Brasil o DNA dos degredados e salafrários da coroa lusitana - Francis Lopes Mendonça



Quando eu era menino, na escola, as professoras me ensinaram que o Brasil estava destinado a um futuro grandioso porque as suas terras estavam cheias de riquezas: ferro, ouro, diamantes, florestas e coisas semelhantes.

Realmente, não conseguimos ver na terra inteira o que nestas terras dá: solo mineral ricamente diversificado e alguns materiais só se encontram aqui, paisagens naturais deslumbrantes e com toda diversidade de clima, quente e úmido da Amazônia, o quente seco daqui do Nordeste e o frio do Sul que às vezes neva, sem falar que não há catástrofes e nem terremotos.

E é por isso que, sendo um país tão rico, somos um povo tão pobre. Não escapamos à sanha da roubalheira, do tráfico de influência, do transnepotismo, dos toma-lá-dá-cás e das putinhas chamadas de propina disseminadas em qualquer das três instâncias do Poder, em todos os setores e em todos os níveis do executivo, legislativo e judiciário.

É gente velha e gente nova roubando o contribuinte, enganando ou comprando o eleitor e ferrando o cidadão, a exemplo do caso abaixo duma cidade da Paraíba onde um individuo entrou no poder público, aos 30 anos, apenas para travestir-se de Chefe do Executivo disposto a tudo para roubar o município.

Mas a regra geral não é roubar, de uma forma ou de outra? E o que podíamos esperar duma raça que traz o DNA ruim e o ranço triste dos ladrões, degredados e salafrários da coroa lusitana que foram expulsos de Portugal e tiveram como penalidade a deportação para a Colônia?

Brasil, Percam as esperanças, queridos otimistas - Francis Lopes de Mendonça



 

Percam as esperanças, queridos otimistas! O couro continua comendo no Brasil real do andar de baixo com desemprego em massa e recrudescimento dos problemas sociais, enquanto que no Brasil inacreditável do andar de cima a realidade é suficientemente abjeta e revoltante com os marginais a quem chamamos de "políticos" cuidando dos seus interesses de poder e seus privilégios e dispostos a tudo para livrar a pele, até mesmo se unir a seus piores inimigos numa guerra mortal que está aniquilando a sociedade brasileira, contanto que esses marginais travestidos de políticos sobrevivam para continuarem pilhando o dinheiro da nação.

Aliás, a notícia de roubalheira é uma coisa corriqueira. Mas o pior é saber que esses marginais permanecem mandando no país até que outros marginais tomem o poder, de forma democrática, para continuar os assaltos ao erário da nação.

Não é para isso que somos obrigados a participar dessa farsa, nem que o ato de participação seja apenas para dar o aval com o nosso voto a esse joguinho de dados viciado, só para darmos sustentação e legitimidade ao rol assombroso e escroto de privilégios especiais do poder dos quais nós, pessoas comuns, estamos excluídos?

Tudo embalado pelo espírito das "Diretas Já", de 1984, que hoje não passa duma imagem romântica perdida no tempo, morta e sepultada de vez pela polarização do confronto das minorias.

A História não se repete, a não ser como farsa. Na realidade, o Estado brasileiro apenas está servindo para ancorar um grande esquema de alimentar mordomias e mamatas imagináveis e inimagináveis do Legislativo, Executivo e Judiciário que são compostos por castas de senhores feudais viciados em benesses e altos salários.

Quem foi que disse que nesta pseudocracia a essência da "representatividade” é a "igualdade" entre o "representado" e o seu "representante"? Pois aqui o representante pode ser "mais" que o representado.

Os ditos "representantes do povo" podem ter mais privilégios do que os representados, o povo comum, esse mesmo povo que acumula a exaustão de tantos anos de roubalheira, sacanagem, traição, decepção e vergonha de viver tripudiado sob uma democracia tupiniquim porreta. Agora a saída digna para ele é o Guararapes ou o Galeão. Olhaí

A geração perdida fã do breganejo, do forró plastificado - Francis Lopes Mendonça



O Brasil é um país de analfabetos. Mas não um analfabeto que não sabe ler: analfabetos funcionais que sabem ler, mas não sabem interpretar, não entendem o texto lido. Também pudera, o mundo cultural brasileiro é Ratinho, Fátima Bernardes, Sabrina Sato, Rodrigo Faro, Patrícia Abravanel, Faustão, novelas.

Claro que há umas novelas muito boas, é verdade. Mas há milhares e milhares que todo ano zeram a prova de redação do ENEM. É a geração perdida fã do breganejo, do forró plastificado e do funk vazio e seus miasmas cujos arautos desse lixo sonoro se aproveitam das circunstâncias, só porque, no momento, os grandes chefões do agronegócio do sul operam, principalmente, a serviço desses gêneros conjugados ao lucro sem nenhum critério.

Pois tanto faz a cultura enquanto fruição para esses chefões que buscam apenas encher os bolsos, nem que para isso dominem os grandes centros urbanos para dar as cartas na escolha das atrações musicais das festas de massa, utilizando a mídia (via canais de internet, FMs e TVs abertas) que cumpre o papel escroto dela: botar a bolada no bolso e provocar ibope, empurrando para as novas gerações descerebradas de juízo crítico e de bom gosto o consumo desse baixo nível melódico que há tempos atormenta os ouvidos sensíveis e delicados com seus "cantores" de voz de taquara rachada, em letras paupérrimas e melodias capengas que não acrescentam absolutamente nada e só empobrecem ainda mais a cultura de raiz nacional. Essa pobreza, essa indigência generalizada é muito triste.

Escrever sobre a situação do país é perda de tempo e dinheiro. - Francis Lopes Mendonça



 

 Escrever sobre a situação do país é perda de tempo e dinheiro. Foi um amigo quem me advertiu. E ele estava certo. Não quero e não posso mais participar dessa farsa. Os dados desse jogo de barbaridades e horrores são viciados. É tudo uma manobra teatral; é tudo um caldeirão de burrices e hipocrisias. Um rato que foi Ministro da Fazenda, responsável por cuidar do dinheiro da nação, confessou que é ladrão de 600 mil dólares americanos numa conta secreta, sem que a corrupta Receita Federal deste cabaré tenha detectado a movimentação da fortuna suja e roubada.

É um esgoto mais podre do que o outro. E parece que a ignorância congênita da população brasileira contribui para o recrudescimento do status quo reinante. Agora mesmo vi na televisão um tal de Partido Verde dizer que é um partido diferente, sem vícios, um discurso muito bonito. Mas adivinhem quem está tagarelando: um tal de deputado Sarney Filho.

A gente percebe que eleições e candidatos são mecanismos totalmente inúteis para provocar alguma esperança de mudança. "Diretas Já" é apenas a troca de um ladrão por outro ladrão. Uma verdadeira diarréia! Sabemos que as nossas contas mal fecham no final do mês, mas os milhões e bilhões roubados de que trata o noticiário são meras abstrações para nós que fazemos contas de três, quatro, cinco mil reais, se tanto... Não sei quem, para se safar, devolveu 150 milhões de dólares roubados do povo, a polícia recuperou outros 250 milhões roubados do povo, não sei quem mais movimentou 10 bilhões roubados do povo, mas tem mais 11 bilhões de multa a ser paga pela dupla esperta de caipiras que usou bilhões e mais bilhões do BNDES e outros bancos oficiais para comprar tudo o que viam pela frente, inclusive governos, partidos, políticos e magistrados.

Não me digam que vocês ainda acreditam nessa sociedade anestesiada e condenada à extinção! O melhor será publicar posts sobre música, cinema, arte e cultura de um modo geral. Ou então, já que nada no Brasil dá certo mesmo, aprimorar o conhecimento de língua inglesa para tentar uma saída pela Austrália, o Brasil tropical que deu certo. Um abraço pra vocês, meus amigos!!

O esgoto na politicagem tupiniquim nacional está muito generalizado.- Francis Lopes Mendonça



 A cada nova delação, a cada nova evidência que aparece na Lava Jato, mais percebemos que, agora, não é mais possível reconhecer o governo que está aí, mas também não é possível reconhecer o que estava.

Porque o esgoto na politicagem tupiniquim nacional está muito generalizado. Nenhuma mobilização estaria acontecendo no país, se desde o começo dessa história tivesse havido a renúncia geral em Brasília, renúncia de Dilma e seu comparsa Temer e de todo esse Congresso Nacional atolado até a medula no mar de lama da corrupção, com a convocação de eleições gerais, em todos os níveis, de imediato.

Mas esses psicopatas não tiveram a hombridade de renunciar e se retirar da vida pública, não tiveram um tiquinho de dignidade e nem espírito público para pensar de verdade no país, dando a chance de que o Brasil tivesse alguma chance, algum futuro, alguma esperança.

Ao invés de ter espírito público e se preocupar com o bem do país, esses mesmos psicopatas, com sua arrogância, continuaram fazendo o seu joguinho de poder sob os pilares do confronto e da manipulação das minorias, da segregação, das injunções junto à sociedade para aprofundar as diferenças e a luta intestina entre brancos e negros, ricos e pobres, héteros e homos, religiões e religiões, o norte contra o sul.

O mal foi feito. Agora corremos o risco de explodir uma guerra civil e "coxinhas" e "mortadelas" saírem do ódio virtual no facebook para chegar às vias de fato em praças públicas. Mas espero que pelo menos caiam todos os corruptos e larápios investigados pela Lava-Jato e todos sejam punidos com os rigores da lei na proporção de suas responsabilidades, sem exceção.

Nota 1000 pra Moro e seus homens! - Francis Lopes de Mendonça



 Moro lidera a operação mais potencialmente profunda e abrangente da corrupção que esse país já teve notícia. Nunca se viu nesta nação alguém se expor tanto e bater de frente com corruptos, corruptores e corrompidos, fazendo todos pagarem pelos seus crimes com os rigores da lei.

Como seus inimigos não conseguem achar absolutamente nada contra esse homem íntegro, cujo "mal" é assumir de verdade o seu papel no cumprimento da lei, acusam-no de recorrer a métodos questionáveis para alcançar seus fins, talvez na tentativa de colocar panos quentes na grande safadeza, nos desvios de milhões e mais milhões, nas apropriações indébitas e nos cartéis da pura sacanagem, para imaginar uma fantasiosa perseguição política a fim de tentar transformá-lo num bandido, questionando sua suspeição para tentar melar o seu trabalho de gigante e tirá-lo da Lava-Jato, como se a investigação de Moro e seus homens só atingisse o falso líder operário e sua gangue partidária. Já vi alguém dizer que só ficará feliz "quando um tucano for tambem engaiolado".

Isso é coisa de quem não tem noção, de quem não sabe que um juiz de primeiro grau só pode investigar até vereador. De prefeito "pra cima", quem investiga e julga são tribunais que nós sabemos serem viciados em mordomias e sem isenção ética-político-ideológica.

O metalúrgico fútil, por exemplo, está sendo investigado por não ter mandato. Isso sem falar que tudo o que um juiz de primeiro grau decide só e somente se sustenta se ratificado por três desembargadores, no mínimo 5 ministros do STJ e mais 5 ministros do STF.

Não é possível que todos esses magistrados envolvidos sejam arbitrários, omissos, cúmplices e suspeitos. Elementar! Nota 1000 pra Moro e seus homens!

Lula dividiu o poder com aqueles que ele agora critica - Francis Lopes de Mendonça



 
Morro de rir com amigos meus de boa fé que vêem golpismo em tudo mas empurram goela abaixo a safadeza e a roubalheira, só porque preferem Lula de novo no poder, a pretexto de que a direita reacionária é safadeza e roubalheira com retrocesso social.

Realçam a sucessão de erros cometidos pelas elites, como se essas mesmas elites não tivessem compartilhado do poder e das roubalheiras das esquerdas. Ou não foi o PT de Lula que passou 13 anos dividindo amplamente o poder e as roubalheiras com o PMDB de Temer numa desenvoltura de uma sem-vergonhice sem fim, inclusive trazendo reacionários para seus ministérios, a exemplo de Aguinaldo Ribeiro? Ou então meus amigos esquecem que Lula só chegou onde chegou cedendo aos acordos com as elites brancas. Pois Lula jamais teria chegado ao poder sem as composições, negociatas de gabinete e conluios secretos nos bastidores do poder e sem dividir as falcatruas com as elites brancas.

Meus amigos esquecem que alianças espúrias e arrumações palacianas com velhas oligarquias e velhas práticas da República getulista eram coisas impensáveis, denunciadas e combatidas pelo petismo original. Mas por que se tornaram práticas corriqueiras e marcas indeléveis nesta época lulista-dilmista? "Ahhh..., mas o que importa é que o país teve conquistas através de Lula", disse a vulgar justificativa de outro amigo, como se essas conquistas que Lula implantou no primeiro governo explicassem a ladroagem grossa que foi multiplicada por mil vezes pelos corruptos e ladrões que engrossaram as fileiras do partido e fizeram com que muitos de seus respeitáveis fundadores saíssem por não concordarem com os desmandos.

Sabemos que a roubalheira e a corrupção não é de agora, nem coisa só de Lula, mas que teve o enraizamento nas estruturas do poder envolvendo quadros históricos do partido. Agora resta saber se esses camaradas ainda se sentem na obrigação de justificar mais atitudes indefensáveis, como é esse abraço no Paulo Maluf, só por terem sido tomadas por Lula, esse poço de contradições e mentiras.

Agora só resta saber: quem pagou a conta do comício? - Francis Lopes de Mendonça



 Agora só resta saber: quem pagou a conta do comício? Ou o comício foi promovido com o dinheiro dos nossos impostos, utilizando o aparelhamento partidário do executivo da Paraíba e inconsequente inchamento clientelista da máquina do poder para funcionários comissionados comandarem o manifesto de apoio ao ato eleitoreiro ilegal do metalúrgico fútil?

Quem realmente pagou a conta do aparato montado para o muambeiro inaugurar o São Francisco, uma obra que se arrastou feito lesma por mais de dez anos com denúncias de superfaturamentos de mais de 300 milhões, erros de planejamento e contratos eivados de aditivos suspeitos?

Ou então o palanque, as tendas, o equipamento de som, as grades de proteção, o jatinho e uma frota de ônibus de luxo para levar aclamação até os ouvidos do muambeiro foram custeados por "sentimento de gratidão", como se na Paraíba os fornecedores não quitassem as faturas mediante pagamento em dinheiro.

Ou o Doutor Honoris Causa por formação de quadrilha dispõe de mecenas dispostos a bancar no caixa dois sua campanha populista fora de época? Eu só queria entender. "Pão e circo para o povo ignóbil" é uma máxima antiga dos romanos e tão bem aplicada por esses especialistas na arte de manipular a massa de manobra.

Mas parece que a máxima é muito mais bem aplicada por quem tem as raízes fincadas no partido dos petralhas, esse mesmo partido que passou 13 anos fazendo negociatas de gabinete com a direita reacionária e dividindo amplamente o poder e as roubalheiras com o partido dos pmdbtralhas numa desenvoltura de uma sem-vergonhice sem fim. E que não me digam que faço um discurso de ódio. É discurso de revolta e nojo! Vejam as imagens veiculadas do comício abaixo e tirem vocês mesmos suas próprias conclusões.

Quem pagou comício de Lula no São Francisco?




Josias de Souza 
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Alguém já disse que a verdade é algo tão precioso que às vezes precisa ser protegida por uma escolta de mentiras. Ao discursar no megacomício que Lula realizou na cidade de Monteiro, no Cariri da Paraíba, o anfitrião Ricardo Coutinho (PSB), governador paraibano, disse o seguinte:

“Aqui, no território livre da Paraíba, o povo sabe o que é verdade, o povo tem a coragem de ir às ruas. […] Eu agradeço aos meus companheiros, prefeitos aqui da região. Botaram a mão na massa. Fizeram, efetivamente, de burro, de carroça, de carro, de ônibus, de qualquer jeito criaram as condições para que muita gente estivesse aqui. Não foi gasto um centavo de dinheiro público, não foi gasto nada, a não ser o sentimento de gratidão que o nosso povo tem.”

Coutinho revelou-se um grato cego. Não viu a superestrutura ao redor. Entre outros itens, o aparato montado para Lula reinaugurar o pedaço da obra da transposição do Rio São Francisco que Michel Temer já havia inaugurado há nove dias incluiu: o palanque, as tendas, o equipamento de som, as grades de proteção, o jatinho para o candidato e uma frota de ônibus para levar aclamação até os ouvidos de Lula. Essas coisas não costumam ser custeadas pelo “sentimento de gratidão”. Mesmo no “território livre da Paraíba”, os fornecedores só quitam as faturas mediante pagamento em dinheiro.

As imagens veiculadas abaixo indicam que o evento custou caro. Como Coutinho assegurou que não há verba pública no lance, ficou boiando sobre as águas transpostas do São Francisco uma interrogação: quem pagou as despesas relacionadas ao megacomício de Lula?

De duas, uma: Ou o morubixaba do PT dispõe de meia dúzia de mecenas dispostos a financiar no caixa dois sua campanha fora de época ou o governador da Paraíba cometeu algum engano. Esse é o tipo de engano que costuma virar matéria-prima para ações judiciais. Em tempos de Lava Jato, o brasileiro já não se importa com enganos. Ele apenas não suporta ser enganado.

Lá vem o Brasil descendo a ladeira - Francis Lopes de Mendonça



 Parece que temos um caminho muito longo a percorrer entre a exuberante "civilização tropical" proposta por Darcy Ribeiro e o achatamento dos valores éticos e morais cujos desdobramentos já atingem proporções calamitosas de descalabro, principalmente nas classes dominantes.

A corrupção enraizou-se em nossa cultura com o DNA ruim e o ranço triste que a raça trouxe dos ladrões, degredados e salafrários da coroa lusitana que foram expulsos de Portugal e tiveram como penalidade a deportação para a Colônia. Daí por diante, o país só tem amargado a degeneração, passando pelo Império, chegando à República, que já nasceu invertida pois não germinou da vontade popular, mas nos quartéis.

A corrupção atravessou o Estado Novo, varou a Nova República, transpôs a Ditadura Militar e depois permaneceu com o retorno à “democracia” nos braços libidinosos de Sarney e Collor. Agora, essa corrupção dorme em alcova esplêndida, praticando suruba oficial nas mãos de FHC, Lula, Dilma e Temer, no colo do Palácio do Planalto, com suas putinhas chamadas de propina, disseminadas em tudo que é Órgão e Instituições do Estado brasileiro, em todos os níveis.

Chegamos na latrina do tempo. No fundo do esgoto político. Na cloaca da vergonha nacional e mundial. E não sabemos mais nem limpar a cara e nem lavar o rabo da incompetência e da falta de consciência de honestidade para sair dessa situação de decadência em que o país está atolado até a medula. A credibilidade geral está esfacelada com o crime organizado e suas facções dominando tudo. É o caos em suas formas mais descabeladas! Até parece que os nossos valores éticos e morais são merda pura.

Carta ao Tom 94 - Francis Lopes Ferreira



 
João Pessoa, 08 de dezembro de 1994.

Querido Tom: hoje, quinta-feira, 08 de dezembro de 1994, minha vontade é não escrever. Escrevo como sonâmbulo, na esperança, talvez, de que as palavras consigam diminuir a minha tristeza. E me vem à mente que há dois tipos de tristezas: tristezas tristes e tristezas alegres. Tristezas tristes são tristezas pelas coisas que poderiam ter sido e não foram. Tristezas alegres são tristezas pelas coisas que poderiam ter sido e foram. É o que sinto com a sua morte: estou triste alegre. Triste porque você se foi e alegre porque você viveu. E confesso pra você aqui o que julgo ser a mais alta declaração de amor já feita por um fã: “Gosto mais de você que de mulher!”.

“Ora, ora!” – dirá um incorrigível machista – “uma declaração de amor a um homem...”. Pois não tenho vergonha alguma. Sônia Braga disse uma vez que você era o homem que toda mulher gostaria de ter, porque você era masculino e feminino ao mesmo tempo. Acho que ela tem razão. E porque você era feminino – aquele rosnado doce, tomando chope – me sinto com permissão para amá-lo com ternura. Acho, Tom, que o Brasil, atolado até a medula num pântano de mediocridades, é uma mãe com as cinzas do filho morto nas mãos. E choramos...

Choramos um choro triste alegre, pois há uma coisa que nem a morte pode fazer: não tem o poder de tirar da gente a música que você fez. Na verdade, Tom, não sei direito se você a fez. A música é eterna, existiu sempre, é anterior à germinação do cosmos. A Bíblia que diz “No princípio era a palavra...”, acho que se equivocou. O que ela queria dizer era “No princípio era a música...”. Talvez seja a isso que damos o nome de Deus.

Quase escrevi um absurdo, mas me detive a tempo. Eu ia dizer “mistério e silêncio do mar”. Mas me lembrei que o silêncio só existe para nós que temos ouvidos convencionais. Você se lembra, Tom, do que disse Fernando Pessoa num de seus poemas mais lindos?
...e a melodia que não havia
se agora a lembro,
faz-me chorar...

A música, Tom, é o mar misterioso e ignoto de onde germinamos. Dizer que o músico compôs a música é o mesmo que dizer que o peixe inventou o mar. Não era a música que brotava de você. Era você que abrolhava da música. O cosmos, como você, também floresceu da música. Você sabia que filósofos e místicos antigos sustentavam a acalentadora hipótese de que o cosmos fora criado como coro e orquestra que cantassem a melodia que não havia – para que houvesse? Com o que você concordaria. Músicos não são os que compõem música. Músicos são aqueles que tem o poder de ouvir a melodia que nossos ouvidos mortais não conseguem ouvir.
Você, Tom, tocava piano e a sua respiração pesada no instrumento, entre a letra das músicas, fazia-nos felizes no corpo e na alma. Mas você devia saber que você mesmo era piano que os deuses tocavam para sua própria felicidade. É que os deuses, Tom, têm inveja do que sentimos quando o corpo se comove com a beleza e mexe com o ritmo. Acho mesmo que, como um ritual de feitiçaria, os deuses inventaram o piano e homens iluminados como você no grato afã de que a música lhes desse corpo como os humanos. Vai ver que a música só atinja sua estética suprema ao ser ouvida com ouvidos mortais...

Olha, Tom, estou aqui improvisando num teclado de computador, tentando fazer música com palavras. Estou trabalhando num arquivo que está guardado faz tempo. Lembrei-me dele ao ouvir dizer que o seu problema era “edi...piano”. Gostosa brincadeira, mistura de amor e música. O nome do arquivo é "O piano": chama assim porque nele coloco idéias que tive depois de assistir ao filme de mesmo nome. Pensei em escrever alguma coisa, mas logo desisti: nada do que eu dissesse poderia se comparar àquele belíssimo filme em que o corpo nu de uma mulher e as teclas dum piano é a mesma coisa. Essa imagem inesquecível me marcou: o mar furioso lambendo a areia lisa da praia que a luz transforma em espelho onde se reflete um piano. Ali estava, numa única imagem, uma síntese dos mitos cosmogônicos: a eterna batalha entre a fúria do caos e a beleza do corpo, o mar em luta com o piano.
Que delicioso piano deve ter sido a sua famosa garota de Ipanema! Corpo e mar devem saber amar...

Penso, Tom, nesse filme e me lembro duma poesia antiga, acho que de Casimiro de Abreu:

Eu me lembro, eu me lembro, era pequeno e brincava na praia... O mar bramia. E erguendo o dorso altivo sacudia a branca espuma para o céu sereno. E eu disse à minha mãe naquele instante: Que dura orquestra! Que furor insano! Que pode haver maior que o oceano ou mais forte que o vento? Minha mãe, a sorrir, olhou para o céu e respondeu: ‘Um ser que não vemos é maior que o mar que nós tememos, é maior que o tufão, meu filho. É Deus!‘.

Em tudo igual, minha versão só é diferente no fim, Tom Jobim. E pra você a dedico, pois se há um cara com poder para dizer a última coisa que foi dita, esse cara é você.
Eu me lembro, eu me lembro, era pequeno e brincava na praia... O mar bramia. E erguendo o dorso altivo sacudia a branca espuma para o céu sereno. E eu disse à minha mãe naquele instante: Que dura orquestra! Que furor insano! Que pode haver maior que o oceano? Minha mãe, a sorrir, olhou para mim e respondeu: ‘o piano...‘.
Pois é, Tom, penso que é isso que você diria. Com o seu piano você amansou o mar. E sabendo que você já mergulhou no mar absoluto, sinto-me sonolento de novo. Por um breve instante, entre a vigília e o sono, tive a impressão de que seguira o som do piano. E então mergulhei no escuro do esquecimento...
Beijo deste,
Francis

A droga e o seu combate no Brasil - Francis Lopes Mendonça




Particularmente, não faço apologia às drogas, mas ao bom senso. A realidade social é mais forte que as leis. Não sei se já foi feito um estudo comparativo dos efeitos do cigarro, das bebidas alcoólicas, da maconha e da cocaína a fim de que pudéssemos conhecer os efeitos destruidores de cada uma dessas drogas.

Um estudo que apresentasse dados aritméticos relativos aos efeitos individuais psicológicos e orgânicos, violência, crime, acidentes, custos financeiros individuais e sociais.

No caso das drogas criminalizadas, é importante saber quanto gasta o governo em segurança. Não conheço os dados estatísticos,mas tenho a impressão de que as prováveis conseqüências pessoais e sociais das bebidas alcoólicas são muito mais catastróficas que as conseqüências pessoais e sociais do cigarro e da maconha.

O fato é que todas as drogas, inclusive o cigarro e as bebidas alcoólicas, causam malefícios. Mas, no caso das drogas criminalizadas, isto é aquelas cuja produção, distribuição e consumo a lei proíbe, o seu malefício maior talvez não esteja naquilo que elas possam fazer com os seus usuários, particularmente. Seu malefício maior está no fato de que, por serem proibidas, elas criam brechas para o estabelecimento de um império paralelo de violência, crime, dinheiro, corrupção, intimidação que coloca em perigo a ordem social.

Não são essas, precisamente, as situações que vivemos neste país, em relação ao narcotráfico? Ou será que o mercado das drogas no Brasil pode ser eliminado por meio de repressão do aparelho policial?...

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