O problema do Estado é saber se haverá mais ou menos Estado - Leila Araujo



 O Estado cria problemas para vender outros problemas que nas campanhas eleitorais e nos programas políticos costumam ser chamados de ‘soluções’ – ou, mais precisamente: impostos.

Quando eu era menina, assistia ao desenho “Os Jetsons” e acreditava que no ano 2000 haveria carros voadores, roupas autolimpantes, coisas desse tipo. Chegamos em 2017 e o “detentor do monopólio da força” nos proíbe de usar um tipo específico de transporte, como se fosse nosso papai, como se fosse nossa mamãe.

O sentimento é de que o vereador da cidade se importa mais comigo (com meu bolso, por amor à verdade) que meu falecido paizinho. Quase chego a me comover. E não adianta muito listar os representantes que votaram desse ou daquele jeito, porque o sistema todo é viciado, e os saltimbancos trapalhões continuarão no mesmo picadeiro.

Há quem não compreenda que o problema político não é o regime, sistema ou forma sob o qual se governa, mas o próprio governo. O problema do Estado não é saber se haverá mais ou menos democracia.

O problema do Estado é saber se haverá mais ou menos Estado. Lembro-me de que na escola havia “educação moral e cívica”. Nossos professores nos ensinavam como ser bons cidadãos, pagar os impostos direitinho, votar com muita consciência, cantar o hino nacional, cobrar dos nossos representantes. Hoje precisamos (aprender e) ensinar desobediência civil aos nossos filhos.

Thatcher: "Se uma dama tem que provar que é uma dama, é porque ela não é - Leila Araújo



 
Já dizia Thatcher: "Se uma dama tem que provar que é uma dama, é porque ela não é." Façam analogias com o feminismo, o machismo, o antifeminismo, as que muito falam de castidade, whatever, verão que não existe "ser" onde existe necessidade- quase visceral- de autoafirmação.

Dito isso, eu não tenho a menor necessidade de ser feminista ou antifeminista porque eu não tenho a menor necessidade de evidenciar que sou a mulher, ou desrespeitar os homens por serem quem são, nem tirar deles a masculinidade sobrepondo a minha feminilidade ou a lógica desmontando a razão, porque estou consciente da superioridade da mulher frente ao sensível e da superioridade do homem frente a força, somos complementares e não excludentes e é exatamente esta complementariedade que nos une.

Para eu ser somente o que eu sou, não preciso me empoderar sobre ninguém, porque o poder que existe em mim está em mim e será percebido e não anunciado nem tomado à força. Não tenho a necessidade de provar nada, porque eu sou tudo o que eu quiser ser e não aquilo que grupos querem que eu prove ser. E se eu tiver que provar que tenho poder o impondo a força, é porque poder eu não tenho.

Sou intensa, não faço parte da turma dos mornos - Leila Araújo



 Sou tão intensa que posso me apaixonar pela pessoa no primeiro encontro, na primeira conversa e me desapaixonar completamente no segundo. Definitivamente, não faço parte da trupe dos mornos onde tudo fica no meio termo, naquele chove e não molha, nos joguinhos infantis de esconde esconde, no medo de demonstrar sentimentos, na sensibilidade que habita frases como "Vamos com calma." Não! Sou aristotélica: Ou é, ou não é; ou é oito ou é oitenta; ou está frio ou está calor; Ou eu amo ou eu sou completamente indiferente.

O que eu percebo nas pessoas é uma falta de intensidade descomunal, as pessoas vivem na constante superfície. Não há entrega, os desejos tem a profundidade de um pires, o interesse é tão curto quanto o cérebro e tudo isso permite que o medo seja o carro chefe de qualquer relacionamento que não se preze. Pra mim, que não coloco as pontas dos dedos na água da piscina para ver se a água está fria, mas mergulho logo de cabeça porque a água sempre estará mais quente na superfície banhada pelo sol, e fria por fria a intensidade de sentir o inesperado é o que me interessa, vejo esta questão com um certo pesar e desdem porque as pessoas morrem de medo de sofrer, mas não percebem que sofrem mesmo assim e sofrem por ter medo de sofrer, de se entregar, de se machucar.

Vai sofrer assim mesmo porque não viveu, porque não se entregou, porque não amou, porque não se permitiu expor. A exposição é mesmo para poucos, porque só os conscientes de si permitem e não têm medo da mazelas que ela, inevitavelmente, nos traz. .

E eu que sou a intensidade em pessoa, que me entrego até o último fio de cabelo mesmo consciente que me derreterei como açúcar de tanto chorar caso o fim seja inevitável e deixo sangrar até quase virar hemorragia, acho esse superficialismo o maior drama a nos degradar nos dias de hoje. E detesto o drama porque ele nos mantém inertes no meio termo nos deixando seguros no passado, ausentes do presente, distantes do futuro.Mas amo a tragédia, porque ela é o impulso que te remete ao passado, te chacolha no presente e te lança para o futuro.

Os dramáticos consomem o drama, os trágicos vivem a tragédia sem consumir dela. Para o trágico o fundo do poço tem sempre uma enorme mola. Para o dramático o fundo do poço é o fim, e este é o medo dos que vivem no superficialismo- o fim. Confesso, sem qualquer pudor, que tenho mais medo do superficialismo que se fez estrada para grande maioria das pessoas desse novo tempo que do fim. O fim sempre nos impulsiona, o superficialismo padece no eterno nem lá nem cá da gangorra dos mornos. Mergulhem de cabeça ou pereçam com os dedos como termômetros a aferir a eterna superfície.

Malafaia, ser o que ele é já é uma punição horrorosa. - Leila Araujo



 Sobre a acusação do Malafaia: ele é acusado de fazer parte de um núcleo colaborador, responsável por acobertar dinheiro desonesto.

Se isso se confirmar, ele recebeu dinheiro que não era doação pra igreja nenhuma, mas uma grana suja que ele ajudou a esconder, ganhando algo por isso.

Ele também esperneia, dizendo que houve abuso na operação, que não era necessário um "circo midiático" para convidá-lo a depor. Concordo, mas, como eu não sou uma pessoa tão boa quanto pareço ser, estou urrando de gargalhar ao vê-lo provar do que ele tanto adora quando acontece com os outros.

Quem o acompanha nas redes sociais, sabe que ele tem orgasmos múltiplos a cada operação policial recheada de mídia e escândalo. Berra que "quem não deve, não teme". Repete, em claro português de caps lock acionado, o senso comum que afirma que "onde há fumaça, há fogo" ou seja, se uma pessoa é acusada é porque tem alguma coisa errada ali. É um ditado bem bobo, porque é óbvio [ou deveria ser] que uma pessoa acusada é inocente até que se prove o contrário.

Às vezes as pessoas melhoram ao provar de seu próprio veneno. No caso dele, duvido. Não tenho esperança alguma. E nem desejo mal a ele. Ser o que ele é já é uma punição horrorosa.

Leila Araujo fala da ocupação das escolas públicas



Eu até tento ser caridosa e entender o ponto de vista do ocupante, procurando sua razoabilidade. Mas ainda não encontrei uma ótica sob a qual seja justificável privar os mais pobres do acesso a um serviço público que já é tão precário como forma de protesto.

Se a luta é por educação de qualidade, gratuita, universal... aquela coisa toda de quem não conhece a primeira lei da economia, não seria mais apropriado ocuparem as escolas privadas, impedindo a elite econômica de estudar enquanto os pobres não tivessem acesso à educação equivalente? Ah, mas aí não duraria um dia, não é? Por isso que eu não embarco nessa de que ocupantes sejam "heróis".

Estão lá ocupando um espaço com o qual, no fundo, ninguém se importa, exceto pelos pais que precisam de um depósito para os filhos enquanto trabalham.

A bem da verdade, nem como depósito de criança, escola pública de ensino médio serve, porque esses alunos já estão grandinhos para ficarem em casa sozinhos. Enfim, o fato de ninguém ver urgência para a desocupação e, por isso mesmo, ninguém precisar de coragem para ocupar esses espaços, é uma grande evidência da falência da educação pública no Brasil, para quem ainda precisava de alguma.

A dona Marcela Temer - Leila Araújo




Dona Ruth Cardoso mostrou que uma primeira dama pode ter função. Arrisco a dizer que Dona Ruth, balizou a função de primeiras damas de estados e municípios na parte social. Mulheres que trabalham e não ficam só ao lado em viagens e fazendo volume nos palanques da vida. Dona Ruth não teve sua imagem questionada, ninguém analisava sua roupa e muito menos o cabelo. Vai ver porque Ruth era mais velha, tinha cara de mãe e vó e quando a pessoa tem esse semblante de idade as outras tem uma pouco de vergonha em questionar. Estou falando das pessoas que realmente se importam com idade e com roupa, com ruga, com cabelo branco ou seja lá mais o que roda na cabeça de gente assim. Eu gosto de Dona Ruth pq ela desenvolveu diversos programas sociais que foram extremamente importantes, só por isso.

Desde que Marcela surgiu inúmeras piadas nasceram pq a zoeira não tem limites mesmo. Eu fiz piada também mas não por ela ser mais nova que Temer ou pelo fato de ser bonita. Não xinguei Marcela de prostituta como pessoas que normalmente pedem sororidade fizeram, não interpretei a maneira com que ela falou e muito menos escrevi um texto sem ao menos ler do que se trata o projeto social em que ela vai trabalhar. Também não escrevi uma carta para Marcela, incomodada com a figura de primeira dama que ela demonstrou, de certo esperaram que Marcela fizesse academia o dia inteiro, cuidasse só do filho ou fizesse a egípcia como Dona Marisa fez, só curtindo a vida de primeira dama... certeza que deve ser isso.


Fato é que Marcela não pode abrir a boca, Marcela não pode aparecer, pq quando isso acontece tem dez dedos apontados pra dizer que ela foi muito meiga, fofa e fraternal. Aparecem outros tantos pra dizer que a roupa estava assim ou assado e o cabelo não poderia ser daquele jeito. Não existe sororidade com a Marcela. Não existe compreensão de conteúdo quando surge a figura dessa primeira dama... na verdade ninguém quer saber sobre o projeto o lance é gritar antes que ela fale.


A Marcela certamente nunca vai ser a dona Marcela pq ela não merece - na cabeça de quem vive pedindo sororidade por aí.


A dona Marcela é o Fernando Holiday das mulheres e quando você observa essa coisa toda acontecendo dá vontade de jogar um sorvete na testa.


Enfim, hoje vemos a galera das lutas sociais dizendo que um negro não é negro e também falando que uma mulher não pode ter protagonismo e quando tem deve ser igual ao meu ou ao teu. Tá feio, vamos melhorar

"Separaram-se depois de vinte e seis anos de casados? Ah, agora que não acredito mais no amor!" - Leila Araujo



 "Separaram-se depois de vinte e seis anos de casados? Ah, agora que não acredito mais no amor!"

Com uma ou outra variante, tenho lido e ouvido coisas parecidas, obviamente por conta da separação de Fatima Bernardes e William Bonner.


Devo dizer que acho o raciocínio meio mocorongo.


Ora, SÃO VINTE E SEIS ANOS juntos! Esse tempo todo, por si, deveria ser prova inapelável da existência do amor, de que a crença nesse sentimento deve ser mantida e fortalecida.


Provavelmente, a jornada amorosa daquele casal, como de tantos outros, tenha encontrado um final e/ou (o que é mais provável) o sentimento tenha-se transformado, sem necessariamente virar algo negativo.


Mas o fundamental aí é que uma história dessas serve muito mais para reafirmar e mesmo reiterar a grandeza desse sentimento do que para refutar sua existência.
Sim, claro que às vezes idealizamos o amor eterno, mas a verdade é que ele raramente existe. Porém, sua não-eternidade não faz com que seja menos intenso ou, pior ainda, inexistente. É meio bocó (para ser bonzinho) colocar sentimentos humanos complexos nessa coisa de 8/80.


Fora que o amor mesmo, sem deixar de ser amor e sem deixar de ser uma relação a dois, também tende a transformar-se de maneiras igualmente bonitas: paixão extrema quase loucura, paixão amena, companheirismo confidente, amizade irredutível etc. A vida é feita de processos e etapas e, quando a vida é a dois, suas quantidades aumentam exponencialmente.


Então, é meio tosco acreditar que o final de uma relação, tanto mais depois de vinte e seis anos, significaria um sinal de fracasso do amor. Parece ser o extremo oposto. E isso também vale, aliás, para relações mais curtas.


Amor não é ciência exata. Nem costuma ser idêntico àquele produzido ficcionalmente para agradar aos anseios de leitores e telespectadores. E idealizar algo ao extremo, no fim das contas, pode ser uma maneira engenhosa e inconsciente de fugir dessa mesma coisa; clássica auto-sabotagem.

O caso da Ana Hickmann foi o fim do direito a legítima defesa.- Leila Araújo



 O caso da Ana Hickmann foi o fim do direito a legítima defesa.

Agora, temos que morrer quietinho e sem atrapalhar os planos do vilão, caso contrário, vilões somos nós.

O Brasil é um dos únicos países do mundo onde ser bandido compensa. Aqui bandido sempre é vítima e as vítimas por estas bandas estão sempre colhendo louros estatais, de organizações sem fins lucrativos, da imprensa, e é claro dos bonitinhos que aplaudem certos atos em nome da inveja e do ressentimento. Claro, porque se a vítima for rica ela perde automaticamente o direito de ser vítima e cai direto no banco dos réus.

E em terra de cegos, promotor vira promoter quando a visibilidade é certeira.

Cada um faz suas próprias escolhas - Leila Araujo



 É nossa culpa quando alguém resolve se drogar por conta de suas frustrações? É nossa culpa um assassino matar por conta de uma bicicleta? É nossa culpa que um bandido resolve atear fogo numa dentista porque ela só tem 100 reais? Tenho culpa que 30 monstros violaram uma jovem? Temos alguma coisa a ver com os problemas de cunho individual das pessoas? Alguma coisa a ver com a escolha das mesmas? Porque temos que nos sentir culpados por isso? Eu não me sinto! E sintam-se se quiser, mas eu jamais carregarei um fardo que não é meu.

Ser órfão, pobreza e má educação não transforma ninguém em assassino, não faz de ninguém bandido, mas sua liberdade individual de escolha faz de VOCÊ, e só de VOCÊ o que VOCÊ quiser.

Enquanto as pessoas não tiverem consciência que as escolhas, as atitudes e as condutas frente a vida são derivadas da nossa liberdade de escolher, elas acreditarão- fielmente- que quem rouba, mata, estupra, ateia fogo, esfaqueia é vítima de uma sociedade condicionada a se sentir culpada para inocentar algozes.


É bíblico: Quando Poncio Pilatos perguntou quem ele deveria crucificar, o povo escolheu Barrabas, o bandido, para ser salvo, e 2016 anos depois, nossos governantes, nosso Direitos Humanos, nossas ONS´s continuam escolhendo bandidos e criminalizando médicos, crianças, dentistas, estudantes, trabalhadores, pela própria morte. A culpa é da arma, da faca, da corda, do veneno, da ostentação menos do criminoso.

Num país que não há leis rigorosas, há crimes monstruosos. E eu não sou culpada disso e nem você.

A lei deve ser cega para garantir o princípio da Equidade - Leila Araujo



 O STJ determinou que, em caso de estupro, a versão da mulher tenha força probatória, ou seja, mesmo que os laudos da perícia técnica provem o contrário, o que valerá é a versão da mulher.

Eu, sinceramente, espero que isso não seja verdade porque se for, estamos nas mãos de um judiciário que não enxerga um palmo diante do nariz. Além do que, vai contra as nossas leis que garantem direito pleno a defesa para qualquer espécie de crime, colocando em risco a inocência de muitos homens.

Temo pelo meu irmão, pelos meus amigos, pelos meus amores. Só quem não conhece a sordidez da mulher, pode jogar nas costas dela a decisão sobre a culpa.

Estamos vivendo a Sharia às avessas, só que ao invés de proteger os homens mesmo estando errados, daremos aval as mulheres de ter controle sobre a vida dos homens.

Que todo culpado seja punido, desde que seja provada sua culpa. Usar da palavra como prova é sentenciar inocentes ao caos de um crime hediondo.

A lei deve ser cega para garantir o princípio da Equidade, quando a justiça não é igual para todos comete-se em nome dela as piores barbáries.

Quem sempre me fez sorrir, hoje me fez chorar. - Leila Araújo



 

 Eu o conheço faz tempo. Ele é muito magro e aparenta ter bem mais idade do que deve ter, provavelmente por conta das drogas e da miséria em que vive.

Mas continua mandando muito bem no malabarismo com argolas que faz num sinal de trânsito em que frequentemente paro.

Como já me conhece, nem se dá ao trabalho de levantar a camisa e girar para mostrar que apesar de tudo não é assaltante. Ou não está assaltando ainda, ou naquele momento. Tanto faz.

Na nossa sociedade essas coisas tanto fazem. O fato é que hoje ele, que nunca vi sorrir, sorriu. Um sorriso bem sem prática, um malabarismo de rosto que certamente não está acostumado a fazer.

Espontaneamente sorri de volta e fui pegando o trocado na cadência rotineira entre a abertura do sinal e sua aparição na janela do ônibus. Ele me olha, já com a habitual tristeza no olhar e diz - "guerreira, hoje não precisa dar nada... seu sorriso já valeu".


O ônibus arranca e ainda observo seu aceno pela janela. Quem sempre me fez sorrir, hoje me fez chorar. E posso dizer que lamento, profundamente, viver num país em que historicamente deixamos o futuro para trás.

Leila Araújo fala das cenas de terror que viveu



 Quinze para as fucking quatro da manhã. lembro que minha filha falou pra eu fechar a casa há horas atrás, vou na sala fechar a janela, vou para a cozinha Imagino alguém entrando em casa, fico com um certo medo e rapidamente afasto o pensamento, embora ainda sinta uma certa presença ruim.
Abro a geladeira e resolvo comer um pãozinho - vai ser bom para dar uma acordada, tenho alguns compromissos logo mais. A presença ruim continua, sinto um arrepio estranho.


Uma sombra.
E lá está ela, a barata.
Andando bem calmamente pela cozinha, a bicha é enorme, cascuda, insolente. dou um belo dum grito AI SENHOR ME PROTEGE (a gente fica numa religiosidade nessas horas).


Respiro fundo. Eu sou adulta, eu tenho trezentas vezes o tamanho dela. Só que ela continua andando. Ela me olha (sim, ela tava me olhando, eu tenho certeza).
Me lembro que no banheiro tem remédio de inseto, pego o spray e volto decidida a matá-la. no caminho, penso na escala de ódio que o vizinho sentiria caso eu acordasse ele agora: "amigo, é muito sério, tem uma barata do tamanho de um cavalo dentro da minha cozinha, meu pão tá lá dentro aberto esperando o recheio, eu não vou conseguir dormir, viver, criar minha filha, sabendo que um ser dessa magnitude coabita o meu lar".

É, ele sentiria ódio, melhor preservar a amizade.
Volto. não encontro mais a tal. Não tenho coragem de entrar (vai que ela tá entrada esperando pra se jogar em mim com mais três colegas do mesmo tamanho?), lanço uns jatos de spray ao vento, coisa que pra ela deve ser channel number five, né?
Ela deve inclusive gargalhar do baygon inútil que eu tenho. Tô até imaginando esse inseto dos infernos na maior gargalhada do mundo.

Mas cês acham que ela ficou sumida rindo de mim? ficou nada. Voltou a desfilar pela cozinha, me ignorando solenemente - Começo a achar que esse horário é dela, não meu. melhor ir dormir.
Não.
Em uma atitude corajosa e madura, resolvo encerrar logo essa baboseira (e esse texto): Detetizo toda sala pra ela não passar, saio correndo, me tranco no quarto e fico pensando quantos anos terei que viver trancada aqui até que eu esqueça das cenas de terror vividas essa noite.

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