em poder do delegado, havia sido roubado na cidade de Ouro Preto e ali na Bolívia havia sido trocado por drogas e que ele o delegado Jair que levou tal veiculo, não tinha parente nenhum em Guajará-Mirim e que seria testa de ferro de uma quadrilha de ladrões de automóveis, ou seja, com o documento funcional de delegado de polícia ele conseguiria mais facilmente abrir portas.
Diante de tal informação, fiquei possesso, pois tal delegado havia quebrado a minha confiança e me deixado em situação bem delicada, pois tinha sido eu o responsável, pela sua liberação e viagem para Guajará.
Considerando que já existia um inquérito policial instaurado para apurar os fatos, preparei um documento para a Corregedoria para o devido processo administrativo e mandei buscar em casa o delegado, tendo recebido o mesmo com cara de poucos amigos e depois de lhe dizer umas boas, solicitei naquele momento sua carteira funcional e a sua arma, que ele entregou sem maiores contestações.
Chamado para ser ouvido tanto no inquérito penal como no administrativo, na presença do mesmo e do seu advogado fui incisivo contra o mesmo e relatei as suas mentiras e desfaçatez, sendo que na Corregedoria, numa sala bem apertada e, portanto, todos bem próximos, o advogado tentou dar uma de tranquilo e soberbo e se virando para mim, foi dizendo: ‘Doutor, se este meu cliente for demitido, eu prometo ao senhor jogar fora meu anel e rasgar meu diploma’, ao que de pronto respondi: ‘Se a demissão dele depender de mim, eu aconselharia ao senhor ao sair daqui, já jogar seu anel e diploma no Rio Madeira.
O fato é que tempos depois esse delegado foi demitido a bem do serviço público e a esposa do mesmo para acompanhá-lo de volta a São Paulo, solicitou a sua demissão e se foi junto com ele.
Tempos depois, junto com os colegas delegados Deraldo Scatalon e Silvio Machado, fomos fazer um curso de 40 dias na Academia de Polícia de São Paulo de ‘Gerenciamento Policial’ para delegados de classe especial, vindos de toda parte do Brasil. Ali em visita ao Palácio da Polícia, tomamos conhecimento que ele o ex-delegado Jair, havia sido preso naquele Estado de São Paulo, acusado de roubo de veículos e que se encontrava cumprindo pena no presídio policial, localizado naquele prédio da polícia.
Recordo que do nada, o corregedor geral da Polícia de São Paulo um delegado muito famoso e que serviu como corregedor a vários governadores daquele Estado, se virou para nós e talvez para nos testar, disse: ‘Tem aqui um colega de vocês preso por roubo de carros, gostariam de visitá-lo?” Tendo Silvio rapidamente se levantado do sofá, dizendo que sim e que gostaria de reencontrá-lo, quando educadamente fiz Silvio voltar a se sentar no sofá e virando para o corregedor lhe disse: ‘Dr. desculpe, mas devo lhe dizer que não temos colega ladrão, tanto que o expulsamos da Policia de Rondônia. Tendo o corregedor se desculpado e dito que havia se expressado mal. Logo depois encerramos tal visita.
Triste fim para um jovem delegado e para sua esposa agente policial, que aprovados num difícil concurso público poderiam ter tido um futuro profissional digno na Polícia Civil de Rondônia.

 

Histórias da Polícia Civil VIII



 Pedro Marinho – O dia em que o policial assassinou o próprio sobrinho
Em meados de 1985, cumprir um plantão na Central de Polícia era um trabalho estressante e que ninguém gostava de fazer. No caso dos delegados, como o quadro ainda era bem reduzido, a carga de plantões era demasiada e muitas vezes com inquéritos prestes a vencer, ao sair do plantão noturno, o delegado ainda tinha que ir cumprir o expediente na sua delegacia.
Certo dia, iniciando um plantão às 20 horas e que se não ocorresse nenhum atropelo deveria terminar apenas às 8 horas do dia seguinte, eu rogando naquela ocasião, para que fosse uma noite tranquila, eis que dispara o telefone e do outro lado da linha, um policial cujo nome não recordo, disparou: ‘ Dr. Pedro Marinho, nós estávamos tomando umas bebidas na casa do policial Fulano - mesmo sendo uma ocorrência publica, em razão de o mesmo já não se encontrar entre nós vou omitir o seu nome - e ele começou a discutir com um sobrinho dele já adulto, com ciúmes da esposa e ai eu resolvi sair do local e já me afastava quando ouvi vários tiros, não sei bem o que aconteceu, mas estou pensando no pior”. De imediato reagi: ‘Poxa vocês não sabem nem se comportar numa brincadeira familiar e as coisas já tomam esse rumo’. Tendo em seguida desligado o telefone e dito ao condutor da viatura, o Senhor Lima, que iríamos tentar localizar o Jurandir nas imediações da residência do mesmo, ali próximo ao Conjunto Santo Antonio.
Ao descer os degraus da porta lateral da Central de Polícia para adentrar na viatura, cuja lateral sempre foi muito mal iluminada, eis que ouvi alguém chamar pelo meu nome e ao me virar vi sair da escuridão, o policial Fulano, com os olhos esbugalhados e a arma apontada para mim, dizendo: ‘Doutor matei o meu sobrinho e vim me entregar ao senhor, ocasião que assustado com a aparição, disse ao mesmo: ‘Faça o correto, baixe a arma e me entregue a mesma pelo cabo, com o cano apontado para baixo’ o que ele fez.
Ao adentrar com ele na sala do plantão, não nego, mandei uns desaforos contra o mesmo e parti para o local do crime e ao adentrar na residência, já vi a vitima uma pessoa de boa estatura como a dele o assassino, estendida no corredor da casa e muito sangue espalhado pelo chão do corredor da casa. Tendo naquela ocasião, adotado as providencias de preservar o local do crime e acionar a perícia.
De volta ao plantão, verifiquei ali o advogado Abílio Nascimento, que já havia sido acionado por alguém da família e que se apresentou como advogado dele o policial em questão. Verifiquei também, que a minha situação era bem desconfortável, pois pela lei, eu estava obrigado a fazer o auto de apresentação espontânea do mesmo e ficaria numa situação bem difícil, pois nem a imprensa, a população e muito menos os familiares dele o atirador, iriam entender que ainda na madrugada do grave delito, eu o liberasse para retornar ao local do crime, totalmente livre.
Expliquei ao advogado Abílio, que ia fazer o auto de apresentação espontânea, mas seria temerário liberar o policial e eu mesmo assumindo o risco de abuso de autoridade, iria mantê-lo detido até o dia seguinte, quando então veria uma solução menos traumática para o caso, o que de pronto o advogado que era muito amigo da família do citado policial, entendeu as minhas razões e se virando para o atirador, disse: ‘Nem vou ficar aqui, pois confio muito no Dr. Pedro Marinho e a solução que ele dará. Você se encontra em boas mãos e só voltarei aqui no amanhecer para receber cópia do auto e se retirou em seguida’.
Já pela manha, por volta das 8 horas, com a Central fervilhando de jornalistas, Dr. Abílio retornou e eu disse ao mesmo: “Dr. Abílio, continuo sem solução para o caso, como vou liberar esse homem e ele retornar a sua residência, palco dos acontecimentos, o que irão dizer vizinhos e familiares? ’ Quando então Dr. Abílio, que era uma pessoa super brincalhona e sendo ele da raça negra, surpreendeu a todos, dizendo: ‘Doutor já tenho a solução para esse problema, um negrão desse – o policial era também negro e de bom porte físico - vai dar certinho no meu sitio, pois vou dar uma enxada para ele e empurrar muito trabalho para o mesmo, garantindo ao senhor que nos próximos trinta dias, ele não aparecerá aqui na cidade’ e saiu levando o policial, que o seguiu mesmo a contragosto o seguiu, já prevendo que teria que trabalhar duro, pois, certamente jamais havia utilizado uma enxada no cansativo trabalho de roça.
O fato é que com muito sacrifico me safei daquela verdadeira noite de terror, mas aquele plantão ficou para sempre na minha memória.

Francisco Alves Cipriano e mais uma de suas histórias na Polícia Civil
Nas minhas histórias sempre falo sobre taxi pelo fato de eu ter trabalhado como taxista antes de entrar para polícia e mesmo não trabalhando mais como taxista, assim mesmo continuei usando o taxi e sempre que chegava no primeiro Distrito Policial estacionava o taxi do outro lado da rua e por isso a maioria das pessoas entendiam que eu estava esperando passageiro.
Um dia um colega taxista me perguntou se eu estava tendo problemas com a polícia, pois tinha visto por três dias seguidos o meu táxi parado em frente à delegacia, eu respondi que não e que estava trabalhando lá e ai ele ficou muito admirado e feliz por saber que eu estava bem profissionalmente, pois conseguira um emprego fixo.
Certo dia circulava pelas ruas de Porto Velho e ai peguei um passageiro, que poucos minutos depois de entrar no táxi, indagou se eu tinha outra profissão além de taxista, quando então eu respondi que também era funcionário público, ele logo perguntou em qual secretária eu trabalhava, tendo respondido ao mesmo que era na secretária de segurança pública, quando então ele logo perguntou se eu era policial e diante da minha confirmação ele para minha surpresa respondeu, que se estivesse no meu lugar não aceitaria exercer nenhuma das duas profissões, pois na visão dele passageiro nas duas categorias só trabalhavam pessoas de mau caráter, quando então lhe respondi que quem esta do lado de fora só enxerga o lado negativo e que na minha opinião a maioria das pessoas que atuavam nessas profissões eram pessoas que trabalham com dedicação e responsabilidade, e que no futuro eu pretendia parar de trabalhar como taxista e me dedicar apenas a carreira de policial até chegar o momento de me aposentar.
Realmente não podemos negar que em qualquer profissão existem pessoas que são desonestas, na classe dos taxistas por exemplo, Dr. Elias que era delegado de polícia, uma certa vez me disse que viajando de táxi da cidade para o interior do Estado e pagou um determinado valor de sua residência até a rodoviária, ao retornar para a cidade de Porto Velho já trazia consigo o mesmo valor que havia pago ao taxista na ida, ao desembarcar na rodoviária da capital, pegou um taxi até a sua residência, chegando lá perguntou quanto tinha dado o valor da corrida, tendo o taxista lhe cobrado o dobro do valor que o mesmo tinha pago na ida. Surpreso o Dr. Elias apenas deu uma risada e disse que daria naquele momento apenas o valor que tinha em mãos e que no dia seguinte o taxista fosse até o terceiro D.P, onde ele trabalhava como delegado, para pegar o restante do valor. Ora, o taxista que durante todo trajeto estava com uma cara nada amigável logo se mostrou alegre e sorrindo disse que o delegado não devia mais nada e que estava tudo certo.
Já na classe dos policiais, trabalhando no quarto Distrito Policial. eu estava aguardando um colega policial que iria trabalhar naquele plantão comigo, o colega entrou as pressas no comissariado e um cidadão entrou logo atrás dele me perguntando se o colega também era policial, quando então eu respondi que sim, e a pessoa informou que era taxista e que o colega que entrará correndo no DP não queria lhe pagar a corrida. Surpreso eu pedi que ele sentasse e fui atrás do policial, pedindo que ele acertasse a corrida com o taxista, mas ele na maior cara de pau, disse que não tinha dinheiro. Dito isso, para resolver logo aquela situação, eu decidi me responsabilizar pelo pagamento da referida corrida, ficando claro naquele momento para mim, que no nosso meio existiam os bons e maus policiais.
O passageiro que citei no início da história, até tinha razão de me oferecer aquele conselho, mas da mesma forma que o Dr. Pedro Marinho não aceitou o conselho do amigo Cabeça Branca – Mas essa se trata de uma outra história - eu também não aceitei o conselho daquele passageiro.


Paulo Caracará, conta mais uma história sua na Polícia Civil
No inicio dos Anos 80, mais ou menos em 1983, eu me encontrava como comissário no 2º Distrito Policial, cujo prédio hoje sequer existe mais, pois inexplicavelmente juntamente com o 1º e 4º Distritos da capital, foram abandonados pela direção da SSP, estando todos em ruínas, quando fui procurado pelo delegado de plantão, cujo nome não mais me recordo, que informou que iria mandar para ali uma pessoa a ser recolhida, apenas no corredor que separava as celas e que deveria permanecer ali durante toda noite, o que de fato aconteceu.
Depois de recolher tal pessoa, com os cuidados recomendados pelo delegado plantonista, eis que recebi a visita do sempre barulhento e hoje saudoso advogado Abílio Nascimento, indagando a mim se aquela pessoa se encontrava recolhida ali no 2º Distrito, tendo eu de pronto negado o recolhimento do mesmo.
Nesse mesmo tempo, sem que ninguém percebesse, o preso subiu até a grade que dava vistas para a saída do prédio e ao perceber o advogado Abílio que se dirigia até o seu veiculo para procurar em outras delegacias, gritou a pleno pulmões: ‘Dr. Abílio eu estou preso aqui’, ato continuo o advogado retornou e bastante irritado me disse que iria adotar sérias providencias e que poderia ocorrer inclusive demissões, se retirando em seguida até o plantão de polícia.
Tempos depois, eis que o delegado, me determinou a soltura dessa pessoa, que aparentemente se encontrava recolhida ilegalmente, posto que nunca tomei conhecimento de nenhum procedimento legal contra tal preso.
Nem é necessário dizer que durante noite perdurou entre nós plantonistas do 2º Distrito Policial um clima terrível de angustia, pois naquela época por muito pouco nós perdemos o emprego, em rzaõ das coisas mais simples, imagine se recolher nos corredores das celas uma pessoa sem o devido processo legal.
Muito cedo da manhã, quando amargurado já ia sair para entregar as ocorrências da noite ao delegado de plantão, aparece de repente na delegacia o advogado Abílio Nascimento, que com o coração sempre muito generoso e sabedor que tinha deixado a todos angustiados, falou que tinha repensado e não iria formular qualquer queixa contra nós e que aquele fato, deveria servir como exemplo, para ocorrências futuras, que poderiam nos comprometer profissionalmente e que, portanto deveríamos agir sempre dentro do que dispunha a legislação.
Saudade do grande advogado e amigo dos policiais, Abílio Nascimento.

Em Porto Velho assaltantes levaram até o pesado cofre da Padaria Popular
Em 2003 me encontrava como delegado Titular da Delegacia de Crimes contra o Patrimônio, tendo ali na equipe Edilson Lopes, Sivaldi, Faustino, Cabral, Rivaldo, Catanhede, Raimundo 18, Serjão e muitos outros policiais, realizando naquela época um trabalho bem elogiado, pois desbaratamos a Quadrilha de jovens da sociedade de Porto Velho, que praticavam estupros e roubos e que era comandada pelo falecido individuo de vulgo Gato. Com informações de um informante de Catanhede a nossa equipe teve importância vital no esclarecimento do latrocínio de Carlos Donege superintendente da .........crime que chocou toda sociedade rondoniense, a prisão da estelionatária granfina de Belém-PA, esposa de um militar da alta patente, a prisão do conhecido estelionatário Evon Cançado Arantes que comprava cheques de pequeno valor e colocava valores bem superiores, preservando apenas a assinatura do titular da conta e muitos outros furtos e roubos importantes.
Uma ação, porém teve muito destaque, ou seja, um certo dia na madrugada, assaltaram a tradicional Padaria Popular, que servia lanches e que tinha um movimento muito grande e consequentemente tinha sempre dinheiro em caixa.
Quatro indivíduos todos armados, adentraram no citado estabelecimento, renderam a todos e tomaram dinheiro e pertences e quando já se imaginava que os mesmos já iriam se retirar, eis que estacionou defronte a padaria, um veiculo cinza modelo Del Rey, servindo como taxi e os indivíduos resolveram também levar o pesado cofre da padaria e com muito sacrifício conseguiram colocar na mala do taxi e se evadiram do local.
Muito cedo da manhã fui ‘educadamente’ despertado pelo secretário Humberto Morais de Vasconcelos, irado dizendo até palavrões, pois entendia ele que inadmissível acontecer um fato daquele com um irmão de Maçonaria do Governador, que por sua vez já tinha telefonado para sua casa, exigindo dele secretário o imediato esclarecimento daquele roubo.
Ainda pensei em dizer ao secretário que nem eu nem os policiais éramos guardas noturnos e, portanto não poderíamos estar ali na hora do assalto, mas ai poderia piorar muito a coisa e até gerar punições, o que era bem comum naquela época e engoli calado.
Sai rapidamente de casa e ao chegar na Delegacia, solicitei ao comissário que mesmo antes do horário normal de expediente, enviasse duas viaturas para buscar nas respectivas casas os componentes da nossa equipe, o que de fato foi feito.
Diante da informação de que o cofre teria sido levado num carro Del Rey de cor cinza e de praça, fiz uma rápida reunião e disse aos policiais que não deveriam ter tantos veículos com essa discrição e, portanto caíssem em campo e trouxessem até delegacia todos os carros que se encaixassem nessa descrição.
Cerca de uma hora depois uma equipe trouxe um taxi Del Rey Cinza e o seu condutor, um sujeito, branco, baixo e forte. Ao observar o mesmo percebi suas roupas sujas e amarrotadas e os olhos bem vermelhos como se tivesse passado a noite trabalhando e indagando sobre isso, me disse que estava dormindo em casa, quando então peguei a chave do carro e sozinho fui olhar a mala do carro e ao abrir logo vi claramente as marcas dos quatros pés do cofre e ai não tive mais nenhum duvida, mas para não fazer uma avaliação errada, chamei separadamente dois ou três policiais e passei a indagar o que os mesmos viam ali na mala e todos forma unânimes que o cofre tinha sido transportado naquele veiculo.
De volta a sala, me virei para o suspeito e disse ao mesmo: ‘Aqui não tem trouxa não e nós temos urgência em saber onde se encontra seus parceiros e o cofre. O dito cujo percebendo que a casa tinha caído, nem pestanejou e disse que todos estavam naquele momento abrindo o cofre nos fundos de uma casa abandonada na Rua Pinheiro Machado e que estavam todos armados.
Acionei toda equipe do Patrimônio, bem como o pessoal da Sevic do 4º DP que funcionava também no mesmo prédio e rumamos rapidamente para lá, desembarcamos das viaturas um quarteirão antes e fomos andando, na verdade quase correndo e adentramos na casa até o quintal, quando inesperadamente o policial Cabral com a metralhadora na mão e sem receber nenhum comando, com os pés estraçalhou a porta de entrada e ali se encontravam os quatro indivíduos de cócoras, abrindo o cofre utilizando um maçarico, com as respectivas armas longe dos mesmos em cima de uma velha prateleira, não permitindo assim nenhuma reação, quando então todos foram devidamente imobilizados e algemados.

De volta a Delegacia do Patrimônio, muita comemoração dos policiais e ai sim, muitos afagos e parabéns da cúpula da SSP, com elogio recebido até mesmo do governador do Estado, pelo esclarecimento do roubo a apreensão do cofre com todo dinheiro em pouco mais de cinco horas de trabalho.
Depois dessa resolveram que eu deveria trabalhar como delegado-titular e solitário em Guajará-Mirim, em tempos terríveis de muito comércio de drogas e ao lado um pesado garimpo. Mas, essa é outra história para depois.

Historia da Polícia Civil VI

 Pedro Marinho - Humberto Morais de Vasconcelos costumava jogar no lixo os inquéritos em tramitação
O ex-secretário de Segurança Humberto Moraes de Vasconcelos, delegado oriundo dos quadros da Polícia Federal, foi nomeado na gestão do saudoso governador Jorge Teixeira de Oliveira, Secretario de Segurança Pública de Rondônia, para suceder o saudoso Hélio Máximo, que havia sido nomeado Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia.
Humberto, era homem sisudo e de poucas falas e na sua gestão, desagradou muito aos servidores da Pasta, pois nunca fez questão de cativar e fazer amigos nos quadros da Polícia Civil e era muito conhecido pela sua rudeza, constatada em vários episódios.
Quando Humberto chegou a Rondônia, trouxe consigo informações equivocadas sobre nossos profissionais, em razão principalmente da morte do garimpeiro Assis, fato de grande repercussão a época, tendo Humberto demitido alguns delegados sem sequer oferecer aos mesmos o direito a ampla defesa, sendo, porém a demissão mais inexplicável de todas elas, a do competente delegado Smith, que foi demitido apenas porque Humberto já o conhecia dos quadros da Polícia Federal e não simpatizava com ele, tendo ainda cerca de dez policiais por não concordarem com aquela truculenta gestão, solicitaram transferência para Roraima.
Ele o secretário Humberto tinha algumas manias, dentre elas ele do nada aparecia de surpresa nas delegacias da capital e também do interior do Estado e como tinha muita afinidade com os trabalhos cartorários, cumprimentava o delegado titular e logo pedia para ser levado ao cartório e solicitava então para manusear os inquéritos em tramitação.
Naquela época o efetivo era bem reduzido nos cartórios e existiam, portanto, em muitas delegacias fazendo o trabalho que deveria ser de escrivães, agentes policiais ou agentes administrativos nomeados ad hoc, consequentemente o trabalho era bem difícil, razão pela qual se tomava os depoimentos e depois eram colocados juntos e soltos na capa referente aquela apuração, mas sem numeração e as folhas soltas, ou seja, o escrivão só organizava todo inquérito depois do relatório quando numerava e junto com o delegado assinava todas as folhas e encaminhava para a Justiça.
O secretario na sua maneira rude, quando recebia aquela capa com os todos documentos soltos, por absoluta falta de tempo e condições dos incansáveis escrivães, olhava feio para ele escrivão e para o delegado e de rosto contraído rapidamente procurava uma lixeira e dizia: ‘Esse amontoado de papel vai para o lixo, pois inquérito tem formalidades e isso pode ser tudo menos um inquérito’, se retirando em seguida deixando todos atônitos.


Pedro Marinho - A história do hino da Policia Civil de Rondônia
Diz a sabedoria popular que a pessoa só estará plenamente realizada quando superar três desafios na sua vida, ou seja, gerar filhos, plantar uma árvore e escrever um livro.
Dentro deste entendimento, o autor destas singelas linhas, já poderia então se julgar realizado, pois sou pai de três filhos, plantei não apenas uma única arvore, mas diversas delas, sendo o responsável pelo plantio de todas as arvores que ficam na calçada da sede do Sindicato dos Policiais do ex-Território de Rondônia e também as arvores que circundavam a sede do prédio da Central de Polícia em Porto Velho e que inexplicavelmente foram arrancadas, numa das muitas reformas realizadas no velho prédio.
Obtive, portanto grandes conquistas na minha vida e todas me envaidecem muito, porém abro um parêntese no texto, para falar com relação às árvores do antigo Plantão de Polícia, registrando que carrego comigo uma grande tristeza, pois depois que as plantei, não perdia a oportunidade de sempre visitar aquela repartição policial, apenas para observar o crescimento e o progresso das mesmas, verificando com satisfação que as pequenas mudas, obtidas junto a Prefeitura, já estavam adultas e encontravam frondosas, oferecendo sombra e abrigo, a todos aqueles que trafegavam por ali, até que um dia as encontrei no chão, derrubadas pela falta de sensibilidade de alguns.
Mas voltando ao tema da crônica, além dos filhos e das árvores, completando as três exigências, escrevi um livro biográfico com duzentas páginas, sobre o músico e compositor paraibano Joaquim Pereira, considerado pela critica musical, como um dos maiores compositores de música marcial do nosso país em todos os tempos, cujo trabalho, possibilitou o meu ingresso como musicólogo, na Cadeira nº 6 da Academia Paraibana de Música, bem como o livro denominado ‘Procissão das Pedras’ uma coletânea de mais de 200 artigos escrito ao longo dos anos.
A minha alegria e satisfação poderiam ter parado por ai, pois afinal de contas, havia superado essas três etapas – que dizem completam o ser humano – porém o meu contentamento foi mais além, pois verificando que em todas as solenidades a instituição Policial Civil, se ressentia de um hino para enaltecer os seus valores, bem como levantar o ânimo de seus componentes, fui provocado por alguns colegas e amigos para escrever o hino.
Aceitei o desafio e atrevidamente, sem nunca ter escrito um único verso, com as dificuldades próprias dos noviços, incursionei como letrista, elaborando quatro versos, mais o estribilho. Trabalho, em que procurei da melhor maneira possível, enaltecer a instituição, que tive a honra de pertencer por quase três décadas.
Concluída a letra, faltava então compor a melodia, missão inteiramente impossível, para uma pessoa como eu, que não tive na vida a ventura de identificar uma única nota musical, sendo incapaz de executar um simples instrumento musical, como por exemplo, um reco-reco. Porém, depois de muito esforço, com a letra pronta e com melodia na cabeça, procurei o então regente da Banda de Música da Polícia Militar, Tenente Celestino e o seu auxiliar Sargento Neves, tendo ambos com a grandeza e a sensibilidade próprias dos músicos, após ouvir a minha intenção e ouvindo a melodia que precariamente cantei, os dedicados músicos passaram a fazer as partituras e os seus arranjos.
Finalmente estava pronto o Hino da Polícia Civil de Rondônia. De posse da base gravada pela Banda da Polícia Militar, procurei o nosso saudoso colega Messias Viveiros, que tinha na sua residência um modesto estúdio e ele encantado com a composição, lá mesmo na sua residência utilizando a base musical que eu havia levado, fez questão de mesmo precariamente cantar e gravar o hino.
Superada a etapa de criação, faltava o ponto principal, o reconhecimento por parte do Governo do Estado, o que se tornou possível, graças o empenho do então Secretário de Segurança Pública Walderedo Paiva, que encaminhou o assunto ao Governador José Bianco, que prontamente através do Decreto nº 8803/99, oficializou a nossa composição, tendo depois disso o Secretario de Segurança Paulo Moraes, publicado uma portaria regulamentando sua execução em todas as solenidades da Policia Civil.
Tenho agora, portanto agora, não apenas três razoes para me sentir realizado, mas quatro grandes motivos, sendo o último deles, exatamente a ventura de ter escrito o hino, em que declaro o meu amor e respeito a esta instituição policial de tantas tradições em nosso Estado de Rondônia.

Pedro Marinho - O dia em que um seqüestrador telefonou para o secretário da Casa Civil do Governo de Rondônia
No ano de 1996 dois indivíduos ousados assaltaram um posto bancário que funcionava exatamente no prédio do Fórum Criminal de Porto Velho, cujo órgão era sempre muito movimentado, inclusive freqüentado por policiais que faziam escolta de presos.
Naquela ocasião dois policiais que estavam participando de uma audiência saíram em perseguição dos mesmos e dado voz prisão dois aos ladrões quando eles tentavam fugiam numa moto, tendo o individuo que viajava como carona atirado e no revide dos policiais sido morto, enquanto o condutor da moto, no nervosismo perdido do controle e caído e ao se levantar, corrido e invadido o escritório do advogado Miguel Roumiê, que funcionava ali nas proximidades do fórum.

O famoso advogado rondoniense foi tomado como refém, ficando o mesmo sob a mira do revólver do assaltante por quase 20 horas, com a imprensa e curiosos cercando o imóvel onde se desenrolava o drama.
O saudoso delegado Cézzar Pizzano assumiu as negociações e para manter contato com o sequestrador e como quase ninguém possuía telefone celular naquela época, ele pediu o celular do secretário da Casa Civil que passava por ali. O telefone ficou sendo utilizado durante horas Pizzano usando o telefone do secretário e o seqüestrador o telefone celular do sequestrado Miguel Romier. Já à noite tudo foi resolvido, ficando acertado que o individuo que mantinha o advogado nessa difícil situação, a receberia um automóvel e poderia deixar o local, libertando o refém mais adiante, sendo o delegado Pizzano sido informado que o aparelho teria que ser devolvido ao usuário, no caso o secretário da Casa Civil.
Depois de sair do local com o refém dirigindo o seu próprio automóvel, o ladrão percebeu que estava sendo seguido pela polícia (policiia enviados pelo delegado Pizzano - enquanto trafegava pela BR-364, nas proximidades do Cemetron, o mesmo bastante assustado, ligou do celular do refém para o delegado:
“Alô, doutor Pizzano....o senhor não está cumprindo o que prometeu. A polícia está atrás de mim, preciso de tempo necessário para fugir conforme combinado’.
Sem entender absolutamente nada da conversa, o secretário da Casa Civil bastante assustado pediu detalhes, ao que o ladrão bem zangado respondeu: ‘Porra, doutor, aqui é o seqüestrador”
Após essa informação, o secretário mandou um assessor levar rapidamente o celular de volta ao delegado Pizzano. Naquele momento, o Dr. Miguel Roumiê ja havia sido libertado e o sequestrador fugido no meio do sapezal. Meses depois esse perigoso delinqüente foi morto, ao tentar realizar um assalto em Manaus/AM.
Com relação ao telefone utilizado nas negociações com o marginal, depois do susto que passou o secretário Chefe da Casa Civil sequer o quis de volta.


Pedro Marinho - O dia em que o cantor Tim Maia precisou da Polícia Civil de Rondônia
Numa das vezes em que eu ocupava o cargo de Diretor de Policia Metropolitana o telefone tocou e do outro lado ouvi uma voz muito forte, que me pareceu bem familiar. Ao falar a pessoa foi logo dizendo: Dr. Pedro Marinho, aqui é Sebastião Maia e eu gostaria de denunciar que ai em Porto Velho, estão anunciando indevidamente um show meu sem que isso seja verdade. Então eu falei: ‘Espera, mas quem fala ai’, tendo o mesmo para a minha surpresa respondido: ‘Dr. É Tim, Tim Maia o cantor, quando então finalmente pude comprovar que efetivamente conhecia aquela voz inconfundível.
Superada de minha parte a surpresa inicial, Tim foi acrescentando que tomara conhecimento que existiam umas faixas na cidade de Porto Velho, anunciando um show seu para determinada data e ele logo foi dizendo ‘Dr. Eu já levo fama de não comparecer aos meus compromissos profissionais devidamente assinados, imagine se for comparecer um show que sequer ocorreu algum contato? Peço ao senhor, portanto, que apure, pois tem alguém ai querendo lesar as pessoas.
Ainda no mesmo telefone, considerando que naquela época as comunicações eram precárias, informei ao Tim Maia de que necessitava algo escrito para levar avante a investigação e disse ao mesmo que aceitaria até mesmo que fosse feita a queixa via telex, pois assim ficaria embasado para adotar as providencias cabíveis.
Minutos depois o telex enviado por Tim maia chegou as minhas mãos e como existia uma faixa estendida na Rua Carlos Gomes desse pseudo show, fui até lá e verifiquei que a anunciante era a sempre correta profissional Jussara Gottlieb e logo percebi que deveria estar ocorrendo algum equívoco.
Naquele momento poderia a ter chamado a meu gabinete, mas percebendo que a mesma poderia ter sido induzida a erro, fui até o Jornal Estadão, onde a mesma Ela Jussara, escrevia uma famosa coluna social, sendo carinhosamente pela mesma, quando mostrei a denuncia vinda via telex e Jussara como sempre muito correta nas suas atividades profissionais, ficou perplexa e explicou que havia sido enganada por alguém de São Paulo que havia se apresentado como empresário de Tim Maia, inclusive solicitado um adiantamento em dinheiro, mas que diante da mina informação ela iria imediatamente suspender toda a publicidade sobre o show e iria enviar toda aquela documentação para Tim Maia, para as providencias junto as autoridades policiais do Estado de São Paulo.
Visando esclarecer a identidade do autor daquele estelionato, ajudei e Jussara no que foi possível para o encaminhamento da documentação, ficando ela apenas com o prejuízo financeiro, já que nunca mais conseguiu o ressarcimento, pois esse tipo de estelionatário é sempre muito astuto.
Já Tim Maia, dias depois tornou a telefonar para me agradecer e disse que quando fosse para algum show no Estado de Rondônia faria questão de me procurar para dar um abraço e me trazer sua vasta coleção de sucessos - acho que naquela época os discos eram de vinil - o que infelizmente jamais aconteceu, mas valeu a pena pois ajudei a amiga Jussara Gottlieb num momento difícil e ao meu ídolo de ontem de hoje e de sempre Tim Maia.

Histórias da Polícia Civil V



 Pedro Marinho - A fuga do delegado da cidade

No ano de 1984, enfrentando um garimpo bem trabalhoso com milhares de homens, bem como o pesado trafico de drogas, me encontrava sozinho como delegado Regional de Guajará-Mirim, sem contar sequer com um adjunto ou mesmo com um escrivão, trabalhando apenas com uma agente administrativa, a nossa colega Judite, que nomeava ad hoc e posteriormente nomeado por mim como ajudante o policial Airton Procópio e também contando com uma excelente equipe de agentes policiais que me ajudaram muito nas tarefas de toda a regional e também a combater o trafico, tendo naquela ocasião dizimado a quadrilha do então maior traficante da Região Amazônica Nereu Machado de Lima, que residia naquela cidade.
Depois de muitos pedidos de pelo menos um delgado auxiliar, finalmente a direção Geral de Polícia, enviou para Guajará três novos delegados, sendo eu informado que os mesmos iriam permanecer ali aprendendo e posteriormente eu seria transferido para Porto Velho, sendo eles João do Vale Neto, Samuel dos Santos e um terceiro cujo nome devido o pouco tempo de convivência, infelizmente não guardei na memória, oriundo do Estado de São Paulo, que só guardei o apelido ‘Mingau’.
Ao se apresentarem a minha pessoa, considerando que a minha esposa e filhos se encontravam em João Pessoa, em decorrência de problemas de saúde do filho recém nascido Rodrigo e verificando que os mesmos estavam com pouco dinheiro, resolvi acomodá-los na minha casa até que eles conseguissem se estabelecer nas suas respectivas moradias.
A razão desse apelido de Mingau – depois vim, a saber – foi que durante o curso na Academia, todos os dias ele estudante, fazia uma papa bem rala, parecendo mesmo um mingau e dizia aos colegas que desde criancinha sua mãe preparava esse mingau para ele até o dia em que já adulto, foi para a academia em Rondônia e por isso ele não abria mão de degustar todas as manhas o seu mingau, o que gerou muitos gracejos e o apelido por parte dos colegas.
Soube posteriormente também, que durante o curso, ele contava sempre muita valentia e dizia que iria jogar duro como delegado de polícia seja contra os bandidos e também com relação à disciplina nas delegacias aonde viesse a atuar, pois ele não era homem de temer cara feia.
Na semana seguinte que chegaram os três novos delegados, o capitão Lucena, que comandava a Companhia da Polícia Militar e que se localizava ao lado da delegacia, enviou um convite dizendo que queria junto com os seus comandados recepcionar os novatos com uma feijoada por volta do meio-dia, o que foi prontamente aceito, pois seria bom para entrosá-los com os militares.
No dia supracitado, eu passava para lá r para cá e só via na repartição João do Vale e Samuel, quando então, em certo momento perguntei pelo delegado ausente, tendo João me respondido que os três haviam chegado cedo a delegacia e que ele misteriosamente sem nenhum satisfação havia desaparecido e como já se aproximava a hora do almoço chamei o policial João Pomba e solicitei ao mesmo que desse uma volta na cidade e fosse também até meu endereço, para localizar o delgado ausente.
Tempos depois João e sua equipe retornaram, tendo João informado que não tinham encontrado o delegado nem na casa e em nenhum lugar da cidade, informação que me deixou bem preocupado, pois como eram ainda eram muito sem experiência me sentia responsável pelos três.
Confesso que fui ao almoço na Companhia da PM, apenas com os dois colegas João do Vale e Samuel e a feijoada mesmo muito bem preparada, para mim não tinha sabor de nada em razão da grande preocupação com o sumiço do colega, pois temia que o mesmo inadvertidamente tivesse atravessado para a Bolívia e lá se apresentado como delegado e caído nas mãos de bandidos.
Logo depois do almoço resolvi pessoalmente procurar o colega, tendo primeiro dado uma volta pela cidade, mas sem nenhum sucesso, quando então, resolvi ir até a minha casa, pois quem sabe o mesmo poderia ter em seu interior passado mal e se encontrar por lá precisando de socorro.
Ao abrir a porta e adentrar na casa, fui recebido com um revolver na cara e então verifiquei que se tratava dele o colega desaparecido, com os olhos bem esbugalhados e que ao constatar de quem se tratava, baixou a arma e bem constrangido saiu apressadamente para o quarto, sendo seguido por mim, indagando ao mesmo, o que estava acontecendo com ele, quando então depois de várias vezes perguntas, ele disse apenas que não iria mais permanecer em Guajará, não explicando de jeito nenhum qual seria a razão dessa mudança brusca de comportamento e que já estava com a passagem comprada para viajar a noite daquele dia no ônibus das 19 horas e que iria permanecer em casa trancado até à hora da partida, mesmo sem alimento, já que fazíamos os quatro as nossas refeições na rua.
Na mesma conversa o assustado colega, ainda solicitou que eu o acompanhasse até a Rodoviária e dali escoltasse o ônibus até a Torre da Embratel, não admitindo que sequer os policiais da Sevic o acompanhassem. Tendo ele na ocasião indagado: ‘Doutor o senhor está armado?’ e diante da minha resposta afirmativa revelou que desejava que apenas eu o acompanhasse na sua despedida.
À noite depois de jantar com João do Vale e Samuel, comprei um sanduíche e um guaraná para ele e retornamos para casa, quando mais uma vez fui surpreendido com a postura do mesmo, que se recusou a comer ainda muito espantado estava com seu revolver numa cartucheira amarrada na perna como se fosse um Cowboy americano.
Conforme combinado o conduzi a rodoviária e ali o mesmo ainda fez uma solicitação que necessitaria de uma escolta na Rodoviária e outra mais tarde para levá-lo até o avião no aeroporto, tendo eu dito ao mesmo que iria providenciar o seu pedido, telefonando para a capital e atendendo o seu pedido, solitariamente acompanhei o ônibus até a saída da cidade.
Já na capital o mesmo pediu desligamento da Polícia Civil, porém informou que só entregaria a carteira funcional e o revolver ao chegar ao avião, sendo então escoltado até o interior da aeronave pelo Delegado Jovely Gonçalves e uma equipe de policiais e ali já no avião devolvido a arma e o documento.
O fato é que muito depois tomei conhecimento de que ele Mingau tinha chegado à cidade de Guajará-Mirim, muito cheio de exigências e falando de forma pouco educada com os policiais e com o publico, tendo inclusive sem que eu soubesse, implicado com os policiais com relação ao uso da viatura, recebendo dias depois, sem que se saiba até hoje a sua autoria, um estranho telefonema, dando um prazo de 24 horas para ele sumir de Guajará, sob pena de ser morto. Coitado do Mingau e da sua pseuda ‘valentia’.


Walderedo e o valentão do bar que desafiava a Polícia

No início da década de 80, a nossa policia passava por muitas transformações com a contratação de novos policiais e delegados graduados em Direito, pois com o advento do garimpo estavam chegando muitos garimpeiros e dentre esses que buscavam melhoras para as suas vidas, vinha também muitos indivíduos de má índole, muitos deles até procurados pelas polícias de outros Estados da Federação.
No interior do nosso Estado, a carência de efetivo policial era muito maior, o que gerava muita desordem e aumento da violência, inclusive com a frequencia de muitos crimes de pistolagem em questão de brigas por terras, com a ação de pistoleiros nos municípios como Jaru, Ouro Preto e Ji-Paraná ou seja, praticamente em todo Estado.
Naquela oportunidade, foram trazidos do Estado da Paraíba, cerca de vinte bacharéis em Direito, dentre eles Walderedo Paiva dos Santos, halterofilista e eleito Mister Paraíba, um homenzarrão com cerca de 1,85 m, 110 quilos, que pela sua aparência inglesa – que lhe rendeu uma participação no filme ‘Menino de Engenho’ – com seus olhos azuis chamava a atenção de todos, pois o seu biótipo era bem diferente daqueles da nossa região e ele Walderedo pela sua força física, logo foi apelidado de ‘Mão de onça’, cujo apelido foi dado pelo repórter policial Dalton Di Franco, depois de receber dele um aperto de mão de esmagar os ossos.
Certa feita vez ao chegar numa dessas cidades, o delegado Walderedo Paiva num jipe Gurgel e na companhia de dois policiais foi recebido pelo colega titular e em dado momento eis que entram esbaforidos no gabinete dois policiais lotados ali e logo se dirigem ao titular: Doutor, ta difícil o valentão tá desafiando todo mundo lá no bar, não respeitou os militares chamando os mesmos de meganhas e muito menos a nós, ele está com uma faca encostado na parede, desafiando a todos, o jeito vai ser atirar nele.
Walderedo ao ouvir aquele relato, entendeu como uma grande falta de respeito com a polícia e ato continuo, considerando o pequeno efetivo da delegacia, falou para o delegado me apontem o local, pois vou dar um jeito nesse valente e seguiu para o bar. Descendo do carro, com certa dificuldade em razão da sua altura e deixando a porta do Gurgel totalmente aberta, Walderedo parou na porta do bar gritou: " Seu Cabra de peia, seu fdp, tá vendo aquele carro ali parado, sem um pio embarque nele agora, pois quem está mandando sou eu, Walderedo Paiva dos Santos".
O então valentão olhou de alto a baixo para Walderedo e claro, temeroso da estampa do delegado e para preservar a sua integridade física, com um sorriso amarelo nos lábios, colocou a faca sobre uma mesa, olhou para os policiais que antes ele havia desafiado e disse: “Com vocês eu jamais iria, mas com esse homem super educado, eu vou tranquilamente".
De cabeça baixa então caminhou em direção a porta e passando rente a Walderedo, que tomava mais da metade do caminho, retirou o chapéu, levantou os olhos e respeitosamente cumprimentou Walderedo, seguindo então sozinho para a viatura, quando então Walderedo foi efusivamente aplaudido pelos curiosos que cercavam o bar e ele o desordeiro vaiado.
No ano de 1982 Walderedo, com o apoio da categoria e de muitos admiradores junto à população, foi eleito deputado estadual constituinte e foi ainda várias vezes secretário da Segurança e Secretário de Justiça. Walderedo já aposentado como delegado de polícia faleceu na sua terra natal João Pessoa-PB.


Pedro Marinho - Inquérito para apurar quem comeu as bananas do secretário de Segurança de Rondônia
Humberto Morais de Vasconcelos, em sua curta passagem como secretário de Segurança de Rondônia, deixou registrado muitos fatos pitorescos, dentre eles um episódio que chegou inclusive as páginas dos jornais da Capital, escrito que foi pelo jornalista Nonato Cruz, que foi editor policial do Jornal Estadão e Assessor de Comunicação da SSP/RO.
O fato é que Humberto residia ali do lado da antiga Central de Polícia, na casa que pertencia a Chiquilito Erse e tinha muito ciúmes das frutas que existiam no terreno citada da casa.
Numa detemninada época estava amadurecendo um cacho de bananas e Humberto todas as manhãs, ficava um bom tempo admirando as frutas e também verificava para saber se as mesmas já estavam maduras.
Certo dia, o mesmo ficou bastante indignado, pois constatou que parte das bananas havia desaparecido e prontamente já imaginou que aquele malfeito era obra de algum policial, pois pessoas outras não teriam tal ousadia e investigando, verificou que o autor de tal proeza tinha sido exatamente Raimundo, que era seu motorista e que na sua ausência tinha degustado as bananas.
Em razão desse episódio Raimundo ficou conhecido como ‘Raimundo das Bananas’ tendo ele Humberto, furioso determinado a instauração der um inquérito policial para apurar o desaparecimento das bananas para assim ter a oportunidade de punir exemplarmente seu motorista Raimundo.
Raimundo depois dessa sua atitude logo foi remanejado da função de motorista do secretário e escapou, quem sabe, de perder o seu emprego, porque algum tempo depois, Humberto deixou a Secretaria, e o delegado encarregado do inquérito mandou arquivá-lo, por considerar o caso irrelevante, dando apenas uma advertência ao devorador de bananas da casa do secretário.

 

Historia da Policia Civil IV

 SERÁ QUE ESSE É UM CAUSO VERDADEIRO? Só eles pra confirmarem.
.ERA BALA ...Muita bala....Sei, não! Vamos ler.
(03-09-2007)

Estimados colegas policiais

Agora vou contar um causo, que se deu em meados dos anos 80, quando funcionava o presídio na ilha de Santo Antônio, onde certo dia houve uma fuga em massa e fomos convocados para fazer parte de uma equipe que iria em busca dos presos.
Faziam parte, além de mim, João Paulo, Leite, Norberto, Jaime, Duarte, Índio (Ji-paraná), Dr. Jandir e outros, que não me recordo.

Já fazia oito dias que nós estávamos na mata, nas proximidades de Mutum-Paraná, todos cansados e com fome, quando, ao amanhecer, avistamos uma casa e ao tentarmos nos aproximar, fomos recebidos a bala por três fugitivos que estavam na mesma, quando revidamos e partimos em direção à casa,.foi quando, de repente, ouvimos o grito do João Paulo: ME ACERTARAM, ME ACERTARAM.

Eu e outro colega fomos socorrer o mesmo, quando notamos que um galho de goiabeira havia cortado o supercílio dele e não um tiro.

Foi uma gargalhada só! E, alegria maior ainda foi quando chegamos à casa, encontramos duas latas de conserva e aproximadamente meio quilo de farinha...
Era tanta a fome que comemos como se estivéssemos deliciando um filé. Os presos só foram capturados dois dias depois, um deles baleado no pé.

Companheiro João Paulo, você também, com certeza, faz parte da História da Polícia Civil do Estado Rondônia.

Muito obrigado por sua amizade e por suas lembranças e me desculpe à brincadeira.

Pedro Marinho, conta a sua história na polícia
Quando cheguei a cidade de Guajará-Mirim no Início dos Anos 80, a mesma já estava há muitos anos sem delegado de polícia, já que ninguém aceitava ser lotado ali, em razão do forte tráfico na fronteira com a Bolívia e do garimpo muito trabalhoso com milhares de garimpeiros atuando nas imediações da cidade.
Em razão da falta de um delegado quem exercia tal responsabilidade, era o agente administrativo, o saudoso Américo Abiorana, que posteriormente foi transposto para agente de polícia.
Apesar dos cuidados de Américo e dos bons quadros ali lotado, eles os policiais, desejavam alguém que nas dificuldades o apoiassem, pois se sentiam inseguros para o exercício das atividades policiais. Logo na primeira reunião realizada, disse aos mesmos que agissem sem nenhum receio de eventuais poderosos da região, sendo tal promessa literalmente cumprida, pois todas as vezes que ocorreram dificuldades no exercício do trabalho, ou choques com as autoridades locais, sempre me posicionei a favor dos policiais, estando muito deles vivos e assim poderão confirmar estas minhas colocações.
Mas vãos a história, certo dia, o policial Apolônio Silva, mais conhecido por todos como Vaca Brava e que solitariamente trabalhava no Distrito de Surpresa como subdelegado, bastante aflito, passou um rádio em que pedia para falar comigo. De pronto atendi o mesmo que me relatou que estaria se sentindo desmoralizado, pois um reservista, recém saído do Exército, havia desacatado ele Vaca Brava, em razão de um som alto que estava sendo reclamado pelas freiras, informou ele que tinha ido até o local, para pedir ao barulhento para diminuir o volume, tendo o dito cujo se rebelado e sem respeitar o servidor e muito menos a idade do mesmo, informado que não diminuiria o volume e ainda na presença de todos, utilizando palavras de baixo calão, mandou o policial para a PQP.
Naquela oportunidade, ainda no rádio Vaca fez ver que estava se sentindo desmotivado e desmoralizado e sem condições de permanecer naquela localidade, pois como trabalhava só, no momento de agressão verbal, só teria um caminho, sacar sua arma e fazer valer a sua autoridade, mas ai tinha pensado na sua esposa Emilia e no seu filho pequeno, razão porque optou em não reagir. Disse ainda que depois dessa desmoralização preferiria deixar a localidade de Surpresa, me solicitando um substituto, quando então disse ao mesmo que se alguém tivesse que deixar aquela localidade, com certeza não seria ele e que o mesmo ficasse quieto pois eu com alguns policiais estaríamos chegando ali para localizar e prender o atrevido, o que de fato foi feito, ainda no mesmo dia, utilizando uma voadeira, eu, Eguiberto e Lucena, enfrentamos seis horas de viagem subindo o rio até chegar a localidade.
Em Surpresa, verificamos que Vaca tinha falado demais e o sujeito estava foragido, havia se embrenhado no mato, ate que o encontramos escondido num sitio abandonado e o levamos para o centro da vila para que todos vissem quem realmente mandava e que, portanto, mereceria todo respeito. Na presença dos moradores, demos aquele tratamento vip no mesmo, o algemamos e o fizemos entrar no barco até Guajará-Mirim, ele apavorado pedia para não ser morto.
De volta a Guajará, novamente tivemos aquela conversa amistosa com ele e o trancafiamos na solitária, até o dia seguinte para lavratura do flagrante o que efetivamente foi feito e ao liberar o mesmo o avisei que se chegasse a Surpresa e olhasse ao menos de lado para o subdelegado, a sua situação iria piorar muito, pois quando nos subíssemos a sua situação ficaria bem ruim e, portanto ele que escolhesse o melhor para si.

Pedro Marinho conta a sua terceira história na Polícia Civil
Nos anos 80 em data que não consigo relembrar, fui chamando as pressas no Gabinete do Diretor Geral da Policia, Francisco Esmone Teixeira e ali fui avisado de que teria de imediatamente, acompanhado de um escrivão e de um agente de polícia, ir de avião até a Mineração Oriente Novo, nas proximidades da cidade de Ariquemes, pois um individuo havia invadido a área de mineração daquela empresa e tentado furtar um saco de 30 quilos de cassiterita, quando foi surpreendido pelos seguranças e preso. Informou o diretor, que nós deveríamos levar apenas o material para lavrar o flagrante, pois usaríamos usando a maquina de escrever da citada mineração.
Naqueles tempos, os recursos para deslocamento e diárias dos policias era bem escassos e a mineradora sempre que necessitava de algum apoio, pagava aos policiais generosas diárias, que normalmente eram pagas aos seus técnicos, quando em deslocamentos pelo Estado de Rondônia, razão pela qual eram sempre bem vindas, considerando ainda que os nossos salários eram bem pequenos. O fato é que naquela ocasião, foi dito que nos três receberíamos três diárias, quando lá chegássemos.
Ao chegarmos à Mineração Oriente Novo, descemos do pequeno avião e fomos recebidos pelo chefe da segurança, que nos levou para o local onde se encontrava recolhido o ladrão. Ao se abrir a sala, com surpresa, verificamos que o sujeito tinha aberto um buraco no telhado do prédio e fugido do local e o pior, levando consigo o saco de cassiterita, que desnecessariamente e estranhamente, havia sido deixado com ele, para segundo os seguranças da empresa, caracterizar o furto quando da nossa chegada.
O fato é que diligenciamos por toda área da mineração e pelas estradas adjacentes e o sujeito jamais foi encontrado e muito menos a res furtiva, o que deixou os seguranças numa situação bem complicada, para não dizer hilária.
Depois de uma excelente estadia, acomodados em confortáveis dormitórios e recebendo refeições de muito boa qualidade, preparadas por especialistas da cozinha, voltamos já no seguinte para Porto Velho. Como de praxe, na hora da partida, recebemos cada um da equipe, um envelope branco com as três diárias no seu interior e embarcamos no avião, levando conosco o engraçado episódio e junto com o piloto da aeronave, demos boas gargalhadas daquela surreal situação, que definitivamente marcou a minha história na Polícia Civil e dos dois companheiros policiais de viagem, que hoje infelizmente não recordo quem eram e quais os seus nomes.

Pedro Marinho conta a sua quarta história na Polícia Civil
Em mês e ano que infelizmente não recordo, sabendo apenas que foi no final dos Anos 80, me encontrava como diretor da Polícia Metropolitana quando fui chamado fui chamado urgente na Diretoria Geral da Polícia, recebendo a determinação do Diretor Francisco Esmone Teixeira, para embarcar urgente num helicóptero no hangar do governo e seguir um veiculo gol branco com três homens que haviam assaltado um comprador no centro da capital e empreendido fuga pela Campos Sales seguido de perto por uma viatura do 4º Distrito Policial, porém ao chegar na entrada da rodovia que leva a Abunâ, eis que faltou combustível, posto que naquela época a cota diária era de apenas de 10 litros por viatura, tendo o veiculo gol se evadido.
Naquela ocasião, foi dito pelo diretor, como a aeronave não transportava muita gente, eu deveria perseguir os criminosos levando apenas o policial Aldenis, que na época fazia a segurança do secretário, cujo policial morreu anos depois, vitima de acidente de transito na Avenida Jorge Teixeira de Oliveira, tendo Aldenis, se apresentado a mim portando na cintura como eu um revolver 38 e trazendo ainda duas metralhadoras Iná, para a operação que foi iniciada imediatamente com a decolagem do helicóptero.
Após alguns minutos, eu bem ansioso, pois jamais tinha me deslocado num helicóptero, eis que nós avistamos um gol branco, ou seja, com as mesmas características, em grande velocidade pela rodovia, tendo o piloto a meu comando, executado alguns vôos mais baixos, para assim tentar fazer com que o veiculo parasse e os assaltantes se entregassem, num momento de muita apreensão, pois ele mergulhava de frente o helicóptero e como o mesmo é todo envidraçado eu sentado ao seu lado no banco da frente,, tinha a impressão que iria atravessar o vidro e cair embaixo, uma sensação muito desagradável, para quem como eu jamais tinha utilizado um helicóptero.
Depois de vários ataques, eis que o motorista do gol adentrou no Distrito, hoje submerso pelas águas, Mutum -Paraná e parou a cerca de 20 metros, descendo os ocupantes do Gol, todos com as mãos para o alto, quando então o piloto fez descer o helicóptero, levantando toneladas de areia vermelha e estragando definitivamente os almoços de dezenas de pessoas que naquela hora comiam nas muitas barracas ali existentes.
Ao saltar do helicóptero com as metralhadoras apontadas para os três e prevendo possível reação, gritamos muitos para eles: ‘Para o chão’.... ‘Para o chão’....‘Para o chão’. Oportunidade que as três pessoas se jogaram de bruços no chão, ficando todos cobertos pelo barro vermelho ali existente.
Logo que com as devidas cautelas, nós aproximamos, os mesmos começaram gritar que não eram bandidos e sim o motorista e dois engenheiros da Ceron, que estavam ali serviço da empresa, num veiculo gol alugado e sem identificação. Na oportunidade então os revistamos e sacamos dos bolsos dos mesmos os respectivos documentos, verificando ainda no interior do veiculo, que não existiam armas e nem muito menos ouro e sim apenas o material de trabalho dos dois engenheiros, que foram ali fazer um trabalho de observação e medição da fiação elétrica.
Desnecessário dizer o constrangimento de todos nós, ou seja, do piloto e policiais, dos donos das barracas de alimentos e das pessoas que perderam seus almoços e muito principalmente dos servidores da Ceron, que devem ter perdido as roupas que vestiam na ocasião, em razão da impossibilidade de tirar delas depois aquele vermelho do bairro impregnado no tecido e também pelo demorado banho que tiveram que tomar para se livrar de sujeira por todo corpo, principalmente nos cabelos.
Quanto aos quilos de ouro roubados, os ladrões jamais foram encontrados, se imaginando que fugiram para a região de garimpo, para o Acre ou até mesmo para Guajará-Mirim e dali para a Bolívia.

 

Pedro Marinho, conta a sua quinta história na Polícia Civil
Entre os anos de 1987 e 1988, quando me encontrava mais uma vez como Diretor de Polícia Metropolitana, fui procurado por um grupo de senhoras e estudantes, reclamando que não podiam caminhar pelas proximidades da conhecida e antiga Boate Tartaruga, no centro da cidade, pois segundo elas, ocorriam ali muita bebedeira, exploração de menores de idade e as senhoras e estudantes que passavam ali por perto, eram assediadas pelos frequentadores e que, portanto, alguma providencia teria que ser tomada, pois as mesmas já tinham recorrido a diversas autoridades e nada tinha sido feito para resolver a grave questão, que ocorria diariamente e a luz do dia. Depois de ouvir a mesma e de formalizar um Boletim de Ocorrência, prometi ao grupo que em 24 horas aquele problema de décadas seria finalmente resolvido.
Já no dia seguinte solicitei para ficar a minha disposição o ônibus da garagem e mais duas viaturas veraneio e requisitando cerca de 15 homens com seus respectivos revolveres e três armas de grande porte.
Por volta das 15 horas quando o movimento dos freqüentadores da Boate já era grande, solicitei que o ônibus ficasse atravessado na rua na parte de cima e que as duas Viaturas Veraneios, se posicionassem na outra extremidade da rua, evitando assim quaisquer fugas, fossem de indivíduos suspeitos, fossem de menores de idade.
Na verdade existiam duas boates na final da rua, quase defronte uma casa da outra. Na primeira que adentrei com parte da equipe não verifiquei nenhum anormalidade, tendo então me dirigido a Boate Tartaruga e ao adentrar ali, já pressenti um clima bem desagradável entre o motorista da Metropolitana, o policial do Estado Claudinei que trabalhava diretamente comigo e dois sujeitos alterados e desacatando os policiais presentes.
Tais pessoas em pleno expediente e embriagadas se diziam soldados da Polícia Militar e que eles sim entendiam de policia e que nós não sabíamos de nada, quando então os rebati, dizendo que se eles eram tão entendidos assim em atividades policiais, era bem estranho que fossem ainda dois soldados rasos, quando então o mais forte não gostando da gozação que fiz com ambos, veio na minha direção, mas ficou só na vontade, pois o zeloso Claudinei, que tinha cerca de 1.80 de altura, passou voando próximo ao meu ombro e deu uma voadora acertando o peito do militar o jogando longe, quando então ordenei que ambos fossem algemados dentro do ônibus e encaminhados a Central de Polícia para as providências legais, bem como outros freqüentadores irregulares e as menores, tendo naquele dia a Boate Tartaruga encerrado de forma definitiva as suas atividades naquele local, são sabendo eu se ressurgiu em algum outro local da cidade. Penso que não.
Com os policiais militares algemados no cano da Central de Polícia determinei que fossem adotadas as providenciam legais contra os mesmo e fui para meu gabinete informar ao comando da Polícia Militar sobre o acontecido e solicitando a presença do Oficial de Dia para levá-los para o quartel paras providencias administrativas. Qual não foi minha surpresa quando momentos depois fui rapidamente chamado pelo delegado de plantão, pois dois aspirantes que tinham chegado ali, atrevidamente usando as suas próprias chaves estavam tentando abrir as algemas dos dois soldados, desrespeitando os delegados e policiais presentes, quando então adentrei no recinto gritei ‘Alto lá’ e dei uma lição de moral nos dois, pedindo que ambos se retirassem e retornassem para o quartel, pois não entregaria os militares presos a eles, que não souberam se conduzir como graduados na casa alheia e que eu iria fazer um relatório sobre a conduta dos dois soldados e deles oficiais, o que de fato cumpri no mesmo dia.
Novamente liguei para o quartel e o próprio Oficial de Dia um capitão louro, cujo nome infelizmente não recordo que veio pessoalmente buscar os soldados e lamentou todo ocorrido, principalmente a conduta do dois aspirantes a Oficial e disse ali na Central na presença de todos, que as providências com os quatro militares seriam com certeza rigorosas, mas entretanto jamais soubemos o que aconteceu com os mesmos. Talvez absolutamente nada, mas tenho certeza que cumprimos o nosso dever e nos impomos.
Esta é mais uma das tantas histórias que nós policiais vivenciamos mesmo com as dificuldades próprias daquela época, Deixo aqui de citar nomes dos demais policiais civis envolvidos, pois infelizmente não recordo e também por temer cometer injustiças.

 

História da Policia Civil III

 No início de 1981, o Negro Dario e mais uma dezena de presos fugiram da Ilha de Santo Antonio, depois de esfaquear um vigilante que fazia e a guarda externa do presídio. Fugiram dali, Carlinhos Palmeira e mais os seus primos, o Negão Santa Brígida, o individuo conhecido por Paulista e também Nego Dario, fugindo todos no sentido de Guajará-Mirim. No meio do caminho, como não se achava os fugitivos, alguns policiais resolveram regressar para Porto Velho, tendo eu, Manoel e Josimar esse último de Ji-Paraná e que tinha vindo a Porto Velho apanhar uns documentos, terminou também participando da operação.
Passamos onze dias no trecho, certo dia fomos informados que um individuo com as características do Paulista, havia passado pela estrada e ai pedi emprestada a camioneta de um garimpeiro e aliás, autorizei o mesmo a portar a espingarda e ele foi junto comigo e com o colega Josimar, que tomou o volante da camioneta, enquanto eu e o garimpeiro deitados na carroceria e ao chegarmos nas proximidades de Mutum-Paraná, avistamos o Paulista, seguindo pela estrada e pedindo carona, quando então, Josimar parou o veículo mais adiante e ele se aproximou, quando então eu e o dono da camioneta, saímos armados da carroceria e o surpreendemos o Paulista e mesmo ele com um revolver enrolado num saco, com as mãos para trás do corpo, pronto para reagir, mas quando viu três pessoas armadas e num lugar totalmente deserto se ajoelhou e pediu para não ser morto.
Depois de tal prisão, recolhi o mesmo na localidade de Jaci-Parana, mas os garimpeiros queria matá-lo e ai tive que levá-lo para Porto Velho. É importante dizer, que até prender o Paulista, eu e Josimar passamos cinco ou seis dias atrás dos fugitivos, eu ia para um lado e o Josimar ia para outro. Ele pegava um caminhão e ia para algum lugar da estrada eu pegava o caminhão do Frigorífico Wilson do Acre e ia para o outro e sempre muito mal acomodados, pois até debaixo de ponte tivemos que dormir.
Teve um dia que em encontrava tão cansado, que fui dormir debaixo da ponte e pedi a alguns populares que não deixassem ninguém cruzar a ponte, pois temia que pudesse ser um dos fugitivos e me surpreender dormindo e as pessoas de bom grado atenderam e ficaram vigiando a ponte, porém mesmo assim, utilizando o matagal o Nego Dario conseguiu passar e seguir em direção ao Acre e posteriormente ao ser preso, disse que me avistou e só não me matou, em razão das pessoas que se encontravam ali nas proximidades.
Ao amanhecer desse dia, fui até a Vila para conseguir gasolina para fazer o motor funcionar e assim passar um rádio para Porto Velho, para informar que os forasteiros estavam lá, solicitando o envio de reforços, o que de fato foi feito.
No primeiro tiroteio que Eu, Josimar e Manelão tivermos com ele, os grupo de policiais se separou e depois nos reencontramos, até a chegada dos demais colegas. Tendo chegado os delegados Walderedo Paiva e Jandi de Melo Lacerda e ainda os policiais João Vianney, Leite, Coruja, Norberto Savala, Jaime, Duarte, sendo que nessa ocasião eu me encontrava dormindo sob a ponte e fui acordado por Norberto se fazendo que eram os bandidos, me pregando assim um grande susto.
Eles os bandidos caminhavam quase sempre pela linha da rodovia Madeira Mamoré e ao passar pelos sítios, eles furtavam alimentos e armas.
No oitavo dia nas proximidades de Mutum-Paraná, eu e todos os policiais bem cansados e com fome, ao amanhecer, avistamos uma casa e ao tentarmos nos aproximar, fomos recebidos a bala por três fugitivos que estavam na residencia, quando revidamos e partimos em direção a casa e foi muito corre...corre, quando então percebi que algo havia acertado no meu rosto que sangrava e passei a gritar: ME ACERTARAM, ME ACERTARAM, quando os colegas vieram em meu socorro, perceberam que era alarme falso, pois apenas um galho de goiabeira que havia cortado o meu supercílio e não um tiro, como eu nervosamente imaginava.
Foi com certeza a parte hilária da aventura. O Nego Dario foi o último a ser preso no décimo primeiro dia na extrema do Acre, bastante abatido, pois há dias não se alimentava.

João Paulo das Virgens conta a sua historia na Polícia
Uma vez o Diretor Geral de Polícia, Carlos Lobo, me chamou e disse: Pegue sua equipe (Saudosos Sérgio Barriga, Juarez "Nariz de Ferro" e João Faustino) e vão para Ariquemes, pois o governador vai estar lá amanhã cedo e vocês devem já estar esperando quando ele chegar pois querem invadir o Banco do Brasil e os funcionários estão todos escondidos. Continuei em pé diante dele que olho para mim e perguntou o que eu estava esperando? Lhe respondi que estava aguardando se iríamos de Ônibus ou se ele ia disponibilizar alguma viatura e motorista. Ele me respondeu que não, que eu me virasse e estivesse em Ariquemes no outro dia antes de Teixeirão. Retirei-me, chamei os colegas e pedi ao Fittipaldi que nos levasse até ao Aeroclube. Chegando lá, perguntei de quem era a vez do vôo, assinei a requisição e voamos para Ariquemes. Fomos para o Hotel e no outro dia os parceleiros estavam todos na frente do BB que era uma estrutura de pré-moldado e queriam o dinheiro de qualquer maneira. O Banco fechado e os funcionários e gerente sumidos. Quando chegou o governador Jorge Teixeira com William Cury, José Renato e Hélio Máximo. Nos colocamos na frente da carroceria do caminhão que eles subiram e Teixeira, Cury e o prefeito Francisco Sales discuraram, Teixeira disse uns palavrões, Cury outros e a turma se acalmou e no final até aplaudiu. Apaziguada a situação, os colonos se dispersaram com a promessa do Govenador que na outra semana faria o pagamento, pois iria a Brasília resolver isso. Daí o prefeito Sales nos deu a passagem de volta e retornamos de ônibus a Porto Velho. Passado uns dias, fui chamado pelo Secretário e quando entrei na sala, lá estava o Diretor e Hélio Máximo aos berros. Mal entrei na sala e já foram me mostrando a ordem de vôo assinado por mim. O secretário me perguntou quem mandou pegar um avião para Ariquemes? Eu falei logo: O Diretor, que quase desmaia na sala. Aí eu expliquei: Ele disse que nós tínhamos que chegar antes do governador e dos senhores lá em Ariquemes naquele dia. Perguntei qual o meio de transporte e ele mandou eu me virar. Eu me virei. Agora pergunto ao senhor: quem o senhor achar que arrumou aquele caminhão e colocou no meio da multidão para o governador e os senhores subirem e acalmar os ânimos do povo que queria tocar fogo no Banco do Brasil? Diante disso ele mandou eu me retirar da sala com as promessas de não fazer mais isso. E Carlos Lobo ficou lá em papos de aranha. Logo depois em uma revolta da Polícia, derrubamos ele do DGPC.

A segunda historia de João Paulo das Virgens na Polícia Civil
João Paulo das Virgens conta conta a sua terceira história na Polícia Civil - Kojak
No início dos Anos 80 o saudoso Claudionor Silva, o Kojak, foi reformado como cabo do Exército e o mesmo desejoso de ingressar na Polícia Civil, mesmo estando reformado ele diariamente vestia a sua farda do Exército e amanhecia no gabinete do Governador Jorge Teixeira, querendo solicitar a nomeação.
Quando o governador adentrava na ante-sala do seu gabinete sempre cercado de secretários e assessores, ele Kojak rapidamente se postava de pé juntava os coturnos e fazendo continência e gritava: ‘Pronto Coronel, cabo Claudionor se apresentando’, grito que muitas vezes até assustava o próprio coronel e as demais pessoas presentes.
O certo é que as visitas diárias que Kojak, fazia ao palácio do governo não surtiam efeito, pois sempre alegando falta de disponibilidade a secretaria do governador adiava a esperada audiência que Kojak queria ter com o governador, para então fazer o seu pedido.
Diante das dificuldades de ser atendido no gabinete governamental, Kojak então mudou de tática e passou a fazer plantão às 6 horas da manhã na frente da Casa do Governador no centro da cidade e ficava por ali conversando com Dodó motorista do coronel Teixeira, que quando aparecia KojaK devidamente fardado prestava continência e repetia o velho grito: ‘Pronto coronel, Cabo Claudionor se apresentando”, Jorge Teixeira, respondia a continência e deizia ao seu dispor e rapidamente adentrava no veiculo oficial e Kojak nunca conseguia falar direito com ele.
Esse cerco ao governador era diário e demorou meses, até que um dia ele Jorge Teixeira que já não aguentava mais, falou para o então secretário de Segurança Hélio Maximo, que arrumasse um emprego para ele Kojak na policia civil, pois ele o governador já não aguentava mais o cerco diário.
No dia seguinte chamado a SSP/RO, Kojac logo cedo apareceu fardado no gabinete do secretário e ao entrar juntou os pés e sapecou uma ‘Pronto comandante as duas ordens’, tendo então Hélio Maximo muito sisudo dito a ele: ‘Kojak você vai ser contratado, mas evidente não pode andar por ai com a farda do Exército exercendo uma atividade civil, portanto, você só deve vesti-la quando for participar lá no quartel de algum evento militar.
Mesmo sem receber a arma ou documento funcional, Kojak foi colocado para estagiar comigo e demais policiais da equipe, tendo alguns dias depois a equipe sido designada para ir numa diligencia atrás dos fugitivos da Ilha de Santo Antonio e lá em Jaci-Paraná ficamos a noite inteira escondido debaixo de uma ponte e pedindo que todos ficassem de forma mais discreta possível, pois sequer era permitido acender cigarros, para assim surpreender os fugitivos, Mas não tinha quem fizesse Kojak ficar quieto, pois não parou a noite inteira contanto historias que dizia ter vivido no Exército.
Perto do amanhecer resolvemos subir para a estrada e pouco tempo depois, eis, que alguns dos fugitivos apareceram num carro e então ocorreu intenso tiroteio, porém eles conseguiram furar o cerco e passaram por nós, ocasião em que eu e os colegas entramos na viatura e eu falei para o motorista Raimundinho motora, vamos rapidamente atrás dos bandidos, tendo o mesmo se recusado a dar partida no carro, pois Kojak na hora dos tiros, tinha se enfiado debaixo do veiculo e ainda se encontrava lá, quando então eu disse ao mesmo, que acionasse o motor que ele com certeza sairia, tendo Raimundinho ligado o motor, mas mesmo assim não havia jeito de fazer ele Kojak sair, o que obrigou a todos a descerem para com muito custo retirar Kojak de debaixo do veiculo, tendo demorado muito para convencê-lo, tendo os colegas dito ao mesmo que já poderia sair, pois não existia mais nenhum risco.
O certo é que com o tempo perdido convencendo Kojak a sair debaixo da viatura , ao seguir atrás dos bandidos, já não foi possível alcançá-los e prende-los o que já veio há acontecer três dias depois já perto de Abunã.


O policial Josmar Câmara Feitosa conta a sua história na Polícia Civil.
A minha história se deu quando eu estava lotado na DRE, por volta dos idos de 1983, nosso destemido delegado titular era José Jório Ismael da Costa. Toda a equipe era fechada com ele, - o temido "Escovão", muito amigo da equipe e querido pela mesma.
Nós apelidávamos a nossa equipe de ‘elite’, pois era formado por excelentes profissionais, como o saudoso Luís Ataíde, paulista de Drascena - que por sinal foi quem me apresentou a música sertaneja, em razão de suas raízes e que até os dias atuais, não pode faltar no meu repertório musical – o falecido Ivaldo Pimenta Fernandes, policial dos mais corajosos, cujo espaço aqui seria pequeno para descrever o mesmo, pois tive a oportunidade de comprovar isso quando fui destacado para o garimpo pela primeira vez e ele foi o meu parceiro, (Garimpo do Embaúba) ano de 1983, só nós dois de Agentes, um delegado e um escrivão, para cuidar de milhares de garimpeiros, podendo por ai ver a qualidade e o destemor da equipe, compunha ainda a equipe do DRE, o recém falecido José Carlos de Araújo, o policial Marcondes, que abria garrafa de bebidas com um soco técnico de cair o queixo, tinha também o Paulo Calixto, excelente policial, dispensando maiores comentários, tinha ainda na equipe o Antônio Miranda dos Santos dentre outros.
Certa ocasião tivemos que fazer uma busca e apreensão na casa de um traficante famoso na época de nome "Iramar", tanto que o mesmo saiu até nas páginas da revista Veja, devido a sua periculosidade.
Naquele tempo não havia necessidade de mandado do Juiz, pois bastava o delegado se fazer presente e já era possível se realizar a busca. Naquela ocasião, o Dr. Jório estava presente e foi aquele alvoroço por se tratar do elemento famoso e perigoso. Me lembro que quando estávamos fazendo a ‘varredura’ no local’, toda vez que eu me aproximava de determinada área da residência, a comparsa do mesmo dizia para mim que o delegado estava me chamando, ocorrendo esse aviso por duas vezes, quando entãoperguntei ao delegado Jório se de fato ele havia me chamado e diante da sua negativa, desconfiados fomos até o lugar que a comparsa tentava me desviar a atenção, e então encontramos vestígios de que a terra fora removida, oportunidade em que o Dr. Jório mandou o bandido cavar a área e foram encontrado 10 quilos de maconha prensada, tendo imediatamente algemados os meliantes, ocorrendo muita alegria e satisfação na equipe, em razão do achado.
O que mais chamou a atenção nesse fato foi o nosso faro e perspicácia no desenrolar da operação, cujas prisões ensejaram muita comemoração, em razão da periculosidade daqueles indivíduos e por terem eles sido retirados de circulação e que mesmo agindo há bastante tempo nem mesmo a Federal o tinha prendido.
Essa é minha história juntamente com todos os participantes dessa DRE do passado. Oportunamente trarei novas história pois o nosso passado e todas as dificuldades vividas, deve m ficarem registradas para o futuro.

Historia da Polícia II



 

A candidatura a vereador e o jingle de campanha do policial Piauí em 1982
No ano de 1982 com a transformação do território de Rondônia em Estado, iria se realizar eleições párea escolha de deputados estaduais, constituintes, deputados federais e excepcionalmente três senadores, um para mandato de oito anos e dois para mandato de quatro anos, além da renovação para a Câmara Municipal de Porto Velho E O Governador Jorge Teixeira queria eleger para o Senado, Odacir Soares, Claudionor Roriz e Galvão Modesto.
Naquela oportunidade a cúpula da Secretaria de Segurança resolveu que deveria eleger um vereador, um deputado estadual, um federal, sendo escolhido então como candidatos João Paulo das Virgens para vereador, o delegado Walderedo Paiva para deputado estadual e o delegado João Lucena Leal para deputado federal.
Correndo por fora, ou seja, por sua conta e risco, o policial Waldemir Cardoso, mais conhecido por Piauí, que era subdelegado Jacy-Paraná, Mutum e região se candidatou pelo PDS para ser vereador.
Nem precisa dizer que a candidatura de Piauí enfrentou todas as dificuldades possíveis, pois além de não contar com o apoio dos colegas da Secretaria de Segurança, ele Piauí não tinha recursos financeiros e fazia toda sua campanha foi feita num carro velho, com uma pequena cota de combustível.
Considerando todas essas dificuldades, Piauí espertamente resolveu compor um jingle de campanha, claro ligando a sua pessoa a figura do verdadeiro mito que era o então governador Jorge Teixeira de Oliveira, a outro mito que era Chiquilito Erse e aos três candidatos ao Senado, Odacir Soares, Galvão Modesto e Claudionor Roriz, fazendo essa sua composição muito sucesso naquela campanha tocada num som precário instalado no seu velho carro.
Jorge Teixeira é o nosso governador
Para deputado Chiquilito e Heitor
Galvão Modesto é o nosso senador
Com Odacir tem também Claudionor
Não há tristeza que agüente
O povo já apoiou, o Wlademir Cardoso o Piauí, é o nosso vereador.
Repete:
Não há tristeza que agüente
O povo já apoiou o Wlademir Cardoso o Piauí é o nosso vereador.
Ao se abrir as urnas estavam eleitos para vereador, o agente policial João Paulo das Virgens, para um mandato de seis anos, deputado estadual constituinte delegado Walderedo Paiva dos Santos e o delegado João Lucena Leal, deixou de se eleger deputado federal por cerca de 100 votos, dando assim os servidores da Secretaria de Segurança Pública de Rondônia uma demonstração de força e união.
Com relação a o Piauí, apesar do seu entusiasmado jingle de campanha, o mesmo não se deu bem nas urnas, obtendo alguns poucos votos, pois além das dificuldades já citadas, ele ignorou que a população daqueles distritos que era a sua base eleitoral, era composta praticamente por garimpeiros vindos de outros Estados da Federação, portanto, sem domicílio eleitoral em Rondônia.


Delegado Francisco Ribeiro Lima, conta a sua segunda história na Polícia Civil de Rondônia


No passado muitos fatos pitorescos ocorreram na nossa Polícia Civil e claro, têm que serem lembrados para que assim fiquem perpetuados.
Na minha primeira história lembrei-me de um episódio engraçado envolvendo um dos nossos colegas que hoje se encontra aposentado, mas guardei o sigilo sobre seu nome, temeroso que o mesmo viesse a não gostar daquele episodio único do abalroamento de dois únicos veículos existentes na então pequena localidade de Costa Marques.
Ainda remetendo-nos ao final da década de 80 e anos seguintes, outro episódio sucedeu quando de nossa atividade policial!
O Dr. Sol era delegado de polícia na capital Porto Velho/RO, e tal figura ficou muito conhecido entre nós pela maneira acelerada de agir e seu linguajar do interior de Minas Gerais.
Certo dia o mesmo foi designado para investigar um crime ocorrido em Ji - Paraná/RO, e em lá chegando de imediato deu início às investigações sobre o fato, quando no curso dos trabalhos policiais, recebeu um Telex do Secretário de segurança pública que dizia o seguinte: ‘Dr. Sol: Uma vez preso o suspeito, guarde sigilo e me mantenha informado. Incontinenti o Dr. Sol responde para mostrar serviço, já tratou de responder: Senhor. Secretário: Um suspeito já se encontra preso, porém, esse tal ‘Sigilo’ ainda não foi encontrado. Continuamos diligenciando, aguarde notícia. Dr. Sol.
O delegado Sol não se adaptou as atividades policiais e resolveu deixar a nossa instituição policial, para prosseguir nas atividades advocatícias no Estado de Rondônia.


Francisco Ribeiro de Lima - Não esquecer o arroz e feijão do secretário de Segurança de Rondônia


Reportando-me a meados da década de 80 em Porto Velho, recordo que quando diretor do Instituto de Criminalística/DPT/SSP/RO, em face de a estação chuvosa ser muito forte, a BR 364 que liga Cuiabá a Porto Velho, à época tal rodovia não era asfaltada e se transformava em intermináveis atoleiros, causando transtornos aos caminhoneiros que transportavam mercadorias (alimentos) perecíveis, dentre eles: Carnes, ovos, leite, frutas, alem de verduras etc.,sem contar os não perecíveis, como arroz, feijão, milho, açúcar, farinha etc., que também eram deteriorados, em virtude do tempo em que ficavam nos caminhões até que fossem puxados, por tratores que muitas vezes quebravam quando da tentativa de arrancá-los dos atoleiros infernais.
Como se tratava de mercadorias seguradas, se fazia necessárias a realização da perícia, e posteriormente a apresentação de Laudo Pericial para que fossem ressarcidos os danos causados nos produtos avariados por ocasião das chuvas torrenciais, o que sem medir esforços, deslocava nossos peritos até por via aérea se necessário fosse.
Passado o inverno, no verão seguinte, numa manhã de quarta-feira, quando estava em meu gabinete a conversar com o Sr. Secretário Humberto de Morais Vasconcelos, quando que fui avisado pela minha secretária que havia um caminhoneiro querendo falar comigo, sem que fosse necessário manda esperar um pouco, de pronto o Dr. Humberto autorizou o cidadão entrar, pois o nosso papo era informa.
Ao adentrar no gabinete, sem haver qualquer constrangimento, o caminhoneiro nos agradeceu pela presteza e o imediatismo quanto à liberação do laudo que sem dúvida amenizava o sofrimento quando da estação chuvosa. Mas, não terminou apenas no simples agradecimento. Na presença do Dr. Humberto, o caminhoneiro em nome de seus colegas e patrões, falou para mim: ‘Senhor diretor, no caminhão que se acha aqui na frente, trouxe para o Senhor e seus peritos, arroz, feijão, milho, farinha e açúcar. Naquele instante, fiquei pasmo e constrangido em razão do secretário que assistia a tudo, falei: ‘Moço é nosso dever atender quem necessita de nossos préstimos de forma incondicional’. Mas, nem terminei de falar, pois incontinente o Secretário Humberto entrou na conversa e mandou que eu recebesse a mercadoria, pois se tratava de doação de pessoas honestas, para quem honestamente os socorreu quando dos seus sofrimentos nos atoleiros da BR 364.
Diante disso resolvi então aceitar. Tudo bem aceitei de bom grado! Só que o Senhor Secretário ao se despedir de mim e do caminhoneiro, para minha surpresa me chamou em particular e me falou o seguinte no ouvido: ‘Lima, não se esqueça do meu arroz e feijão!’

Antonio Braga Dias conta a sua história na Polícia Civil
No início dos anos 90, eu trabalhava na Delegacia Regional de Guajará-Mirim e fazia parte do setor de investigação, que contava com 22 policiais e tinha como chefe o respeitado colega policial João Lins Dutra, mas conhecido por João Pomba.
Em determinado dia, ocorreu um homicídio na então Nova Mamoré, quando mataram um taxista, cujo nome não recordo mais, tal crime de deu na Ponte da Misericordiosa, tendo o mesmo sido covardemente assassinado com um tiro na nuca, vindo posteriormente a se saber que esse taxista tinha matado uma pessoa há cerca de dez anos no Ceará e, portanto, o matador tinha sido contratado para executá-lo. Considerando que ali em Vila Nova só trabalhavam três policiais civis e essa sub-delegacia, fazia parte da nossa Regional, então sob o comando de João, fomos em oito policiais até a localidade de Nova Mamoré.
Ao chegar naquele Distrito, verificamos que a Polícia Militar já tinha prendido um dos participantes do homicídio, cujo vulgo era “Gordo’, tendo aqueles militares entregue tal pessoa a nossa equipe. Na ocasião o Gordo informou que na realidade o autor do homicídio tinha sido o sujeito Luiz Estenio, que estava numa draga no meio do Rio Madeira na localidade Periquitos, onde se encontravam centenas de outras dragas.
Ao chegar ali já no final da tarde no Garimpo dos Periquitos, nos deparamos com uma equipe de policiais militares, comandada por um tenente, ocasião em que João Falou com o mesmo para solicitar apoio na abordagem a draga onde se encontrava o perigoso criminoso, tendo o oficial se recusado a cooperar, informando que já iria anoitecer e não poderia colocar os seus comandados em risco, pois em tal horário, com centenas de dragas encostadas umas as outras e alguns milhares de garimpeiros, seria uma operação bastante arriscada.
Diante da recusa dos militares, o chefe João Pomba decidiu retornar a base em Guajará-Mirim, para apresentar ao delegado o individuo Gordo e reunir toda equipe para retornar aos Periquitos cedo da manhã seguinte.
Já de manhã por volta das 7 horas, estávamos ultimando os preparativos para a operação, quando apareceu o policial Lindebergh, que era o encarregado da Polinter da nossa delegacia, que curioso, perguntou a João que estava acontecendo e ao ser informado da operação, demonstrou interesse em seguir junto, tendo João dito ao mesmo que não era necessário, pois a equipe já era numerosa, mas ele Linderberg mesmo assim resolveu ir junto, pegando na sua sala uma espingarda calibre 12.
Ao chegar à área do garimpo, conseguimos quatro barcos conhecidos como voadeiras, para o transporte da equipe até a draga onde estaria o procurado Estênio. Ao nos aproximarmos, João então resolveu que deveríamos desembarcar um pouco antes e seguir andando por cima das dragas, até chegáramos de surpresa à draga onde possivelmente estaria o assassino do taxista.
Chegando a equipe em tal draga, o individuo que estava sendo procurado fugiu para parte de cima, sendo seguindo pela por alguns policiais, enquanto os outros abordavam os garimpeiros que ali trabalhavam, solicitando identificação e na procura de armas, ficando eu, Lindeberg e João na parte de baixo da draga, porém o um barulho ensurdecedor dos motores não permitia sequer que houvesse comunicação entre nós, quando então mesmo assim, conseguimos ouvir um grito entre nós e ao observarmos vimos então Lindenberg já no chão, indicando que poderia ter sido alvejado por um tiro, porém ao examiná-lo verificamos que não existia nenhum ferimento, tendo João dito então que ele poderia ter sofrido algum ataque cardíaco e que deveria ser socorrido de imediato.
Naquele instante o policial Jose Nilton Dias, mais conhecido por Capixaba, ainda muito jovem e forte, sozinho apanhou Lindberg do chão e com ele nos braços praticamente se jogou numa voadeira que se encontrava encostada na draga, ordenando seguir imediatamente para a margem, pois o colega precisava ser socorrido. Confesso que eu, que já tinha admiração por Capixaba, naquele episódio, tive a admiração ao colega Capixaba crescido mais ainda.
Logo depois os colegas apareceram com o individuo Luiz Estênio e algumas armas aprendidas, quando então decidimos voltar para a cidade de Guajará apo chegar à localidade denominada Porto de Tota, próximo a Embratel, lembrei ao colega João, que na véspera uns indivíduos da draga de José Aldo, que se encontravam apoiada ali perto, desafiaram os três policias de Vila Nova, pois usando uma arma ponto 30, atiraram contra os mesmos e agora estando nós ali nas proximidades e com um bom numero de policiais, seria bom buscar tais pessoas na citada draga, tendo João imediatamente aceitado fazer a abordagem, oportunidade que fomos então até tal draga e lá chegando foi um grande corre corre, tendo os ‘valentes’ da véspera se acovardado ao perceberem o bom número de policiais.
Na abordagem, em determinado momento, percebi um individuo se esgueirando no outro lado da draga e temeroso que estivesse armado desferi vários tiros de espingarda na sua direção e o mesmo sumiu sem que ninguém mais o visse, mesmo procurando depois tal pessoa em todos os lugares.
Ao chegarmos às proximidades do Distrito de Vila Nova tivermos a notícia via rádio de que Lindenberg tinha falecido e ao chegarmos em Guajará-Mirim encontramos ali grande comoção da família do mesmo e dos colegas policiais com muito choro pela morte repentina do colega que era muito querido por todos.
No dia seguinte o policial Pedro Lucas que dirigia para o delegado daquela regional, informou que havia aparecido um corpo na em Vila Nova e que o delegado iria lá, quando então bem desconfiado, solicitei a ele Pedro que verificasse se tal morte tinha a ver com os tiros que efetuei na véspera.
De volta da missão o policial Pedro bem sério, me chamou em particular e disse que o morto conhecido por Cazuza e que era o autor dos tiros contra os policiais de Vila Nova, estava cheio de marcas de tiros nas costas, quando realmente fiquei muito assustado, até que Pedro abriu um sorriso e revelou que tal pessoa na verdade havia morrido afogado, pois ao correr dos policiais em cima da balsa escorregou e por não saber nadar terminou morrendo.
Conclusão num só dia, além da morte do taxista que ensejou toda a operação, tivemos a morte do garimpeiro Cazuza e lamentavelmente do nosso colega Lindenberg, ou seja, três mortes em um único dia.

Historia da Policia I



 FRANCISCO ALVES CIPRIANO – A briga dos policiais e a solução dada pelo delegado Lamarques

No final do ano de 81 para o inicio de 82 eu nomeado como agente de polícia, chegava ao primeiro 1º DP da capital, onde existiam vários policiais e muitos novatos deles sequer se conheciam e eu era um deles.
Ao chegar ali não conhecia absolutamente ninguém e os outros também não me conheciam, ao adentrar na delegacia, procurei me informar quem era o comissário e me apontaram quem era a pessoa, quando me aproximei dele me apresentando e lhe entregando um memorando enviado pelo policial Antonio Guimarães, que era secretário do Diretor Geral.
Naquela ocasião, o comissário deu uma olhada no documento e entregou o mesmo a um policial do plantão e mandou que eu acompanhasse até a sala do delegado e chegando lá me deparei com o Dr. Jório Ismael da Costa, quando ali conversamos um pouco e ele mandou chamar a sua secretaria, que era Fátima Sampaio e mandou que a mesma me apresentasse a os demais funcionários.
Ela de posse do oficio me fez acompanhá-la e entramos no cartório, onde se encontravam dois policiais, o policial Juscelino do Amaral e o policial Antônio Brito, este último já falecido, naquela ocasião ambos se levantaram e me receberam calorosamente me abraçando e dando boas-vindas. Dali seguimos para a sala da SEVIC onde também fui bem recebido pelo chefe da SEVIC e sua equipe, depois fomos a copa onde tinha três funcionarias a Iraci a dona Hilda e a Nazaré, onde recebi três forte abraços, dali voltamos para o comissariado onde fui apresentado aos demais policiais plantonistas. Naquele dia a secretaria deu uma olhada na escala de plantão procurou saber se eu queria ficar na mesma hora, porque eu tinha ainda três dias para me apresentar, eu ao observar os policiais senti que todos estavam felizes com a minha presença, então optei por ficar, sendo o meu nome imediatamente escrito na escala do plantão. Fazendo parte daquela turma de plantão e já trabalhando, procurei logo me entrosar, conversando com todos os plantonistas querendo saber de tudo um pouco, pois de polícia eu não sabia de absolutamente nada.
Dias depois de trabalho eis que chega à delegacia o Doutor Lamarques Medeiros, não me recordo se o mesmo retornava de férias ou de alguma viagem. Naquela ocasião, o Dr. Jório me apresentou ao mesmo, pois eu era um policial novato e ele o Delegado Lamarques não me conhecia, tendo o mesmo me cumprimentado e indagado o meu nome, quando então lhe informei que me chamava Francisco Alves Cipriano, tendo o mesmo respondido que a partir daquele momento, eu seria chamado naquela repartição apenas de CIPRIANO.
Naquele mesmo dia, o delegado Lamarques falou para o delegado Jório que necessitava de um motorista para dirigir a sua viatura descaracterizada, tendo Jório respondido que eu Cipriano, era motorista dos bons, já que exercia a profissão de taxista, tendo Lamarques de imediato me entregue a chave de seu Gurgel de cor amarela e dizendo que nos dias em que ele estivesse de plantão eu seria o motorista dele.
Como já disse, eu sendo novato não conhecia a maioria dos policiais, identificando praticamente só os colegas do nosso plantão e certo dia chegou a delegacia um homem sangrando de um dos ouvidos, e eu não o conhecendo não sabia que se tratava de um policial e que era lotado exatamente naquela delegacia.
Naquele momento da queixa do mesmo, o Delegado Lamarques que se encontrava ali, mesmo sendo um dia de domingo – era muito comum no passado os delegados comparecerem a suas delegacias nos fins de semana – verificando ele Lamarques aquela situação ficou preocupado e foi logo querendo saber como aquilo tinha acontecido, tendo o ferido se identificado como policial e dado as explicações que havia sido agredido por um peladeiro, quando então o delegado revoltado e sem sequer querer saber o resto da história, ao ser informado que o fato tinha acontecido em um campo de futebol, por atrás do ginásio Claudio Coutinho, determinou que nós pegássemos uma viatura e fossemos até o campo de peladas, para trazer até a sua presença o peladeiro valentão.
Recebida a ordem, nós saímos em busca do tal elemento, porem quando no local indicado, o mesmo já tinha se ausentado, quando então saímos perguntando a uns e a outros e ninguém dava noticia alguma, porem um dos jogadores de peladas disse que conhecia o mesmo e deu o nome endereço detalhadamente e eu como trabalhava com táxi conhecia praticamente todas as ruas de porto velho pois a cidade naquele tempo era pequena e logo localizamos o infrator e comunicamos que o delegado Lamarques queria a presença dele no primeiro DP.
Ele entrou na viatura e nos dirigimos para a Delegacia, chegando de volta o Delegado já estava impaciente, pois estávamos demorando bastante, ele irritado foi logo querendo saber do agressor motivo da agressão, tendo o mesmo se sentado numa cadeira e dado inicio a contar a sua versão dos fatos, quando então o delegado Lamarques, mesmo sendo uma pessoa de pequena estatura, com aquele seu jeito nordestino bem atarantado, não se conteve e sequer conseguiu ouvir todo relato do infrator e como ele Lamarques, usava frequentemente umas botas amarelas do salto alto, tirou uma das botas do pé e a levantou no propósito de metê-la na cabeça do infrator, quando então o elemento vendo a situação , rapidamente revelou ao delegado e a todos que era policial, oportunidade que o delegado procurou saber o seu nome, tendo o mesmo respondido que chamava José Torres, quando então Lamarques procurou saber da sua lotação, tendo ele dito que era lotado no Ditel – Divisão de Telecomunicações.
O Delegado calçou a bota e pensou bastante e quando todos imaginavam que iria acontecer o pior com José Torres, Lamarques encarou os dois policiais envolvidos na briga e pediu que eles se cumprimentassem com um aperto de mão, pois como os dois não se conheciam anteriormente o fato era para ficar esquecido e se virando para mim, mandou que eu fosse deixar o José Torres em sua residência, esclarecendo que éramos uma família e que todos policiais obrigatoriamente tinham que serem amigos e solidários uns com os outros.

Francisco R. Lima - Legista perde a gravata para o cadáver


Quando nos reportamos ao nosso passado profissional, nos vem a memória episódios que marcaram toda nossa existência no trabalho no Instituto Medico Legal de Rondônia.
Naquela época, década de 80, na cidade Porto Velho, eu como diretor do Instituto de Criminalística e exercendo a função de Perito Criminal, compareci a um local de crime (homicídio), onde após o levantamento pericial, liberei o cadáver para o IML para que fosse submetido ao exame de necropsia.
Como de costume fui acompanhar o procedimento médico legal, o qual teve como legista o meu grande amigo Doutor Francisco Xavier Parente, exímio profissional dessa área.
Naquela ocasião, Parente sempre bem vestido, usava uma camisa social e uma gravata bem ajustada ao pescoço, com muito esmero e com o apoio de seus auxiliares, de posse de um bisturi ele Parente deu inicio ao trabalho, não observando entretanto, que a boca do cadáver achava-se aberta, tendo em vista que a rigidez cadavérica ainda não havia se instalado, quando então ele Parente chegou muito próximo ao corpo sobre a mesa de necropsia e a ponta de sua gravata adentrou na boca do cadáver, exatamente no momento em que a mesma se fechava.
Meu Deus! O colega Parente começou a lutar para salvar a sua vistosa gravata, fazendo muita força, mas tudo em vão, pois a gravata continuava presa na boca do cadáver e Parente em apuros, pois quanto mais ele erguia a cabeça, mais lhe apertava a gravata ao pescoço e sem nenhuma outra opção, teve que cortar a sua gravata com o próprio bisturi.
Ao final do episódio, o Doutor Parente além de perder a gravata, ainda teve que usar um colete cervical por uma semana!
Oportunamente narrarei outros casos relativos ao nosso passado na Polícia Civil.


José Rodrigues Junior - O dia em que o policial foi parar dentro do camburão
Minha primeira história foi por volta do ano de 1982, eu trabalhava na 5º DP em Porto Velho e tínhamos o costume de fazer patrulhamento (ronda) na área do trevo do Roque onde funcionava os prostíbulos e fazíamos isso na tentativa de manter a tranquilidade naquele local pois se tratava de um ambiente que sempre tinha muitas ocorrências de brigas, furtos e outros delitos.
Em determinado dia, me encontrava de plantão e junto com condutor de viatura Aurelindo Gomes Maia, mais conhecido como Maia, quando resolvemos fazer uma ronda no local citado e ao chegarmos lá, ainda de longe avistamos um casal aos nossos olhos em atitude suspeita, quando então os abordamos e o Maia prontamente conduziu o homem até a viatura, enquanto eu me encarreguei de conduzir a mulher.
No trajeto da abordagem até a viatura, eis que o rapaz saiu correndo e eu abandonei a mulher e segui no seu encalço o alcançando e o conduzindo de volta a viatura, pois ele inexplicavelmente tinha trancado o Maia no camburão da viatura.
Mesmo sem entender nada, retirei o companheiro do chiqueirinho da viatura, colocando ali o casal, seguindo com os mesmos até a 5ª delegacia de polícia para ali averiguar melhor a situação deles.
O fato curioso nesse episódio todo, foi que além da fuga e a colocação do companheiro Maia no chiqueirinho, foi quando indagamos a jovem, por que a mesma não tinha fugido e eis que para nossa surpresa ela respondeu, que seu grande sonho era conhecer uma delegacia, quando então atônitos com a resposta começamos a rir da situação, que dividimos com os demais plantonistas aos chegarmos na unidade, sendo tal operação motivo de comentários por vários dias.

Francisco Alves Cipriano conta mais uma de suas histórias na Polícia Civil.


No ano de 1985, não me recordo o dia e mês, eu estava de plantão juntamente com os colegas policial Ivan, policial Wilmar e o policial Edson Matos que era o comissário, era um plantão noturno e tudo corria normalmente, porém, esta tranquilidade que foi interrompida, quando fomos avisados que na antiga Praça dos Engraxates, situada entre as Ruas Enrique Dias e Sete de Setembro, mais precisamente em frente à Marinha, havia um elemento armado intimidando quem por ali transitava, como se tratava de uma pessoa portando arma de fogo, o comissário Edson achou por bem solicitar a polícia militar(PM) para averiguar o que estava acontecendo, chegando ao local foi dada voz de prisão ao infrator, que foi imediatamente desarmado e levado para o primeiro Delegacia de Polícia(DP).
Na delegacia foi preenchido o BO e entregue juntamente com a arma ao comissário de plantão e para nossa surpresa o infrator era um policial civil que era subdelegado de polícia lotado ao longo do Rio Madeira, e como se tratava de um policial, o comissário comunicou o fato ao delegado de plantão que solicitou a presença do mesmo para explicar melhor os fatos.
Ao receber a ordem conduzi o infrator levando a ocorrência e a arma até a Central de polícia, naquele dia o delegado de plantão era o Dr. Sergio Barbosa, fiz a entrega da arma e da ocorrência, apresentei o infrator e o delegado mandou que o mesmo sentasse para conversar, o infrator sentou e colocou os pés em cima da mesa do delegado que o repreendeu e disse que ali era a mesa do delegado e que ele respeitasse, o infrator respondeu dizendo que era federal e que para conversar com um delegado do estado era daquele jeito, diante disso o delegado percebendo que aquela pessoa não se encontrava sóbrio não quis mais conversa e mandou que eu conduzisse o mesmo de volta e o colocasse atrás das grades.
Chegando a delegacia, comuniquei a ordem do delegado ao comissário, que pelo fato do infrator também ser policial, achou melhor que ele ficasse junto a nós no plantão e pegou uma cadeira para que ele sentasse, ele então sentou e ficou super a vontade.
Naquela época eu tinha um táxi e como já era tarde da noite e eu estava com sono fui até o taxi que tinha um toca fita e fiquei ouvindo som enquanto observava as pessoas indo e voltando do centro da cidade, naquele momento eu estava de costa para a delegacia quando ouvi um barulho vindo do interior dela, achei que fosse uma fuga em massa, quando na verdade eram os dois policiais, que estavam de plantão, correndo atrás do policial infrator que tentava fugir,quando então que já estava do lado de fora da delegacia, também corri atrás, e antes que o infrator chegasse ao local onde hoje funciona o galpão da feira do Cai n’água, ele foi alcançado e levado de volta, agora para o xadrez.
Pela manhã o Delegado plantonista ordenou que o levasse a Central de Polícia para que lhe fosse entregue a sua arma, naquela oportunidade conduzi tal policial e chegando lá, o mesmo se recusou a entrar alegando estar com vergonha do delegado, quando então o Dr. Sergio Barbosa aceitou a ausência dele e concordou de me entregar a arma e que levasse ele o policial até a margem do Rio Madeira e só entregasse a arma a ele quando lá chegasse.ma par ale, lá fizesse a entrega da arma e liberasse o mesmo para que fosse embora.
Seguindo as ordens do delegado, seguimos para a margem do rio e chegando lá o infrator desceu da viatura, fiz a entrega da arma e ele foi embora na sua voadeira pelo Rio Madeira, fiquei olhando até quando ele desapareceu e voltei para a Delegacia para concluir o nosso plantão.
Quem vinha do interior para a cidade passava obrigatoriamente defronte à delegacia e como fiquei conhecendo o mesmo, o vi algumas vezes passando pelo outro lado da rua observando o galpão velho da estrada de ferro. Certo dia eu ainda tentei falar com o mesmo, porém, ele olhou para mim e acenou com a mão dando a entender que não desejava conversa, acho que a sua vergonha ainda perdurava.


Francisco Alves Cipriano conta a sua história na Polícia Civil

No ano de 1981 quando entrei na Polícia Civil de Rondônia, fui lotado no 1º DP e durante o segundo dia de serviço, quando eu me encontrava naquela delegacia, chegou uma jovem apavorada comunicando que naquela noite não havia dormido, devido ao seu irmão que havia sido abandonado pela sua esposa e consequentemente ficou descontrolado, quebrando tudo que encontrava pela sua frente.
Ela pedia ajuda ao Delegado Dr. Jório Ismael da Costa, que então solicitou um barco, daqueles que ficam ancorados no porto do Cai‘água e assim foi atendido de imediato. E ai lá fomos nós para outra margem do Rio Madeira. Na equipe eu o Policial Ivan e o Policial Lucimar. Não portávamos nem se quer um canivete durante a diligência e chegando lá, procuramos por tal elemento e fomos informados que ele se encontrava dormindo em uma casa de farinha nas proximidades.
No Maranhão, quando acontece de um casal se separar, automaticamente ambos recebem o nome de “cendeiro” e “cendeira”, neste caso, o cendeiro estava dormindo em uma rede, quando então o Policial Ivan balançou o punho da rede e o “monstro” acordou e olhou para nós, com os olhos de “cachorro doido”. Eu digo “monstro” porque ele aparentava ter entre 25 e 30 anos, não era magro nem muito gordo, tinha 2 ou mais metros de altura e quando o Policial Ivan falou em Polícia, o monstro se levantou e foi até em uma prensa, no qual é um chiqueiro de madeira, onde imprensa massa para fabricação de farinha e se armou com um pedaço de pau e veio em nossa direção.
Porém, antes de ele nos atacar, o elemento resolveu atacar primeiro quem provavelmente o havia denunciado e assim foi até a casa de seus pais, nesse momento, vi várias pessoas pulando embaixo do assoalho da casa e se embrenhando no matagal com medo do monstro e assim ele voltou em nossa direção. Nós ficamos apenas olhando um para o outro pensando o que fazer naquela situação, pois de armas não tínhamos um canivete se quer, eu pelo fato de estar no segundo dia de serviço e os outros talvez porque também tinha poucos tempo de serviço e não portavam armas, assim o tal elemento passou bem próximo de nós, olhando com aquele olhar ameaçador e em seguida voltou em direção a casa de seus pais e não encontrou ninguém para agredir.
Em seguida, elemento voltou em nossa direção e o Policial Ivan teve a ideia de que a gente deveria atacar o elemento antes de ele nos atacar e disse para quando ele se aproximar, O Policial Ivan partiu para cima dele e ao pegá-lo por cima dos braços, para que eu colocasse as algemas nos braços do elemento e assim foi o que aconteceu.
Quando o elemento estava a uma distância de 3 metros de nós, armado com aquele pedaço de pau velho, o Policial Ivan partiu para cima dele e fechou por cima dos braços e eu, de imediato coloquei as algemas e o elemento soltou o pedaço de pau velho no chão e ficou completamente sem ação, dali por diante, saímos empurrando ele e ao chegarmos no barco, colocamos ele dentro e voltamos em direção ao Porto do Cai‘ nágua.
Chegando de volta à cidade, tiramos o sujeito do barco, subimos o barranco e chegamos com ele algemado no 1º DP e o elemento foi apresentado ao Delegado Dr. Jório, no qual ficou muito contente em ver seus policiais com aparência fisicamente frágeis, sem uso de armas, usando somente a força física e a coragem de dominar um gigante daquele porte.
Esta é umas das muitas histórias de nossa Polícia Civil de Rondônia e ao nosso colega Policial Ivan, eu envio um grande abraço, pois a tempo não o vejo e ao nosso colega Lucimar, que a quase 40 anos eu não tenho notícias do mesmo e nem sei por onde ele anda e nem o que está fazendo, porém onde ele estiver, desejo ao mesmo muita paz e saúde e peço a ele que se sinta honrado por mim, fazendo constar o nome dele em uma de nossas histórias da nossa querida Polícia Civil de Rondônia.

 

Pedro Marinho – O dia da prisão Nereu Machado de Lima e a sua reação



 Pedro Marinho – O dia da prisão Nereu Machado de Lima e a sua reação

No ano de 1983 eu me em encontrava como delegado regional de Guajará Mirim, responsável por aquela cidade e pelos distritos de Abunã, Iata, Vila Nova, Surpresa e também por boa parte dos tumultuados e perigosos garimpos daquela região.
Ao ser designado para Guajará-Mirim, me encontrava como titular da Delegacia Especializada em Crimes contra o Patrimônio e só aceitei o novo encargo, pois o diretor Geral informou que se tratava de uma missão bem complicada e precisaria de mim, pois aquela Regional se encontrava há muito tempo sem um delegado graduado em Direito e vinha sendo gerida por um agente administrativo Américo Abiorana, que tempos depois foi transposto para o cargo de agente de polícia.

Ali com poucos agentes, uma agente administrativa, Judite Moura, nomeada permanentemente escrivã ad hoc e duas precárias viaturas, além de todos os problemas já citados, tínhamos que fazer também o combate ao tráfico de drogas, pois o a Delegacia da Polícia Federal ali da cidade, contava com menos de uma dúzia de homens e um delegado.

Ao chegar à cidade, logo verifiquei atuando ali na fronteira, o então considerado maior traficante da Região Amazônica, Nereu Machado Lima, individuo de muitas posses e inexplicavelmente dono da concessão pública federal de transporte de passageiros em barcos entre os dois países Brasil e Bolívia, estando sempre Nereu cercado de indivíduos bem estranhos, vindo de outros Estados da Federação e alguns até da Bolívia.

Certo dia de sábado, eu me encontrava na varanda da minha residência em companhia da minha esposa grávida, quando inexplicavelmente apareceu ali um advogado de nome Fernando, que era meu colega de Lions e pediu para falar em particular comigo, quando disse ao mesmo que eu não tinha particular com relação a minha esposa e ele poderia falar o que desejasse. Naquele momento o advogado Fernando, muito sem jeito, começou a dizer que estava para chegar do Paraná um mandado de prisão preventiva contra Nereu por um homicídio naquele Estado e que ele Nereu era uma pessoa bem generosa e gostaria de saber, se poderia contar comigo para avisar do mandado e dar alguns minutos para ele se evadir para a vizinha Bolívia.
Naquele momento chocado com o atrevimento, fiquei de pé e ordenei que o advogado fizesse o mesmo e se retirasse da minha casa e o avisei que em razão da ousadia, ao chegar o citado mandado eu iria pessoalmente efetuar a prisão. Saindo ele o advogado dali bem apavorado e as pressas.

Algum tempo depois, eis que chegou o malote da capital e ao abri-lo vislumbrei o conhecido envelope amarelo da Polinter, com um carimbo redondo, que era colocado na aba de fechamento do envelpe, para assim evitar que fosse violado por terceiros. Fui abrindo lentamente e já imaginando que se tratava do mandado em desfavor de Nereu e de fato era, quando então chamei ao gabinete o João Lins Dutra, mais conhecido por João Pomba e pedindo descrição ao mesmo informei do que se tratava e disse ao mesmo que bem armados, iríamos em dois carros, prender Nereu no seu escritório no porto, mas por via das dúvidas, informaríamos aos seis policiais da equipe apenas durante o trajeto.

Logo surgiu um impasse, pois naquele dia só existia o fusca e seria impossível irmos em seis pessoas ao local pretendido e ainda trazer prisioneiro ou mesmo prisioneiros, quando então apelamos para o Incra e para a Prefeitura, que naquele dia não puderam nos atender, quando então resolvi colocar o meu próprio carro na missão, ou seja, João iria com mais três policiais no fusca e eu no meu carro dirigido pelo então condutor de viaturas Isac, cujo servidor posteriormente foi transposto para agente de polícia.
Ao chegarmos juntos no porto, logo avistei Nereu numa mesa de um bar/restaurante com três sujeitos mal encarados, quando então avisei a Isac da presença do mesmo, quando então Isac sem pestanejar parou o meu carro junto à mesa na calçada e eu fiquei a pouco mais de um metro de Nereu e dos demais acompanhantes, enquanto o fusca estacionava mais adiante cerca de 50 metros.

Percebendo que a chegada dos policiais poderia demorar alguns segundos e até minutos e não tendo como ficar ali olhando para as pessoas sem me pronunciar, desci do carro com o mandado na mão e falei: ‘Nereu de pé e com as mão sobre a mesa, o seu mandado de prisão chegou e mostrei o documento, quando repentinamente o mesmo se levantou chutou para trás a cadeira onde se encontrava sentado e super rápido sacou dois revolveres Magnus, que brilharam ao sol e encostou ambos os canos no meu rosto, me impossibilitando de reagir, pois a minha arma ainda se encontrava na cintura e se tentasse o mesmo poderia disparar.

Naquele, momento ouvi o policial Eguiberto, mais conhecido como ‘Careca’ que desembarcara junto com João e mais dois colegas do fusca, acionar a mecânica da metralhadora e gritar: ‘Nereu se atirar é um homem morto.” Quando então Nereu sentindo o cerco e a barra pesando, depositou as duas armas sobre a mesa e se virando para um dos policiais disse, abra as duas mãos que eu estando desarmado vou entregar também a munição que se encontra nos dois bolsos e depositou nas mãos - imagino que de Lucena ou do próprio Equiberto - uma caixa inteira de munição.
Logo depois identificamos os três elementos e achamos mais um revolver com um deles, quando determinei que todos fossem algemados, inclusive o Nereu, que estranhou muito, pois por onde andou e foi preso nunca tinha sido tratado dessa forma que ele utilizando a gíria policial denominou de ‘esculacho”, mesmo sob protestos, ele Nereu e os demais foram levados para a delegacia em várias viagens nos dois pequenos veículos utilizados por nós.

Na delegacia horas depois, chegou vindo num jatinho da capital Manaus, o famoso advogado criminalística Tude, que bem petulante e com o nariz empinado, passou a fazer as mais diversas exigências, inclusive que Nereu ficasse sob escolta policial num hospital da cidade, considerando que o mesmo estava acometido de câncer, quando então indeferi o seu requerimento que buscou junto ao magistrado o Dr. Sebastião Teixeira Chaves, que também negou o pedido e considerando a periculosidade do preso e a possibilidade até mesmo de um resgate para levá-lo para a Bolívia, determinou a sua imediata transferência para um dos presídios da capital, o que foi feito por policiais civis e militares.

Quando nós policiais pensávamos que tinha valido a pena realizar a perigosa prisão, que teve inclusive risco de morte, eis que chega a notícia que estranhamente Nereu Machado de Lima, tinha se evadido do presídio e sua fuga só foi comunicada quando o dito cujo já estava homiziado na Bolívia, quando então interpretei que a generosidade falada pelo advogado Fernando, quando me abordou na minha casa, deveria ter funcionado com algumas autoridades na capital Porto Velho.

Nereu Machado de Lima, anos depois, bastante enfermo pediu para regressar ao Brasil, mais precisamente para a cidade de Guajará-Mirim, pois pretendia celebrar o casamento com a mulher com quem vivia maritalmente o que foi permitido. Tendo o mesmo desembarcado prostrado numa maca no aeroporto de Guajárá-Mirim e realmente realizado o casamento, vindo a falecer dia depois vitimado pelo câncer na sua coluna.

 

 Jair Queiroz conta a sua história na polícia


Certa vez fui acionado pelo então Secretário de Segurança, o saudoso Delegado Cézar Pizzano, para acompanhá-lo a Ji Paraná para mediar um conflito com Sem Terras que haviam invadido a Agência do Banco do Brasil.

A mediação foi tranquila e os invasores deixaram a agência, embora a negociação tenha demandado mais tempo que o esperado.

Retornamos para Ji Paraná, onde embarcaríamos de volta chegando lá próximo às 18h, mas devido ao horário a pista local já estava fechada pois o pequeno aeroporto não autorizava voos noturnos. Pernoitarmos então em Ji Paraná para sairmos no dia seguinte as 9h, pois o Secretário tinha compromissos inadiáveis.

Ocorre que as 7h da manhã agentes locais chegaram ao hotel avisando que os mesmos invasores haviam agora tomado e fechado a ponte sobre Rio Machado, o que demandou nova tentativa de "gerenciamento de crise".

Os invasores estavam exaltados pois teriam sido informados que o Governador não iria se encontrar com eles, pois estava em Brasília. Houve tensão e ameaças. Alguns empunhavam foices e facões de forma ostensiva e ameaçadora. Estávamos literalmente cercados por Sem Terras, gritando palavras de ordem.

Eu e outros dois colegas locais tiramos facões de alguns, mas eram muitos e a ordem era apaziguar os ânimos. A contenda se estendeu até por volta das 15h, num calor causticante, muitos gritos, empurra-empurra - sem contar o cheiro de sovaco que invadia o espaço. Finalmente o Secretário/Delegado os convenceu e pudemos retornar a Porto Velho no final daquela tarde.

 

 

O caso Maravilha - Jair Queiroz (1ª Parte)


(Neste relato omiti o local e nomes por envolver pessoas do nosso círculo, alguns que ainda estão em ação, exceto os que foram condenados).

No ano de 1984, enquanto atuava na ACADEPOL, fui convocado às pressas para comparecer ao Gabinete do Secretário Humberto Morais de Vasconcelos e chegando lá estavam, além do secretário, o Diretor Geral e o Diretor da Acadepol, Dr. Antônio Amaro da Silva.

Era por volta das 16h e recebi a seguinte ordem: - “Vá para casa agora e prepare-se para viajar hoje à noite para uma cidade do interior. Leve roupa para três dias e as demais orientações você receberá no momento certo.

À noite, eu e Diretor Antônio Amaro embarcamos num ônibus, e seguimos rumo a tal cidade, onde fomos recebidos por Policiais Militares que nos conduziram até a base da PM, onde ali ficaríamos hospedados.

Depois de algum tempo reunido com o comandante da unidade militar o diretor Amaro me chamou e só então soube que se tratava de uma investigação sobre a suspeita de envolvimento de policiais em um homicídio. Entendiam os militares que os civis estavam distorcendo os fatos e acusando pessoas da comunidade, pressionando-as a assumirem o crime, causando contrariedade na comunidade local e provocando um clima tenso entre as duas instituições.

Foi-nos relatado que uma senhora, moradora de um sítio, frequentadora assídua da Igreja Católica local, contou ao Padre um fato que ensejava que os policias poderiam estarem envolvidos num determinado crime, pois ela teria escutado tiros por volta das cinco da manhã, quando ordenhava suas vacas e ao subir na cerca do curral para ver se haviam caçadores nas proximidades, viu a viatura da PC se afastando rapidamente, Sendo que três dias depois foi encontrado o corpo de um homem com perfurações à bala.

Nenhuma pista foi encontrada no local e já haviam decorrido 27 dias do fato. O corpo havia sido enterrado no cemitério local, sem caixão, apenas enrolado num lençol e o laudo médico apontava também para esfacelamento do crânio da vítima, o que causava ainda mais indignação da sociedade local. A vítima se tratava-se de um homem jovem, sem familiares, alcunhado de Maravilha.

Diante daquelas evidencias o padre da Paroquia passou a acusar a PC em suas pregações e a população exigia providências. A PM pôs uma equipe em ação, mas, segundo seus relatórios, não se constatava nenhum esforço por parte da PC em elucidar o caso, aumentando assim as suspeitas.

Na manhã do dia seguinte da nossa chegada, iniciamos nosso trabalho usando a “estória cobertura” de que estávamos na cidade para divulgar um concurso que ocorreria em breve na ACADEPOL, enquanto o objetivo real era a investigação. Secretamente ouvíamos as testemunhas, algumas na cidade, mas a maioria na zona rural. Enquanto o Delegado as inquiria eu apenas observava. Nisso fiquei livre para focar a atenção nos trejeitos e falas e assim percebi que sempre que o nome de determinado APC era mencionado o condutor de viaturas que nos acompanhava parecia ficar tenso e irrequieto.

No quinto dia, ao retornarmos à base, fiquei por alguns momentos conversando com ele quando de repente, demonstrando ansiedade, ele disse: - Éh... tá difícil encontrar alguma pista, né? Respondi: - Não, não! O Delegado já tem quase certeza de quem é e vai pedir a prisão dele e de outros que tem participação indireta no crime. Com espanto ele perguntou: - Participação indireta! Como assim? e eu respondi: - Ele acha que alguém sabe quem foi, mas está escondendo. Já tem ideia de quem é vai pedir a prisão dessa pessoa também.

Ele falou com voz bem embargada que se soubesse diria, pois não iria ser preso para encobrir mal feito dos outros. Ficou tenso, de cabeça baixa e nervoso. Nesse momento eu disse que iria rapidamente ao banheiro, mas na verdade fui ter com o delegado e contei o ocorrido, dizendo que não tinha dúvidas de que o rapaz sabia de tudo. Ele mandou que o chamasse. Ele chegou pálido, completamente apavorado.

Dr. Amaro perguntou: - (Fulano)...você sabe quem foi que praticou esse crime? – Não senhor...não sei! O Delegado deu murro na mesa e gritou: - “Você tá pensando que aqui tem otário, seu moleque! Fale logo antes que eu faça você falar na marra!” Não precisou mais nada! Ele contou os detalhes do crime praticado de forma fria e covarde por dois agentes embriagados, contra o “peão de trecho”, mais embriagado ainda.
Ele os teria ajudado liberando a chave da viatura, porém agiu sob ameaça e por medo não os delatava. Sua preocupação com o APC que era mencionado durante as inquirições, era porque tinha conhecimento da inocência dele e até o admirava, temendo, portanto, que fosse injustamente envolvido. Tomadas todas as providências, sem levantar nenhuma suspeita, aguardamos a chegada do Secretário Humberto M. Vasconcelos e outro delegado, do qual não me recordo, mas creio que era o Dr. Mendanha e foi dada voz de prisão aos suspeitos. Esses por sua vez incriminaram também a autoridade policial local, que os teria protegido para não ser delatado por eles que sabiam do seu envolvimento com criminosos de uma quadrilha que roubava carros. Ele foi preso na manhã seguinte ao chegar à Delegacia.


OBS: Oportunamente a segunda publicaremos a segunda parte desta história

 

 

Jair Queiroz - O caso Maravilha Parte II

Na apuração dos fatos - inclusive com direito a reconstituição da cena do crime, da qual o eu representei um dos executores e o colega João Rodrigues, o “Passarinho”, Técnico de Necropsia do IML, fez o papel da vítima - verificou-se discordância entre o relato dos autores e o laudo médico, por isso foi pedido a exumação do corpo. A equipe, chefiada pelo Dr. Parente, Diretor do IML e Técnicos de Necropsia, chegou ao município e na mesma tarde deu-se início aos trabalhos.Curiosos os habitantes acorreram para o local, se apinhando sobre o muro, subindo em árvores e carrocerias de caminhão.

Por volta das 17h e havia se formado um temporal, com relâmpagos e trovoadas e assim que o corpo foi retirado da simples vala aberta na terra, a chuva desabou, impedindo a continuidade da coleta de amostras, fotos e outros trabalhos que seriam feitos ali mesmo no local. A empreitada foi interrompida e uma lona plástica foi usada para cobrir o corpo pútrido e com membros separados do tronco.

O povo se retirou às pressas, os técnicos também se foram e logo restavam apenas alguns membros da equipe. Eu fiquei acompanhando o Secretário, juntamente com o Dr. Parente e o colega que iria conduzir a viatura. Estava bastante escuro, trovoava, relampejava e ventava. Já estávamos no interior da viatura quando o Secretário arguiu: - “Mas esse corpo não pode ficar aí sem ser guarnecido. Alguém pode ter interesse em destruir provas.” E dirigindo-se ao colega condutor ordenou: - Você terá que ficar aí até que providenciemos o apoio da PM. Ele ficou nervoso, parecendo apavorado e resistiu a ordem o que causou um breve momento de tensão com o Secretário, no que eu, para amenizar a situação, ofereci-me a ficar.

Retornei para o interior do cemitério por volta das 19h30min, caminhei pelo corredor central, mal visualizando o terreno, passei por onde estava o corpo e fui me abrigar num barraco rústico onde se guardavam materiais como pás, picaretas, rolo de cordas, carrinho de mão e outros. Tateando no escuro encontrei um local para sentar. Verifiquei minha munição, ou seja, os 5 cartuchos que tinha no Taurus 38, bastante usado. Não levou muito tempo para que adormecesse, pois o dia tinha sido intenso e eu estava acordado desde as 5 da manhã. Cerca de uma hora depois acordei com uma luz invadindo o local cuja porta era amarrada com arame e tinha frestas imensas entre as tábuas. Havia também sons de conversas e por um instante pensei que fossem os PMs que viriam me substituir, mas não eram.

Três homens estavam na frente do cemitério e eu só pude vê-los por terem passado diante dos faróis do caminhão que ocupavam. Fiquei tenso e saí do meu abrigo e me escondi atrás de um arvoredo e fiquei observando. Dois pularam o portão e vieram andando lentamente pelo corredor central, na direção em que eu estava. Eu não seria pego de surpresa, ao contrário, resolvi atacar. Fui ao encontro deles, me esgueirando por entre plantas, ou rastejando entre os túmulos. Havia, enfim, um túmulo erigido em cimento e me deitei atrás dele. Os dois estavam a poucos metros e portavam uma lanterna. Esperei passarem um pouco adiante de onde eu estava e ordenei que parassem. Disse: “É a polícia e vocês estão cercados (por um só rsrsrs)”. Só os via em razão da lanterna que carregavam, mas não discernia nada mais. Eles ficaram apavorados. Perguntei o que faziam ali e soube que eram servidores da Prefeitura, que inclusive estiveram acompanhando os trabalhos da tarde.

Enfim, eram apenas trabalhadores que haviam bebido algumas doses a mais e resolveram demonstrar coragem adentrando ao cemitério onde sabiam que um corpo estava exposto. Tomei a lanterna deles, que me foi muito útil e mandei que saíssem dali o mais rápido possível. Óbvio que eles não pensaram duas vezes. Estavam em pânico!
Aproveitando a lanterna fui checar como estava o corpo e vi que a lona havia sido arremessada longe pela ventania e partes do corpo haviam sido arrastadas um pouco pela enxurrada. Puxei-as para próximo ao tronco, usando um galho, recobri o corpo e voltei para meu abrigo.

Estava começando a cochilar quando a PM chegou. Saí e fui a encontro deles que surpresos apontaram suas armas na minha direção. Ergui os braços e calmamente expliquei quem era e porque estava ali e pedi carona para retornar à cidade, porém me negaram, ou seja, depois de tudo caminhei a pé por uns dois quilômetros. Chegando à Delegacia dormi no gabinete do Delegado, que se encontrava vazio por razões obvias e permaneci naquela sede por 22 dias, sendo que só tinha levado roupa para três, conforme fora instruído. Ou seja, a situação não estava nada boa, mas no final tudo deu certo.

 

 

Caso Maravilha – 3ª Parte - Jair Queiroz


Bem, amigos! Creio que todos leram aqui minhas aventuras relativas ao Caso Maravilha, partes I e II. Nessa nova narrativa encerro esse caso.

Quando achava que tudo estava concluído, os culpados presos, a jornada cumprida e que era chegada a hora de retornar para a Capital, eis que recebo mais uma missão: Localizar uma das principais testemunhas, um “mateiro” que havia sido detido e torturado na Delegacia para que confessasse o crime que na verdade havia sido praticado pelos seus próprios algozes.

O homem, de nome Ezaú, tinha sido detido aleatoriamente quando passeava pela sede do município num final de semana. Ele resistiu às sessões de espancamentos que lhe deixaram sequelas, mas estava revoltado – e não sem razão – e prometia para si mesmo e com apoio de seus colegas de trabalho, que se a Polícia voltasse a procurá-lo, seria recebida a bala.

Foi nesse clima de hostilidade que recebi a ordem para localizá-lo e trazê-lo para prestar depoimento. Para essa missão fui conduzido num Jeep da Prefeitura local, cujo motorista, Seu Antonio, estava muito ansioso e assustado, dizendo que seria loucura entrar na mata onde o tal homem estava trabalhando numa empreitada. Dizia: - Eles estão armados e muito revoltados com a Polícia. Você sozinho não vai ter chances. Isso é loucura!

Na saída da cidade ofereceu carona a uma senhora, moradora de um sítio que avizinhava a região onde eu teria que localizar o tal Ezaú. Sabendo da minha missão ela também desaconselhou: - É muito perigoso para o senhor, pois meu marido encontrou com alguns deles na vendinha e eles disseram que policiais serão recebidos à bala. Contudo eu estava certo de que não correria risco, embora estivesse um pouco preocupado também.

Depois de termos percorrido, salvo engano, 32 quilômetros de uma estrada muito estreita e de chão natural, chegamos ao ponto onde iniciaria a trilha que levaria até o acampamento dos peões, localizado a aproximadamente 4 quilômetros floresta adentro. Seu Antonio parou o Jeep e, muito nervoso, mais uma vez tentou me demover as ideia de seguir adianta na missão, mas eu havia recebido uma ordem e a cumpriria. Disse-me então o homem: - Deixo você aqui e vou seguir até a vendinha que fica há uns três quilômetros adiante. Volto daqui a umas duas horas para apanhá-lo, mas se não estiver aqui eu é que não fico prá saber o que aconteceu. Estava visivelmente nervoso e ansioso.

Desci e entrei na mata, portando um rifle e o velho Taurus 38, com os mesmos 5 cartuchos citados na narrativa anterior e fui seguindo a trilha. Depois de um bom tempo de caminhada comecei a ouvir barulho de motosserra e outros ruídos vindos do acampamento. Confesso que o coração acelerou e fiquei tenso, pensando em como deveria agir. Verifiquei minha munição, mas “de que me valeria?” – pensei!

Ocorreu-me que armado eu correria mais riscos, uma vez que eles também se sentiriam ameaçados e poderiam atirar primeiro. Eu não teria chance contra os vários homens que lá se encontravam. Tomei a decisão de esconder as armas em meio à floresta e segui em frente. Não tardei a vislumbrar a clareira onde ficava o acampamento. Já era possível ouvir vozes. Seu Antonio tinha me fornecido o nome do “gato”, ou seja, o encarregado dos trabalhadores. Parei numa baixada e gritei pelo nome do tal homem e também pelo nome de Ezaú. Pouco a pouco percebi que os ruídos cessavam e não demorou para que eu visualizasse dois homens armados descendo cautelosamente pela trilha. Eu, mostrando as mãos vazias, disse a eles: - “Estou sozinho e não tenho arma. Sou da capital e vim aqui para dar uma boa notícia ao Ezaú. Os policiais que o torturaram já estão presos”.

Citei os nomes do Delegado e dos dois agentes que haviam sido detidos e contei a história em detalhes. Outros peões apareceram, desconfiados, mas me chamaram para acompanha-los. Pouco depois eu tomava café com eles no acampamento.

Aproveitei a descontração e revelei que era policial, mas que estava a favor deles, pois que tinha sido enviado para desvendar o caso e colocar tudo a limpo, mas precisava que o Ezaú me acompanhasse. Falei sobre o Seu Antonio que estaria me esperando e que se quisessem poderiam nos acompanhar até o embarque na estrada.
Nesse momento chegaram outros 4 homens que teriam isso até a estrada, esgueirando pela mata, para ver se realmente eu não estava preparando uma armadilha. Depois de confabularem entre si aconselharam ao Ezaú a me seguir, acompanhado por dois deles até a estrada. No caminho revelei onde estavam minhas armas e que iria que pegá-las e assim fiz.

Enfim, não houve nenhuma animosidade além da desconfiança inicial, mas que foi superada com jeito e conversa. No final do dia eu estava de retorno com a testemunha e registrado mais uma aventura que permaneceria na minha memória até os dias de hoje.


Luiz Augusto Martinelli conta a sua história na Polícia Civil


Durante meus quase trinta trabalhei como muita honra e satisfação na nossa querida instituição Polícia Civil e lotado o tempo inteiro na cidade de Ariquemes. Mesmo sendo contratado como agente de Polícia III, Iniciei as minhas atividades como escrivão de policia civil, ad” hoc trabalhando todo esse tempo apenas na cidade de Ariquemes.
Na época da minha Admissão, o delegado Adalberto Mendanha, profissional competente, mas muito exigente com o cumprimento das obrigações por parte dos subordinados, mas esse rigor do mesmo eu só tenho a agradecer, pois me ajudou muito na minha formação profissional, pois aprendi muito com ele e também com outros delegados que o sucederam.

Trabalhei durante nove anos no cartório em tempos bem difíceis, pois faltava tudo e todo trabalho era feito numas velhas máquinas Olivetti e como o trabalho cartorário era muito, eu praticamente nunca trabalhei em investigação e nem participava das operações policiais que também eram bem difíceis, pois os policiais muitas vezes tinham ir por estradas carroçáveis e em viaturas bem velhas fazer as muitas operações e buscas em estradas e locais bem difíceis e sem nenhum conforto, dormiam e comiam aonde chegassem e muitos além de cansados, ainda retornavam doentes com malária e outras doenças que contraiam nos garimpos e nas matas.

Teve ocasiões que nós do cartório, tínhamos que ir às linhas rurais, para ouvi testemunhas às vezes vitimas para poder concluir inquéritos antigos juntamente, juntamente com o com o Dr. Tarcísio, outro delegado dos melhores. Essas viagens eram sempre cansativas e muito desgastantes, pois às vezes levávamos o dia inteiro e como não tinha diárias almoçávamos onde desse e muitas vezes nos sítios de amigos.
Como já disse em Ariquemes, tudo era muito difícil e mesmo numa regional com um território imenso só se contava com um perito ad"hoc o nosso colega e amigo o saudoso Neir Liberato de Lima, quando então o delegado regional na época mais recente, Dr. Sergio Barbosa Neto, me nomeou através de portaria pra atuar como Perito ad"hoc, ficando em tal atividade por cerca 14 anos, quando então era obrigado a me deslocar frequentemente para os garimpos e linhas rurais, devido ao grande número de homicídios.

Já nos anos finais dessa minha jornada na polícia, fui designado para o comissariado onde trabalhei por quase sete anos, tendo solicitado a minha aposentadoria em Dezembro 2007. Certo do dever cumprido com muito amor a nossa profissão, mesmo atuando em diferentes atividades que ajudaram muito na minha formação profissional e também como pessoa.

 

 

A história de Elifelete Evencio de Souza Gonçalves na Polícia

No dia 13/06/1977, com apenas 21 anos de idade, ingressei na Polícia Civil na função de identificadora que posteriormente se transformou em datiloscopista, sendo lotada inicialmente na cidade de Presidente Médici, onde sequer existia a Delegacia de Polícia e a Secretaria de Segurança Pública, alugava apenas uma sala comercial para funcionar o Posto de Identificação, onde permaneci até o ano de 1981 a início de 1982, quando então ficou pronto o prédio da Delegacia de Polícia para onde mudei (Posto de Identificação).

Trabalhando sozinha naquele DP até que meses depois chegava naquela cidade, o Delegado de Polícia Dr. Eliomar com quatro Policiais e um escrivão.


Minha trajetória na Policia Civil foi bastante intensa. Ainda no ano de 1977 fui trabalhar na cidade de Ouro Preto numa Operação Documento em parceria com Exercito e Governo Território. No ano de 1978 fui para cidade de Cacoal, também para a Operação Documento.

Apesar de chamar tais localidades de cidade, é preciso registrar que ainda naquela época todas eram ainda distritos de Porto Velho. Ainda durante este período até 1982 mesmo com excesso de trabalho diário me casei tive duas filhas.

Naquela Delegacia de Polícia de Presidente Medice, trabalhei por 15 anos, tendo passado por quase todos os setores: Identificação, Administração, Cartório (escrivã Ad hoc) e, ainda assumi a chefia de um posto de atendimento da Ciretran, subordinada a Ciretran em Ji-Paraná, onde tinha como diretor Dr. Euripedes Miranda.
No ano de 1992 pedi transferência para a cidade de Vilhena, vindo a me aposentar 14 anos após.

Na DPC de Vilhena, também passei por quase todos os setores: Identificação, Administração, Cartório (escrivã ad hoc), setor de Criminalística, IML, Delegacia Regional e ainda na Ciretran por duas vezes como chefe do setor de Habilitação, quando o saudoso João Rebosco da Silva era o diretor.

Nunca me importei de estar em desvio de função, tinha prazer em prestar serviço onde fosse necessário, me empenhei para fazer o melhor pela instituição. Fato este que me rendeu ELOGIO da Direção Geral através da Portaria 863/DGPC em 31/10/2003.
Foram 28 anos e meio de serviços prestados a Segurança Pública do hoje, todas amizades que conquistei, entre chefes e colegas da árdua, porém gratificante jornada policial.

Mas os anos chegaram e aos 50 anos no mês de fevereiro de 2006, foi publicada a portaria da minha aposentadoria.

Hoje me alegro em saber que combati o bom combate, não encerrei a carreira, pois continuo como DATILOSCOPISTA POLICIAL CIVIL APOSENTADA, esta função carregarei comigo para todo o sempre.


Francisco Alves Cipriano - Bons tempos em que as polícias eram respeitadas por todos

 

 

Desta feita vou nesta coluna contar alguns casos que eram bem comuns no passado, quando estávamos de plantão e que mesmo com pequeno efetivo, íamos até o local das ocorrências e éramos ouvidos e respeitados.

Na década de 80 foi inaugurada na Avenida 7 de Setembro, uma loja exclusiva de artigos feminino, para trabalhar nela foram contratadas pessoas do sexo feminino, entre elas uma moça que residia no bairro Triângulo. Por motivo de ciúmes, o marido da mesma não permitia que ela trabalhasse, mesmo assim ela insistiu. Certo dia ele a seguiu, puxou a mesma pelos cabelos a derrubou no chão e a chutou deixando a mesma com várias escoriações pelo corpo.

Após o ocorrido, a mulher foi até o primeiro DP para registrar uma ocorrência, o comissário pediu que eu chamasse um policial para buscar o tal infrator, mas antes de irmos o colega policial percebendo que se tratava daquelas ocorrências que logo a mulher pedia para não prosseguir se aproximou dela a vítima e perguntou se ela queria que ele trouxesse o infrator vivo ou morto, ela olhou com um olhar compadecido e pediu para que não matasse seu marido, saímos então a procura do mesmo por todo o bairro, porém não o encontramos e nem alguém que o tivesse visto.

Num outro momento, como já era final de mês e o comissário entraria de férias e um colega policial assumiria o comissariado, então ficamos os três no plantão. Nos arredores da delegacia tinham vários barzinhos e em um certo dia um colega policial andando pelo local viu três homens em uma mesa tomando cerveja e percebeu que um deles portava arma de fogo, quando então o policial retornou a delegacia nos contou o que tinha visto e juntamente com o comissariado, fomos até o local. Chegando lá, o comissário passou a mão por cima da camisa de um dos homens e constatou que realmente se tratava de arma de fogo,quando então foi dada voz de prisão para o mesmo, que não esboçou nenhuma reação, e foi levado para a delegacia.

Na ocasião, várias pessoas começaram a se aproximar do local e como se tratava de uma situação que envolvia arma de fogo resolvi sair para ajudar, já do lado de fora vi sair de dentro da delegacia o infrator colocando a arma na cintura, por não entender aquele fato, retornei até a Delegacia e perguntei para o comissário o que havia acontecido para que o infrator fosse liberado, ele respondeu que se tratava de um grande amigo dele, que era uma ótima pessoa, que ele estava indo para casa e que não oferecia nenhum problema, pois tinha ficado com as balas do infrator e continuamos no plantão. Uma grave prevaricação praticada pelo colega, que deixo de identificar até mesmo porque a sua falta já prescreveu.

Mais tarde daquele mesmo dia recebemos uma ligação de um morador do bairro Areal, dizendo que na Rua Alexandre Guimarães, entre as ruas Tenreiras Aranha e Campos Sales, havia uma casa noturna de onde vinha um som muito alto, insuportável e que em uma residência próxima aquele local havia uma criança passando mal e o som estava a incomodando muito, e pediu que nós fossemos até o local pedir para baixarem o som, não fomos de imediato pois naquele momento estávamos muito ocupados, em um curto espaço de tempo ligaram mais duas vezes então decidimos ir até a casa noturna, Ao chegar no local, entramos e mandamos que o som fosse baixado e quem estivesse dançando parasse e aqueles sentados que se levantassem, para serem revistados, enquanto isso o proprietário do estabelecimento pedia muitas desculpas e dizia que nunca mais aquilo iria acontecer, e o comissário apenas respondeu que aquela vez nada seria feito, mas que se acontecesse novamente ele iria ser penalizado, o pesada multa, apreensão do som e até mesmo interdição do seu estabelecimento se cancelando o alvará de funcionamento. Bons tempos em que as policiais eram respeitadas e obedecidas.

 

João Batista Damasceno conta a sua história na Polícia Civil


Depois de Receber baixa do Exército brasileiro no mês em janeiro de 1981, ingressei no mês de Maio do mesmo ano, com apenas 19 anos de idade, na Polícia Civil e imediatamente sem nenhum treinamento, como era comum naquela época, recebi um revolver 38 e fui designado para trabalhar na cidade de Ji-paraná, pois o prédio da delegacia de cidade de Presidente Médici, para onde eu deveria ser lotado, não estava concluído.

Apresentei-me exatamente no mês de Junho, ao Delegado Regional Edson Martins inicialmente comecei a trabalhar no plantão, porém certo dia fui convocado pelo delegado, para ir junto com o pessoal da Sevic numa diligencia para capturar o individuo Delvino Del Pla, capixaba, que no mês anterior havia assassinado o policial Jaime – que nem cheguei a conhecer - cuja esposa se encontrava gestante, o que causou grande comoção na cidade e toda Região.


O fato é que naquela época, existiam grande conflitos de terra e Jaime e um outro chamado de Borborema, foram a zona rural distante de Ji-Paraná e lá o policial Jaime, foi abatido a tiros de espingarda, pelo citado individuo, quando então o policial Borborema, sem saber ao certo se existiam outros atiradores se evadiu e de volta a delegacia narrou os fatos aos delegado.


Como se sabe, naquela época existiam muitas pessoas de outros Estados e muitos pistoleiros, que eram contratados para ameaçar e matar os proprietários rurais, para que abandonasses as suas terras, o que ensejou por parte da SSP/RO inclusive a Operação Caça-Pistoleiro, com a prisão e morte de vários deles.


Foram escalados para a missão de captura do assassino do policial Jaime, Getulio Mario Gomes de Azevedo, hoje inspetor da PRF, Jani Ferreira, lotado na Delegacia de Ouro Preto D” Oeste e um outro colega de Ji-Paraná, cujo nome não recordo mais. O fato é que eu ainda noviço, enfrentei naquela oportunidade a minha primeira prova de fogo na atividade policial, junto com policiais veteranos.

Para a diligencia conseguimos um veiculo Jipe emprestado do Incra, em razão dos grandes atoleiros nas estradas vicinais, para essa área bem distante, tanto que tivermos que pernoitar num sitio, para tentar a prisão no amanhecer do dia seguinte, como de fato ocorreu.

Esse assassino foi a júri popular, porém foi absolvido, pois se alegou que o mesmo foi induzido a erro ao ver dois homens armados e num veiculo descaracterizado, imaginou que se tratava de bandidos, querendo matar a si e família, para assim se apoderar de suas terras e sem manter qualquer dialogo foi logo atirando, pois naquela época se vivia em toda região um clima de verdadeiro terror.


A passagem naquela cidade de Ji-Paraná, mais precisamente na Delegacia de Polícia daquela cidade, com policiais bem tarimbados, como Simões, Nivaldo Xavier e o seu irmão, dentre outros, foram motivo de orgulho para mim e contribuiu muito para a minha formação policial, onde permaneci ate 1985, quando fui transferido para o 5º DP na capital.

Conto tal história, para que fique registrada as muitas dificuldades que atravessamos naquela época nesse difícil, porém empolgante trabalho policial. Oportunamente relatarei outras historias, para que fiquem registradas no nosso site e consequentemente nos anais da nossa Polícia Civil.

João Batista Damasceno conta a sua segunda história na Polícia Civil


No ano de 1982, eu me encontrava na cidade de Presidente Médici, na delegacia de polícia que acabava de ser instalada e tinha como colegas mais antigos Gilberto Rosa de Souza, Durval, Anselmo, Ivonce e mais uns dois do interior do Estado, que acabavam de ser contratado.

Um dia chegou a noticia que um senhor num sítio estava mantendo sua filha, uma jovem de cerca de quinze anos em cárcere privado, em razão de a mesma já na adolescência, querer usar maquiagem, namorar, coisas assim, típicas da idade.
Chegando ao local distante da cidade, foi verificado que se tratava de um famoso produtor rural conhecido por Senhor Heleno, uma pessoa inteiramente analfabeta e bem rude. Naquela oportunidade libertamos a moça que estava acorrentada e de volta a cidade a mesma foi entregue a Assistente Social Ivone.

No dia seguinte, o Senhor Heleno, foi intimado a comparecer a delegacia, para falar com o delegado Eliomar Abrantes de Souza e chegando ao gabinete do delegado, o senhor Heleno, com certeza ignorando o que era a figura do delegado, passou a gritar que não era vagabundo e que só tinha tempo para trabalhar, tanto que já tinha recebido até premiação do Presidente João Batista Figueiredo e tinha até fotografia do evento para comprovar o que dizia.

Naquela oportunidade, o delegado estando sozinho na sala e percebendo que o clima não era dos melhores chamou o policial Camargo, que era um paulista alto e forte, com cabelo Black Power ao estilo que usava na época o jogador Junior, do Flamengo.
Mesmo com a presença de Camargo na sala, o Senhor Heleno não recuou e permanecia muito alterado e desafiador, quando então Camargo sacou o seu revolver 38, arma conhecida como canela seca, e na confusão ocorreu um disparo que atingiu o Senhor Heleno na barriga, vindo o mesmo a óbito imediatamente, causando muita consternação na cidade e nas linhas.

Em razão do grave acontecimento. o Ministério Público logo se pronunciou, por não ter o delegado autuado em flagrante delito, o policial Camargo por homicídio culposo. Diante das circunstâncias, o Delegado Edson Martin, Regional de Ji-Paraná, fez uma intervenção na Delegacia de Presidente Médici e instaurou uma apuração de prevaricação em desfavor de delegado Eliomar, que depois deixou a polícia e foi trabalhar como procurador de um dos municípios de Rondônia. O delegado Edson Martins ainda instaurou um procedimento penal e pediu a prisão de Camargo, que desapareceu até os dias de hoje e jamais respondeu por tal crime.

O referido policial Camargo, morava numa republica com vários policiais, inclusive eu e ele gostava de tocar um saxofone de sua propriedade, cujo instrumento ele zelava muito, porém, com ele incomodava todo mundo, pois tomava umas bebidas e de madrugada ficava fazendo barulho, executando diversas músicas. Em razão disso, certo dia, eu e Odair que trabalhava no serviço do rádio, resolvemos colocar óleo de cozinha interior do saxofone e Camargo ao tentar executar o instrumento, percebeu que o boicote e ficou furioso sacando o revolver passando a desafiar o engraçadinho ou engraçadinhos que tinham feito aquela brincadeira e até atirou para o alto, para demonstrar a sua fúria. Evidente que ninguém se apresentou e até desaparecemos um dia inteiro da republica onde morávamos, até que o mesmo se acalmasse.


Num outro episódio o policial Gilberto, muito sério e compenetrado, combinou com a gente e falou para ele Camargo, que pela primeira vez o equipe de Polícia Civil iria desfilar no dia 7 de Setembro, mas ele teria que cortar a vasta cabeleira, tendo o mesmo inocentemente obedecido e aparado o cabelo bem curto o que deve ter sido muito difícil para o mesmo, pois ele tinha muito zelo e cuidado com aquele cabelo e que estava sempre penteando a cabeleira com pente garfo, indicado para dar volumes aos cabelos crespos e cacheados.

Ao chegar o Dia da Independência, evidente que não tinha nada de desfile e ai ele percebeu que tinha sido vitima de um engodo e passou a olhar feio para Gilberto, quando então para evitar a ira dele Camargo, inventamos umas diligencias na cidade de Ji-Paraná e desaparecemos por uns três dias.

Tempos depois, quando ocorreu a morte do Senhor Heleno e a decretação da prisão preventiva de Camargo e sua fuga, foi que percebemos o sério risco que passamos todos nós, ao brincar dessa maneira com uma pessoa que sequer conhecíamos bem, já que o mesmo era recém contratado, sendo daquela ultima turma de 1982.

 

João Batista Damasceno - A mandante de um assassinato, que o juri popular considerou como a verdadeira vítima

Aconteceu em 1983 na Delegacia de Presidente Médici, eu Damasceno, Gilberto Rosa, Durval de Souza Moreira e Anselmo Rabelo, todos hoje já aposentados. Naquela ocasião, recebemos uma denuncia que numa determinada linha, o Senhor Antonio, que tinha uma pequena propriedade não era visto há três dias por ninguém nos bares da localidade e outros locais públicos.

Ao chegar tal informação na delegacia, o saudoso delegado Eliomar Abrantes de Souza, determinou que fôssemos até a propriedade do desaparecido. Seguindo então uma equipe, composta por mim, Anselmo, Durval de Souza e Sebastião Lacerda mais conhecido por Capixaba.

Ao chegarmos a distante propriedade, contatamos com a esposa do desaparecido uma senhora de cerca de 45 anos com semblante bem sofrido e envelhecido. Como ela vivia com o desaparecido Antonio, começamos a indagar a mesma sobre seu marido e esta a principio muito nervosa e relutante, dizia nada saber, mas diante das perguntas bem embaraçosas e com a nossa ameaça de fazer uma revista no terreno, resolveu então falar que havia contratado duas pessoas para eliminar o seu esposo, ou seja, os pistoleiros Geraldinho e Davi.

De posse dessa informação e com o encontrado numa cova rasa acionamos a pericia e remoção do corpo e em seguida iniciamos a diligencia para que os criminosos não fugissem do local palco dos acontecimentos.

No dia seguinte, deslocamos logo cedo em busca do Davi num carro da Sucam com tração nas quatro rodas, em razão das péssimas condições da estrada e cercamos muito cedo o seu barraco, entrando pela porta dos fundos, quando o surpreendemos, achando inclusive um revolver 38 debaixo do travesseiro do mesmo.


Logo após a prisão fizemos um verdadeiro jogo de palavras dizendo a ele Davi, que a casa tinha caído e que Geraldinho já tinha entregado todo o jogo, dizendo ser ele Davi o idealizador de tudo, oportunidade que o mesmo se mostrou bem irritado, dizendo que iria matar ele Geraldinho.

Feita a prisão fomos para a BR e de lá levamos o Davi que da BR foi levado para Delegacia de Presidente Médici pelo colega Capixaba e como na época novembro estava tudo alagado, pegamos um barco até a fazendinha de Geraldinho a cerca de 30 quilômetros de áreas alagadas e chegamos lá a noite por volta das 19 horas, pernoitamos num barraco e pela manha, por volta das 6 horas, o prendemos o mesmo com um revolver na cintura, tirando ele leite de umas vacas e fizemos com ele o mesmo jogo, dizendo que Davi já havia entregue o jogo e ele é que tinha esquematizado tudo.
Com Geraldinho preso, caminhamos muitos quilômetros até a beira do Rio e de barco voltamos para Presidente Médici, num trabalho de três dias sem sequer recebermos diárias, como quase sempre acontecia, naquela época, ou seja, o dinheiro era muito curto, pois até mesmo as refeições fazíamos de favor nas propriedades ao longo do caminho.

A senhora esposa do morto, justificando a morte, alegou que só mandou matar o marido porque ele era muito mal e batia muito nela e quando embriagado fazia a mesma até mesmo ingerir fezes de galinha.

Como logo em seguida fui lotado na capital Porto Velho, os colegas que lá ficaram informaram que em júri realizado posteriormente na comarca de Ji-Paraná, a senhora mandante foi absolvida, em razão do pedido do promotor público, ocorrendo então que o Conselho de Sentença decidiu pela sua absolvição por unanimidade, pois promotor e jurados consideraram que ela era na verdade a grande vitima desse triste episódio, que culminou com a morte do seu marido Antonio, pois foi esse o único caminho que ela encontrou para se safar dos muitos abusos .

A Justiça foi feita e eu mais os policiais Anselmo, Durval de Souza Moreira e Sebastião Lacerda Amorim, ficamos muito orgulhosos desse trabalho, que apesar de todas as dificuldades culminou com muito êxito e encheu a todos nós de orgulhos, mesmo sendo todos nós policiais novos, com pouco mais de um ano de atividade profissional, mas fazíamos tudo com muito amor e dedicação.


Francisco Alves Cipriano - Nossos nomes estão gravados no livro do Eterno Ser.


Mais uma das minhas histórias referentes às dificuldades enfrentadas pela nossa polícia civil principalmente por mim.

Nós policiais do ex-território que não havia feito academia, nos anos 1984 ou 1985, tinha que fazer uma reciclagem na academia de polícia, então éramos trinta agentes das delegacias da capital e de cidades do interior do estado.

Naquela época devido aos salários muito baixos, dos trintas policias, a maioria não possuía veículos para sua locomoção e ia de ônibus até o 5º DP e daí até a academia ia mesmo a pé já que não existia transporte publico até ali. Ao retornar ficava mais fácil, pois os poucos automóveis ficavam cheio de caronistas, mas como tinha muitos atoleiros pela Avenida. Amazonas, nós adentrávamos por dentro do bairro Jardim Ipanema e vínhamos sair no 5º DP.

Na academia as palestras eram dadas por autoridades ligadas a segurança pública, eu não lembro o nome de todas as autoridades, recordo apenas dos nomes: Dr. Telmo Forte e Dr. Esmone.

Dr. Telmo Forte deu uma palestra e alguns policias ficaram insatisfeito, porque se sentiram ofendido pelo palestrante e foram até o diretor da academia levando suas queixas, não sei qual o assunto e até gostaria de lembrar para poder explicar melhor, tanto que quando o Dr. Telmo Forte retornou para dar mais palestra, o diretor da academia levou o assunto até aquela autoridade e ele se sentiu constrangido, porque como ele disse que em momento algum teve a intenção de ofender alguém, pois ele tinha muito respeito pela classe, assim mesmo ele deu a palestra mais “desafinada” que já ouvi.

Já a palestra do Dr. Esmone, eu me recordo muito bem, de quando ele disse que os policiais do ex-território de cada dez prisão efetuadas, nove era de forma ilegal. Fiquei preocupado, com medo de uma punição ou mesmo de uma demissão, porque nós estávamos ali não era tanto pelos salários, pois era muito baixo, mas sim, com a coragem de reprimir o crime antes fosse tarde demais e assim a gente ficava meio perdido, porque coragem e medo não podem andarem de braços dados, pois não combinam.

Finalmente vou deixar o esse assunto de lado e vou me remeter aos salários daquela época. Eu tinha um táxi e no ano de 1982, eu trafegava pela Av. Amazonas no Bairro Nova Porto Velho, eu vi um colega taxista conversando com alguns garimpeiros e encostei o carro e fui lá conversar também com os mesmo, porque eram garimpeiros conhecidos e nós havíamos trabalhados junto no Garimpo do Imbaúba e Jirau no Rio Madeira no ano de 1980, quando tudo era também muito difícil, só tinha apenas a Estrada do Caldeirão, no qual tinha que subir de voadeira até Cachoeira do Jirau e tínhamos que juntar vários homens para pegar aquele pesado motor e subir o barranco do Rio Madeira, atravessar a Cachoeira do Jirau para poder chegar ao Garimpo do Imbaúba.

No meio da conversa com os taxistas foi quando um colega taxista disse que eu CIPRIANO estava na polícia, daí a conversa mudou e eles queriam saber como funcionava o trabalho, achando que não combinava com o meu perfil, pois eu era muito calmo e na polícia era muito agitada e perguntaram quanto eu ganhava... fiquei com vergonha de dizer, porém resolvi falar a verdade e disse que meu salário era vinte três mil oitocentos e quarenta cruzeiros. Foi aquela gozação e pior foi quando eu disse que na minha casa tinha um pedreiro trabalhando e eu pagava cinco mil cruzeiros a diária, aí foi gargalhadas e mais gargalhadas, porque fazendo as contas o meu salário de um mês, não dava para pagar uma semana de serviço de um pedreiro.

O fato é que as dificuldades não ficavam por aí e aconteceu uma separação. Fiquei apenas com o taxi e eu estava devendo o mesmo, pois eu havia comprado o carro financiado e juntando salário e a renda do táxi só dava para pagar a prestação, fiquei morando de favor e o dinheiro não dava para comprar mais nada e assim fiquei uns três ou quatro meses tomando água natural, porque eu não tinha condições de comprar uma geladeira.

Certo dia, eu criei coragem e fui ao comercio tentar comprar uma geladeira, mas o vendedor quando olhava a minha carteira de trabalho e via o meu salário já não queria mais nem conversa e virava as costas E assim ainda fui em três lojas, porém o atendimento era sempre o mesmo. Em determinado, momento eu lembrei que eu conhecia um vendedor que trabalhava na loja A Pernambucana e que ele poderia me ajudar. Dirigi-me para lá e fui direto falar com ele, contei o meu problema e o mesmo pediu a minha carteira de trabalho e quando olhou, já me antecipou que achava muito difícil o gerente autorizar a venda, mas ele ia ver se poderia me ajudar e então foi até o seu gerente e contou o meu problema e ele o gerente mandou que eu entrasse na sala e estando ele com minha carteira de trabalho na mão, me olhou e disse que com aquele salário não dava de comprar a geladeira mais simples que tinha disponível no estoque da loja.

Depois dessa fala do gerente desanimado já pensava em bater em retirada e ele com certeza compadecido da situação, autorizou a venda em dez prestações, então eu falei que tinha outra fonte de renda, já que possuía um taxi e ele respondeu que não queria saber de outra renda, queria saber do que tinha na carteira.

Para mim foi uma travessia muito difícil, imagine quem me deu uma mãozinha inacreditável, mais é verdade foi a Dona CERON a empresa elétrica, pois ela passou nove meses sem me cobrar a conta de luz da minha casa e quando me cobrou foi tudo de uma vez, porém eu já estava em melhores condições financeiras, já havia comprado muitas coisas que precisava e graça à Deus e Dona Ceron.

Os policiais mais antigos ganhavam lá estas coisas, porque alguns colegas com mais de quatro anos de serviço, ganhavam mais do que eu. Nós recebíamos nossos vencimentos no banco Itaú, na agência da Av. Sete de Setembro, c/ a praça marechal Rondon. Naquele tempo, bem poucos policiais tinham conta bancária e recebia mediante o contracheque, a gente ficava na fila das cinco horas da manhã muitas vezes até as dez para receber muitas vezes sem tomar sequer café, não era porque não queria, era exatamente porque não tinha, muitas vezes o pó e o pão.

Um colega que não vou identificar, dizia que quando estava na fila para receber e estava chegando ao caixa, olhava para trás e se tinha alguém conhecido, ele mandava passar na frente, para que a pessoa não visse o salário dele e quando o caixa colocava seu salário no balcão, ele de imediato colocava a mão em cima e saia de porta afora quase correndo e quando chegava no centro da praça Marechal Rondon, ele olhava para os lados para ver se não tinha alguém por perto e aí ele contava aqueles chamados couros de ratos, separava a parte de pagar a taberna, onde ele comprava fiado o mês inteiro e em seguida dava uma passada no mercado central logo ali perto e comprava um peixe, algumas latas de conservas e uns dois quilos de farinha e em seguida ia para casa e chegando lá a esposa preparava aquele pirão, ele almoçava junto com a família e retornava para dar continuidade no plantão.

Foram momentos bem difíceis, mas nos enfrentamos de cabeça erguida, porque éramos vocacionados e tínhamos a certeza que estávamos fazendo o bem a nossa sociedade. Como diz um dos versos da nossa Polícia Civil de Rondônia ‘Nossos nomes estão gravados no livro do eterno Ser”.

 

 

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